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terça-feira, 28 de junho de 2016

Rodolpho Araujo comenta sobre o seu livro Saga M.E – Entrada da Mente

Rodolpho Araujo
ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Rodolpho Araujo: Eu acredito que muitos autores se baseiam em suas experiências pessoais para se basear em suas histórias. Comigo não foi diferente. Na minha trajetória pelo curso de psicologia, aprendi que uma das maneiras de se expressar é por meio de textos ou escritas. Passei a fazer isso e quando vi de maneira mais ampla, tinha um enredo para uma história. No mais, foram as portas que Deus ia abrindo que me permitiram concretizar esse projeto.

Conexão Literatura: Você é autor do livro "Saga M.E – Entrada da Mente" (Garimpo Editorial). Poderia comentar?


Rodolpho Araujo: Não é um conto de romance tradicional onde o herói salva a garota de um perigo iminente, nem é aquele conto clássico retratando o conflito de duas nações e um amor impossível costurando as entrelinhas da trama resultando num final trágico ou feliz. É uma história contada pelo próprio personagem que apenas quer que as pessoas saibam como ele se sente e como é o seu mundo subjetivo. É a mesma fórmula de criar caricaturas de físicas para algo imaterial que no caso são sentimentos e sensações. Nesse livro procurei dividir a posição do leitor em duas frentes, a de quem causou a dor e de quem sofreu a dor, possibilitando a discussão de quem é o antagonista da história, ou se de fato existe um ali.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

Rodolpho Araujo: O último parágrafo do capítulo 3 e o início do primeiro parágrafo do capítulo 4 na página 25 retrata bem como estavam as emoções e a visão do mundo para o personagem.

“E assim é a minha semana. Monótona, chata. Não haviam motivos para continuar vivendo. Não havia emoção. Este mundo para mim estava ficando (suspiro), podre.

Não era de se esperar que tudo estava ficando sem sentido para mim. As coisas iam acontecendo e eu não sentia a diferença”.

Conexão Literatura: Para quem você indicaria a leitura de "Saga M.E – Entrada da Mente"?

Rodolpho Araujo: Eu indicaria para aquelas pessoas que buscam uma história diferente e que fala de sentimentos. Que tenham a sensibilidade para olhar um contexto inteiro e identificar as reais motivações de cada personagem. Não tenho um público alvo específico, mas aqueles que buscam algo mais profundo certamente irão se interessar mais sobre a proposta do livro.

Conexão Literatura: Como os interessados deverão proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você?

Rodolpho Araujo: Eles podem procurar através da editora Garimpo ou entrando em contato comigo através da minha página no facebook com mesmo título do livro.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Rodolpho Araujo: Sim, esse é apenas o primeiro de uma sequência de seis ou sete livros que irão compor aspectos diferentes de como explicar as emoções dentro da mente humana que refletem em ações concretas.

Perguntas rápidas:

Um livro: Senhor dos Anéis
Um (a) autor (a): C.S Lewis
Um ator ou atriz: Benedict Cumberbatch
Um filme: Código da Vinci
Um dia especial: 5/09, meu aniversário.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Rodolpho Araujo: Eu tenho plena convicção de que todo mundo pode ser um escritor, pois todos temos histórias para contar. Para aqueles que não tem a coragem ou a iniciativa, basta uma caneta e um pedaço de papel para afundar na imaginação e criar algo novo e autêntico. Eu sei que a minha história não tem como ser comparada com outras de grande sucesso que pertencem ao mesmo gênero literário que o meu, mas o meu conselho para aqueles que querem entrar nesse meio é que não desanimem e sejam vocês mesmos, pois o que torna uma história boa, é a pureza da sua origem e autenticidade do autor. E ele só consegue fazer isso, quando deixa seus sentimentos guiarem as palavras.

