quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Está acontecendo algo com a literatura fantástica?



Quando publiquei Morgan: o único já lá nos distantes 2011 o cenário para literatura fantástica parecia uma ponte cheia de esperanças e expectativas. Era o início de um boom que veio a se consolidar uns dois anos depois. À época, recordo, o livro lançando em maio foi o primeiro romance do gênero, contudo praticamente concomitante com lançamentos que vieram logo em seguida como o livro de Alexandre Callari e o Terra Morta do Tiago Toy. Entretanto, aquela era uma pequena invasão zumbi à brasileira, mas a literatura fantástica nacional já convivia com seus anjos e lobisomens e tudo se encaminhava para a consolidação da fantasia no país. Porém, hoje, ao olhar para nossa literatura fantástica desconfio que algo aconteceu no meio do caminho, "havia alguma pedra por ali", pois parece-me que a ficção fantástica topou o cume do monte mas luta contra uma avalanche nesse momento. Isso, inclusive não é uma percepção única de minha parte, hoje uma dos mais atuantes autores no gênero fantástico, Christopher Kastensmidt aponta isso em entrevista que tive a oportunidade de perguntá-lo. Então aqui, creio que a pergunta do título está quase respondida, contudo, regressemos um pouco mais.

Não há dúvida de que a esperança no fantástico ganhou fôlego com o fenômeno que se tornou A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, e também os Dragões de Éter do Raphael Draccon. Eles somados ao "mais antigo" case de sucesso, André Vianco, de certa forma serviam de estímulo e impulso. Além disso, as publicações estrangeiras também estavam recheadas de literatura fantástica, e de repente tínhamos com as possibilidades da internet talvez milhares de autores de literatura fantástica no país, tanto é que sites como O Nerd Escritor recebiam muitas contribuições.

Mas, embora tivéssemos os exemplos, especialmente no trio já citado, a literatura fantástica permanecia de algum forma marginalizada. Surgiram então, graças à publicação sob demanda "ene" editoras pequenas com catálogos que tinham de tudo que se pudesse imaginar de criaturas fantásticas, abrindo as portas da primeira publicação para muitos autores que no fundo desejavam chegar no mesmo grupo de Draccon e Spohr. Alguns conseguiram, outros não, mas sem entrar nessa questão, talvez aqui tenhamos um princípio de problema, pois estas pequenas editoras não estavam preparadas. Muitas tiveram problemas que passaram do amadorismo ao pilantrismo mesmo, o que nos dias de hoje ainda causa certo efeito na literatura fantástica. Além disso, não demorou para que as grandes casas editoriais percebesse, "olha, aí está um nicho com leitores". E então elas entraram em campo com suas habituais seletividades, mas de forma firme que de certa forma também impactou a publicação periférica. Ainda assim, quando as grandes entraram em campo, pensou-se "agora a literatura fantástica" deslancha.

Vimos então selos como o Fantasy da Casa da palavra ser criado, editoras como a Saída de Emergência aportarem por aqui, e mais do que isso, quase todas as casas passaram por algum tempo e seu catálogo fantástico, muitos com autores estrangeiros e uma leve, mas interessante inserção de autores nacionais. Com isso, tivemos muita coisa publicada, de steampunk a zumbis nacionais, porém o fôlego logo foi sumindo, e hoje, por exemplo, nestas grandes casas o que rege são youtubers e soft porn, e isso não é recriinação, porque, amigos, uma editora tem que pagar as contas, e se a coisa vende eles publicam, mas enfim, isso já seria outra questão. 

O fato é que nesse intervalo de tempo, e aqui não digo que não tenhamos nada mais publicado em literatura fantástica, as coisas não se consolidaram como imaginávamos. Muitos selos de ficção fantástica foram extintos, no caso da Saída de Emergência e da revista Bang, por exemplo, largaram o Brasil de mão, isso sem falar que nossos principais nomes do gênero, hoje também não frequentam mais as principais listas como outrora, o que sem dúvida alguma traz reflexos para todo o gênero. Penso eu que vivenciamos de alguma forma um "ouro de tolo", mascaramos por algum tempo uma realidade sórdida do país, a de que temos poucos leitores, e o pior, leitores volúveis e de escolhas muitas vezes questionáveis como pudemos perceber com as listas de mais vendidos. Todavia isso não significa que não se tenha mais literatura fantástica ou que não tenhamos leitores, sim existimos, porém, talvez não em quantidade suficiente para sustentar uma presença permanente como a ocorrida entre 2016 e 2014, o que de certa forma revela que ficamos um pouco reféns dos "leitores modinha". Mas enfim, são apenas algumas reflexões, talvez eu esteja enganado, por isso fiquem à vontade com seu comentários. 

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Conexão Nerd: Curiosidades BEM Estranhas do Google

Acabou de entrar no ar um novo CONEXÃO NERD: Curiosidades BEM Estranhas do Google. 

