terça-feira, 19 de março de 2019

Livro “Mentes Únicas” fala sobre autismo

Esclarecer informações valiosas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reforçar a importância do diagnóstico. Essas são uma das propostas do livro “Mentes únicas”, de Clay e Luciana Brites. Publicada pela Gente Editora, a obra mostra que o transtorno não é o fim do mundo e que é possível ajudar um autista a desenvolver suas habilidades impulsionando seu potencial.

Com linguagem acessível e trazendo um panorama histórico sobre o tema até os tempos atuais, a obra pretende mostrar que o conhecimento é o fator fundamental responsável por fazer as crianças, dentro do espectro, tornem-se seres humanos realizados dentro de suas particularidades.

“Mentes Únicas” ensina também como o autismo foi descoberto, quais são as pesquisas atuais sobre o assunto, como o cérebro de uma criança autista funciona, como identificar o espectro numa criança ou adolescente e quais são as melhores abordagens e práticas no dia a dia.

Pais desinformados
O neuropediatra Clay Brites explica que o autismo é um transtorno de desenvolvimento que afeta de maneira decisiva e predominante a capacidade de percepção social. Segundo o especialista, estima-se que, aproximadamente, 1% da população tenha autismo. “Apesar disso, o assunto ainda é pouco discutido em âmbito nacional. Por esse motivo, há tantas dúvidas de familiares e profissionais das áreas de educação e saúde”.

- Seja por preconceito ou dificuldade de aceitação, fato é que precisamos estar mais atentos aos primeiros sinais apresentados na infância para conseguir trabalhar de maneira correta com essa condição - reforça.

Segundo a psicopedagoga Luciana Brites, a falta de informação é o grande vilão. Ela diz que é comum ver pais e professores apresentarem grandes dificuldades em lidar com os autistas. “Mas, apesar de todas os desafios, é possível ajuda-los a ter uma vida melhor”.

Para a profissional, o que realmente faz a diferença é o diagnóstico. Quanto mais cedo, melhor e mais rápido será o processo que irá ajudar o autista a ter uma vivência mais conectada com a vida social, além de saber como lidar com as suas instabilidades. “Para isso, é necessário conhecer mais e descobrir cedo”.

- O livro mostra que é possível vencer os obstáculos do autismo. Além de identificar as particularidades do TEA, ensina pais e profissionais da saúde e da educação a estimular uma pessoa com autismo de modo que ela consiga desenvolver suas habilidades impulsionando seu potencial– ressalta.

Clay e Luciana Brites - Foto divulgação
Sobre os autores
Dr. Clay Brites é cofundador e speaker do Instituto Neurosaber, Pediatra e Neurologista Infantil pela Santa Casa de São Paulo, membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), doutor em Ciências Médicas pela UNICAMP e é vice-presidente da ABENEPI-PR. Luciana e Clay têm três filhos.

Cofundadora do NeuroSaber, Luciana Brites é palestrante e especializada em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Unifil Londrina e mestranda em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Mackenzie. É especialista em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação Ispe – Gae São Paulo, além de coordenadora do Núcleo Abenepi em Londrina.

Mentes Únicas
De Clay e Luciana Brites
Gente Editora
ISBN: 978-85-452-0307-0
Formato: 16 x 23
Páginas: 192
Preço de capa: R$ 34,90

Link para comprar:
encurtador.com.br/acfpZ
https://www.saraiva.com.br/mentes-unicas-10514729.html
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O amor vence os desafios do transtorno de déficit de atenção

Margarete A. Chinaglia - Foto divulgação
De Margarete A. Chinaglia *

As famílias que convivem com os portadores do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) percorrem um labirinto com muitas entradas e becos escuros até encontrar a luz no fim do túnel. O início é marcado quase sempre por uma fase cheia de interrogações e os caminhos são tortuosos até a evolução para a saída.

A pura e simples distração da minha filha como também o chamar e não ser atendida da primeira vez eram situações que me deixavam frustradas. Na escola, era comum ela esquecer ou perder os materiais. Ela também era mais lenta que as outras crianças na execução das tarefas ou simplesmente deixava as tarefas pela metade.

A minha primeira reação foi me perguntar se havia algo errado ou não. Mas com o passar do tempo, vi que não era normal. Depois de uma sugestão da escola para realizar uma avaliação psicológica e posterior consulta médica, recebi o resultado final de TDA (Transtorno de Déficit de Atenção). Para o pai e a mãe, a difícil aceitação de que tem algo de errado com o filho (a) e a indignação também fazem parte do processo.

No entanto, temos de seguir em frente. É preciso aceitar, contar para família, escola e amigos. Buscar auxílio médico e estudar bastante para entender sobre como ajudar a criança. Na minha época, havia poucos livros. Hoje, temos mais recursos para pesquisar.

A primeira lição é que o TDA vai muito além das dificuldades na escola com cálculos ou em matérias teóricas. Por exemplo, é comum a criança ficar abalada emocionalmente por conta de bullying. Alguns se sentem excluídos dentro da sala de aula, o que gera baixa autoestima e depressão.

Por isso, o acompanhamento dos pais é fundamental. É importante saber que dia após dia aparecem novas dificuldades. A adolescência também traz novos desafios. Os pais precisam de uma preparação psicológica para dar conta, além de discernimento, conhecimento, perseverança e o mais importante, o amor. O TDA não é fácil. Cada dia é um novo problema. Tem que ter força e fé.

Com a minha filha, precisei fazer o acompanhamento com uma equipe multiprofissional, com médico, psicólogo e psicopedagogo. Em casa, o cuidado era redobrado. Era necessário ajudar a organizar os estudos, fazer constantes lembretes, criar cronogramas, impor rotinas entre outras táticas.

Houve ainda necessidade de uso de medicamento. Também fomos trocando de profissionais e de remédios até acertar o melhor para ela. Por exemplo, a psicóloga pode até ser boa, porém, quando a criança não se adapta, não funciona. Tem que haver uma troca entre paciente e profissional para acontecer a aceitação do tratamento.

Por isso, é tão importante que os pais mostrem paciência com as dificuldades dos filhos. É necessário saber que paciência é uma arte, porque diante de tantas negações e reclamações, a tendência deles é caminhar para a desistência. A vontade de ver o filho vencer derruba qualquer barreira causada pelo cansaço.

Acredite sempre no poder do amor e da insistência. O reconhecimento dos filhos pode até demorar, mas ele vem. Entenda também que a luta contra o transtorno não tem um final. O que há é o entendimento e a aceitação da condição, além da certeza de que a pessoa pode ser feliz e realizar tudo o que quiser.

(*) Autora do livro “Transtorno do Déficit de Atenção – TDA: sob o ponto de vista de uma mãe”
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Margareth Miyamoto e os Desafios na educação profissional do século XXI, por Sérgio Simka e Cida Simka

Fale-nos sobre você.

Meu nome é Margareth Ramos Teixeira Miyamoto.
Nascida e residente em São Caetano do Sul, casada, tenho uma filha de 26 anos.
Professora há 42 anos (Inglês e Literatura Inglesa e Norte-Americana).
Graduada em Letras pelo Centro Universitário Fundação Santo André (2001), graduação em Pedagogia pela Faculdade de Educação e Cultura do ABC (1986) e graduação em Educação Física pela Faculdade de Educação Física de Santo André (1983), lato sensu em Língua Inglesa pela Universidade São Judas (2003) e mestrado em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP (2006). Atualmente sou professora da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo - Fatec São Caetano do Sul - Antonio Russo. Experiência na área de Letras, com língua inglesa, língua portuguesa e literaturas de língua inglesa e brasileira.
Possuo três capítulos de livro publicados pela Oficina do livro Editora. Diversos artigos literários publicados on-line e em revistas diversas. Artigos sobre tecnologia publicados na Revista CbTecle.
Adoro futebol e tênis, pratico natação e hidroginástica, faço costura criativa, cartonagem e pintura em tecido. Meu time do coração – Santos Futebol Clube.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o evento. O que a motivou a fazê-lo?