Brasil recebe obra inédita de premiado poeta argentino

Livro de Rodolfo Alonso contará com tradução de imortal da ABL

Conhecido por ser amigo pessoal dos escritores Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes, o poeta argentino Rodolfo Alonso terá sua obra traduzida para o português. Editado pela Penalux, o livro “Poemas Pendentes” trata-se de uma edição bilíngue que reúne textos inéditos de Alonso no país. Além de ser um grande presente da cultura argentina, conta com a tradução de Anderson Braga Horta, imortal da Associação Brasileira de Letras.

Segundo os editores Tonho França e Wilson Gorj, o livro se divide em duas seções. A primeira parte, cujo o subtítulo é ‘‘Aparecidos”, inclui poemas inéditos que, por uma ou outra razão, não foram incorporados em publicações anteriores. Com o tema ‘‘Aparições”, a parte seguinte reúne os textos recentes a partir de seu último livro editado. 
O conteúdo
O livro revela e compartilha os pensamentos do autor. Os temas dos poemas são bem diversificados, por exemplo, falam de amor, sobre lembranças do passado, detalhes da beleza da vida, um pouco do cotidiano de Buenos Aires aos olhos do poeta e também política.

- A poesia de Rodolfo Alonso não usa as palavras pela sensualidade que desprendem, mas pelo silêncio que concentram. O autor tenta exprimir o máximo de valores no mínimo de matéria vocabular, impondo-se uma concisão que chega à mudez. A ambição deste poeta - como saber ao certo a ambição da poesia? – talvez seja trazer para a vida de todos os dias o fogo de uma chaga viva de amor, ardendo no maior silêncio de compreensão – relatam os editores.

Sobre a editora
Fundada por Wilson Gorj e Tonho França, a editora Penalux nasceu em meados de 2012 com o propósito de selecionar pela qualidade da obra e pelo potencial do autor. Com autores do Brasil e do exterior, a editora já publicou mais de 300 obras dos mais diversos gêneros: contos, micronarrativas, crônicas, romances, poesias e acadêmicos. A empresa também investe na publicação de novos autores, dando-lhes a possibilidade de publicar sem custos de edição. Isso é facilitado em grande parte por trabalhar com pequenas tiragens, o que possibilita atender cada autor conforme sua demanda.

Serviço:
Livro Poemas Pendentes
Rodolfo Alonso, Buenos Aires (AR)
Editora: Penalux
Tamanho: 14 x 21
Páginas: 198
Preço: R$ 38,00

Link para comprar:
http://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=415

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Márcio Souza, autor de Mad Maria e Amazônia Indígena, cede entrevista exclusiva para a revista Conexão Literatura

Márcio Souza
Márcio Souza nasceu em Manaus, Amazonas, em 1946. Aos 14 anos começou escrevendo críticas de cinema para um jornal local e em 1965 deixou Manaus para estudar Ciências Sociais na Universidade de São Paulo.

Seu primeiro romance, “GALVEZ, IMPERADOR DO ACRE”, foi um enorme sucesso de crítica e de vendas, logo se tornando um fenômeno internacional. A seguir, outros romances, ensaios e textos teatrais foram lançados com o mesmo impacto. Romances como “MAD MARIA”, “A ORDEM DO DIA” e “O MUNDO PERDIDO”. Ensaios como “O EMPATE CONTRA CHICO MENDES”, “FASCÍNIO E REPULSA” e “BREVE HISTÓRIA DA AMAZÔNIA”. Peças de teatro como “DESSANA, DESSANA”, “A PAIXÃO DE AJURICABA” e “AS FOLIAS DO LÁTEX”.

É roteirista de cinema, dramaturgo e diretor de teatro e ópera. Como homem de teatro ele atualmente dirige o TESC-Teatro Experimental do Sesc do Amazonas, grupo teatral que foi pioneiro na luta pela preservação da Amazônia.

Participou de muitos encontros internacionais de literatura e foi professor convidado da Universidade da California, Berkeley, escritor residente nas Universidade de Stanford e Austin, Texas. No momento ele está escrevendo a tetralogia “Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro”, tendo já publicado dois volumes: “LEALDADE” e “DESORDEM”, editados no Brasil pela Editora Record.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Em Manaus, ainda jovem, você começou a trabalhar como crítico de cinema no jornal O Trabalhista. Poderia comentar?