Aproveite e se inscreva no canal. Ajude-nos a crescer ;) 

Descubra os segredos assistindo ao vídeo, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=dId53dNfIHU


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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Oito homenagens aos 208 anos de Edgar Allan Poe




Arte por Denis Pinheiro

No dia 19 de janeiro de 2017, celebramos 208 anos desde o nascimento do escritor norte-americano Edgar Allan Poe, um dos mais influentes autores de todos os tempos. Apesar de ser mais famoso pelo gênero do horror, Poe percorreu diversos caminhos da literatura e deixou sua marca em muitos deles: os primeiros contos policiais de que temos registro na literatura ocidental a marcar o cenário internacional foram escritos por Poe, e seu detetive, Dupin, presente nos contos A Carta Roubada, O Mistério de Marie Roget e Os Crimes da Rua Morgue inspirou a criação de ícones como Sherlock Holmes de Conan Doyle e o detetive Poirot de Agatha Christie.
Além de horror e contos policiais, Poe também inovou na teoria literária, ao expor seu processo criativo no ensaio A Filosofia da Composição, em que ele explica o processo quase matemático pelo qual compôs seu mais famoso poema O Corvo. Poe também foi um prolífico crítico literário, e dentre as muitas resenhas que escreveu, uma foi de um romance de Charles Dickens chamado Barnaby Rudge, o qual, vejam só, inclui entre seus personagens um corvo falante!
Poe também escreveu contos de humor negro, um longo ensaio chamado Eureka que ele prefere que chamem de poema em prosa, no qual ele defende teorias sobre ciência, filosofia e física quântica, além de ter também escrito uma obra que pode ser considerada uma novela, ou um breve romance até, chamado A Narrativa de A Gordon Pym. Enfim, Poe produziu muito em sua breve vida nesta terra, e sua influência é imensurável. Muito do que se conhece por conto, por literatura policial e de terror nos dias de hoje se deve a Poe.
Enfim, para prestar uma homenagem a esse marcante escritor em seu aniversário de 208 anos, preparamos uma seleção de poemas e mini contos inspirados em obras do Poe, todos os textos ilustrados por talentosos artistas também admiradores de Poe.

A jovem no retrato oval - Luciana Minuzzi


 Arte por Denis Pinheiro
O rapaz retirou um tanto da poeira que me cobria. Era o primeiro em muito tempo a observar as linhas que formavam o meu retrato e a minha prisão. Ele sacou um objeto do bolso e o posicionou à minha frente. Dele, saiu uma luz, sem ao menos haver um candelabro por perto, e senti minha imagem ser capturada. Desta vez, pude alongar meus braços até que saísse da moldura. Ouvi um berro e o homem saiu da sala de forma abrupta, o que me fez perceber a minha nova forma. Caminhei até a porta da casa. Agora, eu sou livre.
O olho maligno - Marina Franconeti


Arte por Marina Franconeti, edição de Denis Pinheiro

Foi em uma terça-feira em que sonhei com um olho. Bem redondo, pupila dilatada, uma massa olhando para mim. Era um mero olho que parecia vir de alguma parte do mundo, e no sonho eu o desenhava. No dia seguinte, concentrei-me por um tempo infinito para marcá-lo no papel. A cada risco, sentia humanidade nas minhas mãos. Circulei a pupila enegrecida na íris, dei-lhe brilho, perdi-me nos riscos, acrescentei cinzas caindo dos olhos. Ao fim, ao contemplar aquele olho, notei o brilho se intensificar. E com lentidão, mexeu-se, como piscando. Mas sem pálpebras. E deixou um rastro de cinzas negras na minha mão.
Delirium Tremens – Fernanda Oz



Arte por Denis Pinheiro

Se aos dez já podia sentir os calos estourando em agonia, aos vinte havia conquistado as dores e aos quarenta tornei-me elas. Não existem palavras capazes de acalmar o coração de quem se afoga em um mar de tristezas inexplicáveis. Os círculos giram na água, o choro ecoa para quem quiser ouvir… Nunca mais estaremos aqui e, ainda assim, nunca acabaremos as obras que começamos. A despeito dos corvos que meus olhos comerão, guardo meus dentes embaixo da cama, ao lado das lembranças daqueles que amei. Das dores que colecionei. Dos vícios que não abandonei. Despeço-me como o gato que não calcula a distância entre os muros ou distância até o túmulo. Sem entender muito sobre a morte, mas entendendo demais sobre morrer, deixo um rastro negro de poeira e poesia para minha alma procurar, mesmo sabendo que nunca, nunca mais voltaremos a nos encontrar.
Viva - Mariana Rio


Arte por Marina Franconeti, edição de Denis Pinheiro

Está quente. O silêncio é ensurdecedor. Pouco a pouco o ar vai se acabando. Estou sufocada! Essa certamente é a pior experiência que já tive. No começo estava desesperada, mas ao longo do tempo todo sentimento de raiva diluiu, agora só sinto melancolia .Quem poderia imaginar que a mais bela moça da cidade teria tão cruel destino. Só queria que alguém ouvisse minhas palavras antes que meus pensamentos se confundam entre si. Choro! Mas imediatamente paro, lágrimas não abrem caixões - eu penso. Agora não penso mais nada...é meu fim, meu triste fim chegou.

