quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Serviço completo para escritores na Fábrica de Escritores


A "Fábrica de Escritores" oferece serviço completo para escritores iniciantes ou não, que vai de divulgação de livros/autores até revisão ou ISBN, tudo englobado num único lugar para você não perder tempo, além dos preços serem bem acessíveis.


Saiba mais, acesse: http://fabricadeescritores.blogspot.com/p/dicas.html
Compartilhe:

Um conto de horror no espaço: "Borboletas", por Edmund Cooper

Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

A nave de reconhecimento “Prometheus” entrou em órbita do Planeta Cinco, no Sistema Planetário duplo de Sírio. Este, uma grande estrela, com um único planeta vermelho junto a ela, singrava pelo Universo em companhia de sua Companheira, estrela anã branca, com sete planetas a seu redor. Cada um dos sóis situava-se na extremidade do Sistema Planetário, afastadas, trazendo seus próprios mundos. Na nave seguiam o capitão Trenoy, o Dr. Blane, físico, psicólogo e cirurgião, e o Dr. Luiss, geólogo e bioquímico. Vieram da Terra galgando um abismo de 8,5 anos-luz, durante 18 meses, o que significava que na Terra se passariam 35 anos quando voltassem, devido ao efeito da propulsão relativística de seus motores.

Além dos homens, viera Whizbang, robô positrônico de dois metros de altura. Os tripulantes decidiram que Whizbang deveria descer primeiro no Planeta Cinco, precaução extra e aparentemente desnecessária, visto que não havia sinal de vida hostil naquele mundo, seiscentos quilômetros abaixo. Mas cuidado nunca era demais... No planeta, havia a dezoito quilômetros de onde o módulo de descida aterrissara, montanhas, a mais alta, de mais de dois mil metros de altura; havia rochas vermelhas, negras e púrpuras; uma relva de um metro a um metro e meio de altura. Uma única vida animal, borboletas, esvoaçava em uma nuvem de vinte a trinta em círculos acima do módulo.

O robô recebeu ordens de sair para recolher amostras do ar, realizando medições da radioatividade, pressão do ar e testes dos gases principais, além de fazer uma filmagem dos arredores e, principalmente, das borboletas. Whizbang obedeceu. Na campina, cinquenta espécimes levantaram voo mais distante de onde o robô estava e dirigiram-se para ele, executando, então, um voo em círculos sobre a cabeça da máquina. Whizbang experimentou algo semelhante ao canto: dizia frases desconexas com a tentativa de fazer rimas. Os três homens na “Prometheus” se alarmaram. Tentaram de todas as formas fazer contato com o robô. Mas não obtiveram êxito.

O capitão Trenoy e o geólogo decidiram descer na superfície. Um deles ficaria sempre no módulo. O outro iria ver o que ocorrera com o robô. Levaram, então, pistolas ultrassônicas e pistolas de raios de alta frequência, o suficiente para acabar com qualquer ameaça biológica. Chegando no planeta, os o Dr. Luiss saiu do módulo e dirigiu-se até onde Whizbang estava. Ele tinha emudecido e ficara plantado em uma só perna, em uma posição grotesca.

O Dr. Blane interrogou a máquina, quando ela regressou em um dos módulos. Não se lembrava do que ocorrera, a partir do momento em que as borboletas voaram em círculos ao redor de sua cabeça, e realizaria testes relativos à radioatividade. Lembrava-se de o Dr. Luiss ter se aproximado dele e recriminá-lo devido a sua atitude inconsequente, posteriormente, quando ele e o capitão desceram ao planeta. A nuvem de borboletas sobre a campina parecia maior, e isso deveria ser devido ao disparo de dois segundos da arma ultrassônica que o geólogo fizera contra elas.

O robô, sob ordens do Dr. Luiss, voltara ao módulo e o homem disse que daria uma volta de cem metros para coletar amostras. O capitão saiu do módulo, chamado por Luiss, que afirmara ter descoberto um esqueleto de um animal muito desenvolvido, evolucionariamente falando. Trenoy se reuniu ao geólogo. Avaliaram a carcaça. E as borboletas se aproximaram, um pequeno grupo de vinte. Aproximaram-se, aproximaram-se... os dois homens retiraram muito lentamente seus capacetes.

O robô afirmara que, nesse momento, o cirurgião ordenara que Whizbang regressasse com o máximo de urgência para a “Prometheus”. A ligação fora cortada e o robô subiu para a nave, aumentando a força dos propulsores.

O Dr. Blane decidiu descer no planeta. Na superfície, no local onde Trenoy e Luiss haviam permanecido, uma nuvem de borboletas esvoaçava alguns metros acima deles. Algo obscurecia suas cabeças. O Dr. Blane saiu do módulo e caminhou até eles. Quando chegou perto, viu o que o impedira de ver com clareza as cabeças: não havia cabelo, pele ou carne, apenas o crânio liso e escuro. O cirurgião teve ânsias de vômito. Ele ouviu uma música, então. Era a sinfonia do bater de asas das borboletas, que o atingia como nunca em seu âmago. O médico havia sacado as armas de ultrassom. Agora, deixava-as caírem no chão e tateava com frenesi os fechos do capacete.

Abriu-os. Lágrimas corriam de seus olhos, não pela morte que vinha chegando, mas era a única reação perante uma experiência tão avassaladora que nenhum homem poderia jamais esquecê-la ou repeti-la. Esperou pela morte, ouvindo a música de milhares de lepidópteros carnívoros que se abatiam sobre sua presa, as mandíbulas pequenas, mas poderosas prontas para devorar.

Na nave, o robô positrônico chamou inúmeras vezes pelos tripulantes no planeta, sem resposta. Decidiu partir após dez dias, concluindo que os homens haviam morrido de sede. Uma vez que eles necessitavam de água para sobreviver, e a água no Planeta Cinco possuía estrutura molecular mais complexa do que a da Terra, não poderia ser consumida pelos astronautas. Whizbang não tomara conhecimento da morte dos homens, quando esta se dera. Quando fora atingido pela música dos lepidópteros, ela não era destinada a ele, mas a presas para que fossem subjugadas. O metal de que ele se constituía não era comestível, para as borboletas. O único efeito sobre o robô havia sido a sua “perda da razão” e ausência da realidade.

Ele voltaria para a Terra e contaria o que acontecera no Planeta Cinco. O robô acionou os motores, iniciando a propulsão relativística, certo de que poderia executá-la melhor do que qualquer dos homens que o acompanharam poderia jamais tê-lo feito.

“As Borboletas” (“The Butterflies”) é o nome do conto cuja sinopse descrevi acima. Publicado em 1970, na antologia “Novas de Algures” (News from Elsewhere”), do escritor inglês Edmund Cooper, é um conto de horror no espaço. É a prova de que nem todo alienígena que constitui uma ameaça aos cientistas e exploradores espaciais do futuro poderá vir a ter aparência medonha, como Alien, o 8º Passageiro nos fez acreditar ter.

Não é preciso sair da órbita da Terra, para constatar que insetos que existem aqui já poderiam ter nos dizimado, se tivessem um mínimo de inteligência para se organizarem e nos atacarem. Formigas, mosquitos, pernilongos, aranhas, vespas, abelhas e milhares de espécies de insetos carnívoros, que nos atacam somente quando ameaçados, ou nos procuram para sugar nosso sangue — o caso dos mosquitos e pernilongos — poderiam destruir a raça humana em menos de dois dias, se agissem em conjunto e inteligentemente.
Filmes como o clássico “Selva Nua” (“The Naked Jungle”, de 1954), estrelado pelos monstros sagrados do cinema Charlton Heston e Eleanor Parker, baseado no conto “Leiningen Versus the Ants” (de 1954), de Carl Stephenson, nos fazem recordar o que um exército de formigas poderia fazer contra o homem. Formigas podem atravessar qualquer terreno e construir “barcos” para ser transportadas pela água. Isso foi observado em laboratório e nas florestas e matas cruzadas por rios, onde as formigas utilizam folhas e outros tipos de material para realizar a travessia.

No filme “Selva Nua”, dirigido por Byron Haskin e produzido por George Pal, as formigas rumam em direção à plantação de cacau de Leiningen (Heston) em plena Floresta Amazônia. Os insetos possuem inteligência. Fogo não as impede de destruir a fazenda de Leiningen, que tenta — e consegue! — pará-las por intermédio de uma correnteza de água, que libera abrindo uma válvula, sendo quase morto pelas formigas.