Márcio Souza: Foi meu primeiro trabalho profissional, com carteira assinada, que nada serviu para a minha aposentadoria de acordo com os fatores do INSS. Sempre gostei muito de cinema. Ainda hoje sou um cinéfilo de carteirinha. Parte de meus textos esta reunido no livro “O Mostrador de Sombras” de 1967, editado em Manaus pela União Brasileira de Escritores.

Conexão Literatura: Perseguido pela ditadura militar, você interrompeu os estudos em 1969 e começou a vida profissional no cinema, como crítico, roteirista e diretor. Como foi essa trajetória numa época tão conturbada?

Márcio Souza: Não interrompi, finalizei a graduação, mas nunca fui buscar o canudo. No entanto, já estava trabalhando no cinema, primeiro como roteirista da empresa SERVICINE, do Antônio Polo Galante e Alfredo Palácios; Ali aprendi que meu negócio não era cinema, mas escrever. Foi a minha grande escola onde descobri que escrever era um trabalho. Um ofício solitário, mas que precisava alcançar do outro lado os leitores. Escrevendo roteiros e ouvindo as observações e comentários do Galante e do Palácios, entendi que os leitores é que faziam todo o sentido ao ato de escrever. Além do mais, vindo de uma família de trabalhadores, não podia me dar ao luxo de ser diletante.

Conexão Literatura: Você escreveu diversas obras inseridas no ambiente sociocultural da Amazônia, entre elas “Mad Maria” (1980), que relata os episódios mais macabros e inacreditáveis dos registros históricos da construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Como foram as suas pesquisas e tempo gasto para compor essa incrível obra que chegou a ser adaptada e exibida pela Rede Globo na minissérie Mad Maria (2005), escrita por Benedito Ruy Barbosa e com direção de Ricardo Waddington?

Márcio Souza: Escrever sobre a Amazônia para mim era óbvio, pois como amazonense via o mundo da perspectiva do grande vale. Meu romance MAD MARIA, de 1980, começou como uma espécie de subterfugio para falar da Transamazônica, um dos projetos megalomaníacos da Ditadura. Encontrei outra estrada delirante e mortal, a Madeira Mamoré, que ligava o nada a coisa alguma. O empreiteiro norte americano inventou a cidade de Porto Velho, como ponto de partida, e estendeu os trilhos até a fronteira da Bolívia, finalizando na aldeia de Guajará Mirim. Uma das inúmeras sandices perpetradas pelo Brasil na Amazônia. O trabalho de pesquisa foi talvez uma sandice ainda maior, porque os arquivos da estrada foram destruídos e fui obrigado a sair pelo mundo buscando informações. Na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em Paris, no Museu Britânico, na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Como não costumo escrever sobre meu umbigo, gosto de fundamentar o que escrevo, talvez seja vício de alguém treinado em pesquisa de Ciências Sociais. O livro saiu em 1980 e a Globo comprou imediatamente a opção. Parece que a adaptação é razoavelmente fiel, mas não assisti a minissérie, na época estava dirigindo uma peça e coincidia o horário dos ensaios com a emissão. Estou esperando sair o vídeo. 

Conexão Literatura: "A ironia amarga de Márcio Souza germina diretamente do coração das trevas." (The New York Times Book Review). Essa "ironia amarga" citada pelo jornal também é encontrada em outras de suas obras e podemos dizer que trata-se de uma marca pessoal de Márcio Souza?

Márcio Souza: Não sei, um crítico espanhol identificou como humor judaico, veja só. Se assim for, não é uma marca pessoal, creio.

Conexão Literatura: "Galvez, imperador do Acre", vendeu mais de 1 milhão de exemplares e serviu de base para a bem-sucedida minissérie Amazônia, exibida pela Globo em 2007. Muitos anos depois, parece que você mexeu e reescreveu alguns trechos do texto. Por quê?