O primeiro motivo que me levou a ministrar a palestra foi o convite do bibliotecário Sr. Miguel. Sempre muito gentil, o Miguel me recebe com muito carinho.

Segundo, o público. Ministrei várias palestras na Biblioteca, e o público foi sempre muito receptivo, participativo e muito agradável.

Terceiro, venho ministrando aulas de Língua Inglesa na Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo há 15 anos, e tornei-me pesquisadora sobre tecnologia e L.E. (Língua Estrangeira). Há muitas discussões na área, mas nos deparamos com muitas transformações tanto na área tecnológica, quanto na área de letras e linguística, assim sendo, decidi trabalhar sobre o tema DESAFIOS NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO SÉCULO XXI1, uma vez que, segundo Edna Lúcia da Silva (2002), “a chegada do século XXI vem marcada com algumas características: o mundo globalizado e a emergência de uma nova sociedade que se convencionou chamar de sociedade do conhecimento. O progresso tecnológico é evidente, e a importância dada à informação é incontestável”.

Para González de Gómez (1997), “trata-se de uma revolução que agrega novas capacidades à inteligência humana e muda o modo de trabalharmos juntos e vivermos juntos”.
As mudanças no conhecimento alteraram significativamente o mundo corporativo. A palavra de ordem hoje é trabalho e não mais emprego. Toda atividade atualmente depende muito de conhecimentos, e por tal razão o indivíduo deve ser cada vez mais criativo, crítico e pensante.

Segundo o sociólogo Domenico De Masi, para ser criativo, “é preciso reduzir resistências à mudança, além de envolver todos os colaboradores na missão e incentivar o espírito criativo.“

Venho trabalhando no tema desde junho de 2018 e o objetivo deste trabalho é avaliar como a língua e a tecnologia manter-se-ão conectadas diante de tantos desafios. Como a mobilidade linguística fará parte integrante da mobilidade tecnológica? Isso me assusta um pouco, e são tantos desafios, que debater, dialogar, discutir e ouvir outras pessoas têm colaborado expressivamente para a elaboração de um texto mais construtivo e crítico sobre o tema, e têm me trazido ajuda em diversos aspectos, em especial à compreensão da mobilidade, mudanças, transformações do mundo atual.
Esta comunicação tratará de como o avanço tecnológico e a necessidade de desenvolver novas aptidões estão provocando uma avalanche de mudanças na área educacional.
As reflexões que serão apresentadas envolverão o processo de como se instruir, processo muito importante em meio a um mundo tecnológico, globalizado, no qual a produção passa a depender efetivamente de conhecimentos e criatividade, e necessita de uma enorme adaptação às mudanças dessa nova sociedade.

Como analisa a questão da leitura no país?

Infelizmente não há mais leitura em nosso país. Os livros são caros e a internet, as redes sociais são mais interessantes para os jovens do que os grandes clássicos, ou literatura moderna e contemporânea. As redes sociais engoliram a literatura, uma vez que as redes sociais são um “Gigante Golias”, fortes, soldados mercenários treinados e muito bem armados, charmosos e interessantes.

Como vê a situação do professor universitário hoje no país?

Vejo com muita tristeza. Somos apenas um grupo de insistentes apaixonados, tentando, sem muito sucesso, dividir nossos conhecimentos, compartilhar experiências, criar cidadãos críticos, aprender com nossos jovens..., mas sem muito sucesso, entretanto, não podemos desistir.
Travo comigo mesma, todos os dias, uma luta incrível, tenho que ser mais interessante que o Facebook e o WhatsApp. Ahahahahaha... Como?

Usando a internet, meus conhecimentos, “meu charme” (ahahahahah), e a inteligência de Davi para vencer Golias... Usar as experiências dos alunos, discussões sobre atualidades, cravar em cada aluno uma pedra enorme de curiosidade na testa, pesquisar na internet no momento em que estamos discutindo um tema, questionar e manter sempre acesa a chama do quero saber mais.
Os novos padrões da universidade particular e a falta de criatividade, recursos nas universidades públicas comprometem cada dia mais a relação: professor- universidade-aluno-ensino-aprendizagem.

Fale sobre sua produção literária.


Tenho três capítulos publicados em antologias. Meu livro permanece no meu computador. Tem nome, e seis contos. Demorará ainda alguns anos para ser publicado. Sou professora, trabalho na faculdade e em casa, pois são tantas atividades para corrigir, e tantas roupas para lavar... Ainda falta tempo. O sonho sairá do computador um dia, e irá para o papel.

Referências

DE MASI, Domenico. O ócio criativo. Entrevista a Maria Serena Palieri; tradução de Léa Manzi. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.
GONZÁLEZ DE GOMEZ, Maria Nélida. A globalização e os novos espaços. Informare, Rio de Janeiro, v. 3, n. 2-3, jan. 1997.
SILVA, Edna Lúcia. A formação profissional no século XXI: desafios e dilemas. 2002. http://www.scielo.br/pdf/%0D/ci/v31n3/a08v31n3.pdf. Acesso em: 19 jun. 2018.



*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a Série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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domingo, 17 de março de 2019

Solange Pansieri e o livro “Os Segredos de Antonia” (Editora Viseu)

Solange Pansieri - Foto divulgação
Solange Pansieri nasceu na cidade de Terra Rica no estado do Paraná, no ano de 1966. Mas viveu a maior parte de sua vida em São Paulo Capital. Hoje reside na cidade de Marília, no interior do estado. Professora aposentada desde 2017 dedica seu tempo a leituras e pesquisas sobre de tudo um pouco.
Possui o hábito da leitura, não consegue ficar um só dia sem ler um bom livro. Viaja com os personagens para um lugar secreto em que tudo é perfeito e maravilhoso.
Já ganhou vários concursos de poesias no Brasil e em Lisboa Portugal, e as mesmas foram publicadas em livros de Antologias.
É autora de três livros e o quarto já se encontra em andamento.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Solange Pansieri: Desde criança gostava de escrever como forma de desabafo. Era como se eu tivesse um amigo invisível que lia tudo aquilo e me ajudava sem que ninguém ficasse sabendo. Eu escrevia coisas bonitas, mas também, tristes. Depois descartava tudo e me sentia leve. Assim foi durante toda a minha vida.
Minha primeira obra foi um livro de poesias, lançado em uma editora de Lisboa Portugal. No qual dediquei ao meu filho falecido em 28 de setembro de 2014 de uma forma trágica.
E depois disso, em todos os meses, no dia 28, ao invés de chorar a sua ausência, escrevo uma poesia e ofereço a ele, para que assim eu sinta, de alguma forma, a sua presença.
Também faço poesias para outras mães enlutadas que me pedem.
Faço com prazer sem esperar nada em troca.

Conexão Literatura: Você é autora do livro “Os Segredos de Antonia” (Editora Viseu). Poderia comentar?


