quinta-feira, 27 de abril de 2017

Abracadabra


Ontem disse umas coisas para uma amiga que eu não queria dizer, melhor dizendo, que eu não deveria dizer. Normalmente, engulo as palavras, mas quando falo, o mundo acaba. Aí é que percebo a força que as palavras têm. Quando não consigo engolir, elas vêm atropeladamente, e palavras curam tanto quanto machucam. Melhor se tivessem ficado quietas em seu mundo, e que a gente nunca tivesse a oportunidade de dizer nada porque uma vez ditas são fatais. Se ... se ... se... não tivessem sido ditas, a vida seguia do jeito que era, de manhã, de tarde, de noite, sorrisos alegres, sorrisos amargos, terrores noturnos, algumas esperanças e até sonhos. E quando eu entrego meu dia a Deus pela manhã, entrego meus pensamentos, sentimentos e palavras. Contudo sei e aceito que o “justo cai sete vezes ao dia”. Até os santos caíram muito. Não é verdade que sempre “não fazemos o bem que queremos e fazemos o mal que não queremos”?
As palavras têm vida. Adelia Prado diz que “quem entender a linguagem entende Deus”. Olha a força das palavras! Tudo em nossa vida está ligado às palavras que dão nomes às coisas e expressão aos nossos sentimentos. Então, foi triste como uma despedida! Mas a vida é assim, feita de encontros, mas de muitas rupturas, aliás, cada momento é uma ruptura com outros momentos. Dizem que o segredo da vida é aceitação serena de tudo o que vem, afinal quem foi que nos garantiu que tudo correria bem, que tudo acabaria bem? Só as mães falam isso quando percebem o terror do filho que chora ao acordar de um pesadelo. Dizem elas: tudo vai ficar bem. Mas no correr da vida, o filho vai perceber que nem sempre ou quase nunca tudo fica bem. E impotente, ele prosseguirá porque não haverá outro caminho a seguir, e se tiver sabedoria aprenderá que é melhor sofrer “bem” como tudo na vida deve ser bem feito. O que é que tem sofrer? Soframos bem, ora pois.
Voltemos às palavras. Elas são mágicas. Podem edificar, podem destruir, podem se transformar em poemas delicadíssimos, podem romper relacionamentos, podem transformar uma vida para sempre, para melhor ou para pior. Já disse isso. Podem declarar guerras entre países e fazer retornar a paz.  Estou dizendo mais do que o óbvio, nada de novo. Mas eu queria inventar uma palavra que consertasse tudo, que abrisse as portas emperradas, que curasse as dores do corpo e da alma.  Aí me lembrei do abracadabra, a palavra encantada que quando dita curava febres e inflamações. Etimologicamente, do aramaico, abracadabra significaria “eu crio enquanto eu falo”, ou ainda “faço desaparecer algo ruim com esta palavra”. Pronto. Já me sinto com uma varinha mágica dizendo abracadabra e com as mãos cheias do pó de “pirlimpimpim”. Jogo o pó e digo “abracadabra”, e desfaço o mal feito e crio o bem. Ah! como eu queria o poder do abracadabra, como seria bom! Não é bem assim. Para acreditar nisso eu teria que acionar o encantamento de menina e não é toda hora que sou capaz dessa façanha. Às vezes a realidade é real demais da conta.
Não sei, não sei. Como diria Rilke, “tenho tanto medo das palavras. Elas dizem tudo com tamanha precisão.”
Bem, existe outra palavra mágica, infalível, mas real, saindo do coração: Perdão. E depois, bem, depois a gente deixa seguir o barco, soltando um pouco as amarras, aliviando os fardos, abaixando as velas, deixando a correnteza nos levar ao seu bel prazer. Pode até ser que este barco vá dar numa ilha encantada. Quem sabe.
Depois disso, apenas um pouco de silêncio. Perdão. Tenho dito.  


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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Por que você deve reler (ou ler) Paraíso Perdido?




O maior poema épico da língua inglesa, Paraíso Perdido de John Milton, dividiu os críticos - mas sua influência na literatura inglesa fica atrás somente de Shakespeare, escreve Benjamin Ramm. 

Paraíso Perdido, de Milton, é raramente lido hoje em dia. Mas este poema épico continua a ser um trabalho de gênio, incomparável, que molda a literatura inglesa até hoje.

Em mais de 10.000 linhas de versos, ele conta a história da guerra no céu e da expulsão do homem do Jardim do Éden. Suas dezenas de seções, são uma tentativa ambiciosa de compreender a perda do paraíso - das perspectivas do anjo caído, Satanás, e do homem, afastado da graça de Deus. Mesmo para os leitores em uma era secular, o poema é uma poderosa meditação sobre a rebelião, anseio e o desejo de redenção.

Quando Milton começou a escrever Paraíso Perdido em 1658, ele estava de luto. Foi um ano de sofrimento, marcado pela morte de sua segunda esposa, homenageada em seu belo Soneto 23 , e do Lord Protector da Inglaterra, Oliver Cromwell, que precipitou a desintegração gradual da república. O Paraíso Perdido é uma tentativa de dar sentido a um mundo caído: "justificar os caminhos de Deus aos homens", e sem dúvida ao próprio Milton.

Mas esses aspectos biográficos não devem minimizar a centralidade da teologia para o poema. Uma razão pela qual Milton é menos lido agora é que seu léxico religioso - que tentava explicar um mundo "caído" - caiu do uso. Milton, o puritano, passou a vida envolvido em discussões teológicas sobre temas tão diversos como a tolerância, o divórcio e a salvação.

O poema começa com Satanás, o "Anjo Traidor", lançado no inferno depois de se rebelar contra seu criador, Deus. Recusando-se a submeter-se ao que ele chama de "a Tirania do Céu", Satanás procura vingança tentando no pecado a criação preciosa de Deus: o homem. Milton dá um vívido relato da "Primeira Desobediência do Homem" antes de oferecer um guia para a salvação.
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Participe e concorra a ingressos do filme "Norman - Confie em Mim", com Richard Gere

SINOPSE:

Norman Oppenheimer (Richard Gere) vive uma solitária vida às margens do poder e do dinheiro de Nova Iorque, um improvável operador sonhando sobre esquemas financeiros que nunca se tornam realidade. Como não tem nada real para oferecer, Norman luta para ser amigo de todos, mas seu intenso networking não o leva a lugar algum.
Sempre na busca de alguém disposto a prestar atenção nele, Norman encontra Micha Eshel (Lior Ashkenazi), um carismático político israelense sozinho em Nova Iorque em uma má fase de sua carreira. Sentindo a vulnerabilidade de Eshel, Norman o aborda presenteando com um par de sapatos caros, um gesto que toca Eshel. Quando Eshel se torna Primeiro Ministro três anos mais tarde, ele se lembra desse gesto.
Com sua relação próxima de um líder de uma grande nação, Norman está embriagado com o respeito que ele sempre desejou. Mergulhado em sua recém encontrada sensação de sucesso, Norman tenta usar o nome de Eshel para conseguir o seu maior negócio até então: Uma transação “toma lá dá cá” ligando o Primeiro Ministro ao sobrinho de Norman (Michael Sheen), um Rabino (Steve Buscemi), um Magnata (Harris Yulin), seu assistente (Dan Stevens) e um oficial do tesouro da Costa do Marfim.  Os planos caleidoscópicos de Norman rapidamente dão errado, com um imenso potencial de uma catástrofe internacional que ele deve lutar para evitar.
O novo filme do diretor indicado ao Oscar Joseph Cedar é uma apaixonante comédia dramática sobre um pequeno homem cuja queda tem origem nas raízes frágeis do homem de facilmente perdoar – uma necessidade de se importar.