O cérebro de um inseto é rudimentar. Pouco mais do que uma migalha de grão de arroz, consegue milagrosamente elaborar mapas mentais para orientação desses animaizinhos, que nunca erram seu caminho para o ninho. A vida dos insetos não é fácil. Estão sempre em luta, ou abelhas contra vespas e marimbondos, ou legiões de formigas contra exércitos de outras formigas. Na guerra dos insetos, armas químicas, substâncias que as formigas-soldado utilizam contra os inimigos, são usadas. O objetivo: entrar no ninho inimigo e destruir a rainha. Uma vez morta a rainha, o ninho entra em colapso. Pânico, fuga, em uma casa que não mais conta com seu principal elemento vivo, responsável pela disseminação de ovos para que as formigas que cuidam da rainha e as operárias e os soldados, possam continuar a perpetuar sua espécie. Sem a rainha, o ninho morre.

As borboletas do conto “The Butterflies”, de Edmund Cooper, teriam exterminado todos os demais seres do Planeta Cinco, isso está implícito, quando se diz que é achado o esqueleto de um animal evolucionariamente bastante desenvolvido, na verdade, um quadrúpede. E não se encontra, pelos tripulantes da “Prometheus”, sinal de vida ameaçadora ou de qualquer outro animal, senão as borboletas.

O Universo com certeza nos trará surpresas nos milhares de anos pela frente. Boas ou más, o fato é que certamente encontraremos vida inteligente, seja semelhante à da Terra, seja completamente diversa do que existe em nosso planeta. Os blocos de construção da vida, ou o DNA, podem sofrer mutações em outros planetas, resultando na evolução de criaturas mais ou menos perigosas para os primeiros exploradores.

Resta saber se estaremos preparados para nos defender de ameaças alienígenas, em exoplanetas distantes dezenas, centenas ou milhares de anos-luz de nosso Sistema Solar.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
Pelo site da Amazon: Clique aqui.
Compartilhe:

O Homem Rouco – Rubem Braga


O Homem Rouco, de Rubem Braga, foi publicado pela Global Editora em 2018 (5ª edição). Rubem é considerado o mestre da crônica no Brasil e o livro reúne quarenta textos que foram escritos entre abril de 1948 e julho de 1949. São textos que foram publicados originalmente no Diário de Notícias, Folha da Noite, Folha da Tarde, Diário da Noite, Diário Carioca, Correio Paulistano, Revista da Globo e Jornal do Comércio.


“Naufragamos a todo instante no mar bobo do tempo e do espaço, entre as ondas de coisas e sentimentos de todo dia.”

A crônica que abre a obra é O Ausente de Bogotá. Em Sobre o Inferno, o inferno é o tema. Aquele inferno que, segundo o autor “Dante e outros espalharam muitas notícias falsas a respeito”. O inferno é apenas aqui e o cronista o vive no cotidiano.

Sobre o Amor, Etc fala sobre esse sentimento humano e a vida de que ama e de quem passou por uma relação. Até mesmo uma amendoeira ou algumas delas, fizeram com que Rubem Braga nos desse uma história. Ou ainda, a “Lembrança de um braço direito”. 

Sempre me chama a atenção na crônica o olhar aguçado do cronista sobre tudo que vê ao seu redor. Coisas simples, corriqueiras, inusitadas, mas também a complexidade de fatos e acontecimentos, a complexidade da própria percepção humana sobre o que vê.

Biribuva, uma gatinha, recebe o texto que traz seu nome. É da revelação do cronista com essa gatinha e do pensamento que surge sobre possibilidade de não tê-la que extrai a essência do texto, que comove quem gosta de animais. Ainda que o leitor, segundo ele, não queria saber de Biribuva (a condessinha). Mas, ele nos conta sobre ela.

Em O Plano de Itamaracá fala sobre pessoas que morreram na ilha e a própria ilha, bem como aspirações para o que desejaria que a ilha se tornasse, com ironia.

Para Rubem Braga um menino que usa seu teatro de marionetes, vindo de uma caixa de Praga, poderia usar e organizar outras “Marionetes” (título da crônica). “Tenho vontade de ir lá dentro chamar o menino, entregar-lhe o Brasil e o Mundo, pedir-lhe para organizar, com todos esses bonecos terríveis e gaiatos, uma história mais coerente e mais divertida”. Uma crônica que faz uma crítica política no fim de 1948 e que se revela tão atual como se tivesse sido escrita exatamente hoje.

Conto de Natal, cuja história muito se aparenta a do casal que deu a luz à Jesus Cristo termina de modo triste. Uma analogia do autor ou um questionamento para quem o lê? Já em Irritação da Vida, por meio de um livro que recebe, Rubem faz a sua visão sobre o ato de escrever e sobre a necessidade do escritor em ter seu livro.

“Ah, um dia terei coragem de escrever um livro assim florido, onde o leitor entre como em jardim de afetos, e tome comigo o cafezinho da maior cordialidade, batendo uma boa prosa.”

Pedaços de cartas de nordestinos que migraram para a Amazônia também viraram um bom texto do autor. O Homem Rouco tem outras crônicas, tais como Nascem Varões, O Jabuti, O Morador, O Funileiro, Dos Brotos e O Motorista do 8-100 (essa última apontada por Otto Lara Resende como uma das melhores de Rubem Braga). Rubem, por sua vez, em entrevistas destaca o livro O Homem Rouco como um de seus melhores.

É no passeio pelas palavras do autor que nos traz seus ambientes, personagens e observações que o leitor vai ler e se deleitar com ótimas crônicas. A palavra bem posta, um estilo que por vez fala do autor para o leitor, reflexões, observações puras e simples, e humor aparecem nos textos do autor. Mergulhar nas crônicas de Rubem Braga é uma viagem daquelas que fascinam e que ficam gravadas na memória.

Para saber o nome de todas as crônicas que estão presentes no livro, deixo o registro aqui: O ausente de Bogotá, Sobre o amor et, Sobre o inferno, Jardim fechado, Justiça seja feita, Essas amendoeiras, Lembrança de um braço direito, Biribuva, O plano Itamaracá, O suicida, O homem rouco, Procura-se, Histórias de Zig, Do temperamento dos canários, Aconteceu com Orestes, Que venha o verão, Marionetes, Agradecimento, Conto de Natal, A secretária, Uma lembrança, Os romanos, Regência, Imitação da vida, Pedaços de cartas, Sobre a morte, Da vulgaridade das mulheres, Os olhos de Isabel, O barco Juparanã, O motorista do 8-100, Dos brotos, O vassoureiro, Vem uma pessoa, A visita do casal, O morador, Visitação a São Paulo, Os saltimbancos, O funileiro, O jabuti e Nascem varões.

Mais do que falar sobre as crônicas que serão lidas, é preciso que elas sejam lidas, pois a cada um a singularidade do olhar do autor vai reverberar de um modo diferente. Recomendo a leitura.

Sobre o autor:

Rubem Braga nasceu em 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, e passou a dedicar-se precocemente ao jornalismo, em 1928, no Correio do Sul, fundado por seus irmãos. Apesar de graduado em Direito, nunca exerceu a profissão e dedicou-se por toda a vida ao jornalismo e à crônica, passado por diversos jornais brasileiros. Atuou também como embaixador no Marrocos, chefe do Escritório Comercial do Brasil no Chile, editor, contista e poeta, experiências que influenciaram suas crônicas, além de ter sido correspondente do Diário Carioca durante a Segunda Guerra Mundial. Seu primeiro livro, O Conde e o Passarinho, foi pulicado em 1936. A este se seguiram diversos outros títulos que lhe garantiram prestígio incomum junto ao público leitor e à crítica ao longo das últimas décadas. Obras como Ai de Ti, Copacabana! alçaram a crônica, gênero comumente considerado “menor”, a uma patamar jamais alcançado na literatura brasileira. O autor faleceu em 19 de dezembro de 1990 e suas cinzas foram jogadas no rio Itapemirim.