Solange Pansieri: Embora seja um romance espírita, acredito que seu conteúdo possa ser de grande valia para todas as pessoas, independente da religião. Pois contém ensinamentos básicos e úteis para entendermos que, para tudo há uma resposta e nada é por a caso.
Nada está errado, nem adiantado e nem atrasado. Por tanto, cabe a nós aceitar os acontecimentos com resignação, sem murmúrios e vitimismo. 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Solange Pansieri: Esse meu terceiro livro demorou quase um ano para ser finalizado.
Foi necessário muita pesquisa a  cerca dos conteúdos culminados com as minhas intenções na publicação. Queria publicar algo que pudesse ajudar as pessoas a repensar certas atitudes e facilitar as fases difíceis da vida. 
Eu deixava próximo a mim um caderno e uma caneta. E quando vinham me as ideias eu as registravam.
Confesso que as vezes, nem eu mesma sei como consegui escrever esse romance. Principalmente a primeira parte dele.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Solange Pansieri: Não há uma parte específica. Mas esta minha poesia que considero especial, resume o livro todo.

                                  Pedras no caminho

                         Entre vitórias e feridas,
                         No caminho pela vida,
                         A esperança é bem vinda,
                         Nas mazelas ocorridas,
                         Em palavras não ouvidas,
                         E ordens não obedecidas,
                         Nas desculpas oferecidas,
                         Até nas que não foram pedidas,
                         Por coisas não resolvidas,
                         Palavras mal entendidas,
                         Pelas estradas percorridas,
                         Nos tropeços sem saídas,
                         Pelas escolhas indevidas,
                         Bençãos não merecidas,
                         Mas mesmo assim, concedidas.

                                             Solange Pansieri 

Solange Pansieri - Foto divulgação
Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Solange Pansieri: Através do site da editora Viseu, e em breve em várias lojas virtuais.
Ou direto comigo nas minhas redes sociais, facebook ou pelo meu email: solangechaaban@hotmail.com

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Solange Pansieri: Sim, recentemente fui convidada a escrever um livro junto com uma outra pessoa, serei uma espécie de Coaching, porém o livro terá dois autores.
Me sinto lisonjeada por este convite e já ansiosa pelo produto final.

Perguntas rápidas:

Um livro: Amor além da vida
Um (a) autor (a): Zíbia Gasparetto 
Um ator ou atriz: Fernanda Montenegro
Um filme: Como eu era antes de você.
Um dia especial: Há vários, mas nenhum específico. 

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Solange Pansieri: Quero agradecer a participação nesta entrevista.
                             Muito obrigado
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sábado, 16 de março de 2019

Em autobiografia, ex-comissária divide histórias a bordo e conta como a persistência foi componente básico para o voar alto


Quase como em um divã, “Tripulação, portas em automático” reúne experiências de tripulação e passageiros em voos internacionais

Quando viajamos levamos na mala curiosidade, interesse e vontade de conhecer lugares e pessoas. É como se a vida ficasse mais alegre. Ou não? Porque viajar também pode ser uma forma de tentar esquecer uma dor. Mas, como, se a gente sempre leva junto o sentir? “O amor da minha vida, da minha existência, minha parceira de caminhada. Combinação e cumplicidade. Essa viagem foi uma insistência de meu irmão que mora em Portugal”, testemunhou um tripulante, no embarque, ao lamentar e dividir a dor sobre a morte da companheira de toda a vida.

Esta e outras quinze histórias estão no livro Tripulação, portas em automático (Autografia), que fala de coragem, de afeto. A comissária de bordo aposentada,

hoje empresária, Ana Cristina Haddad divide com o leitor 28 anos de experiências e relatos de situações interpessoais enfrentadas em voos internacionais da empresa British Airways, de onde foi funcionária. Das mais tranquilas às mais densas, é também um livro sobre coragem e persistência, afinal não foi fácil para a autora conquistar o emprego dos seus sonhos.

Através desses relatos, e em voos de doze horas muita coisa vem à tona, estão em xeque a convivência com o outro e, mais ainda, a convivência consigo mesmo. Para Ana Cristina, foram aprendizados capazes de promover mudanças na conduta, no sentir, na forma de pensar.

Dividido em três partes, o livro inclui desafios a que todos os ser humanos são expostos para transformar aspirações em realizações. O título pode, portanto, colaborar com candidatos a aeronautas ou jovens ainda em período de consolidação profissional em áreas diversas. Uma obra emocionante, na qual a autora fala sobre dedicação, empenho e superação, de coração aberto. O leitor fica nas alturas e lida com diversas sensações ao longo dessa viagem.

Tripulação, portas em automático é leve e divertido e relaciona entre as narrações: passageiro que foi furtado momentos antes de embarcar; voos com deficientes a bordo para os jogos paraolímpicos e as lições de vida; assim como a história de uma idosa e a emoção de suas lembranças. Há ainda relato de um caso de assédio a bordo; narrações sobre a fobia de voar; e a descoberta de drogas entre os passageiros. Tem história de nascimento a bordo; filhos presos e atropelados e o voo que separa os pais da realidade que encontrarão doze horas mais tarde.

“São muitas as situações que podem ser vividas a bordo, num lugar onde estamos todos confinados, muitas vezes com decisões que precisam ser tomadas imediatamente. Os passageiros também se sentem à vontade para dividir a vida porque, no fundo, acreditam que não encontrarão mais seus interlocutores”, diz a ex-comissária de bordo, para quem um comissário tem como missão tornar real um símbolo de liberdade e aproximar mentes e corações em todo o mundo.

Editora: Autografia
Formato: 24x21cm
Páginas: 144
Preço: R$ 35,00

SOBRE A AUTORA
Ana Cristina Haddad nasceu no Rio de Janeiro, dedicou 28 anos da sua vida à aviação como comissária de bordo de voos internacionais, sempre na mesma companhia, a British Airways, e viveu esse período entre Rio/São Paulo e Londres. Antes trabalhara por cinco anos na joalheria Amsterdam Sauer. Atualmente, investe no comércio e é docente da Fundação Logosófi­ca, cujos estudos consistem no conhecimento de si mesmo e sobre o futuro da humanidade.
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Suburbanas Memórias

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No Rio de Janeiro, há apenas alguns anos, as famílias viviam com mais naturalidade, o tempo parecia que passava mais lentamente, criança era criança e gostava de brincar, as praças eram redutos de amigos, vizinhos e namorados, as pessoas gostavam mais de viver e o sentimento de solidão não era tão grande.
Especialmente nos subúrbios, embora existissem também as fofocas e brigas de vizinhos, amores proibidos e grandes traições. Mas a vida era mais amena!
Isso é mostrado com riqueza de detalhes e preciosismo no texto do médico-fisósofo Ivan Frias, em seu livro de contos “Suburbanas Memórias”, da Editora Fraiha, onde relembra a parte boa de sua vida no subúrbio de Quintino no Rio e a saudade que tem deste tempo que não volta, já que os subúrbios e seus encantos, se perderam ao longo da vida.

“Mais do que contar pequenas histórias, o livro de Ivan Frias, diz sua editora Silvia Fraiha, transmite ao leitor os cheiros e as cores do subúrbio de sua infância: a terra levantada, a poeira das ruas, as calçadas irregulares e a melancolia do tempo que passa.”