Direção: Joseph Cedar
Elenco: Richard Gere, Michael Sheen, Dan Stevens
Gênero: Drama
País: EUA
Ano: 2016
Duração: 117 min.

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Participe da promoção cultura Revista Conexão Literatura e Califórnia Filmes

Prêmios:
1º ao 15º lugar: 01 par de convites para assistir ao filme "Norman - Confie em Mim".


OBS: O filme terá estreia apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.  

As respostas deverão ser enviadas entre os dias 24/04/2017 a 10/05/2017. Os ganhadores serão avisados via e-mail no dia 11/05/17.

REGRAS PARA PARTICIPAÇÃO:

- Siga as fanpages: Revista Conexão Literatura (Clique aqui) e Califórnia Filmes (Clique aqui)
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Leia o regulamento abaixo: Os vencedores serão os participantes sorteados que responderem o formulário da promoção, preenchendo com o seu nome e e-mail. Os cadastros que chegarem com duplicidade serão desclassificados (será aceito apenas um cadastro por pessoa para cada promoção). As respostas deverão ser enviadas entre os dias 24/04/2017 a 10/05/2017. Os ganhadores serão avisados via e-mail no dia 11/05/17. Prêmios: 1º ao 15º lugar: 01 par de convites para assistir ao filme "Norman". O simples ato de enviar sua resposta para a promoção significa que você concorda com todas as cláusulas deste regulamento. Caso não concorde, feche esta página. A premiação é pessoal e intransferível, e não pode ser trocada por valor pecuniário ou qualquer outro tipo de bem. Também não dá direito a ressarcimento, caso não seja utilizada no prazo estabelecido. A Revista Conexão Literatura não se responsabiliza por votos que não sejam computados por problemas no nosso servidor, falta de energia elétrica, transmissão de dados na ou em provedores de acessos dos usuários, bem como erros na leitura dos scripts que possam a vir ocorrer. Serão desconsiderados os e-mails que chegaram sem nome, resposta e endereço incompleto. Está vedada a participação dos funcionários e/ou parentes das empresas envolvidas. Concurso de caráter recreativo/cultural, conforme item 2 do artigo 3 da lei 5.768 de 20/12/71.



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Depois do sucesso de vendas na Amazon, autora portuguesa lançará livro no Brasil pela Editora Valentina

Sofia Silva
Nascida no Porto, Portugal, onde vive até hoje, é amante da literatura, em especial de poesia e, nela, de Pablo Neruda. Sempre gostou dos sentimentos contidos nas palavras e por isso em 2009 formou-se professora, a fim de passar essa paixão. Ávida leitora de romances, com predileção pelos dramáticos de final feliz, sua paixão levou-a a partilhar, ao longo dos anos, resenhas sobre os muitos livros que lia. Suas seguidoras a incentivaram a escrever seu próprio livro, surgindo assim uma nova etapa na sua vida marcada por histórias sobre pessoas que não enquadram na perfeição desenhada pela sociedade.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Sofia Silva:  Sempre estive muito ligada ao mundo literário enquanto leitora e a partir de 2010 resenhava livros em inglês no Goodreads, blogs e grupos de literatura inglesa. Em Dezembro de 2014 comecei a escrever numa plataforma online grátis, Wattpad, influenciada por algumas amigas, mas sem expectativas. Era apenas um hobbie, uma descontração apaziguadora. Na plataforma iniciei uma série que aborda pessoas que sofreram grandes acontecimentos que as marcaram física e psicologicamente, intitulada, Quebrados.
Em dois anos escrevi três romances únicos mas com interligação entre as personagens e o meu público cresceu juntamente com as histórias, sendo 95% constituído por leitoras brasileiras.
Precisamente dois anos depois, e a pedido delas, decidi dar o salto para amazon e publicar  um dos romances da série: SORRISOS QUEBRADOS.

Conexão Literatura: Você é autora da obra "Sorrisos Quebrados", que esteve no topo das vendas da Amazon e que foi super bem avaliada, sendo que depois de apenas três meses fechou contrato com a editora Valentina. Poderia comentar?

Sofia Silva: Sorrisos Quebrados aborda a violência doméstica, a quebra dos padrões de beleza nos romances e traz um amor puro, de alma. Um amor que vê todos os lados da pessoa e aceita-a como ela é. Nesse sentido acredito que as leitoras sentiram afinidade com as personagens. A Paola, André e Sol são reais, humanos, perfeitos devido a todas essas imperfeições que todos temos e acredito que esse foi um dos motivos para a história ser tão lindamente acarinhada pelo público. Nós podemos ler vários gêneros de livros, mas, por vezes, ver pessoas “comuns” a encontrar a felicidade merecida acalenta o coração e  traz esperança. Mostra que neste mundo cinzento ainda existem pessoas que não se acomodam e tentam pintá-lo em cores vivas. E estamos tão necessitados de cor depois de vermos tudo que está a acontecer com mundo. Vivemos numa fase triste da humanidade onde ainda acreditamos que a violência é resposta.
O facto de o livro ser escrito de forma poetizada, ter uma carga metafórica grande e ilustrações ajudou o leitor nessas sensações. O leitor é o ser mais generoso quando lê sobre emoções, pois tem que entregar as suas para sentir o mesmo que as personagens e todas as que leram a obra, independentemente se gostaram ou não, deram naquelas linhas as suas emoções para dar vida às personagens.
O contrato com a Editora Valentina é, em grande parte, consequência dos pedidos das leitoras do Brasil. Elas fizeram imensas campanhas de publicação. São, na minha opinião, das leitoras apaixonadas e solidárias que um autor pode ter. Para uma editora isso é relevante: o amor.  Daí o contrato ser quase todo ele fruto dessa relação das leitoras com a obra.

Conexão Literatura: Fale mais sobre a série “Quebrados” e sobre a sua expectativa de lançamento aqui no Brasil.

Sofia Silva:  A série será constituída por quatro livros únicos. Cada um é um casal diferente e um problema singular. Em SORRISOS QUEBRADOS, abordo o Trauma. Como ele marca as pessoas para sempre. No segundo volume, com personagens completamente novas, intitulado CORAÇÕES QUEBRADOS, o tema central é a Depressão. Na altura da sua escrita no wattpad, não estando mais disponível, foi o meu livro mais lido, com quase 1 milhão de leituras.
Todos as obras focam problemas escondidos na sociedade, enlaçadas por romance que aquece a alma e faz o coração palpitar, pois sou uma romântica incurável.
Sobre expectativas. Tenho muitas e nenhumas. Por coincidência ontem assisti a uma entrevista de um ator brasileiro – Rodrigo Santoro – aqui  em Portugal e ele disse algo que me marcou: "Quanto mais a gente cria expectativa menos a gente desfruta da experiência"
Então eu decidi acreditar que o público que leu em ebook e acompanha a minha escrita vai adquirir o livro. O público novo é uma incógnita que não me vou focar porque não sei o que poderá acontecer. A única certeza que tenho é que as minhas leitoras e todas que leram SQ vão divulgar pois sempre fizeram isso. Se o novo público vai amar como elas não sei, então só desejo que sim.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Sofia Silva: Existem quatro que são os mais partilhados pelas leitoras e que representam sucintamente a ideia da história.