Ficha Técnica

Título: O Homem Rouco
Escritor: Rubem Braga
Editora: Global
Edição: 5ª
Número de Páginas: 152
ISBN: 978-85-260-2441-0
Ano: 2018
Assunto: Crônica brasileira



Compartilhe:

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Jovem escritora campista faz lançamento de romance erótico na 10ª Bienal de Campos de Gopytacazes

Bella Prudêncio - Foto divulgação
Sessão de autógrafos será no dia 22 e participação em debates nos dias 23 e 24

A escritora Bella Prudêncio fará o lançamento de “Sebastian” e participará de duas mesas de debates na 10ª Bienal do Livro de Campos de Goytacazes, que começa no dia 20. O livro, publicado pela Oficina Raquel,  teve um primeiro lançamento em outubro, na Primavera Literária do Rio de Janeiro, e é uma versão modificada do romance erótico que a autora de 21 anos lançou pela plataforma de autopublicação Bibliomundi, quando tinha 18, e que vendeu mais de 200 mil exemplares.

Pela experiência bem-sucedida de Bella com “Sebastian” e outros títulos no universo dos e-books (o conto “Arabella” e os romances “505” e “O Pecador”), ela participará de mesa de debates “Mídias Digitais, no dia 23, às 11h. “As mídias digitais são uma realidade e a autopublicação uma alternativa muito adequada para autores iniciantes. Pode ser fim em si e um caminho para despertar o interesse das editoras convencionais”, diz.

No dia 24, às 13h30, ela estará na mesa “Leia Mulheres” e falará sobre “Clube dos Suicidas”, que lançou na Bienal do Livro do RJ, no ano passado, pela Aldeia dos Livros. Neste livro, Bella criou personagens depressivos, com tendências suicidas, num enredo  que se relaciona à formação que ela está fazendo em Psicologia.

A sessão de autógrafos de “Sebastian” será no dia 22, às 17h. Uma curiosidade é que cada exemplar tem uma capa diferente única, a partir de uma técnica de impressão conhecida como mosaic. O romance apresenta a história de Solveig, uma jovem brasileira de descendência romena. Ao resolver passar um ano na Romênia, ela tem sua vida modificada. As tias com quem ficaria morrem e ela vai morar com o primo de terceiro grau, Sebastian, um herdeiro sexy, levemente cafajeste, mas ao mesmo tempo romântico e apaixonante.

“O livro impresso tem novo final e algumas partes diferentes da versão original. Ou seja, traz um conteúdo inédito até pra quem comprou o e-book e releu várias vezes. A Sol ainda continua com uma personalidade referente a idade dela, no livro ela tem 18 anos, mas a visão da história muda, porque eu também mudei. Comecei a escrever Sebastian com 16 anos, e tenho 21, foi muito chão de lá pra cá e isso é provado no livro”, explica Bella.

Mulher, jovem e escrevendo literatura erótica, Bella conta que sua maior dificuldade é lidar com o assédio. “Muita gente não entende que aquela personagem do livro não sou eu e que muitas vezes as experiências que eu narro não foram de fato vividas por mim nem por pessoas ao meu redor, mas imaginadas”, comenta a autora de “Sebastian”.

Sebastian
Bella Prudêncio
Editora Oficina
210 páginas
R$ 59,90
Compartilhe:

Leitura interativa com narrativa em construção


O jogo da forca serviu de inspiração para o divertido livro Palavra-chave, de Selma Maria, um lançamento da Editora do Brasil


No dia 14 de novembro é comemorado o Dia Nacional da Alfabetização, portanto trazemos uma sugestão de leitura para os pequenos: Palavra-chave, de Selma Maria.

Uma experiência de sala de aula, relatada por uma educadora da cidade paulista de Jundiaí intrigou a poeta e artista plástica Selma Maria. A educadora passara uma lição de casa para os alunos em que pedia para que eles completassem um jogo de forca a partir da figura de duas galinhas que viam desenhadas no canto da folha sulfite. No dia seguinte, o aluno mais esforçado da classe foi o único que entregou a lição em branco. Ao perguntar por quê, ela recebeu a seguinte resposta: “Professora, você fez uma pegadinha, não é? Tudo está feito... GA e as linhas: galinhas!”.

Selma ficou com isso na cabeça: “Passei anos pensando na genialidade desse menino e, por fim, nasceu esta história que virou este livro”. Ela se refere à obra Palavra-chave, com ilustração de Nina Anderson, um lançamento da Editora do Brasil. Mais que uma leitura, Selma propõe uma divertida brincadeira aos jovens leitores.

Inspirada no jogo da forca, a história é protagonizada por passarinhos que comem letras. A autora então desafia o leitor a participar da construção da narrativa ao interagir com as páginas e completar as palavras com letras faltando. É uma forma divertida de estimular as potencialidades do leitor em formação.

Sobre a autora:

Poeta e artista plástica, Selma Maria também é pesquisadora de brinquedos e brincadeiras. Além de fazer exposições de suas obras, ela atua em projetos de arte e educação e ministra palestras sobre brinquedos, bichos e palavras. Tem outros livros publicados para crianças, como O livro do palavrão e Maria José é, José Maria ia.

Sobre a ilustradora:

Nascida em São Paulo, em 1992, Nina Anderson começou a ilustrar livros infantojuvenis aos 18 anos e já emprestou o seu talento em várias publicações. Ela conta que não sabia que esse seria seu caminho quando começou a fazer os primeiros rabiscos. “Quando descobri que poderia colorir livros para crianças como a que fui, não parei de espalhar meus desenhos por aí”, diz ela.

Sobre a Editora do Brasil:

A Editora do Brasil está há 75 anos buscando sempre renovar produtos e serviços, para levar conteúdos atuais e materiais de qualidade para milhares de educadores e alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio. Em todos os cantos do país, professores e gestores que trabalham com os nossos livros têm acesso a um projeto didático comprometido com a ética e com uma educação cada dia melhor. Nossa missão é ser uma editora de melhor conteúdo e maior presença na educação brasileira. Isso significa que, antes de mais nada, temos compromisso com o dinamismo do conhecimento. A educação que transforma também tem que se transformar. Mais do que nunca, estamos ao lado dos educadores, observando, analisando e discutindo os novos desafios do ensino em nosso país. Assim, fornecer o melhor conteúdo educacional é mais do que a nossa missão, é a nossa é razão de existir.
Mais informações pelo site: www.editoradobrasil.com.br.


Compartilhe:

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Autora Karen Alvares levanta a bandeira das Mulheres no Terror

Karen Alvares - Foto: Punch! for Writers
Segundo escritora o mundo precisa de mais obras do gênero criadas por mulheres

Em tempos de crise ou não, viver de literatura no Brasil nunca foi uma tarefa fácil. E para as mulheres que escrevem terror as portas têm se fechado ainda mais. A autora Karen Alvares  - que escreve obras de terror e suspense psicológico como a "Duologia Inverso & Reverso" e "Alameda dos Pesadelos” - sente na pele a dificuldade de provar que o Terror não é um gênero exclusivamente masculino.

"Escrever terror, sendo mulher, no Brasil, é uma tarefa árdua. Assim como em quase todas as atividades, para ser reconhecida como escritora de terror a mulher precisa provar três vezes que é tão capaz ou mais que qualquer homem. Outro dia, em uma entrevista, um blogueiro perguntou a mim e a outra escritora por que o terror flui tão bem nas mãos de mulheres, desde Frankenstein, de Mary Shelley. Minha resposta fez todos rirem (de nervoso): porque a vida das mulheres é um terror constante. É o terror de se provar a cada dia, de não ser aceita, de não ser ouvida, de ser diminuída, humilhada, violentada.” -  comentou.

Karen, que levanta a bandeira da necessidade de temos mais obras escritas por mulheres, organizou recentemente nas redes sociais uma lista com diversas escritoras nacionais independentes de terror e suspense que se dedicam, ou que entre uma obra e outra já escreveram obras gênero. A lista das Escritoras Brasileiras de Terror, hoje conta com mais de 90 autoras. Para conferir e contribuir com ela basta acessar o link: encurtador.com.br/bMT58

"Às vezes a gente cansa. Desanima se esforçar tanto, trabalhar tanto, e encontrar tantas barreiras e dificuldades apenas por sermos mulheres criando terror, um gênero que injustamente ainda é visto como muito masculino. Mas o que posso dizer é: mulheres, nós precisamos da sua garra e da sua arte. Vocês são boas. Vocês têm talento e, principalmente, um ponto de vista único para contar suas histórias. Ao mesmo tempo que apreciamos o trabalho de muitos homens, também estamos cansadas de esbarrar no mesmo ponto de vista masculino sobre o terror e o horror. O mundo precisa de mais obras criadas por mulheres.” – revela a escritora.