O livro “Suburbanas Memórias”, Editora Fraiha, será lançado dia 25 de março, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. 
19:00 horas – bate papo com o autor e a professora e escritora Miriam de Carvalho, moradora do Méier, sobre a evolução da vida nos subúrbios do Rio, mediado pela jornalista Elizabeth Camarão.
20:00 horas –  autógrafos e coquetel.
Preço do Livro: R$ 35,00

SOBRE O AUTOR
Natural do Rio de Janeiro, médico e doutor em filosofia, Ivan Frias é autor também de  Platão, Leitor de Hipócrates ( Editora UEL, Londrina, 2001); Doença do Corpo, Doença da Alma ( Editora PUC/Loyola, Rio de Janeiro, 2005) e Soigner et Penser au Brésil – (com Jean-Luc Pouliquen – Editora L’Harmattan, Paris, 2009)
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sexta-feira, 15 de março de 2019

Guilherme Fostek e o livro A canção de um pássaro quebrado, por Sérgio Simka e Cida Simka

Guilherme Fostek - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Olá, leitores da Conexão Literatura! Meu nome é Guilherme Fostek de Oliveira e lancei o meu primeiro livro intitulado “A Canção de Um Pássaro Quebrado” pela Editora Uirapuru. Bom, sou natural da longínqua cidade de Pariquera-Açu, no interior do estado de São Paulo. Ao contrário da sua tradução da língua tupi (Pariquera-Açu significa Cercado de Peixe Grande) a cidade em si não é lá muito grande, mas tem os seus atrativos.  Eu tive uma infância típica de um garoto do interior de São Paulo e não escrevo isto com demérito, pois é nesta fase que geralmente formamos nosso caráter. E em particular, devo muito ao meio social de família e amigos da qual tive o prazer de participar.  Fui criado apenas pela minha mãe, Elisa da Silva. Ela é o alicerce moral da qual minha vida se fundamenta e observando em retrocesso, a agradeço imensamente pela educação que tive e por ela ter me aturado durante todos estes vinte e quatro anos e sete meses e mais alguns dias. Eu sou geólogo e atualmente estou terminando meu mestrado em geologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na área de Geologia Estrutural e Geocronologia. Eu sei, você deve estar se perguntando “O que geologia tem em comum com a história do livro?” Bom, de fato não tem nada mesmo. Mas criar uma história do zero tem um poder absurdamente apaziguador sobre você e te tira muitas vezes das obrigações rotineiras que uma graduação te exige, como entrega de relatórios, trabalhos e pesquisas etc. A Canção de Um Pássaro Quebrado nasceu dessa forma, enquanto em uma aba do Word estava a história de Benn e na outra aba estava algum relatório que eu deveria entregar até o fim da semana, e que com certeza eu estava atrasado.  E em 2015, fiquei sabendo de um concurso para a Editora Uirapuru que buscava novos autores e, assim, decidi mandar o livro para o concurso. Criança que não chora, acaba não mamando. E para minha surpresa o livro foi selecionado para a publicação.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o seu livro.

A Canção de Um Pássaro Quebrado é um conto que conta a história de um menino chamado Benn. Benn é um garoto relativamente sisudo e teimoso, como qualquer criança de oito anos relativamente o é (Alguns amigos até me disseram que ele é um Alter Ego meu. Prefiro não comentar sobre isto).  Ele tem uma amiga, a Velha Dóris, que conta histórias para ele na beira de sua cama. E uma destas histórias é a história de Eddard, um jovem rapaz irônico, narcisista talvez, mas com as melhores intenções do mundo. Mesmo que no final, o resultado prático de seus atos não sejam o dos melhores. E é através da história de Eddard que a Velha Dóris está tentando ensinar algo a Benn. A Canção de Um Pássaro Quebrado retrata um pássaro que possui desejos questionáveis e acaba se quebrando por conta deles. Através desta fantasia eu levanto os seguintes questionamentos: Você realmente quer aquilo que deseja? Você realmente sabe aquilo que deseja? Alguns diriam que saber o que você deseja é aquilo que define o seu eu mais íntimo. Mas não estou muito certo quanto a isto. Aliás, eu creio que talvez, você já tenha aquilo que deseja. No entanto, saber apreciar aquilo que já temos é um ensinamento difícil, como diria Siddhartha Gautama (Buda). Eddard possui desejos dentro dele que o anseiam e ele não vê o quanto tais desejos o fazem mal. Nesta história, o leitor conhece o que acontece quando um pássaro quebrado almeja lançar voos mais altos. Você pode pensar: “Ah legal. É uma história de superação. Um pássaro quebrado que consegue mesmo assim, voar”. Mas não é esta história retratada aqui. Na verdade, está longe de ser.

O que o motivou a escrevê-lo?


Estou muito feliz em responder esta pergunta. O livro nasceu de um pedaço de um poema de George Ripley que foi um importante alquimista do séc. XV. A parte em questão é: The Bird of the Hermes is my name. Eating my wings to make me tame. Que em tradução livre seria: O Pássaro de Hermes é o meu nome. Devorando minhas asas para assim me domar. Esta frase também é ilustrada no excelente anime japonês, Hellsing. Há muitos debates em fóruns sobre o que Ripley gostaria de dizer com esta frase. A minha interpretação sobre ela é uma alegoria relacionada a desejos e a psique humana da qual eu tento representar neste conto. O livro até tem um capítulo chamado Devorando suas asas para assim se domar (E a frase inteira eu tenho tatuada nas costas, aliás). Muitas vezes, temos desejos dentro de nós que não são muito benéficos. Um emprego que você almeja, por exemplo. Você o quer, mas para isto, talvez você tenha de perder a formatura da sua filha. A apresentação de teatro do seu filho. Isto sem falar no caso clássico em que você sabe que para chegar a um determinado emprego, talvez você tenha que passar por cima de alguém ou mesmo fazer algo não muito lícito e moral. Aí vem a pergunta: “Isto que você acha que deseja é realmente aquilo que você quer?” Muitas vezes, eu acredito que devamos devorar nossas asas para assim domar algo que esteja dentro de nós. É uma ótica diferente daquela que o saudoso Chorão do Charlie Brown Jr. retratava: O Impossível é só questão de opinião.  Apesar de eu gostar muito desta ótica, que ajuda as pessoas a tomarem as rédeas da própria vida, eu creio também que a precaução é sempre uma boa amiga. Um amigo me perguntou uma vez se eu era budista, após ele ler o meu livro, devido ao fato de que os ensinamentos de Buda falam exatamente sobre isto. O nirvana está logo ali, é só controlarmos nossos desejos que o alcançamos, dizia Buda. Segundo o próprio Siddhartha Gautama, este anseio em ser feliz, em ter uma vida equilibrada, em ser respeitado e quando estamos tristes, o anseio que a tristeza acabe é o que nos prejudica em sermos de fato... felizes. E o livro A Canção de Um Pássaro Quebrado retrata isto ao extremo. Um pássaro que tinha tudo para alcançar voos altos e quem saber ser feliz, se quebra devido ao não controle de suas emoções e desejos.

Como analisa a questão da literatura no país?


Eu não gosto muito de ser pessimista e na realidade, creio que não o sou. E não gosto também de começar frases com infelizmente..., mas, infelizmente, não vejo uma luz no fim do túnel. Se ela existir, talvez esteja tão fraca que precise trocar a bateria. Ou quem sabe, o túnel não tenha fim. A falta de leitura no Brasil é um problema endêmico e todo mundo conhece o diagnóstico e a cura para isto. Apesar de ela ser trabalhosa, esta eventual cura é muito simples: Incentivar a leitura. Não somente em crianças, mas também no público adulto. A falta disto ainda tem como resultado manchetes como: O povo brasileiro é um dos povos com menor noção da própria realidade. Sinceramente, acho isto assustador, pois isso reflete diretamente na vida de todos, desde a escolha de governantes até mesmo um espancamento de um rapaz por sua orientação sexual e/ou política. Com este cenário, o mais desolador, no que tange à literatura, é ainda ver livros e manuais de respostas fáceis, sem embasamento acadêmico algum, ganhando o aceite da população. Ou ainda textos que trazem revisionismos históricos com “novas” ideias que não são novas e muito menos têm embasamento teórico para tal. Eu, honestamente, gostaria que livros que trouxessem questionamentos ao invés de respostas fáceis, pudessem ter mais espaço nas vitrines. Em A Canção de Um Pássaro Quebrado eu tento trazer estes questionamentos da psique humana relacionada a desejos como um plano de fundo para uma história de fantasia. Talvez, seja esse o caminho, para atrair a atenção do público. Trazer questões que possam abranger o espectro humano através de histórias sobre ficção, fantasia, romances... E esta não é nem uma tática nova. Isaac Asimov fazia isso de forma assustadora em seus contos. George Orwel, Aldows Huxley e mais recentemente Patrick Rothfuss (do qual sou imensamente fã) já traziam esta temática há tempos. Em suma, era isso que eu gostaria de ver mais na literatura brasileira. Livros que trazem mais questionamentos ao invés de respostas. Pois se não houvesse uma pergunta, talvez ainda estivéssemos caçando alces como as antigas tribos de caçadores coletores que existiam no mundo Pré-Neolítico.