“– Paola, a beleza é efêmera, mas quem somos no nosso interior é eterno.”

“– Às vezes precisamos olhar para as pessoas com os nossos corações e não com os olhos, pois só assim nós vemos quem realmente são.”

““Um dia me fecharam num frasco com receio que eu pintasse o mundo.
– E o que você fez?
– pintei o meu mundo no frasco.”

“Eu acredito que sou um quadro abandonado por alguém que nunca desejou ser pintor. Alguém me pegou quando era uma tela branca e em vez de me pintar com a suavidade dos pincéis, me rasgou com o lado pontiagudo. Perfurou vezes sem conta até eu ter um buraco grande onde deveria estar uma pintura.”


Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre o lançamento, você e o seu trabalho literário?

Sofia Silva:  Sorrisos Quebrados será publicado pela Editora Valentina na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em físico, onde estarei presente para sessões de autógrafos. Igualmente farei uma sessão em São Paulo.
O livro estará para venda nas maiores lojas do vosso país, assim como na Amazon em e-book e físico. Neste momento a versão em e-book feita por mim ainda está disponível na Amazon para compra.

Conexão Literatura: Além do lançamento no Brasil, existem novos projetos em pauta?

Sofia Silva:  Sim. Além da série Quebrados pela Editora Valentina, publicarei na Amazon no mês de Maio o e-book intitulado "Fica Comigo”, que é uma espécie de presente para as minhas leitoras por todo o carinho recebido. Fica Comigo é a história de uma família e as suas relações amorosas. Do mesmo modo, no final do ano espero lançar um projeto secreto também de forma independente pois gostei da experiência  na Amazon.

Perguntas rápidas:

Um livro:  Sozinhos na Ilha, Tracey Garvis-Graves
Um (a) autor (a): Amy Harmon
Um ator ou atriz: Christian Bale
Um filme: Edward Scissorhands
Um dia especial: O dia do lançamento de SQ na Amazon – 6  de dezembro – tem um carinho diferente porque muita coisa mudou.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Sofia Silva: Agradecer a atenção da Conexão Literatura e desejar que quem ainda não conhece as minhas obras se deixe atrair para um mundo de emoções, sabendo que no final tudo termina com o único sentimento que não sabemos definir na sua essência: Amor.

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Crianças travessas também podem gostar de ler

Alexandra Vieira de Almeida
Mostrar que o mundo das crianças é recheado de travessuras e também de muito aprendizado, essa é a proposta do livro “Xandrinha em: Jardim aberto”. A obra faz parte de uma série ilustrada produzida pela escritora e poeta Alexandra Vieira de Almeida juntamente com a artista plástica Giselle Vieira. 

A história apresenta os personagens Xandrinha e Beto brincando com a imaginação no jardim durante um fim de tarde. No local, eles realizam muitas traquinagens, mas também aprendem a importância da leitura.

Segundo a escritora, o jardim trata-se de um local simbólico das aventuras das crianças, além de ser um espaço de descobertas.  “Isso mostra que o brincar de aprender pode acontecer em qualquer lugar, mas quem proporciona o espaço lúdico e questionador são os livros”.

Um dos trechos que revelam isso é quando no meio da bagunça de Beto, ele deixa de lado as peraltices para prestar atenção na Xandrinha enquanto ela lê alguns poemas para sua florzinha Cecília.

- Apesar de Beto ser sapeca, no fundo ele quer aprender. O intuito é mostrar que meninos bagunceiros também podem gostar de ler – comenta. 

Próxima edição
O volume 03 da série ilustrada “Xandrinha e seus amigos” será online. O livro em formato PDF ficará disponível no site durante o mês de julho no site www.Xandrinhaeseusamigos.com.br. A história acontecerá numa colônia de férias, onde Xandrinha conhecerá novos amiguinhos.

Ferramenta pedagógica
Segundo a escritora Alexandra, as obras têm grande importância pedagógica, fornecendo aos leitores a aprendizagem a partir do lúdico e da imaginação. “Pretendemos ainda incentivar que os pais leiam mais para os filhos e que as crianças estudem mais e desenvolvam a criatividade". 


Ficha técnica:
Livro: “Xandrinha em: o jardim aberto”
Link para comprar a edição: Clique aqui.
Autora: Alexandra Vieira de Almeida
Ilustrações: Giselle Vieira
Publicação: Editora Penalux - impresso
Tamanho: 23 cm
Páginas: 16
Preço: R$ 35,00

Site do livro: www.xandrinhaeseusamigos.com.br
 
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Resenha - O Americano tranquilo

Título Original: The quiet american
Autor: Graham Greene
Editora: Globo
Páginas 256

Ano Lançamento: 2007

Uma história de amor em meio em uma devastação durante à Guerra da Indochina antes mesmo de eclodir a Guerra do Vietnã, na história temos uma narrativa fluída por um jornalista inglês que não tem o mínimo interesse em voltar para sua terra natal, esse jornalista é Thomas Fowler.

Graham Green possui uma escrita bem fluída em certos aspectos e situações no romance, sem deixar uma critica ferrenha para os Estados Unidos com um plano de fundo romântico em meio ao caos.

Pyle entra em cena e de um jeito bem inusitado acaba por ficar encantado pela jovem Phuong, que tem algo sério com Fowler, o jovem jornalista americano é tão ingênuo que ao mesmo tempo em que tenta conquistar o coração de Phuong, ele tenta de todas as formas por manter uma amizade sadia com Fowler. 

Essa edição está impecável, muito bem diagramado, uma fonte média com espaçamentos medianos, sendo assim, uma leitura tranquila até mesmo na parte da noite. 

O livro tem uma dualidade, um confronto entre países e um confronto entre dois amigos para conquistar o coração de uma jovem.

O leitor é levado para perto do conflito e conhecemos todo o horror que mais tarde explodiria na Guerra do Vietnã, lembrando que essa obra foi parar nas telas dos cinemas. 

Um triângulo amoroso em meio da Guerra e uma Guerra em meio de um triângulo amoroso.