Márcio Souza: O texto do romance “GALVEZ, IMPERADOR DO ACRE” nunca sofreu modificação ou reparo. Segue publicado com todos os defeitos de origem.

Conexão Literatura: Você foi presidente da Funarte entre 1995 e 2003, no governo de Fernando Henrique Cardoso e ocupa, desde janeiro de 2013, a presidência do O Conselho Municipal de Política Cultural da cidade de Manaus. Essa forte influência e o convívio com assuntos relacionados certamente fizeram nascer a obra "Amazônia Indígena" (Record), uma obra essencial para o leitor repensar a relação do Brasil com seus habitantes mais antigos. Poderia comentar sobre essa incrível obra e sobre a sua importância para o atual cenário brasileiro?

Márcio Souza: Eu que sou avesso à burocracia tive duas experiências federais na administração da cultura, e uma municipal. Fui diretor da Biblioteca Nacional, presidente da Funarte e atualmente presido o Conselho Municipal de Cultura de Manaus. Posso garantir que o livro “Amazônia Indígena” nada deve a esta parte de minha vida pregressa. Trabalhar no governo, em qualquer instância é como disse o filósofo Erasmo de Roterdão: “é o triunfo da esperança sobre a experiência”. “Amazônia Indígena” pretende ser um grande painel do processo histórico da Amazônia da perspectiva das etnias, dos povos indígenas. Não se trata de um ensaio antropológico, mas também o é, de certo modo. Também é memorialística, literatura e crônica. Está escrito para ser lido e apreciado pelos leitores em geral, que tenham alguma curiosidade para entrar em contato com um mundo extraordinário: o mundo do índio. 

Minissérie Mad Maria
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Márcio Souza
: Tenho escrito peças teatrais que venho encenando com o Teatro Experimental do SESC do Amazonas. Posso citar “Rodrigueanas Amazônicas”, em homenagem ao centenário de Nelson Rodrigues, “Carnaval Rabelais”, para o ano da França no Brasil e “Eretz Amazônia”, celebrando o bicentenário da imigração judaica para a Amazônia. No romance, estou concluindo o quarto volume da tetralogia “Crônicas do Grão Pará e Rio Negro”, “Derrota”, enquanto busco informações para o projeto de um romance sobre a vida de quatro jovens amazonenses que vão combater o nazismo na Itália, durante a II Guerra Mundial.

Perguntas rápidas:

Um livro: Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade.
Um (a) autor (a): Moacyr Scliar.
Um ator ou atriz: Júlia Lemmertz
Um filme: L’Age D’Or, de Luis Buñuel.

Conexão Literatura
: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Márcio Souza
: Agradecer a oportunidade de conversar com os leitores de Conexão Literatura.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Livro Os Abraços Perdidos, do autor João Chiodini, entre os melhores de 2015

João Chiodini
João Chiodini nasceu em Jaraguá do Sul, SC, em 1981. Trabalha com projetos ligados ao livro, leitura e literatura desde 2005.
É cronista e autor de livros infantis e biografias. “Os Abraços Perdidos” (Editora da Casa, 2015) é seu primeiro romance e já recebeu várias impressões positivas de grandes escritores nacionais como: Paulo Scott e Elvira Vigna. O seu livro entrou para a Lista de Melhores do Ano de 2015, no Suplemento Pernambuco.

1 - “Abraços perdidos” é seu primeiro romance, mas não é seu primeiro livro. Pode descrever rapidamente sua trajetória literária?