Quais os seus próximos projetos?

Primeiro, terminar a minha dissertação. Quanto aos livros, o final um tanto “maluco” de A Canção de Um Pássaro Quebrado deu brecha para uma continuação. A qual, eu ainda estou trabalhando nela. O segundo livro apesar de ainda não ter nome, é onde eu tento aprofundar um pouco mais a mitologia do mundo em que apresento no primeiro livro e ampliando um pouco mais os horizontes.


*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a Série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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Editora Malê lança Do Índico e do Atlântico, coletânea que reúne quatorze contos de escritores moçambicanos e brasileiros

Conceição Evaristo - Foto divulgação
Mia Couto, Conceição Evaristo, João Anzanello Carrascoza, Miguel Sanches Neto, Lília Momplé, Marcelo Moutinho e Eliana Alves Cruz participam da obra.

A Editora Malê lança no dia 26 de março, às 19 horas, na Livraria Leonardo da Vinci, localizada no Rio de Janeiro, a coletânea Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos.  Publicado simultaneamente em Moçambique, pela Editorial Fundza, o livro tem como objetivo a divulgação da literatura contemporânea brasileira em Moçambique e da literatura contemporânea moçambicana no Brasil.  A obra foi organizada pelo editor da Malê, Vagner Amaro, e contou com a colaboração do escritor moçambicano Dany Wambire na seleção dos escritores moçambicanos.   Do Índico e do Atlântico reúne contos brasileiros de Conceição Evaristo, Marcelo Moutinho, João Anzanello Carrascoza, Rafael Gallo, Eliana Alves Cruz, Cristiane Sobral e Miguel Sanches Neto e contos moçambicanos de Mia Couto, Lilia Momplé, Alex Dau, Diogo Araújo Vaz, Dany Wambire, Carlos dos Santos e Daniel da Costa.  Durante o lançamento haverá uma roda de conversas com Marcelo Moutinho, Eliana Alves Cruz e o escritor moçambicano Alex Dau, sobre os contos do livro e a literatura brasileira e moçambicana.
 
Serviço:
Lançamento de Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos
Data: 26/03
Horário: 19h
Local: Livraria Leonardo da Vinci. Marquês do Herval - Av. Rio Branco, 185 - Centro, Rio de Janeiro.
Contato: imprensa@editoramale.com.br

Título: Do Índico e do Atlântico: contos brasileiros e moçambicanos
Organização: Vagner Amaro
Autores: Conceição Evaristo, Marcelo Moutinho, João Anzanello Carrascoza, Rafael Gallo, Eliana Alves Cruz, Cristiane Sobral e Miguel Sanches Neto; Mia Couto, Lilia Momplé, Alex Dau, Diogo Araújo Vaz, Dany Wambire, Carlos dos Santos e Daniel da Costa.
Assunto: Literatura brasileira - contos; Literatura moçambicana - contos.
Páginas: 139
ISBN: 978-859-2736-38-5
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Sobre o Conto de Ficção Científica “Os Desajustados”, do genial Robert Silverberg

Robert Silverberg - Foto divulgação
Web Foss, adido terrestre ao Governo Civil de Egri V, tinha um problema. Sua mulher, Carol, havia perdido a cabeça em uma discussão com ele, no planeta Egri V, e se mandara para um outro. Não sabendo que este era um planeta pesado, um planeta para homens adaptados viverem, não para homens comuns. A Terra havia fundado colônias espaciais em muitos mundos pela Via Láctea e, entre eles, havia planetas pesados, com uma gravidade maior que a da Terra. Planetas que você, se pesasse aqui na Terra setenta quilos, num mundo adaptado pesaria cento e quarenta quilos ou mais.

Para colonizar tais planetas inóspitos, foi necessária uma intervenção da engenharia genética. Para criar pessoas especiais. Para criar homens e mulheres tão fortes, de constituição física tão desenvolvida, que poderiam viver 100 anos em um planeta que possuísse duas vezes a gravidade da Terra, ou “2g”. Carol Foss estava em um desses mundos já há duas semanas desaparecida.

Contatando o Capitão dos Correios, Web Foss descobriu que Carol estava em Sandoval IX. Ele descera em uma das mais de vinte colônias do planeta, contatara Haldane, o Oficial da colônia, e expusera o problema. Após falar com ele por cinco minutos, Haldane dissera que sabia onde Carol estava. E quando Web Foss falou que, se ele sabia onde sua mulher estava, por que não contava a ele onde, Haldane respondera que Foss era um terrestre. Um ser superior. Então, que tratasse de encontrá-la.

Os homens adaptados eram motivo de zombaria e chacota na Terra e nos mundos onde a gravidade era normal. Muitos haviam sido adaptados de forma que pudessem respirar com cinco por cento do oxigênio existente na Terra. Com uma atmosfera de vinte por cento de oxigênio, como aqui, sentiam-se permanentemente embriagados, respirando tanto oxigênio puro. Eram mal recebidos na Terra, a eles eram destinados hotéis e restaurantes de segunda categoria. O preconceito era arraigado. Os adaptados, em Sandoval IX, tinham por volta de um metro de altura por uma envergadura bastante sólida e larga, de modo a suportarem o “1,8g”, que era a gravidade daquele planeta.

Os adaptados não ajudaram Web Foss em nada. A não ser um deles, que informara que Carol se encontrava a dezesseis quilômetros de distância, na colônia vizinha. Dissera isso para que Web permanecesse o mínimo possível em Sandoval IX, onde estava atrapalhando a vida de todos. Aliás, para os adaptados, a simples presença de um terrestre entre eles já os desagradava em muito. Uma viagem até a colônia onde Carol estava, através da nave de Web, era impossível. Sendo um planeta de alta gravidade, Sandoval IX tornava a partida das naves um processo difícil. Pois consumia demasiado combustível partir, chegar em órbita, para depois aterrissar novamente no planeta, para depois subir, mais uma vez, e escapar da gravidade daquele mundo. E seguir de volta para Egri V. Web Foss não dispunha de combustível para tanto. Tentara conseguir um transporte, que alugaria de um dos homens adaptados da colônia onde descera, mas ninguém alugava transportes para terrestres. Todo esse tratamento que estavam dando a Web era o troco, pelo tratamento cruel que os adaptados recebiam, cada vez que visitavam um planeta de gravidade normal.

No bar, onde resolvera pedir aos clientes que alugassem um transporte para ele, e fora negado, Web Foss falou que iria caminhando até a colônia mais próxima, e voltaria trazendo sua mulher. Disso eles tinham a sua palavra!

Dezesseis quilômetros. Depois de três quilômetros e meio, Web estava mais que exausto. Resolveu parar e descansar, encostado a uma árvore na beira da estrada. Sua pulsação estava aceleradíssima. Sentia tonturas. A gravidade exercia seus efeitos devastadores contra ele. Ainda assim, levantou-se assim que se sentiu melhor. Tinha setenta e sete quilos e pesava em Sandoval IX cento e trinta e nove quilos.