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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Louro: 100 Anos de Curtição

É sabido que os papagaios são adoráveis aves inteligentes, sociáveis, marotos, canhotos que seguram o alimento com o pé esquerdo, às vezes bocejam, manifestam ciúmes, repetem e imitam o que as pessoas falam. Tudo bem, mas igual ao Louro, nunca vai existir. Que assim o dissesse a Samaria, empregada antiquíssima de certa família no início do século XX. Ela servia a família na fazenda com uma fidelidade inigualável e amor genuíno, aliás, o mesmo amor com que criou seus próprios filhos ali mesmo, todo mundo junto debaixo do mesmo teto. Foi a Samaria que apareceu um dia com um papagainho tão pequeno que mais parecia um filhote de passarinho. Começou a chamá-lo de Louro e o nome ficou. Assim me contaram.
Pois não é que o Louro reinou por cem anos naquela família? Ele não só alegrava as crianças e os adultos como interferia nos assuntos familiares, religiosos, questões financeiras, conflitos da alcova, enfim, em tudo. O papagaio era o centro das atenções. Fazia ar de debochado, dedurava o garoto que mentia para a mãe, caía duro para trás de tanto rir de alguém, caçoava das visitas e até do padre. O mais incrível é que rezava o terço com a Samaria. Por Deus, o papagaio parecia gente.
Dizem que os papagaios vivem no máximo oitenta anos. O Louro viveu cem, também não era para menos, um papagaio tão especial como ele tinha que ter sido diferente dos outros. Considerava a Samaria sua melhor amiga, e ela assim também o considerava. Conversava com ele como se ele entendesse tudo, e quem poderia dizer que não? Se ela dizia: xiii Louro, vai chover, ele respondia: vai sim, vai sim. Quando eu disse que ele rezava o terço com a Samaria, talvez tenha exagerado um pouco, mas é certo que depois da Ave Maria, o Louro respondia: Santa Maria, amém. Isto ele falava sim senhor! Assim ouvi dizer.
O pessoal da casa se divertia em provocar o Louro na hora das refeições, principalmente as crianças. O papagaio ficava dentro de um viveiro imenso dentro da imensa cozinha que era de chão batido caiado de branquinho. E lá o Louro também provocava a família. Se a matriarca dizia para um filho: fica quieto e come menino, o Louro dizia lá do canto dele: come menino, come menino. E alguém retrucava: Cala boca, Louro! Todo mundo ria e o papagaio ria pra valer. Pra resumir, o Louro era a alegria da casa. Acompanhou gerações em cem anos de pura curtição. Viu gente nascer e morrer, e lá estava ele vivendo mais do que todo mundo.
Quando morreu certo tio da família, sujeito resmungão e desafeto do Louro, tiveram que levar o viveiro e papagaio pra longe da casa porque o Louro não parava de gritar: vai tarde, boboca, vai tarde, boboca ... Como é que pode?
Mas o vexame maior foi com o padre que ia sempre visitar a família. Ninguém sabe de onde o Louro tirou essa ideia, mas ficava gritando: “o padre quer casar, a benção seu padre! O padre quer casar, a benção seu padre!, O padre quer casar, a benção seu padre! ...” e tudo isso sem parar, repetindo, repetindo até que a Samaria tirava o Louro do viveiro, e falava: “cala a boca, papagaio sem-vergonha, descarado, debochado, seu excomungado! Eu ainda te torço o pescoço, é hoje!”. O padre fazia que não ouvia, e os velhos da casa falavam alto para encobrir a fala do Louro.     
Contavam que o patriarca tivera um filho fora de seu casamento e que havia tentado esconder o fato da mulher. Só que quando ela soube do acontecido, pôs o velho por diante para fazer o que era certo. Neste meio tempo, o sujeito morreu tragicamente, e o patriarca, consumido pela culpa, mandou celebrar centenas de missas por alma dele. Sem que ninguém ousasse falar o nome do filho morto, o Louro passou a gritar “Cupertino, Cupertino”! várias vezes por dia. E quando o patriarca chegava à cozinha, o papagaio mexia com ele, dizendo: “papai, papai”. O velho não teve dúvidas, passou a acreditar piamente que o papagaio era uma encarnação do filho e passava as tardes ao lado do Louro, desculpando-se por não tê-lo reconhecido. A Samaria mexia os paus no fogão à lenha e balançava a cabeça como quem diz: “Seu Tonico endoidou”.
Seu Tonico morreu, a Samaria morreu, meus pais morreram e o Louro completou cem anos. Depois da morte da Samaria, dizem que o Louro manteve a cabeça baixa e os olhos fechados, sem comer nem beber água. Guardou três dias de luto. Foi melhorando devagar até que ficou feliz novamente. O patriarca só faltou levar o Louro pro quarto, o que a matriarca não aceitou de jeito nenhum. Assim me contaram.  

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Confira entrevista com Vanessa Benfatti, autora do romance Amor Insano

Nascida na Cidade de Barra Bonita é farmacêutica, casada e mãe de uma menina, atualmente vive com sua família na cidade de Piracicaba. Apaixonada por ler e escrever. Escreve porque ama levar as pessoas sentimentos bons, amor, felicidade e esperança. Amor Insano é o seu primeiro romance. Atualmente está se dedicando ao término desta Série. Seu maior sonho é continuar escrevendo e iluminando um pouco o dia a dia de seus amigos e leitores através da leitura.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Vanessa Benfatti: Quando era adolescente tinha um diário, e nele eu escrevia algumas histórias mas um dia minha mãe pegou e achou um absurdo uma garota de 15 anos escrever aquelas coisas malucas. Fui proibida de escrever em diários, passaram-se 14 anos e um dia decidi começar a escrever novamente e dessa vez me empenhei em um romance sobrenatural de vampiros e anjos, mas como trabalhava demais deixei de lado mais uma vez esse dom que crescia dentro de mim.
Um belo dia tive um sonho e esse sonho não saia da minha cabeça e começou a me perturbar, então em uma tarde de sábado em maio de 2015 eu sentei e escrevi sem saber 4 capítulos do livro que era o sonho que tinha tido. E assim começou.

Conexão Literatura: Você é autora do livro "Amor Insano – Sem Limites Para Amar". Poderia comentar?

Vanessa Benfatti: Amor Insano é um romance policial adulto, conta a história de uma moça que sai do interior de São Paulo e vem para a capital trabalhar e realizar seu sonho como perita farmacêutica. O livro é uma Duologia que vem seguido pelo Amor Intenso que será lançado na Bienal do rio esse ano.
Sinopse: Cath uma bela moça que vive no interior de São Paulo, passa em um concurso e consegue o seu tão sonhado reconhecimento profissional, e isso envolve mudanças em sua vida, como casa, cidade, trabalho, amigos.
Com sua vida nova na cidade grande, o destino coloca em seu caminho como um vulto, um rapaz misterioso e muito sexy “T”, um homem arrogante cercado de segredos e incógnitas por quem ela está prestes a viver um grande amor.
Entre encontros e desencontro, tudo estava caminho conforme ela planejava, até que ela recebe um convite do FBI para trabalhar no caso mais importante de sua carreira, e assim o destino cruza novamente as vidas de T. e Cath, os tornando parceiros em uma investigação, com isso os mistérios e segredos que envolviam “T.”, sendo revelados, deixando claro para ela o porque de seus comportamentos estranhos, e isso significa mudanças de planos.
Uma decisão ela terá que tomar, cair de cabeça em seu caso criminal e ter a certeza de acordar viva em cada manhã, ou viver um grande amor insano…

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Vanessa Benfatti: Não foi difícil pesquisar sobre o assunto, e como era uma ficção foi mais fácil elaborar a história, quanto ao tempo como é uma duologia demorei quase dois anos para escrevê-la

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial no seu livro?