João Chiodini: Comecei a publicar livros em 2005, experimentando contos, poesias e infantis. Alguns anos depois, percebi que minha produção de textos curtos tinha uma boa inclinação para a crônica. Em 2007 comecei a ser cronista em algumas revistas mensais e, em 2012, passei a escrever crônicas semanais num jornal da minha cidade. A crônica é um hábito que, pelo jeito, vai caminhar comigo sempre. É a minha dose de humor.
Em 2009 recebi meu primeiro contrato como escritor, para escrever uma biografia e, a partir daí, fui possibilitado a viver em meio aos livros e a escrita. Seja escrevendo ou editando ou mediando. Hoje sou sócio e editor numa pequena editora e promotora de eventos literários em Santa Catarina. Trabalho ao lado do Carlos Schroeder, meu sócio que me ensinou muita coisa sobre literatura. E eu sempre nutri a ideia de escrever romances, porém, tive o cuidado e consciência de que só o faria quando tivesse o mínimo de maturidade e preparo para fazer uma narrativa que eu considerasse relevante. Arrisquei em outros livros não publicados. Fui fazendo amizade com a narrativa longa, aprendendo o que, literalmente, não está nos livros. Escolher elementos, temas que se sustentam, formas de contar a história.

2 - O que levou você a escrever?

João Chiodini: Não sei ao certo. Parece uma perturbação misturada com provocação. É como exercitar a loucura. Não consigo identificar ou explicar quando isso começou, acho até que foi um ato involuntário. Quando percebi, estava escrevendo alguma coisa. E esse ato parece me ser indissolúvel. Necessário, sem uma explicação e com perturbação. Nunca é assim: “Estou feliz, acho que vou escrever alguma coisa.” Não. É, justamente, o contrário. A hora de escrever é quando a perturbação ultrapassa as barreiras do próprio corpo. Corrói.
Creio que muitos dos escritores de literatura são pessoas que, de fato, não se encaixam no mundo. São uma falha na Matrix, são refugo dos padrões. Círculo que tentam ser encaixados em quadrados. E escrever é revidar. Mais, é provocar, é bombardear os limites dos quadrados. É esfregar, na cara do leitor, verdades ignoradas. Fazê-lo infeliz obrigando-o a olhar para fora.

3 - A escritora Elvira Vigna, que classificou “abraços perdidos” entre os melhores do ano de 2015, escreveu no Suplemento Pernambuco:  “O texto em linguagem muito simples tem seu impacto aumentado justamente por ter a linguagem simples.” Você pode falar um pouco mais sobre isso?

João Chiodini: Enquanto escritor tenho uma neurose, uma inquietação: Conseguir chegar o mais fundo possível com um texto simples. Tentar provocar reações complexas num leitor em contraponto a uma linguagem, aparentemente, crua.  No caso de Os Abraços Perdidos, acho que o uso da linguagem nesse sentido gera um efeito de sinceridade do narrador. Soa como um momento de entrega. É como se ele chegasse num ponto da vida que não importam as convenções, ele só quer colocar aquilo pra fora e tentar se libertar de um fantasma. Pedro, o protagonista, está tirando o curativo de uma vez, seco, direto.

4 - Quais são suas influências?

João Chiodini: Uma vez, conversando com Cristóvão Tezza, ouvi-o dizer uma frase que me fez todo sentido do mundo: “O escritor tem que saber o seu lugar na fila da História da Literatura.” Ou seja, temos que ler e aprender com tudo de relevante de todas as épocas, mas nossa maior influência tem que ser contemporânea. Lógico, algumas vezes, influência também é involuntária, mas eu tento deixar-me influenciar por escritores como a própria Elvira Vigna, Marcelino Freire, escritores latinos, como César Aira, Zambra, entre outros, que são pessoas do nosso tempo, mas que trazem uma bagagem significativa e rica para a literatura nos tempos de hoje. E, claro, tem verdade, sinceridade, muita sinceridade nos textos deles. A ficção, muitas vezes, tem mais verdade que a própria realidade.

5 - O livro está dedicado a seu pai. Qual é a dose de autobiografia em “abraços perdidos” ?