Continuou a “caminhada”. Mais três quilômetros e estava cansadíssimo, mas repetia para si que era somente questão de continuar. Um pé à frente do outro. Arrastando-se. Até que, sem ter ideia da passagem do tempo, chegou ao povoado onde sua mulher estava. Conduziram-no até um casebre, onde ela se encontrava deitada em uma cama, em estado inconsciente. Quando acordou, contara a Web que não sabia que Sandoval IX era um planeta pesado. Quando dera por si, a nave dos Correios já havia partido e demoraria muito para voltar. Então, caminhara por alguns metros, caindo. Fora alvo de troça dos adaptados, até que desmaiara com o esforço. E então, alguns ajudaram-na, assim como se ajuda um animal ferido.
Deram-lhe comida e bebida alcoólica. Bebera, para passar o tempo sem sofrer com a terrível gravidade. Web disse a ela que voltariam para a nave dele, distante dezesseis quilômetros. Apenas dezesseis quilômetros. Web poderia ter aterrissado a trinta quilômetros. Ou duzentos. E voltariam para Egri V. Dormiram um pouco e, quando acordaram, na manhã seguinte, puseram-se em marcha. Era meio-dia quando chegaram à colônia onde a nave de Web aguardava.

No início, encontraram um grupo de adaptados. Entre eles, Haldane. Era óbvio, pelo rosto e os olhos deles, que estavam desapontados. Haviam deixado ele e sua mulher para morrerem no deserto de Sandoval IX, isso era mais que claro. Três deles barraram o caminho do casal de terrestres.

— Saiam de meu caminho. Deixem-nos passar — dissera Web asperamente, não querendo mais encrenca, mas sentindo a raiva subir à face. Haldane disse para darem passagem. Na nave, ajudara Carol a subir na escotilha. Encarara o grupo dos homens adaptados, não acreditando que conseguira voltar vivo da caminhada. Agora, eles teriam mais respeito ao lidar com um terrestre.

— Adeus! — disse ele, sorrindo largamente. Então, entrou na nave, colocou-se por trás dos controles e partiu para casa.

Robert Silverberg nasceu em 1935, nos Estados Unidos. Escritor de Ficção Científica, Fantasia e Não Ficção, recebeu inúmeros prêmios, como os tão cobiçados Hugo e Nebula. Quanto aos prêmios Hugo, os mais importantes do gênero, pode-se citar “Nightwings” (novela “Asas da Noite”) e os romances “Lord Valentine’s Castle” e “The Stochastic Man”. Quanto aos prêmios Nebula, cito o romance “Time of Changes” (romance “Tempo de Mudança”), “Dying Inside” (romance “Uma Pequena Morte”), o romance “Thorns” (“Espinhos”) e o romance “The Tower of Glass” (“A Torre de Vidro”). Este conto, “Os Desajustados”, foi lançado no Brasil na antologia de contos do autor “Rumo aos Mundos do Futuro” (“To Worlds Beyond”), lançada pela Edameris (Editora das Américas), em 1967.

No futuro distante, salvo alguma catástrofe, a Humanidade terá avançado o suficiente para colonizar inúmeros planetas em nossa galáxia. Como lidará com problemas de atmosfera, pressão, gravidade? Poderá ser o Homem como civilização uma raça suficientemente criativa para resolver todos os seus problemas, no espaço?

O Homem engatinha, em sua missão de viajar pelo espaço e colonizar mundos alienígenas. Problemas aparentemente impossíveis de contornar levam a raça humana sequer conseguir a ir a Marte, seu planeta vizinho, fundar uma colônia e voltar, deixando lá sua semente. A Lua foi o máximo que já conseguimos alcançar, em missões perigosas, mas que deram ao desenvolvimento da Ciência um passo gigantesco. A tecnologia da Era Espacial fez com que tivéssemos ao nosso dispor uma evolução na computação, em novos materiais revolucionários, como o grafeno, fizeram o homem até mesmo avançar na biofísica, criando novos dispositivos, como próteses e técnicas de recuperação em acidentados e deficientes físicos. A mais nova tecnologia que surgiu foi a de paraplégicos e tetraplégicos, conectados a um computador, serem capazes de se movimentar e manipular objetos por próteses artificiais. Isso era um sonho de Ficção Científica, até vinte anos atrás.

Mas... o que se fará diante do desafio de vencer a gravidade pesada, em planetas de grande massa? Quando maior a massa — ou “quantidade de matéria” — que um planeta possui, maior a sua gravidade, mais se sente dificuldade em se locomover sobre sua superfície.

Em planetas com o dobro da aceleração da gravidade “g”, um homem que na Terra pese cem quilos, nesses planetas pesará duzentos quilos. É algo muito complexo. Teríamos de inventar um modo de sobrepujar as dificuldades de viver nesse tipo de planeta “pesado”.

Robert Silverberg imaginou homens modificados geneticamente, muito mais fortes, tão fortes que um único soco forte desses homens poderia matar um terrestre muito facilmente. Esses indivíduos, de constituição física fora do comum, seriam os colonos em tais mundos. Mundos que seriam ricos em minérios raros, seriam muito férteis e valiosos para o governo da Terra poder investir neles pesadamente. No conto “O Planeta Pesado”, de Milton A. Rothman, publicado em “... Para Onde Vamos?”, antologia editada por Isaac Asimov (“Where Do We Go From There?”, lançado pela Hemus Editora, em 1979), estamos em um planeta de alta gravidade, em que uma nave terrestre cai em um de seus oceanos. Um agente secreto da Terra, nascido neste planeta, deve recuperar um objeto na nave, antes que inimigos o façam. Ele arranca placas rebitadas de aço do casco da nave como se fossem feitas de papelão, por exemplo. A gravidade é gigantesca, sendo que a nave está a ponto de ser destroçada pela ação das pequenas ondas desse oceano “pesado”.

Mas talvez a engenharia genética não consiga produzir homens com tais características físicas tão especiais, afinal. Talvez mundos de alta gravidade sejam inacessíveis ao homem, mesmo que possuam atmosfera respirável.

Talvez o homem esteja destinado a, primeiro, resolver os problemas desta velha e cansada Terra, da qual tanto se tem tirado e tão pouco se tem dado a ela. E somente depois de solucionar os desafios de controlar a poluição, diminuir o aquecimento global, mitigar a fome, acabar com os fantasmas da violência e criminalidade, da guerra, o homem possa estar livre para lidar com outro tipo de problema. O mistério de como viajar até Alfa Centauri seria secundário, e colonizar seus planetas, a quatro anos-luz de distância, talvez devesse esperar.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
Pelo site da Amazon: Clique aqui.
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quinta-feira, 14 de março de 2019

Resenha - Recortes de Uma Paixão


Título: Recortes de Uma Paixão
Autor: Wallery Giscar
Editora: Independente
Páginas: 153
Ano Lançamento: 2018 

O que você faria se estivesse apaixonado por duas pessoas? Daniel é de família humilde e tem o sonho de passar no vestibular para Medicina. Rebeca nutre uma paixão por Daniel e Lúcia completa o triângulo amoroso. Cheio de dúvidas e inseguranças, Daniel faz escolhas que vão cobrar-lhe um preço muito alto. Recortes de uma paixão é uma história de amor, de família e de decisões e suas consequências. É uma história sobre a alegria do primeiro amor, de redenção, esperança e confiança em seu poder. Uma história que nos transporta para uma época gostosa, a adolescência, aquele período de descobertas e incertezas que podem mudar para sempre o rumo de uma vida. 