Vanessa Benfatti:  “— Por que você apareceu na minha vida? — diz ele, com a voz baixa, encostando sua testa na minha, suplicando uma solução e me prendendo entre a porta e seu corpo grande.
— Porque você me encontrou naquela noite — digo, dando a resposta que acho justa para o momento, não tirando os meus olhos dos dele.
— Eu não posso mais lutar contra isso que estou sentindo. Você irá me destruir, você está tirando o meu foco. Não posso deixar esse sentimento tomar conta de mim. — Mergulhados na mesma dor, ele continua falando: — Eu sou capaz de matar por você.
Meu coração acende um holofote vermelho, vejo que ele gosta de mim. Eu preciso falar e, com menos força ainda, risco palavras no ar: — E eu sou capaz de morrer por você. — Confesso em sofrimento, querendo acabar com minha dor.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Vanessa Benfatti: Todos os meus trabalhos estão na minha página do face (https://www.facebook.com/Autora-Vanessa-Benfatti-413155042201142/)
Ou no meu site www.vanessabenfatti.com.br ou http://vanessabenfatti.esy.es/livros/
Lá está tudo sobre minhas obras, agenda e como adquiri-las.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Vanessa Benfatti: Sim, muitos em vista. Agora no mês de maio irei lançar na amazon o segundo da duologia AMOR INTENSO, com o lançamento do físico na Bienal do Rio, e em seguida começarei a escrever uma outra obra que já começara a ser postada no wattpad

Perguntas rápidas:

Um livro: O lado feio do amor
Um (a) autor (a): Colleen Hoover
Um ator ou atriz: Rachel McAdams
Um filme: A casa do lago
Um dia especial: Meu casamento


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terça-feira, 18 de abril de 2017

Um verão dentro do inverno, novo romance da autora Nara Nalú

Nara Nalu de Oliveira Siementkowski, nascida em Joinville, Santa Catarina. Formou-se em Pedagogia. Fez pós graduação com especialização em Administração escolar. Atuou 16 anos como professora Alfabetizadora. Trabalhou durante 3 anos e seis meses na área de psicopedagogia com atendimento a crianças com todos os tipos de deficiências, síndromes, transtornos e distúrbios que afetam a aprendizagem. Atuou 8 anos na coordenação de uma equipe multidisciplinar, voltada ao atendimento de crianças com deficiências, síndromes e outros comprometimentos significativos para o desenvolvimento das potencialidades cognitivas. Após a aposentadoria como professora, decidiu dedicar-se a outra área pela qual também sempre foi apaixonada, assim nasceu sua primeira obra editada e levada ao conhecimento público.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário? 

Nara Nalú: É uma paixão antiga, de muitas histórias escritas e engavetadas devido ao acumulo de trabalho e às poucas oportunidades. Escrever é algo que faço por prazer, nunca pensei em me profissionalizar, mas com o incentivo da família e dos amigos, especialmente os do ramo, resolvi dar esse, que considero o primeiro de muito outros passos.

Conexão Literatura: Você é autora do livro "Um Verão Dentro do Inverno" (Editora Chiado, 2017). Poderia comentar?

Nara Nalú: Sim. “Um verão dentro do inverno” é resultado não só da minha paixão pela escrita, mas sobretudo do meu desejo de oferecer aos leitores uma oportunidade de conhecer um pouquinho mais sobre a sangrenta Batalha de Stalingrado e principalmente mostrar o quão forte é o amor e que somente ele é capaz de superar até mesmo as mais devastadoras experiências humanas.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Nara Nalú: O livro é uma obra de ficção, porém a maioria dos fatos da guerra citados na história são verídicos o que demandou muita pesquisa baseadas em livros e depoimentos dos sobreviventes na internet e bibliotecas. O tempo total entre as pesquisas e a escrita propriamente ditas foi algo em torno de seis meses de árduo trabalho, mais uns dois meses de revisão, perfazendo um total de aproximadamente oito meses até a conclusão da obra.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial no seu livro?

Nara Nalú: “Enquanto Yvia aguardava presa em um porão escuro a vida ia acontecendo em outros lugares onde os horrores da guerra ainda não haviam chegado. O sol nascia lentamente, manso e acolhedor e ia tornando-se impetuoso, indômito, inabalável. Alcançando a todos indistintamente. Enquanto aquecia ia aflorando as mais diferentes e profundas emoções, Senhor absoluto do tempo, cruzando o céu até refugiar-se na quietude da noite, cumprindo sua travessia sob a qual tudo acontece e onde a vida se faz, doce, simples, selvagem. Os mentores e articuladores da guerra eram os mesmos que apagavam sonhos e tomavam decisões modificando
vidas e transformando histórias. Histórias que carregam culpas e buscam por uma absolvição que talvez nunca chegará. Tudo acontecia sob este mesmo sol tão isento, tão justo, desapaixonado e por isso honesto. As primeiras luzes do dia começavam a surgir, era hora de sair, encarar a vida ou a morte não tinha escolha, a vida não lhe permitia isso nesse momento, enfrentaria tudo o que o futuro e o destino lhe reservava.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Nara Nalú: O livro poderá ser adquirido atualmente através das livrarias Cultura, EasyBooks, e no site da Editora Chiado. Para entrar em contato comigo atualmente posso fornecer o meu email: nnluna24@gmail.com ou a minha página no Facebook: https://www.facebook.com/Nara-Nal%C3%BA-357502497950304/ Terei o maior prazer em atender a todos inclusive para auxiliar na venda em envio do livro.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Nara Nalú: Sim. Estou em fase de acabamento do meu segundo livro e com ideias anotadas para um terceiro.

Perguntas rápidas:

Um livro: O silêncio das montanhas
Um (a) autor (a): Khaled Hosseini
Um ator ou atriz: Para ser fiel ao filme, só posso escolher Al Pacino
Um filme: O Poderoso Chefão
Um dia especial: O hoje

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Nara Nalú: Apenas dizer que “Um verão dentro do inverno” é além de uma história, um desejo, uma inspiração!


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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Conheça o livro "Amor Insano", da autora Vanessa Benfatti


Sinopse: Cath, uma bela moça que vive no interior de São Paulo, passa em um concurso e consegue o seu tão sonhado reconhecimento profissional. Com sua nova vida na cidade grande, o destino coloca T. em seu caminho. Um homem misterioso, muito sexy e arrogante, com quem ela está prestes a viver um grande amor.
Entre encontros e desencontros, recebe um convite para trabalhar em um dos casos mais importantes no DEA. Ambos acabam juntos em uma investigação, fazendo-a descobrir segredos e mistérios, que ela nunca sequer imaginaria, sobre seu mais novo parceiro.
Com um caso criminal em mãos, Cath precisa apenas focar em tentar acordar viva todas as manhãs e conseguir sobreviver a um grande amor insano.