João Chiodini: O livro é dividido em dois narradores. Um em primeira e outro em terceira pessoa. Posso dizer que talvez 70% da narrativa em primeira é autobiográfica. Porém, o livro é uma autoficção, e a proposta do gênero é misturar-se, fundir e confundir e criar uma nova história. É isso que o livro faz. Usa elementos reais (alguns dolorosos) e traça outro caminho para essas pessoas.

6 - O livro está escrito alternativamente na primeira e terceira pessoa? Por que essa escolha? Chegou a pensar em escrever o livro inteiro, seja na primeira, seja na terceira?

João Chiodini: Sim, tentei fazê-lo todo em primeira (e em terceira também), mas isso prejudicava a narrativa na sua forma direta de ser. Na simplicidade e clareza que ela se impõe ao leitor. Também tentei separar a história em primeira parte e segunda parte. Da mesma maneira a história perdia sua força. Toda história tem sua forma de ser contada. Cabe ao escritor descobrir que forma é essa.

7 - No epígrafe, você ressalta que seu pai não chegou a “ver a prova da capa”. Ele leu o manuscrito? O que achou? Se não leu, o que teria achado, segundo você?

João Chiodini: Antes de escrevê-lo, contei a ideia para ele. Quase que para ver a reação dele. Ele aceitou, ainda brincou que poderia dar consultoria por um precinho camarada. E, a epígrafe não é poética, é factual. Quando a capista mandou a arte, meu pai já estava doente e faleceu alguns dias depois. Ele não chegou a ler o livro. Se ele tivesse lido, acho que iria dar risadas de algumas partes e choraríamos juntos de outras. Como fizemos várias vezes.

8 - A escrita lhe ajudou a lidar com seu passado? Seria uma das funções da literatura, segundo você?

João Chiodini: Acho que meu passado se esvaneceria na conta dos dias. Provavelmente, eu iria criar uma versão mais conveniente para mim mesmo, talvez mais feliz, talvez mais triste. Acho que esse livro me ajudará a nunca esquecer a verdade, mesmo que ela seja diferente do que está narrado em alguns pontos. Nessas, eu sempre lembrarei que sou um bom mentiroso.
Sobre a função da literatura, como eu disse, eu não sei qual a minha, ela é involuntária, sou impregnado por ela. O legal da literatura é ter funções subjetivas. Cada um terá a sua. É por isso que ela espanta, incomoda. Ela funciona de forma única para cada um.

9 - Pode falar dos seus novos projetos?

João Chiodini: Meu novo projeto ainda não tem título. Mas alguns elementos estão bem claros. As personagens serão duas mulheres: Uma adulta e uma criança. Terá um único homem, que é quase uma personagem ausente. É quase o contrário de Os Abraços Perdidos na escolha delas. Não é proposital. É, sim, a forma ideal para essa história (é o que me parece). É o diálogo de duas vítimas de escravidão. A narradora, a mulher adulta, é uma senhora simples do interior do Paraná, o que dará ao livro uma forma narrativa simplória, porém, não tão direta quanto o discurso de Pedro no Os Abraços Perdidos. É o que consigo dizer sobre isso, no momento. Tem muita linha a ser deletada e reescrita até o formato final ainda.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Eu quero escrever um livro sobre Literatura Brasileira

ENTENDA: 

A professora e pesquisadora da UNB, Regina Dalcastagne, dedicou seus últimos 15 anos a pesquisar os modelos sociais construídos e validados pela Literatura Brasileira contemporânea, qual a porcentagem de mulheres escritoras? Como os negros costumam ser retratados em obras de ficção? Os resultados mostram uma ficção que é ainda menos múltipla que a realidade nacional, com um perfil de autores médio desconfortavelmente menos uniforme que o do Brasil.