Gamer e nerd assumida, Karen reflete em seus livros a paixão pelos jogos, livros, filmes e séries de TV. Suas obras trazem a tona não só histórias que causam calafrios, mas também o lado mais profundo do ser humano, tornando fácil e prazerosa a imersão na história. Questões familiares, por exemplo, são frequentes em suas obras. Sempre se preocupando em contar histórias de maneira cativante e surpreendente a cada lançamento.

“Escritor, para mim, é alguém para quem a realidade não é suficiente. Claro, para a maioria das pessoas, a ficção é importante, por isso existem livros, filmes, teatro, jogos. Mas o escritor não está satisfeito em viver no mundo real e aceitar passivamente a ficção dos outros, ele quer ser ativo nesse processo. O escritor se abriga na sua ficção, vive parte da sua vida nela” - Karen Alvares.

Sobre Karen Alvares

Sua carreira literária começou em 2013, como autora de mais de 35 fanfics de Harry Potter, populares até hoje. Karen publicou e autopublicou por editoras contos e livros de fantasia medieval, dark fantasy, cyberpunk, distopia e young adult.  Conquistou prêmios literários, como Celebrando Autores Independentes, da Amazon (Bienal do Livro São Paulo 2016) e #SweekStars (Sweek Brasil, conto "Nossa Senhora” na categoria História Mais Original). Karen Alvares também é membro da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst).

Conheça sua bibliografia, disponível em livrarias e em plataformas de autopublicação:

    Duologia Inverso (Draco, 2015) e Reverso (Draco, 2016)
    Boys Love - Meia-noite sem estrelas (Draco, 2017)
    Jornada para Far Lands - uma aventura não oficial de Minecraft (Draco, 2016)
    Alameda dos Pesadelos (Cata-vento, 2014),
    Dois Lados, Duas Vidas (Cata-vento, 2015)
    Horror em Gotas (Independente, 2013),
    Organizou a antologia Piratas (Cata-vento, 2015) e foi publicada em diversas antologias de contos das editoras Andross, Draco e Buriti, além de publicações independentes e revistas.

Prêmios literários:

    3º Lugar – Prêmio Sesc/DF de Crônicas Rubem Braga – 2012
    6º Lugar – I Concurso Feminino de Contos Dirce Doroti Merlin Clève (Menção Honrosa) – 2015
    2º Lugar – II Concurso Feminino de Contos Dirce Doroti Merlin Clève – 2016
    3º Lugar – Destaque como Melhor Autora de Ficção da Amazon no evento Celebrando
    Autores Independentes da 24ª Bienal do Livro São Paulo – 2016
    9º Lugar – III Concurso Feminino de Contos Dirce Doroti Merlin Clève (Menção Honrosa) – 2017
    Concurso Literário Leia Mulheres: Histórias Vencedoras e Shortlist | Sweek (Menção Honrosa) – 2017

Compartilhe:

Arte, ativismo e afeto: Andréa Tolaini lança "SEIVA"

Andréa Tolaini - Foto divulgação
Com ilustrações acompanhadas de texto representativo, obra parte de um olhar feminino para, em seguida, abraçar todo e qualquer gênero que esteja buscando compreender suas emoções

A artista visual Andréa Tolaini acaba de lançar "SEIVA", uma coletânea de ilustrações acompanhadas de texto representativo. O objetivo dessa união de duas linguagens, incluindo a palavra como mais uma forma de transmitir a mensagem contida no desenho, é tornar a arte ainda mais próxima e nítida.

Independente, projeto surgiu da vontade que a autora tinha de reunir suas produções mais admiradas na rede. Por isso, todo o processo criativo da autora foi pautado ao lado de seus seguidores virtuais: através de enquetes no Instagram e Facebook, Andréa fez a escolha do título, cores à utilizar e imagens que entrariam na obra. Tudo assim, coletivamente.

Em 66 páginas, trabalho levanta questões profundas sobre a quebra de padrões familiares, entendimento do amor, sexualidade, afetos e redescobertas. Reflete, ainda, sobre o quanto as situações difíceis representam uma oportunidade de crescimento. "Acho importante dizer que este livro é como um zoom no coração das mulheres. Temos aprendido a não ter medo de expressar o que pensamos. Começamos a ter carinho pelo nosso próprio corpo. Estamos abraçando a autonomia. Queremos escolher, mais e mais, o que é melhor para nós mesmas. Dentro disso, de uma maneira ainda mais ampla, precisamos reconhecer nossas forças e limitações. É assim que podemos mudar aquilo que reconhecemos como não construtivo. Afinal, a verdadeira liberdade está em se conhecer e, numa sociedade onde a ordem é racional e sistemática, eu entendo que a revolução deve ser feita partindo das emoções. E este é o tema central do meu trabalho", completa.

Com esse olhar feminino íntimo, recomenda-se a leitura para aqueles que estão buscando compreender seus caminhos e labirintos internos. É uma obra, para todo e qualquer gênero, que inicia-se nos processos individuais para, então, acolher outras e outros. "O grande lance é essa troca humana nas relações que, de alguma maneira, é capaz de gerar vida. Utilizei uma série de metáforas da natureza para construir lógicas sobre isso. O título é um exemplo: seiva como alimento da planta e o livro como alimento do mundo interior humano". 

A venda online de SEIVA está disponível na loja www.andreatolaini.com


SOBRE ANDRÉA TOLAINI
Andréa Tolaini é uma artista visual paulistana. Foi criada em meio a tintas e pinceis de sua mãe, a também artista visual Maria Inês Tolaini. Foi diante da dor da morte de sua mãe em 2009 que Andréa passou a estudar artes visuais e iniciar um processo de redescoberta do feminino.

Viveu em Londres-UK em 2012, onde pode iniciar seus estudos de pintura, desenho e Ilustração na University of Arts of London. Já no Brasil, em 2013, cursou artes plásticas da Escola Panamericana de Artes e montou seu primeiro ateliê no bairro do Butantã, São Paulo, onde mantém o ateliê até hoje.

Sua obra tem íntima relação com a vida das mulheres, libertação sexual, emocional, afetiva, questionamento sobre o patriarcado e masculino tóxico e com a ascensão do movimento feminista na América Latina.

A artista já expos em São Paulo-Brasil, Porto-Portugal, Barcelona-ES.

É também a idealizadora do projeto Marias, exposição coletiva itinerante de mulheres latino-americanas.
Compartilhe:

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A coragem de ser quem é

Livro traz a história de um jovem cujo dilema era conviver com a esquizofrenia e propõe o respeito ao ser humano como um todo

O comportamento humano e suas nuances numa história que mistura drama e humor ao falar de rótulos, tabus e crenças é o pano de fundo para Manu e o povo que mora na mente (Autografia). Através do protagonista, o leitor é convidado a refletir e questionar o jeito de cada um ser no mundo e a capacidade de superação e reconstrução a partir da aceitação de si mesmo. A autora Maria das Graças Pires lança mão de uma escrita popular e sugere uma leitura que pode ser tão rápida e dinâmica como exigem os dias de hoje: trinta minutos ou pouco mais são suficientes para ler este que deve virar curta pela Netflix em breve.

Primeira de uma série de três - os outros tratam de bipolaridade e síndrome do toque -, a obra fala de um homem com características peculiares, marcadas por sua trajetória de vida, e pelo povo que habita sua mente. Cultural e socialmente, Manu é um esquizofrênico. Com três momentos-chave, o livro passa por quando o povo da mente domina totalmente o pensamento de Manu; por quando o personagem passa a dominar o povo da mente; e pela cura sem fantasia, uma vez que o povo da mente continua por ali, mas então dominado e com Manu já pronto para lidar com a própria realidade.

Com objetivo de promover a reflexão consciente e integradora, um dos objetivos deste livro é compartilhar a vida "de forma que possamos por meio dos entrelaçamentos expressar o máximo de nossa própria singularidade". A autora e filósofa lança mão de estudos baseados na Teoria do Inconsciente de Freud e, principalmente, na Teoria Humanista de Michel Foucault e no conceito dele de loucura para convidar familiares, instituições científicas, educacionais e psiquiátricas à mais generosidade e afeto com a mente humana.

Para o filósofo, a loucura não e um dado biológico ou da natureza, a loucura seria um fato da cultura, pois cada época tem uma visão diferente das coisas. Na Idade Média, por exemplo, o louco não era visto como uma pessoa doente, em muitos casos era visto como alguém que tinha sabedoria. No século XIX, a classe médica passa a ter o poder de definir o que é normalidade, então este passa ser considerado doente.