Impressões: 

Recortes de Uma Paixão, novo romance do autor Wallery Giscar (Ajuste de Contas), em seu novo livro, um triângulo amoroso prenderá o leitor logo nas primeiras páginas. 

Daniel é o personagem principal, um jovem sonhador que tem como objetivo principal passar no vestibular de medicina. Porém, todo jovem se apaixona, eis que surge Rebeca. 

Beca (para os mais íntimos), nutre uma paixão verdadeira por Daniel, nem tudo são flores! 

Lucia, uma jovem da alta sociedade, aparece na vida de Daniel, deixando-o completamente louco de amores por ela. Sem pensar duas vezes engata um relacionamento com Lucia, sendo assim, traindo Beca e formando um triângulo amoroso. 

Wallery Giscar possui uma escrita impecável, fluída e sem amarras, outro destaque positivo é na construção dos personagens, deixando uma leitura dinâmica, levando o leitor para dentro da história. 

Daniel passa por diversas provações, tendo questões amorosas para serem resolvidas, além da pressão dos pais para melhorar suas notas no colégio, afinal, o seu objetivo é tornar-se médico. 

A obra possui inúmeras reviravoltas, não é apenas um simples livro recheado de amor, partindo do drama até chegar em aventuras do qual o leitor sentirá na pele. 

Vale a pena? Sim! Uma obra indicada para ser apreciada em um final de semana tranquilo.


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quarta-feira, 13 de março de 2019

Cena editorial independente é destaque no episódio inédito de 'Esse Negócio de Livro', nesta quinta-feira, 14

Cena do episódio "Esse Negócio de Livro" - Foto divulgação
A importância da diversidade de publicações no mundo dos livros é o tema do episódio inédito da série exclusiva “Esse negócio de livro”. No programa, Estevão Azevedo, Marcelino Freire e Noemi Jaffe, alguns dos principais autores do mercado editorial independente brasileiro, refletem sobre os desafios, as conquistas e as necessidades da cena editorial. Profissionais de mercado, como Eduardo Lacerda, Luiz Antonio Torelli, Marianna Teixeira e Pedro Almeida, também participam do episódio. Na Quinta do Pensamento, 14, às 23h.

Quinta do Pensamento - 14/3

23h – “Esse Negócio de Livro” (Série) – Episódio “Cena editorial independente”

Neste episódio, editores e autores falam sobre estratégias alternativas para manter vivo um mercado para além dos grandes players. Estevão Azevedo, Marcelino Freire e Noemi Jaffe ilustram o episódio. Diretoras: Adriana Borges e Lúcia Tupiassú. Duração: 26 min. Classificação: Livre. 
Horários alternativos: 15 de março, sexta-feira, às 3h e às 17h; 16 de março, sábado, às 21h; 17 de março, domingo, às 10h35.

Sobre o Curta!

Dedicado às artes, à cultura e às humanidades, o Curta! é um canal independente que acolhe a experimentação e se orgulha de ser um parceiro dos realizadores, artistas, criadores e produtores. Com o compromisso de transmitir 12 horas por dia de programação nacional independente, o canal pauta a sua programação pelos seguintes temas: música, dança, teatro, artes visuais, arquitetura, metacinema, filosofia, literatura, história política e sociedade.

O Curta! pode ser visto nos canais 56 e 556 da NET e da Claro TV, no canal 75 da Oi TV e no canal 664 da Vivo, oferecido à la carte pela operadora. Siga o Curta! nas redes sociais: www.facebook.com/CanalCurta, https://twitter.com/canalcurta e www.youtube.com/user/canalcurta. Saiba mais em http://www.canalcurta.tv.br.

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7 frases impactantes de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa - Foto divulgação
Fernando Pessoa foi um poeta, dramaturgo, filósofo, ensaísta, tradutor, publicitário, inventor, empresário, astrólogo, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Pessoa é o mais universal poeta português.

1 - A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

2 - Para viajar basta existir.
Fernando Pessoa

3 - O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Fernando Pessoa

4 - Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa

5 - Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Fernando Pessoa

6 - Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.
Fernando Pessoa

7 - A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta.
Fernando Pessoa
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terça-feira, 12 de março de 2019

Contos do livro ‘Enterrando Gatos’, lançado pela Editora Patuá, misturam a estranheza e o cotidiano

Obra é primeiro trabalho de ficção da jornalista e escritora Rafaela Tavares Kawasaki

Uma garota que pratica furtos para acariciar objetos e depois destroçá-los assiste ao caos gerado como consequência do próprio vício. Duas crianças cruzam sozinhas uma cidade, pela primeira vez, para resgatar um cachorro de estimação. Uma mãe digere a intenção de abandonar o filho em um parque de diversões, farta de enterrar animais que acredita terem sido mortos por ele.

Esses são alguns dos protagonistas dos sete contos que compõem o livro “Enterrando Gatos”. A obra, prestes a ser publicada e distribuída pela Editora Patuá, um dos principais selos independentes de São Paulo, é a estreia na literatura da escritora e jornalista araçatubense Rafaela Tavares Kawasaki.

O livro será lançado em 23 de março, às 19h, em São Paulo. O local do evento será o Patuscada – Livraria, Bar e Café, espaço da própria editora, localizado na rua Luís Murat. Haverá também um lançamento, previsto para a primeira quinzena de abril, em espaço cultural de Araçatuba.

CONSTRUÇÃO
Escrito em um estilo que mistura o impressionismo, a estranheza e elementos do cotidiano, os contos de “Enterrando Gatos” começaram a ser compostos entre final de 2017 e meados de 2018, ganhando reescrituras em 2019. Segundo a autora, enquanto as narrativas expõem, em um primeiro plano, os conflitos internos e externos dos personagens, fora da superfície elas refletem os maniqueísmos, uma tendência à histeria coletiva e ao linchamento, a empatia seletiva e o incômodo causado pelas imposições de padrões de comportamento que caracterizam a sociedade atual. “Eu queria contar histórias, sempre tive essa ânsia. Mas a ficção raramente se limita a relatos puros, ela é infiltrada pelo seu contexto histórico e o nosso é marcado pela passividade diante do absurdo, e explosões de violência. Os contos têm um pouco disso.”

As protagonistas são, em grande parte, mulheres. De acordo com Rafaela, elas surgiram de forma quase orgânica. A realidade do gênero feminino é plural, porém, é perspectiva com a qual a autora está mais familiarizada. Por outro lado, ela relata sentir uma urgência em dar voz a mulheres ao escrever, criar personagens femininas com camadas nem sempre agradáveis, porém, que fazem parte da construção de uma psicologia complexa.

Há escritoras cultuadas pelo público e crítica como contistas e romancistas na literatura ocidental dos séculos 20 e 21 que narram uma realidade feminina, como Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Alice Munro, Elena Ferrante, Chimamanda Ngozi Adichie e Joyce Carol Oates. “Contudo, é muito mais comum, quando temos contato com literatura clássica, lermos autores homens e estudarmos personagens mulheres idealizadas sob a ótica deles. Acredito que ler mulheres falando sobre mulheres ajuda os leitores a nos enxergar com seres mais múltiplos e menos estereótipos.”

Parte dos personagens inclui também crianças, fazendo emergir um relatos de perda de inocência nas histórias. A ambientação de parte dos contos é o Brasil atual, porém outros deles se passam em décadas como os anos 1980, 1990 e 1950.

CONTOS
O primeiro conto, “Porcelana”, acompanha uma menina que se apoia em furtos e destruição de pequenos objetos como válvula de escape para os próprios desgostos. Já o segundo, “Bolinha”, mostra o dia de dois irmãos que saem de casa sozinhos para buscar um cachorro perdido. Em “Enterrando Gatos”, conto que dá nome ao livro, uma mãe oscila entre a vontade de proteger e a de abandonar um filho ainda criança, que a perturba com o hábito de levar gatos mortos para casa.