quarta-feira, 22 de junho de 2016

Almas Gêmeas: Edgar Allan Poe e Vincent van Gogh

Vincent van Gogh
Sempre que vejo uma arte ou leio um novo livro, procuro saber sobre a história do seu criador.  A arte e a escrita possuem marcas e vestígios da vida pessoal e visão de mundo de cada autor ou artista. Das biografias das quais já li e pesquisei, certamente quem me conhece sabe que sou fã e grande admirador das obras de Edgar Allan Poe e Vincent van Gogh. Ambos possuem uma história muito semelhante, diferenciando apenas que um foi para o lado da escrita e o outro da pintura.
Edgar Allan Poe teve uma vida conturbada desde a infância. Sofreu muito por amores. Passou dificuldade financeira. Não fez o sucesso que merecia em vida e morreu praticamente na sarjeta. Vincent van Gogh também sofreu por amores, e muito. Viveu na miséria, até mais que Edgar Allan Poe, e tinha ajuda financeira de apenas um irmão e isso não o fazia morrer de fome, pois em vida vendeu apenas 1 dos seus quadros, e não foi um valor tão elevado. Ambos eram dedicados e completamente viciados no que faziam. Edgar Allan Poe morreu  de causas desconhecidas, mas tenho suspeitas de que a causa do seu delírio e degradação seguidos de morte prematura, foram causados por um amor não correspondido, além da falta de dinheiro para se manter. Já Vincent van Gogh se suicidou com um tiro de espingarda devido ao impedimento de um pai em deixá-lo namorar a sua filha, da qual ele era perdidamente apaixonado. Ambos, escritor e pintor deixaram marcas profundas em suas artes, das quais só foram realmente reconhecidas muitos anos depois. Hoje, Edgar Allan Poe é um dos principais escritores mundiais e suas obras influenciaram outros escritores que também se tornaram conhecidos. Não preciso dizer muito sobre Vincent van Gogh, pois hoje a venda de apenas 1 dos seus quadros o manteria vivo e com as contas pagas pelo resto da sua vida. Edgar Allan Poe faleceu com 40 anos de idade, Vincent van Gogh com apenas 37 anos.

Uma biografia muito interessante do Vincent van Gogh, completa e com informações das quais não encontramos por aí e da qual eu sempre recomendo para os amigos, é encontrada no livro "As mulheres de Van Gogh - Seus Amores e sua loucura" (Verus Editora), do autor Derek Fell (Saiba mais: clique aqui). Já sobre Edgar Allan Poe, não encontramos tantas biografias, a não ser aquelas páginas extras das reedições dos seus livros que possuem uma biografia ou minibiografia do autor, muitas vezes bem incompletas. Faz uns dois anos que a Saraiva Conteúdo fez uma matéria comigo, da qual comento um pouco sobre a Vida do Poe. Quem quiser assistir ao vídeo, é só acessar (nesse vídeo eu ainda tinha os cabelos grandes): http://poesclub.blogspot.com.br/p/video.html.

Hoje, deixo um vídeo super bacana que me emocionou bastante. Penso: será que a maioria dos escritores e pintores só são realmente reconhecidos depois da morte? Será possível um dia viajarmos para o futuro e vermos as marcas das quais deixamos? E se Edgar Allan Poe pudesse estar hoje conosco e ver quantos leitores possui no mundo e a sua importância na literatura? E se Vincent van Gogh pudesse fazer o mesmo, viajar para o futuro e ver várias pessoas observando com entusiasmo a arte da qual não lhe rendia frutos, nem um prato de comida ou roupas novas para se vestir? E foi justamente isso o que aconteceu em um episódio da série do Doctor Who.

ASSISTA UM TRECHO:
Vincent van Gogh contemplando emocionado a sua própria exposição, num dos episódios da série do Doctor Who.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Autora comenta sobre o seu novo livro Corações adoradores: em busca de Deus, de si e do amor

Fernanda Vinci Kondo
ENTREVISTA:

Conexão Literatura
: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Fernanda Vinci Kondo: Eu sou apaixonada por leitura desde criança. Passava os intervalos da escola na biblioteca e trazia para casa quantos livros me permitissem. Também sempre gostei de escrever, no começo crônicas e poesias, até me aventurar no mundo dos romances e não sair mais. Mostrava meus trabalhos para pessoas próximas, mas nunca achei que, um dia, veria meu trabalho na prateleira de uma livraria, até que aconteceu e eu amei.