De acordo com Maria das Graças Pires, mesmo vivendo em uma sociedade voltada para a cidadania global, inclusiva, ainda temos muitos paradigmas a serem superados, sobretudo acerca da singularidade humana. No caso da esquizofrenia, pesquisadores estimam que 1% da população mundial, cerca de 100 milhões de pessoas, sofra atualmente com a doença. No Brasil, a doença afeta mais de 2,5 milhões de pessoas, que apresentam algum transtorno mental grave ligado a esta síndrome.

Muitos rótulos culturais, para ela, contam com a ajuda do tempo para serem transformados em padrões comportamentais. Criadora da Terapia da Essência, que consiste, por meio do autoconhecimento e autodesenvolvimento, na compreensão de si mesmo e do outro, juntamente com a potencialização de tudo o que promova o bem viver de si próprio e dos demais, a autora usou as histórias das pessoas que a procuravam para se intrigar e alimentar angústias e estranhezas e dar corpo ao livro. O que ela quer é que as pessoas revejam suas práticas para colaborar para que todos os indivíduos também possam ter um lugar respeitoso na sociedade.

"A esquizofrenia sempre me chamou atenção", sublinha. Manu e o povo que mora na mente é baseado, entre tantos casos, na experiência deste jovem que ela acompanhou.

E é Manu quem dá o recado:

Para gente como EU
E também para os que não são
Confiem na vida, escolham um boné
Que possam segurar em suas próprias mãos.
Para aqueles que se dizem sãos
Aqui vai o meu recado:
Não duvidem do povo da mente
Não se enganem: Estamos todos acompanhados.
TENHO DITO!!!!!!

SOBRE A AUTORA:
Maria das Graças Pires é filósofa pela Universidade Federal de Santa Catarina e tem formação em Self-Coaching Mentoring. Dotouranda em Educação e Formação de Professores pela Fundação Universitária Iberoamericana, pesquisa o comportamento humano e faz consultoria em Gestão de Pessoas nas organizações públicas e privadas. Ministra palestras e cursos de capacitação e desenvolvimento humano integral e é autora de inúmeros projetos educacionais porque acredita que a Educação é o caminho para a mudança.

Tem outros três livros publicados - Um novo jeito de se fazer Escola; Um novo jeito de se fazer Escola com Amor.

SERVIÇO:
Manu e o povo que mora na mente
Autora: Maria das Graças Pires
Editora: Autografia
Págs: 48
Preço: R$ 25,00 (encurtador.com.br/huIW4)
Compartilhe:

Severino Rodrigues e o livro 88 histórias: contos e minicontos, por Sérgio Simka e Cida Simka

Severino Rodrigues - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Sou pernambucano, professor de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e autor de livros juvenis. Lancei meu primeiro livro em 2013, a novela policial Sequestro em Urbana (Cortez Editora), que teve uma excelente recepção dos leitores e das escolas. Desde então, não parei mais. Agora já são seis livros publicados e com muitos projetos pela frente.

ENTREVISTA:

Você é mestre em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Fale-nos sobre sua pesquisa.


No mestrado, desenvolvi uma pesquisa na área da Análise do Discurso, pesquisando sobre o discurso ecológico. Foi uma forma de unir duas grandes paixões minhas: as letras e a ecologia. Quando estava no finzinho do ensino médio, queria muito fazer algum curso na área, mas, infelizmente, tive que optar e Letras ganhou. Mas sempre que posso volto a esse mundo. Inclusive, já escrevi dois livros juvenis em que trato das questões ecológicas Mistério em Verdejantes (Cortez Editora) e A fera dos mares (Editora do Brasil). A fera dos mares, inclusive, ficou em 1º lugar na Categoria Juvenil do Concurso Internacional de Literatura 2018 promovido pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ).

Fale-nos sobre o livro 88 histórias: contos e minicontos.

88 Histórias é nova faceta do meu trabalho. Saí das narrativas longas e adentrei de cabeça nas histórias curtas. Na realidade, sempre escrevi contos. Além de ser um exercício de escrita fascinante, permite explorar nossa capacidade de síntese e impacto. Tudo começou com um desafio no Facebook, em que eu publicava um miniconto por dia a partir de uma palavra sorteada aleatoriamente por um grupo literário de que participava. A princípio, não pensava em reuni-los para publicar no formato livro, mas a repercussão foi tão bacana que logo surgiu a proposta do Amir, da Cortez Editora, de reunir o material e lançar. Além dos minicontos, inseri alguns contos maiores. Considero 88 Histórias um dos meus melhores trabalhos. Lá o leitor encontrará histórias sobre a infância, amor, sonhos, alegrias, frustrações, releituras de contos de fadas e de clássicos da literatura... Dezenas de narrativas para todos os gostos e todas as idades.

Como o leitor interessado pode conhecer melhor a sua atividade de escritor?

Fiz um site (www.severinorodrigues.com) e sou bastante acessível pelas redes sociais, principalmente pelo Instagram (www.instagram.com/serodrigues.08) e pelo Facebook (www.facebook.com/serodrigues.08). Meus livros estão também disponíveis em livrarias físicas e virtuais (Amazon, Varejão do Estudante, Livraria Cultura, Saraiva...) e nada melhor que conhecer um autor lendo sua obra. Ah, caso algum professor deseje adotar meus livros para trabalhar com seus alunos em sala de aula, é só procurar o representante regional da Editora Cortez e da Editora do Brasil. Eles sempre dão o maior suporte e atenção. 


*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
Compartilhe:

domingo, 11 de novembro de 2018

Infiltrado na Klan – Ron Stallworth


“Nós acreditamos que eles são inadequados e não adaptáveis à sociedade branca. Enquanto continuarem a participar da cultura branca, nós continuaremos a ter a maior criminalidade, maiores impostos para a assistência social, redução dos padrões educacionais e trabalhistas e, em geral, uma deterioração contínua da civilização branca. Ao mesmo tempo que desejamos ter uma relação amigável com a sociedade negra, escolhemos viver totalmente separados dela. Esse é o nosso sentimento em relação aos mexicanos e também outras minorias.” Essas foram palavras de Fred Wilkens, um bombeiro que era organizador estadual da Ku Klux Klan no Colorado (Estados Unidos).


De alguma forma essas palavras doem? Elas provocam em você a empatia pelo outro que se sente reduzido, excluído, anulado da sociedade? Te provoca algum sentimento de repulsa por julgar a cor, a raça, a nacionalidade ou qualquer outra condição de vida do outro? Te faz sentir que não é possível que alguém exclua o outro simplesmente pelo fato de ser quem é? Ron Stallworth era um homem que, a seu modo, lutou contra esse tipo de discurso.

A Ku Klux Klan (KKK) é uma das mais temidas organizações racistas dos Estados Unidos. Você já imaginou um negro se infiltrando nessa organização? Pode parecer história de filme, e também é, pois Infiltrado na Klan inspirou a película de Spike Lee que venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Antes de vir filme, no entanto, é um livro que conta uma história baseada em fatos reais.

Ron Stallworth, autor do livro que foi publicado no Brasil pela Editora Seoman (Grupo Editorial Pensamento) foi o primeiro detetive negro do Departamento de Policia de Colorado Springs. Certa feita, o homem se deparou com um anúncio no jornal que recrutava pessoas para integrar a KKK local. Ele respondeu à convocação e acabou recebendo a chamada de um representante do grupo. No entanto, ele, em carta, havia revelado o seu nome verdadeiro e não uma de suas identidades secretas. Com o contato obtido por parte da organização, não restou dúvida ao detetive em se passar por um homem branco racista para ganhar a simpatia do dirigente local e começar a fazer parte desse grupo.

“Bem, o que eu tinha que fazer era iniciar uma investigação secreta da Klan e seus planos de crescer na minha cidade. Eu vinha trabalhando como investigador disfarçado quatro anos e tinha conduzido muitos casos, mas esse seria diferente, para dizer o mínimo.” Escreveu o autor.

E trata-se mesmo de um caso diferente. A operação que pode soar como comum para muita gente, era arriscada. Estamos falando de um homem negro, que deu seu nome verdadeiro para racistas fervorosos. Como se manter camuflado para que não notassem qualquer ação implementada pela Polícia de Colorado Springs? Ron conta com o apoio de um agente branco, chamado Chuck, que o auxilia como a cara do homem que conversa com a KKK pelo telefone. Infiltrado suas investigações seguem.