Título: Amor Insano
Nome da autora: Vanessa Benfatti
Título do livro: Romance erótico, policial
Nº de páginas do livro: 364
Ano da publicação: 2016
Fanpage da autora: Clique aqui.
Para adquirir, acesse: https://www.amazon.com.br/Amor-Insano-Duologia-Limites-Livro-ebook/dp/B01NCN1ZYA

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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Conheça "Júlia", novo romance da autora Carla Krainer

Carla Krainer
Carla é bauruense de nascimento, mas mora na capital há trinta anos. Formada em comunicação social pela UNESP - Bauru. Por muito tempo trabalhou como tradutora de inglês. Atualmente vem se enveredando pela área literária. A autora é uma viajante contumaz. No romance Júlia, a escritora traça um perfil da Istambul de hoje: moderna, frenética, repleta de uma energia quase palpável.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Carla Krainer: Fiz uma viagem à Turquia no ano de 2013, junto de três amigas. Me apaixonei pelo país e em especial por Istambul. Quando retornei ao Brasil, decidi escrever sobre essa jornada na Turquia e assim nasceu o romance Júlia.

Conexão Literatura: Você é autora do livro "Júlia". Poderia comentar? 

Carla Krainer: A maior parte do romance se passa na Turquia. Em um cenário contemporâneo, o livro narra a história de quatro amigas em uma viagem à mística Turquia. Elas se enveredam por lugares magníficos e instigantes. Um romance eclode, a heroína Júlia, uma brasileira deveras independente se apaixona por Murad, um empresário turco, muçulmano não praticante. Assim a legendária Constantinopla, hoje Istambul, cidade cheia de magnetismo e nostalgia, torna-se palco desse rico romance, cabendo ao leitor a deliciosa tarefa de seguir a heroína por ruas tortuosas e bazares efervescentes.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

Carla Krainer: Primeiramente as pesquisas foram feitas através da internet, logo depois consegui dados mais apurados no CCBT, Centro Cultural Brasil Turquia, sediado em São Paulo. Trabalhei em Júlia dois anos.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial no seu livro?

Carla Krainer: “ Conforme eu conversava com Murad, observava a paisagem da cidade, que deslizava a minha frente, através da janela de seu carro. O mar de Marmara impassível como sempre, os impetuosos minaretes de Sultanahmet. As duas mesquitas, Santa Sofia e a Azul, impunham sua presença imponente à penumbra da cidade e o Topkapi, tentava evocar aos cidadãos de Istambul, que o império otomano fora um dia eterno.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

Carla Krainer: Na loja Mercado Livre:clique aqui.
Na livraria Cultura: clique aqui
E na semana que vem na loja Amazon. 
Página da autora no Facebook: Carla Krainer 

Clique sobre a imagem para ampliar
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Carla Krainer: Sim, devo lançar em junho desse ano a continuação do romance Júlia. Mas, não se trata de uma duologia, pois um livro não depende do outro.

Perguntas rápidas:

Um livro: Paula de Isabel Allende
Um (a) autor (a): Jojo Moyes 
Um ator ou atriz: Marcelo Mastroiani.  
Um filme: Bolero de Claude Lelouch
Um dia especial: sábado 

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Carla Krainer: Sim a partir da semana que vem o livro também poderá ser encontrado na Amazon.


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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Escritora Fantasma

Escrevo, gosto de escrever, é claro, mas nem sempre gosto do que escrevo. Às vezes vibro com uma crônica que acabou de sair quentinha do forno ou com um conto que achei genial. E acontece que outras vezes torço o nariz, acho medíocre, bobinho, tiro isso, ponho aquilo e não fico satisfeita. Não sou agraciada como uma grande Adélia Prado, sei que a poesia não é hóspede assídua em minha alma, só passa de quando em quando para uma visita rápida, mas quando vem, mesmo furtiva, traz presentes tão preciosos que recebo feliz, cheia de gratidão. E vou trabalhando de sol a sol, cultivando histórias, sonhos e colhendo os frutos, os fatos, os feitos, e tentando transpor tudo isso para o papel, ou para a tela em branco que me olha interrogativa como neste momento.
            Já foi o tempo em que eu ia atrás de meu marido e de minha irmã, com uma crônica pronta para que lessem. Era imperioso ouvir sua opinião ou qualquer opinião que fosse, e aí o que vocês acharam? Bem, não foi uma nem duas vezes que percebi que o marido já tinha perdido o fio da meada da minha leitura em voz alta fazia tempo, sabe-se lá por quais paragens sua mente vagava, e minha irmã, depois de dias em que eu esperava ansiosa por seu parecer, era assim: como sempre, gostei! Meio que sem muito entusiasmo. Larguei mão disso. Sem mágoa nenhuma, assumi que não precisava fazer pressão em cima de minhas duas cobaias literárias, os dois, coitados. É assim mesmo, santo de casa não faz milagres e o profeta não é bem recebido em sua própria terra. Minha prima escreveu uma brilhante tese de doutorado que fez tremer os baluartes da enfermagem no Brasil e, no entanto, me segredou que nenhum de seus irmãos leu seu trabalho. É assim mesmo. Agora escrevo e pronto.
            Aconteceu que fiz uma crônica sobre mulheres para não deixar passar em branco o Dia Internacional da Mulher, e pedi para a filha de uma amiga nossa do grupo postar para todas em nosso whatsapp antes que fosse para o Face ou para o Blog. E minha irmã, distraída da vida, leu encantada, pensando, nossa que lindo! De quem será esta crônica? De onde a Giovanna tirou? E foi se encantando, cada vez mais, já pensando em me enviar porque realmente a crônica estava muito boa, palavras dela, genial, isso, a palavra era genial. Até que chegou a certo parágrafo que falava da mãe da autora, e minha irmã foi reconhecendo nossa mãe, e pensou, só pode ser ela, mas como? Então é da Misa esta crônica? E foi até o final quando tudo se confirmou. Rimos pra valer. Talvez se eu tivesse enviado antes, ela diria: está bom, como sempre! Não sabemos, mas achei ótimo ter ficado anônima! Minha irmã encantou-se com a crônica sem saber que era minha! Como uma estranha escritora fantasma, consegui encantar seu coração!
            Adorei! Nada como um depoimento genuíno desprovido de quaisquer laços afetivos, influências ou obrigações. E enquanto a poesia se faz de rogada às minhas súplicas, continuo trabalhando de sol a sol. Vou às fontes, consulto os mestres, leio poemas que me inspiram a fazer prosa, como Carlos Drummond de Andrade que me diz hoje para “comer queijo com goiabada, ouvir uma serenata, calçar um velho chinelo, sentar numa velha poltrona e tomar um vinho branco enquanto ouço o Bolero de Ravel.” Acho que hoje estou triste, mas deixo o mundo acontecer. É preciso escrever.

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Filme: Monster Truck



Se você sentia falta dos clássicos filmes de sessão da tarde, Monster Truck trás toda essa nostálgia de volta.
Lucas Till - que interpreta o protagonista Tripp - tem o sonho de conseguir seu carro (ou melhor dizendo, caminhonete invocada), e chegar a qualquer lugar que quiser. Como coadjuvante, temos a atris Jane Levy, que acompanha Tripp em sua aventura. Claro que temos o romance entre eles, mas Tripp só enxerga isso de verdade no final. 