Conexão Literatura: Você é autora do livro "Corações adoradores: em busca de Deus, de si e do amor" (Garimpo Editorial). Poderia comentar?

Fernanda Vinci Kondo: Corações adoradores foi o primeiro livro que escrevi que tive a confiança de publicar. Acho que quanto tirei o foco do meu mundo e comecei a escrever algo com um propósito maior, algo evangelístico e cristão, percebi que poderia usar um talento para abençoar vidas e isso me deu ousadia. Esse livro trata da questão da religiosidade e de como ela é prejudicial para qualquer crença. Acredito que a mensagem é que devemos sempre questionar nossa fé e nos livrar do comodismo de dogmas impostos, seja qual for a religião. É também sobre a descoberta do nosso potencial e do propósito de nossa vida, e sobre a delicadeza de um amor inocente entre dois jovens que colocam Deus em primeiro lugar.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

Fernanda Vinci Kondo:

“Eu não parei de falar nesse momento, mas faço uma pausa aqui para descrever nós dois e a cena que estávamos compondo. Marília estava tão chocada que não moveu um músculo quando
lhe dei a notícia, ao contrário, soltou os músculos da mandíbula e deixou sua boca cair. Mal se ouvia sua respiração e eu, honestamente, não queria nem imaginar a ideia horripilante que
ela devia fazer de mim naquele instante. Quanto a mim, eu estava a poucos centímetros de seu rosto, tal o medo de que alguém na rua pudesse nos escutar. Quem olhasse essa cena, porém, viria apenas uma bela moça, surpresa, na calçada da igreja, com sua saia branca se movendo com o vento no ritmo dos seus cabelos cor de barro, e um padre, abatido, digno talvez de piedade para quem desconhecesse sua história, com uma bíblia segurada firmemente ao lado do corpo, no primeiro degrau da igreja, inclinado para a bela senhorita. Estes éramos nós”.

Conexão Literatura: Para quem você indicaria a leitura de "Corações adoradores: em busca de Deus, de si e do amor"?

Fernanda Vinci Kondo: Este livro não foi escrito para uma faixa etária específica, mas eu acredito que seja mais indicado para o público jovem, uma vez que os protagonistas da história são jovens e, a despeito do contexto, passam por emoções e dificuldades que todo jovem acaba passando. Também indico para todos os que desejam viver uma fé madura e serem confrontados quanto a suas próprias crenças, além dos que, como eu, amam romances açucarados e adorariam lê-los em um cenário cristão.

Conexão Literatura: Como os interessados deverão proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você?

Fernanda Vinci Kondo: Os livros estão disponíveis nas lojas físicas e virtuais da Saraiva e da Cultura, e no site da Garimpo Editorial. Estou também com uma página no Facebook, onde coloco as novidades sobre o livro e fico à disposição dos leitores para qualquer contato (www.facebook.com/fernandavincikondo).

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Fernanda Vinci Kondo: Com certeza, adorei a experiência e quero repeti-la. Pretendo lançar um novo livro ano que vem, talvez ainda mais ousado que o primeiro, com personagens do mundo espiritual e a luta por uma alma que vai surpreender. Aguardem.

Perguntas rápidas:

Um livro: Orgulho e preconceito, de Jane Austen
Um (a) autor (a): Lycia Barros
Um ator ou atriz: Ioan Gruffudd
Um filme: A vida é bela, de Roberto Benigni
Um dia especial: O dia em que entreguei minha vida a Cristo e soube o que era o verdadeiro amor.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Fernanda Vinci Kondo: Quero agradecer a oportunidade que a Conexão Literatura me concedeu para divulgação desse trabalho, parabenizando os editores da revista por contribuir para a expansão da cultura literária em nosso país de uma forma tão eclética e dinâmica.

Para adquirir o livro, acesse: www.garimpoeditorial.com.br

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