O livro traz, como dito anteriormente, uma história real, portanto não tem elementos ficcionais no meio da narrativa que o leitor fará. O autor, que é o policial infiltrado, narra os acontecimentos em primeira pessoa.

Há acontecimentos que demonstram bastante ousadia por parte de Ron, e isso certamente vai chamar a atenção do leitor. Tais situações chegam a ser cômicas e até mesmo satíricas, diante daqueles líderes racistas que se acham superior a qualquer negro ou quaisquer minorias. Uma dessas passagens é quando Ron encontra David Duke, um dos líderes da organização racista.

O que lemos é a atuação de Ron nas investigações e sabemos de alguns resultados que foram obtidos com o seu trabalho como detetive na polícia local. Ron Stallworth narra sua história numa linguagem fluída e objetiva e soube aproveitar bem alguns momentos de tensão que dão gancho para a continuidade dos capítulos e despertam a curiosidade do leitor. Por vezes, dá a impressão de que tudo que estamos lendo é ficcional demais, tal a ousadia do investigador e a audácia que ele tem ao enfrentar o grupo extremista. No entanto, vale sempre lembrar que é uma história real e que, portanto, os fatos relatados foram vivenciados pelo autor.

Ao ler, caro leitor, não há como não fazer um paralelo com os tempos atuais. O discurso de ódio, disfarçado de boas ações, que a Ku Klux Klan tem, aparenta em muito com a verbalização feita por líderes políticos, autoridades e representantes de outros grupos sociais que tem poder de formar opinião. O que muita gente não percebe é que esse discurso de ódio está maquiado com garantias de uma supremacia artificial, de uma tremenda falta de empatia para com o próximo.

Para além da intrigante história que lemos em Infiltrado na Klan, cuja tradução da publicação realizada no Brasil coube a Jacqueline Damásio Valpassos, e que fascina por si só, temos uma camada que nos leva ao questionamento, à reflexão sobre racismo, xenofobia, preconceito e discriminação em termos amplos.

Sabe aquelas histórias verídicas que são tão impressionantes que parecem mentira? Os relatos de Ron são tão inacreditáveis que, se fossem ficcionais, certamente questionaríamos o autor com relação à verossimilhança de algumas passagens e pelo absurdo que se revela em cenas detalhadas por Ron. Por aí, já dá pra perceber como o livro surpreende. Não há como negar que temos no livro um contundente caso de enfrentamento e de empoderamento negro. Ron Stallworth fez história.

Sobre o autor:

Ron Stallworth, veterano altamente condecorado com mais de trinta anos de serviços prestados à corporação policial dos Estados Unidos, trabalhou sob o disfarce, em quatro estados, nas divisões de Narcóticos, Costumes, Inteligência Criminal e Crime Organizado. Como o primeiro detetive negro da história do Departamento de Polícia de Colorado Springs. Ron venceu a feroz hostilidade racial para conquistar uma longa e distinta carreira como agenda da lei.

Ficha Técnica

Título: Infiltrado na Klan
Escritor: Ron Stallworth
Editora: Seoman
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-5503-081-9
Número de Páginas: 207
Ano: 2018
Assunto: Relações raciais



Compartilhe:

sábado, 10 de novembro de 2018

‘À Cidade’, do autor independente Mailson Furtado, é o Livro do Ano do 60º Prêmio Jabuti

O autor Mailson Furtado - Foto divulgação
VENCEDORES DAS 18 CATEGORIAS DA PREMIAÇÃO ACABAM DE SER REVELADOS EM CERIMÔNIA NO AUDITÓRIO IBIRAPUERA, EM SÃO PAULO. POETA AMAZONENSE THIAGO DE MELLO FOI HOMENAGEADO COMO ‘PERSONALIDADE LITERÁRIA’ DO ANO

São Paulo, 8 de novembro de 2018 – A Câmara Brasileira do Livro (CBL) acaba de anunciar os vencedores do 60º Prêmio Jabuti, em cerimônia realizada no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. “À Cidade”, do poeta cearense Mailson Furtado, é o Livro do Ano. O autor levou para casa a estatueta do Jabuti e o prêmio em dinheiro de R$ 100 mil.

Furtado vive em Varjota, cidade de menos de 20 mil habitantes do interior do Ceará. “Fiz o livro na mão, até a capa foi desenhada por mim. Espero que esse prêmio abra essa janela para todas as editoras e autores de qualidade que não tem espaço ou condições financeiras de lançar um livro. Esse prêmio não é meu, é nosso”, diz Furtado.

Na cerimônia comemorativa dos 60 anos do Prêmio, também foram conhecidos os ganhadores das 18 categorias do Jabuti, que receberam o troféu e R$ 5 mil - com exceção da categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior, premiada apenas com a estatueta. A relação de vencedores está disponível em www.premiojabuti.org.br.

Concorriam em cada categoria 10 finalistas, divulgados no dia 4 de outubro. As obras foram avaliadas por três jurados especialistas de cada categoria, indicados pelos leitores, mercado editorial e validados pelo Conselho Curador do Prêmio Jabuti. Já para o prêmio máximo da noite, o Livro do Ano, concorreram as obras vencedoras dos Eixos Literatura e Ensaios.

O prêmio de Personalidade Literária foi conferido ao poeta Thiago de Mello pelo conjunto de sua obra. Ele recebeu uma homenagem em vídeo, com depoimentos de grandes autores e profissionais do mercado. Devido a problemas de saúde, o poeta não pôde comparecer e foi representado por sua esposa, Pollyanna Furtado, e pelo seu filho, o compositor Thiago de Mello.

Em 2018, diferentemente dos anos anteriores, os vencedores foram conhecidos somente durante a cerimônia de premiação, quando o envelope da auditoria responsável pela apuração das notas e pelo sigilo dos resultados foi entregue para ser aberto.

Nesta edição, o Prêmio Jabuti anunciou diversas mudanças voltadas ao leitor e ao mercado. Entre as novidades estão: a reorganização das categorias em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação; a criação da categoria Formação de Novos Leitores, dedicada a ações de incentivo à leitura; as inscrições com preços mais acessíveis para autores independentes.

Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, comemora o sucesso da premiação. “A escolha de um autor independente mostra a força e capacidade do prêmio em representar o escritor brasileiro. Desejo muito sucesso para Mailson Furtado e todos os homens de Letras espalhados pelo nosso país”, acrescenta Torelli.

A 60ª edição do Prêmio Jabuti conta com o patrocínio ‘Apresenta’ da Suzano Papel e Celulose e os apoios da Prefeitura de São Paulo, Itaú Cultural, Microsoft, BMF Gráfica, 3uS! e Ragazzo Café.

Conheça a relação de vencedores:
Livro do Ano: À Cidade - Autor: Mailson Furtado, autor independente

Eixo Literatura
Categoria Conto: Enfim, Imperatriz - Autora: Maria Fernanda Elias Maglio, Editora Patuá
Categoria Crônica: O poeta e outras crônicas de literatura e vida - Autores: Rubem Braga, André Seffrin, Gustavo Henrique Tuna, Global Editora
Categoria HQ: Angola Janga | Autor: Marcelo D'Salete, Editora Veneta
Categoria Infantil e Juvenil: O Brasil dos Dinossauros - Autores: Luiz Eduardo Anelli, Rodolfo Nogueira, Editora Marte Cultura e Educação
Categoria Poesia: À Cidade - Autor: Mailson Furtado, autor independente
Categoria Romance: O clube dos jardineiros de fumaça - Autora: Carol Bensimon Editora Companhia das Letras
Categoria Tradução: Título: Poemas - Tradutor: Geraldo Holanda Cavalcanti, Editora da Universidade de São Paulo
Título: O macaco e a essência- Tradutor: Fábio Bonillo, Editora Biblioteca Azul

Eixo Ensaios
Categoria Artes: Título: Imaginai! O teatro de Gabriel Villela - Autores: Rodrigo Louçana Audi, Dib Carneiro Neto, Edições Sesc São Paulo
Categoria Biografia: Roquette-Pinto: o corpo a corpo com o Brasil - Autor: Cláudio Bojunga, Editora Casa da Palavra
Categoria Ciências: As Maravilhosas Utilidades da Geometria: da pré-história à era espacial - Autor: Adalberto Ramon Valderrama Gerbasi, Editora Marcelino Champagnat - PUCPRESS
Categoria Economia Criativa: Design de Capas do Livro Didático: A Editora Ática nos Anos 1970 e 1980 - Autor: Didier Dias de Moraes, Editora da Universidade de São Paulo