A trama se desenvolve a partir de um acidente que acontece logo nas primeiras cenas do filme, onde uma empresa que explora petróleo perfura tão fundo o solo que descobre uma espécie muito estranha de vida. Sabemos rapidamente que o grande vilão do filme é justamente essa empresa e seus funcionários malfeitores que querem tirar proveito e lucro de tudo. Desse acidente três criaturas escapam das profundezas da terra, duas delas são logo capturadas no início, e a terceira consegue escapar e vai parar no ferro velho onde Tripp trabalha e junta peças para montar sua caminhonete que está quase pronta, faltando apenas alguns detalhes e o MOTOR.

Uma série de eventos e confusões acontece até que Tripp e a criatura (pré-histórica) construam seus laços de amizade. Logo o "monstrinho" ganha o nome de Creech. 
E diga-se de passagem que Creech é o personagem mais carismático e fofinho, ele leva o filme, literalmente, nas costas. Você realmente torce por ele e fica aflito em seus momentos de perigo.

Quando Tripp e Creech finalmente estabelecem seus laços afetivos de amizade, Creech acaba "virando" o motor de sua caminhonete, isso, por que essa criatura se alimenta de petróleo e óleo natural, e acaba fazendo conexões com máquinas que também se alimentam desse combustível. Dessa forma, Creech acaba ajudando Tripp a chegar muito perto de seu sonho.

O filme está cheio de perseguições e acrobacias com as caminhonetes, lógico, nada tão exagerado quanto Triplo X ou Velozes e Furiosos. 
A diversão com Creech é garantida quando ele está em cena, mas quando os personagens humanos estão no comando, senti que faltou profundidade nos mesmo, suas razões e motivações ficaram no limite do superficial, sem grandes conflitos internos ou complexos. Mas isso não é um problema tão grave assim, mas acaba deixando-o pequeno, como se parte do seu potencial fosse tirado. 

Por fim, Tripp e seus companheiros revolvem devolver Creech para seu habitat natural, mas antes disso, partem na missão para libertar as outras duas criaturas que estão em poder da empresa de petróleo. Mais confusões e perseguições que nos levam ao clímax da história. O final é previsto, mas satisfatório. 

Monster Truck é um filme super indicado para se assistir em uma tarde de domingo com sua família, indicado também para crianças, não tem conteúdo apelativo ou controverso. 
Boas risadas garantidas e o sentimento nostálgico de Sessão da Tarde. 
Monster Truck veio na onda de filmes atuais que estão bebendo na fonte das aventuras dos anos 80.

NOTA: 5,5/10


Creech, tão fofinho S2


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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Da Polifonia ao Subsolo - O legado de Dostoiévski


É fato bem conhecido que Fiódor Dostoiévski tenha sido um dos mais importantes escritores russos – se não o mais importante –, tendo influenciado gerações de escritores e pensadores que o precederam. Ainda assim,o autor continua a exercer grande influência nos dias de hoje. A propósito, o escritor russo Alexey Rémizov, durante seu tempo de exílio em Paris, chegou a dizer a seguinte frase: “A Rússia é Dostoiévski. A Rússia não existe sem Dostoiévski.".
As ideias do autor russo e o seu estilo de escrita único já foram objeto de estudo de diversos pensadores ocidentais e serviram de influência para muito do que se conhece hoje em literatura, filosofia e até para teoria e crítica literária. Agora, por quais motivos Dostoiévski influenciou tanta gente? O que ele escreveu de tão inovador e quem foi influenciado pelo mestre russo? O que ele fez pela literatura e pelo pensamento ocidental? Este estudo tem como objetivo responder a tais perguntas; porém, considerando a extensa influência do escritor russo em nossa cultura, o foco principal do estudo serão alguns dos mais influentes autores que lidam com ideias semelhantes às de Dostoiévski – aqueles que se inspiraram no escritor russo, tendo-o como um de seus maiores mestres, incluindo entre tais autores não somente escritores de literatura, mas também pensadores nas áreas defilosofia e teoria literária.

Dostoiévski exerceu grande influência sobre pensadores ocidentais cujasobras formaram grande parte da nossa cultura atual. Entre tais pensadores, os que mais se destacam são Friedrich Nietzsche, Hermann Hesse, Albert Camus e o também russo, filósofo e crítico literário, Mikhail Bakhtin, o qual viu na obra de Dostoiévski material para uma de suas mais relevantes contribuições para a teoria literária. Este fora conterrâneo de Dostoiévski e influenciado, principalmente, pela estrutura do mestre russo. Por tais motivos, começaremos por Bakhtin, analisando primeiramente a estrutura e, em seguida, o conteúdo (pois é a estrutura que leva ao conteúdo – no caso desta análise, de forma única).
O russo Mikhail Bakhtin, autor do livro Problemas da Poética de Dostoiévski, explica ateoria do romance polifônico, tendo como base de sua teoria seus estudos sobre a obra de Dostoiévski. Ele mostra como o escritor russo inovou seu estilo literário, apresentando não apenas o seu ponto de vista, mas também narrando de forma com que as diversas percepções das personagens, as suas consciências, estejam presentes no texto. Segundo Bakhtin, Dostoiévski não foi apenas o primeiro, mas, até então, o único autor a escrever um romance polifônico; isto é, onde há diversas vozes narrativas. No primeiro capítulo de seu livro, Bakhtin diz:


“Dostoiévski é o criador do romance polifônico (…). A voz do herói sobre si mesmo e o mundo é tão plena como a palavra comum do autor; não está subordinada à imagem objetificada do herói como uma de suas características, mas tampouco serve de intérprete da voz do autor. Ela possui independência excepcional na estrutura da obra, é como se soasse ao lado da palavra do autor, coadunando-se de modo especial com ela e com as vozes plenivalentes de outros heróis” - Mikhainl Bakhtin. Problemas da Poética de Dostoievski. Tradução de Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008, p. 5.