O conto “Enjoy the Silence” é protagonizado por um casal de recém-casados que vivem uma crescente de ódio por um vizinho que os impede de dormir. Um menino saboreia a animosidade em relação ao namorado da mãe em uma viagem em “A madrugada ainda tem cinco horas”. Uma mulher revolta a vizinhança ao se negar a sepultar o marido em “Frutas Estragadas”. O último conto, “Poesia de Rodoviária”, tem como ponto de vista o de um atendente de rodoviária que presencia a ascensão e queda de uma moradora de rua ao se tornar uma celebridade local.

Rafaela Tavares Kawasaki - Foto divulgação
AUTORA
Hoje com 31 anos, Rafaela trabalha com a escrita desde 2011, quando começou a estagiar em um jornal. A escritora nasceu em Araçatuba em 1987. Cresceu no Japão, onde passou 12 anos e habitou diferentes regiões do arquipélago. É formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário Toledo, na mesma cidade. Ainda na condição de estudante, foi finalista do “Prêmio Santander Jovem Jornalista”, realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 2014. Atualmente trabalha como assessora de imprensa no Centro Universitário Toledo.

Ela recorda que aos sete anos gostava de escrever pequenos contos infantis, que registrava um caderno pequeno de capa vermelha. Resolveu voltar à prática na adolescência, quando se apaixonou pela literatura como leitora e até arriscava a redigir narrativas fictícias, porém costumava esconder ou até descartar os textos que escrevia. Trabalhar como jornalista e escrever diariamente, mesmo que em uma linguagem técnica e com relatos de não-ficção, além de ser uma atividade profissional, serviu de laboratório para a literatura e para encorajá-la a publicar os próprios contos.

EDITORA
A Editora Patuá - Livros são amuletos - é uma alternativa no mercado editorial: com o objetivo principal de publicar bons autores que ainda não encontraram espaço nas grandes editoras, mas que também não desejam pagar pela edição da própria obra. Seu objetivo é apresentar ao público livros com excelente qualidade gráfica e, sobretudo, literária.

A editora iniciou as atividades em fevereiro de 2011 e, após oito anos de muito trabalho e mais de 800 títulos publicados, estabeleceu-se como uma das principais editoras independentes do país, conquistando duas vezes o Prêmio São Paulo de Literatura, três vezes o Prêmio Jabuti, o Prêmio Açorianos e deixando autores e autoras finalistas e semifinalistas dos principais prêmios literários do país, incluindo os Prêmios São Paulo de Literatura, Prêmio Rio, Prêmio Jabuti.

SERVIÇO
O livro “Enterrando Gatos” será lançado em 23 de março, no Patuscada – Livraria, Bar e Café, localizado na rua Luís Murat, 40, Pinheiros, São Paulo.
A obra pode ser comprada nos sites https://editorapatua.minhalojanouol.com.br/ e http://www.amazon.com
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CONTATO DA AUTORA
E-mail: rafaela.tavaresk@gmail.com

TRECHO DO LIVRO
“Se deslizar o dedo pela superfície fria da porcelana não fosse tão bom, Marina não teria prolongado a caça a objetos para acariciar e esmagar. Na verdade, não teria começado. O elefante indiano foi o princípio sem o qual não haveria sequências. Era um bibelô pequeno em meio a uma fauna de miniaturas que decorava a sala da Tia Lia. Apesar do tamanho, devia ser um favorito. Ocupava uma posição de destaque na cômoda de madeira envelhecida. Foi o primeiro de uma coleção de objetos conquistados e destroçados.

Era inevitável esfregar o dedo no bibelô depois do contato inicial. As bochechas e a barriga tinham curvas lisas de porcelana, mas as orelhas e a manta cheia de arabescos em relevos raspavam de leve no dedo. O bibelô tinha uma frieza que contrastava com o mormaço da cidade. O toque refrescava, abria distâncias entre a circunferência da sala onde Marina se encontrava e as outras pessoas da casa.

Sentir o bibelô nas mãos a afastava até da lembrança recente uma tentativa escapar da cozinha sem ser percebida. Foi durante essa fuga que esbarrou na cômoda. Seus pés tocaram o carpete do corredor quase sem fazer barulho, em contraste com sua habitual caminhada forte de quem tem pressa, que tanto irritava a mãe. É muito feio uma mocinha pisar com tanta força, anda direito! A mãe sempre diz o que mocinhas devem ou não devem fazer – e geralmente elas fazem o oposto ao que Marina faz.

Ela fugia não da cozinha em si, mas das pessoas. Especialmente Tia Lia. Mas você já está comendo de novo, meu anjo? Olhe o apetite dessa menina, benzadeus. Dá uma controlada, lindinha. Daqui a pouco você não consegue mais entrar em casa, hein? Os outros adultos da cozinha soltavam risinhos nervosos afiados o suficiente para se entranhar nos poros, atingir o sangue que percorria o braço de Marina e esfriá-lo. Não era um frescor como o toque prazeroso da porcelana, era um arrepio. A fatia do bolo permaneceu no prato depois da primeira garfada.

Ninguém viu Marina quando ela tentou se esconder atrás da cômoda da sala, batendo o braço nas miniaturas. Ou quando seus dedos agarraram o elefante de porcelana antes que ele caísse no chão. Marina foi sua salvadora naquela hora, grande ironia. Uma força maior a impeliu a escondê-lo na bolsa até o fim daquela tarde de domingo. Era prazeroso apalpá-lo de vez em quando por baixo da mesa, sem ninguém notar. Em algum momento, a tia perceberia a ausência do pequeno elefante indiano, mas não enquanto Marina estava na casa. Ah, no entanto, ela tinha de sentir falta em algum momento. O elefante enfeitava tão bem a cômoda de madeira envelhecida. As marcas circulares de limpeza deixadas pelas quatro patas no meio de uma camada espessa de pó chamariam atenção mais tarde. Marina não as espanou. Era excitante deixar pistas.

Só Marina sabia onde estava a miniatura. Era seu segredo e ela brincava com ele. Os olhos dela foram os únicos naquela noite a ver o bibelô ser quebrado com golpes de uma bota ortopédica já aposentada.

Daqui a pouco você não consegue mais entrar em casa, hein? Paft. O sorriso torto da Tia Lia. Paft. E então, não era só a Tia Lia. A voz áspera da mãe quando ela proibia Marina de correr com as outras crianças. Paft. Mas isso lá é nota? É para isso que você me faz enfiar dinheiro naquela porcaria de escola? Paft. A andança por consultórios até encontrar um médico que aceitasse receitar o remédio para cabeça que Marina sabia que não precisava. Paft. O apartamento pequeno do padrasto onde você escuta todos os barulhos que não queria escutar porque os quartos são próximos e as paredes finas. Paft. Ser obrigada a morar lá, porque o pai diz que sente tanto a falta da sua menininha, mas desconversa quando ela insinua que queria passar mais tempo com ele. Paft. Os doces que Marina não podia comer, porque estava engordando ou porque sua pele ganhava mais espinhas. Paft. Senta que nem mocinha. Fecha essas pernas. Vadias é que fazem assim. Paft.

O pequeno elefante indiano foi reduzido a pó. Todos os “sim, senhora” que Marina dizia sem querer e todos os “nãos” que ouviu a contragosto também se dissolveram. Ninguém viu a destruição. Só Marina. A exclusividade era o que chamavam poder, ela soube, então. Era tão bom! Marina precisou reviver a sensação. O pequeno elefante indiano teve muitos sucessores.”
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