Categoria Humanidades: Democracia Tropical - Autor: Fernando Gabeira, Editora Estação Brasil

Eixo Livro
Categoria Capa: O Corego: Texto Anônimo do Século XVII sobre a Arte da Encenação - Capista: Carla Fernanda Fontana, Editora da Universidade de São Paulo
Categoria Ilustração: Os trabalhos da mão - Ilustrador: Nelson Cruz, Editora Positivo
Categoria Impressão: Bruno Dunley - Responsável: Ipsis (Jesué Pires), Editora Associação para o Patronato Contemporâneo
Categoria Projeto Gráfico: Conflitos: fotografia e violência política no Brasil  - 1889-1964 -Responsável: Luciana Facchini, Editora Instituto Moreira Salles

Eixo Inovação:
Categoria Formação de Novos Leitores: Psicanálise e literatura - Freud e os clássicos Responsável: Ingrid de Mello Vorsatz
Categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior: Fim | Autora: Fernanda Torres, Editora Companhia das Letras
Compartilhe:

Antologia do Cordel Brasileiro – Marco Haurélio

Manifestação literária popular da cultura brasileira, o cordel encanta. Aqui pelas terras brasileiras tal corrente literária ganhou destaque no século XIX. Grandes nomes da nossa literatura se inspiraram em cordéis, como João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e Ariano Suassuna. Os folhetos, forma usual de apresentação do cordel, tem xilogravura em sua capa e ficam pendurados em cordões ou barbantes. É daí que vem o nome Literatura de Cordel.

O Soldado Jogador é a história de cordel que abre o livro publicado pela Global Editora. De autoria de Leandro Gomes de Barros, conta sobre um soldado que resolve abrir um baralho na igreja e, em função disso, é levado até a prisão. Sagaz que é ele consegue convencer o comandante de que ele faz a leitura de orações por meio das cartas do baralho, o que surpreende o homem e faz com que ele consiga dar uma reviravolta na trama.

Depois temos um cordel de José Pacheco, chamado História do Caçador Que Foi ao Inferno, em que a Virgem Maria intercede pelo homem que é levado ao inferno. Já em A Guerra dos Passarinhos, de Manoel D’Almeida Filho temos um juazeiro alto, bonito e frondoso que fica no quintal do narrador. Tal árvore abriga uma série de pássaros e ele nota que acabam por travar uma luta incansável para afastar de lá um inimigo que se aproximou do juazeiro.

Na sequência vem a história escrita por Antônio Teodoro do Santos, em que um cavalo é o auxiliar mágico. Joãozinho é obrigado por um rei déspota a procurar por uma série de coisas, incluindo uma sereia que ele quer desposar. Para confundir o rei o protagonista vale-se da máxima de que a palavra de um rei não volta atrás.

Nas quatro primeiras histórias da Antologia do Cordel Brasileiro, que tem organização de Marco Haurélio, já temos uma noção da grandiosidade da obra. Nessas histórias iniciais vemos um pouco de tudo aquilo que há contido na literatura de cordel: seres fantásticos, ícones religiosos, lendas e personagens que representam o povo. Essa é a mística da literatura de cordel que nos traz uma representação de brasilidade, sobretudo por ser uma literatura que tem forte ligação com o povo nordestino. Marco Haurélio, o organizador, é poeta, cordelista e pesquisador da cultura popular brasileira.

Nessa antologia temos uma gama variada de cordéis que compreendem a produção de um longo período, cujo espaço temporal entre a primeira e a última história contida no livro é de mais de um século.

Os Três Irmãos Caçadores e o Macaco da Montaha, de Francisco Sales Arêda é a história que segue narrando sobre três filhos de um caçador. Gaudêncio, Januário e Gerimário, com um macaco, tem de enfrentar o gigante Tropeço.

Manoel Pereira Sobrinho brinda o leitor com No Tempo Em Que os Bichos Falavam, que apresenta um antagonismo entre um caçador e uma cobra. Abaixo destaco um trecho do cordel.

“Oh! Deus Pai e grande autor
Das forças celestiais,
Dai-me forte pensamento
E potências autorais
Para descrever a vida
E a fala dos animais”

Interessante observar o trecho acima, pois notará o leitor que em muitos momentos, no cordel, o narrador que confunde-se com o próprio autor escreve de modo a se referir a outra pessoa, fora da história. Ora pede a Deus, como no caso acima, ora também pede atenção do próprio leitor ou de um personagem que esteja contido na história.

De Severino Borges Silva temos O Valente Felisberto e o Reino dos Encantos. Claramente inspirado em contos de fadas a história do valente que dá nome ao cordel traz encantos, princesas, príncipes, gigante e anão.

Temos ainda na antologia o cordel O Feiticeiro do Reino do Monte Branco, de autoria de Minelvino Francisco Silva, em que um feiticeiro apadrinha um menino que aprende a arte da bruxaria por meio dos livros de feitiçaria. Uma princesa surge na história.

Uma das coisas que encanta na literatura de cordel é o fantástico aparecendo nos versos. A mescla de realidade e fantasia, a pluralidade de acontecimentos que cercam os personagens e a conexão que algumas histórias trazem para falar sobre o povo, com suas crenças, suas necessidades e suas buscas pessoais; mesmo que haja uma tinta forte para nos contar, torna o gênero bastante rico. Sem contar que temos personagens que na sua simplicidade, conseguem tocar o leitor pelo modo sábio que conduzem os entraves que surgem em suas vidas.

A rima dá cadência à leitura e quando menos o leitor espera já terá passado da metade do livro, já terá embarcado no universo descrito nos cordéis e estará “cantando” mentalmente os versos que lê. As capas dos cordéis também são um show a parte, e no livro, temos as ilustrações de Erivaldo Ferreira da Silva, nascido no Rio de Janeiro e que é considerado um dos artistas mais representativos da xilogravura brasileira.

No cordel seguinte ninguém pode olhar para a princesa, senão será condenado à forca. João Sem Destino no Reino dos Enforcados, de Antônio Alves da Silva, fala sobre esse personagem que dá nome ao cordel e que chega no reino e se depara com dez homens pendurados. Ele é levado ao Tribunal, acusado de olhar para a filha do monarca. Com sagacidade João faz um pedido inusitado.

A história que segue é João Grilo, Um Presepeiro no Palácio, de Pedro Monteiro. O que João fará no palácio? Adivinhação. Pelo título dá para o leitor pressupor o que há de ocorrer na aventura contada pelo autor. E, depois, temos O Reino da Torre de Outro, em que Rouxinol Rinaré, nos apresenta versos inspirados em um conto que leu em Sílvio Romero.

Já em O Rico Preguiçoso e o Pobre Abestalhado, de Arievaldo Viana, temos um rico sovina que viveu em Pernambuco que tinha um compadre camponês, tido como simples e abestalhado. Nesse cordel, temos também a aparição da Virgem, uma referência à Deus, valores religiosos expostos. É uma história que trata de ganância e cobiça levando à injustiça.

Em O Conde Mendigo e a Princesa Orgulhosa, de autoria de Evaristo Geraldo da Silva, temos Sidônia, uma princesa não muito bem quista pelo seu comportamento. Ela não aceita nenhum pretendente até que seu pai faz uma promessa e um mendigo a pede em casamento.

De Klévisson Viana temos Pedro Malasartes e o Urubu Adivinhão, o penúltimo cordel presente na antologia que se encerra com As Três Folhas da Serpente, de Marco Haurélio.

“Traíste um guerreiro que
Queria morrer contigo,
Fizeste o que não se faz
Com o pior inimigo.
Teu e este cão tereis
A morte como castigo!”

A literatura de cordel é, sem dúvida, um grande legado do Nordeste. Foi reconhecida como patrimônio imaterial brasileiro em setembro de 2018. Temos na antologia um gênero literário que sobrevive para além dos best-sellers literários e que ocupa sim o seu lugar, e que se renova com novos autores. Cordel continua conquistando leitores, traz uma brasilidade que mexe com nossos laços afetivos, nos conecta com o imaginário e o fantástico.

A cultura popular mescla-se com o erudito, posto que há inspiração em mitos, passa pela religiosidade, flerta com a fantasia, tem referências a outras grandes histórias criadas pelos homens ao longo do tempo, atinge a realidade e se lança para o absurdo. Nas páginas dos cordéis temos muita oralidade nos versos, a ironia, o sarcasmo e o humor. A literatura de cordel é rica e a Antologia do Cordel Brasileiro nos dá essa visão. A Global Editora acertou em cheio com os textos que refletem momentos distintos do cordel. Leitura mais que recomendada.