Com tal discurso, Bakthin defende contrapontos às críticas anteriores feitas sobre Dostoiévski, dizendo que o autor criou um estilo próprio em que – diferentemente dos romances que geralmente mostram a consciência do autor por meiodum único ponto de vista – a consciência não é única, mas sim diversa; os diálogos não têm um fim certo;cada ideia é desdobrada em duas e os personagens têm voz própria.        
            E tal voz própria demonstra, em romances como Crime e Castigo, a existência de personalidades únicas, que expressam ideias própriascom as quais o próprio autor não concorda em absoluto – pelo menos não admitiria a si mesmo que concorda (talvez o subsolo de sua consciência concorde). Tal peculiaridade pode ser exemplificada pelas ideias do protagonista Raskolnikov, que se considera um homem superior; que possui o direito de matar.
Ao observar a formação das vozes que dialogam em sua obra, nota-se também como tal teoria – a da existência de diversas vozes e camadas de consciência –dialoga com o significado de subconsciente na obra de Dostoiévski. Significado este pode ser salientado no próprio “subsolo” da obra Memórias do Subsolo; isto é,o lado escuro e sombrio da alma humana, do qual o próprio homem foge, escondendo de si mesmo a existência de tal subsolo. Tal metáfora, obviamente seguida pelo significado que carrega, influenciou muito autores como Nietzsche, Camus e vários outros, os quais deram continuação ao pensamento existencialista de Dostoiévski.
 É inegável a profundidade da obra de Dostoiévski. O autor criou personagens nada planos, totalmente mocinhos ou totalmente heróis.A bem da verdade, os personagens deste grande mestre russo são vívidos e humanos: têm consciência própria, são contraditórios e, muitas vezes, ressentidos com eles mesmos ou com o mundo que os cerca. O narrador de Memórias do Subsolo é um grande exemplo disso – um homem que nega a própria consciência e sente-se perseguido por ela. Um estranho a si mesmo. Um estrangeiro a si mesmo, talvez?
Estrangeiro comoMersault: o protagonista do romance de Albert Camus – um dos autores influenciados por Dostoiévski. Mersault, em O Estrangeiro,mata um árabe sem um motivo aparente – o sol em seu rosto, porventura.Mersault é indiferente ao mundo. Por estar além da sociedade,ele não age de acordo com as regras sociais e morais. Não chora no enterro de sua mãe; não se arrepende de matar um ser humano a sangue frio. Diferentemente de Raskolnikov – que age por seu seus princípios, visto tersua teoria de que homens superiores estão acima da moral e tem direito de cometer crimes, mas que, no final se arrepende e se entrega à polícia, admitindo não ser aquele homem acima da moral que se imaginava ser –,Mersault não tem um princípio que ele defenda com seu crime, ele simplesmente faz o que tem vontade;ele não pensaou teoriza sobre ser acima da moral, ele age sendo além da moral e não se importa sequer em ser condenado à morte como resultado de suas atitudes.
O protagonista do romance de Camus poderia muito bem ser – porém, sem se importar com isso, diferentemente de Raskonikov – uma espécie do super-homem idealizado por Nietzsche. Teoria esta que, aliás, é notavelmente inspirada nas ideias do protagonista de Crime e Castigo, considerando as semelhanças entre os dois, e também visto que Nietzsche era um leitor ávido de Dostoiévski. O próprio filósofo disse ter lido Dostoiévski, fazendo a seguinte declaração em relação ao escritor russo:“o único psicólogo com que tenho algo a aprender: ele pertence às inesperadas felicidades da minha vida, até mesmo a descoberta Stendhal.”. E sobre sua leitura de Memórias do Subsolo, Nietzsche declarou:Chorei verdade a partir do sangue.” O filósofo costumava fazer diversas referências a Dostoiévski em seus escritos, resultando, assim, em uma grande influência em suas ideias.           
            Além da notável influência de Raskonikov com sua ideia do homem superior na teoria do super-homem, é possível notar mais traços do escritor russo na obra de Nietzsche. É o que ocorre quando, por exemplo, um trecho de
Memórias do Subsolo e um dos aforismos da obra Além do Bem e do Mal, de Nietzsche, se assemelham em sua ideia principal:


“Todo homem tem algumas lembranças que ele não conta a todo mundo, mas apenas a seus amigos. Ele tem outras lembranças que ele não revelaria nem mesmo para seus amigos, mas apenas para ele mesmo, e faz isso em segredo. Mas ainda há outras lembranças que o homem tem medo de contar até a ele mesmo, e todo homem decente tem um considerável número dessas coisas guardadas bem no fundo. Alguém até poderia dizer que, quanto mais decente é o homem, maior o número dessas coisas em sua mente.” – Memórias do Subsolo, Dostoiévski



Tal trecho explica o conceito de subsolo como a parte sombria, oculta da alma humana, a qual o homem esconde de si mesmo. Algo além daquilo que pode admitir a si mesmo, que fica no subsolo de sua consciência e é mascarado para si mesmo, por suas próprias ações e palavras. E é sobre isso que fala Nietzsche no aforismo 289 de Além do bem e do mal:

           
“Um eremita não crê que um filósofo – supondo que todo filósofo tenha sido antes um eremita – alguma vez tenha expressado num livro suas opiniões genuínas e últimas: não se escrevem livros para esconder precisamente o que se traz dentro de si?” - “ele duvidará inclusive que um filósofo possa ter opiniões ‘verdadeiras e últimas’, e que nele não haja, não tenha de haver, uma caverna ainda mais profunda por trás de cada caverna – um mundo mais amplo, mais rico, mais estranho além da superfície, um abismo atrás de cada chão, cada razão, por baixo de toda ‘fundamentação’. Toda filosofia é uma filosofia-de-fachada – eis um juízo-de-eremita: ‘Existe algo de arbitrário no fato de ele se deter aqui, de olhar para trás e em volta, de não cavar mais fundo aqui e pôr de lado a pá – há também algo de suspeito nisso’. Toda filosofia também esconde uma filosofia, toda opinião é também um esconderijo, toda palavra também uma máscara.”.


Tal trecho da obra de Nietzsche, somado ao fato do filósofo ter sido um leitor ávido de Dostoiévski, demonstra a influência deste em sua obra, em sua forma de pensar. Dostoiévski, em Memórias do Subsolo, foi fundo em sua análise psicológica de seu protagonista, mostrando ao leitor como as pessoas mascaram sua consciência com palavras e atitudes, e que negam até para eles próprios, deixando imaginar a possibilidade de haver mais subsolo sob o subsolo. Ou seja, que o ser humano está tão distante de si mesmo quepode não saber até onde chega a sua consciência, tudo o que não admite a si mesmo. O que acaba sendo, na verdade, a sua essência.
Tal observação também está presente na obra de Albert Camus quando, no ensaioO Mito de Sísifo, ele diz: “Um homem é mais homem pelas coisas que silencia do que pelas que diz.”, mostrando, assim, como segue o pensamento de Dostoiévski; em que a essência psicológica humana está em seu subsolo, não em suas máscaras.
Mas...afinal: o que seria tal essência? Que encontramos no subsolo? Diálogos, perguntas sem respostas certas, diversos ponto de vistas que se equivalem entre si, como seus personagens. O subsolo possui diversas vozes. Diálogos vivos, cada um pensante e com consciência própria, como os personagens do grande escritor russo. 
            Talvez a polifonia presente em seus livros venha do subsolo de sua alma; talvez cada um de seus personagens, tão contraditórios entre si, represente um de seus alter-egos que o autor nega a si mesmo, mas que os conta em livros, na forma de personagens. Assim, é possível que o autor acabe por mascarar, como diz Nietsche, suas ideias com palavras que mostram outras ideias. Talvez o subsolo seja infinito e não haja uma ideia certa; uma única com a qual concordamos efetivamente, mas apenas um diálogo infinito, como a obra de Dostoiévski.
Aí está um motivo, talvez, para tamanha repercussão de sua obra: assim como a mente humana, a obra de Dostoiévski é questionadora e instigante; às vezes pode parecer indecisa e suscetível a diversas interpretações. É uma obra que ganha significado a cada leitura, a cada leitor. É uma obra que planta questões na mente do leitor, que não deixa tudo claro demais, cansando a leitura com obviedades, mas que constrói diferentes caminhos de reflexão. É uma obra, de fato, pensante, pulsante. Talvez seja esse um dos diversos motivos pelos quais o autor russo influenciou tantas e tantas gerações de escritores, incluindo alguns dos mais importantes, como Nietzsche, Camus, Hesse, Kafka, Woolf e até Freud. E continuará, decerto, a influenciar as futuras gerações.



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