Sobre o organizador:

Marco Aurélio é poeta popular, professor, folclorista e editor, é um dos nomes de maior destaque na literatura de cordel da atualidade. Ministra oficinas e profere palestras sobre literatura de cordel e cultura popular em todo o Brasil. Autor de Contos Folclóricos Brasileiros e Fábulas do Brasil e Breve História da Literatura de Corde, e dos livros infantis O Príncipe que Via Defeito em Tudo, A Lenda do Saci-Pererê e Os Três Porquinhos em Cordel. Publicou os cordéis Presepadas de Chicó e Astúcias de João Grilo, História da Moura Torta, Nordeste – Terra de Bravos, Belisfronte, o Filho do Pescador e  O Herói da Montanha Negra. Pela Global Editora publicou Meus Romances de Cordel, uma antologia de suas melhores composições.

Ficha Técnica

Título: Antologia do Cordel Brasileiro
Escritor: Marco Haurélio
Editora: Global
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-260-1599-9
Número de Páginas: 253
Ano: 2012
Assunto: Cordel brasileiro


Compartilhe:

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Ricardo Varriano Rizzo de Almeida e o livro “O Exílio dos Escravos”

Ricardo Varriano Rizzo de Almeida - Foto divulgação
Ricardo Varriano Rizzo de Almeida (28 anos) mora em Garça-SP, onde trabalha como consultor terapeuta em uma clínica para dependentes químicos. Filho do comerciante/empresário Ricardo Rizzo e designer de moda/blogueira Monica Varriano (blog Cats, Beavers & Ducks), Ricardo teve uma infância feliz e uma vida adulta... complicada. Aficionado em literatura fantástica, filmes, vídeo games e seus mundos imaginários, seu maior prazer estava em escapar para outros universos, o que o levou a um certo redemoinho chamado alcoolismo. Sóbrio há dois anos, Ricardo agora encontrou novo júbilo em uma outra forma de visitar esses universos: escrevendo sobre eles.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?


Ricardo Varriano: Devo tudo à minha mãe Monica que, quando eu era bebê, lia para mim gibis da Turma da Mônica (hehe) todas as noites, sem falta. A partir disso, sempre tive facilidade, talvez não com a palavra em si inicialmente, mas com a imaginação. Digo por experiência própria: o que muitos pais hoje em dia acreditam ser um momento de sono ou descanso perdido, na verdade representa tudo na alfabetização e construção de identidade de seus filhos pequenos.

A cultura de ficção sempre esteve presente em minha vida, de uma maneira ou outra. Da alta fantasia medieval à violência gratuita e sombria de um apocalipse zumbi, minhas paixões caminharam junto comigo e foram se transformando à medida que eu vivia coisas novas (boas e terríveis). Tudo culminou num amálgama de gêneros prediletos, com a ficção científica no topo.

Eis que decidi escrever sobre esse amálgama. Preferi escrever um livro sobre esse caos sistemático, o sobe-desce que é a vida, e tudo dizia que uma ficção científica seria a melhor maneira de fazê-lo.

Conexão Literatura: Você é autor da obra “O Exílio dos Escravos”, publicado pelo KDP na Amazon. Poderia comentar?


Ricardo Varriano: O Exílio é uma ficção científica escrita, como os gringos diriam, “by the seat of my pants”. Comecei a escrevê-lo dentro da clínica em que fiquei (e onde hoje trabalho e tem minha eterna gratidão!), devido ao meu problema com o álcool, sem a mínima ideia de onde a trama iria parar. É a velha metodologia Stephen King de escrita: andar de mãos dadas com o enredo. Fiquei feliz com o resultado após meses de insegurança e edição. A narrativa e personagens do Exílio têm tudo a ver com o que vivi dentro e fora de meu tratamento (exceto as partes violentas, é claro).

Eu o escrevi, inicialmente, sem levar a sério. Sempre me sentava em algum canto diferente da clínica, e logo meus companheiros de tratamento criaram o jogo “onde o Ricardo está escrevendo hoje?” Era o meu modo de passar o tempo, apesar das variadas atividades terapêuticas que tínhamos. Criei o universo que eu queria, o moldei, dei vida aos personagens, sem se importar muito com a trama. Foi então que alguns dos outros pacientes se interessaram pelo que eu passava horas fazendo, e resolveram dar uma pincelada nas páginas manuscritas à caneta. Algumas sobrancelhas se ergueram ao lerem o início do Exílio e, com um encorajamento extra, era hora de levar a coisa um pouco mais a sério. A diversão, porém, não poderia faltar no processo, e o leitor certamente a encontrará no diálogo lúdico e enredo dinâmico, com personagens dissecados sem dó em suas emoções e sensibilidade.

Lembra de Lego? Esse livro sou eu brincando de Lego, só que as peças são figuras de linguagem e referências sutis (e outras não tão sutis).

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Ricardo Varriano:  Ah, pesquisas... Foi por pura sorte, mas, mesmo internado e sem acesso a certas mídias, eu tinha tudo o que eu precisava para escrever uma ficção científica. Grande parte das descrições e usos das tecnologias, presentes no livro, eu devo a um grande engenheiro e pesquisador da MIT que, para minha felicidade, encontrava-se em tratamento comigo. Usei e abusei do conhecimento desse camarada a ponto que, quando percebíamos, estávamos viajando sobre aplicações de consciências coletivas na criação de, por exemplo, uma Inteligência Artificial totalmente humana (e falha como a própria). A obra é extensa, e levou um ano para ser terminada, mas, sozinho, eu não teria saído do prólogo.

É claro que não poderiam faltar inspirações. Combustíveis como Júlio Verne, Aldous Huxley, Alfred Bester, John Scalzi são de altíssima octanagem quando me faltava aquela motivação para botar a bunda na cadeira e escrever.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Ricardo Varriano: “É assim que o mundo sempre foi”.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Ricardo Varriano: O Exílio dos Escravos está disponível, no momento, somente na Amazon em formato E-Book por R$ 9,99. https://www.amazon.com.br/dp/B07J56FNCQ

Estará impresso em breve também, em janeiro ou fevereiro.

Quanto a mim, estou no Facebook (https://www.facebook.com/ricardo.vrno), Instagram (ricardo_varrizzo) e Twitter (@RicardinVarr, criado recentemente).

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Ricardo Varriano:  Me encontro focado no trabalho e faculdade no momento, mas àqueles que preferem assim (conheço vários), o Exílio estará em breve disponível em inglês. Também já iniciei o segundo volume, O Exílio dos Escravos: Ala 7, mas esse vai demorar um pouco mais!

Perguntas rápidas:

Um livro: The Last Ringbearer (fanfic russa de Senhor dos Anéis)
Um (a) autor (a): Maurício de Sousa. Minhas sobrancelhas não chegam aos pés das dele, mas espero que minha paixão pelo trabalho criativo um dia chegue!
Um ator ou atriz: Matthew McConaughey; Carrie Fisher
Um filme: O Homem da Terra
Um dia especial: Ah, qualquer dia meio frio está ótimo!

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?


Ricardo Varriano:  Olha só, sendo recém-chegado no nicho da escrita de ficção, fiquei surpreso em ver como o apoio é enorme entre autores brasileiros! A prática predatória que vemos em qualquer outro tipo de mídia é praticamente inexistente no universo da Ficção Científica aqui. Espero que isso sirva de encorajamento a futuros autores. O país precisa de vocês!
Compartilhe:

Baixe a Revista (Clique Sobre a Capa)

baixar

E-mail: ademirpascale@gmail.com

>> Para Divulgação Literária: Clique aqui

Curta Nossa Fanpage

Siga Conexão Literatura Nas Redes Sociais:

Receba nossas novidades por e-mail (você receberá um email de confirmação):

Anuncie e Publique Conosco

Posts mais acessados da semana

DRAGO EDITORIAL

LIVRO DESTAQUE

LIVRO: TRAVESTIS BRASILEIRAS EM PORTUGAL

FUTURO! - ROBERTO FIORI

ENCONTRE UMA EDITORA PARA O SEU LIVRO

LIVRO: TRAVESSURAS DA MINHA MENINA MÁ

Passaram por aqui


Labels