Corvo – Yoman Malaquias


Arte por Marina Franconeti, edição de Denis Pinheiro

Pelo fúnebre âmago e mortiço, exalo pela língua bifurcada de um enfermo, resmungos amargos de um moribundo idiota... Apenas flagelos de uma mente turva de angústia e um olhar agourento, desprovido do alento que se diluiu em desalento, gotas mornas transbordam os umbrais de minhas janelas... deixando minha pálpebras orvalhadas, apenas um momento, mórbido e melancólico... o que foi embora... e o olhar nefasto do corvo, tão sagaz e lúgubre, já me espreita sem demora, na ânsia de me libertar e no pesar me devora.
As sombras de corvos assombram – Amanda Leonardi
Arte por Denis Pinheiro

Minha mente é como a Casa de Usher,
repleta de fantasmas e sombras sepulcrais,
incompleta, a depedaçar-se
em lagos inundados de Nunca Mais,
a afogar-se em reflexos de quem fui,
reflexos desconexos, sem olhos nem sorrisos,
nem rimas ancestrais;
Doentemente, minha mente persegue
aves agourentas que bebem o céu soturno
a atravessar noites ébrias,
mas ébrias apenas de melancolia
onde vinho nem poesia já não se bebia nunca, Nunca Mais.

O canto do pássaro negro - Luis C. S. Batista


Arte por Denis Pinheiro

Aquele ávido estirão
Para a coerção de que em um único ato
Converter-me-ia naquele

Cujo feito tornar-se-ia venerado por deuses e mortais.
Emoções sazonais
Avinharam-me a acuidade passional e aspirações pela glória.

Ébrio, andejei pelas sonatas tenebrosas de outrora.
E no romper da aurora,
Ressurgi com uma figura venusta e eremítica.

Minha aparência é sombria,
Todavia, minha alegria resplandece como o fulgor
Da pouco antes alvorada

E enobrece o meu adejo aos astros,
Dispondo o meu rastro
Em vívidos dilúvios de condolência e poesia.

E, pousarei nos vales do amanhã,
Onde a façanha
De conservar o status quo não estarrece ou incita.

Degrada(somos) – Laís Fernandes


Arte por Denis Pinheiro

Estou partido, meu velho amigo
E partindo, para sempre, estou
O chão que range neste hostil abrigo
É tudo o que me restou

As horas esvoaçam como meus cabelos
Fissuras abrem sem nelas tocar
Ah! Se de mim tirassem estes desmazelos!
Juraria pelos céus nunca mais chorar

Murmuram, funestas, paredes e portas
A poeira engole nossos corações
Se Ele escreve certo por linhas tortas
Aguardo, enfermo, vossas orações

Amada minha, sangue de meu sangue
Foi-se embora sem se despedir
Se de loucura ouço teu compasso exangue,
Penso: de teu ataúde ainda irás sair

E logo vens, cambaleante e vil
Irmã de prosas e desesperos mil!

Desmoronamos no viés da memória
O rio traga nosso peito em glória:
Paira no ar o silêncio senil.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Adiel Machado comenta sobre o seu livro Selvageria Urbana

Adiel Machado
Adiel Machado nasceu em Sorocaba, interior de São Paulo. Formado em Publicidade e Propaganda desenvolveu paixão pela escrita ainda na infância com seus irmãos, livros e diferentes formas de histórias. No início de sua escolaridade já teve duas publicações no jornal da cidade onde apresentava uma poesia de crítica social e violência, mas só mais tarde a escrita voltou a fazer parte de seu dia a dia, através de artigos para os departamentos de marketing e comunicação das multinacionais que trabalhou. O autor publicou seu primeiro Romance em 2016 a partir de sua imaginação somada a dura realidade brasileira de corrupção, o livro Selvageria Urbana já está presente em seis estados brasileiros.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Adiel Machado: Na verdade está sendo. Apesar de já ter publicações como artigos, algum poema ou música no passado, este está sendo de verdade meu início. O que posso dizer é que não é fácil se tornar autor/escritor, indiferente de onde você esteja exige muito trabalho e dedicação para que as pessoas comecem a ler o que nós escrevemos. Espero daqui algum tempo poder responder uma pergunta assim novamente!

Conexão Literatura: Você é autor do livro "Selvageria Urbana". Poderia comentar?

Adiel Machado: Comentar sobre o que escrevo é sempre um prazer! O Romance Selvageria Urbana é baseado em notícias que sempre vejo por aí, até o dia em que o insight sobre como alguém poderia chegar a determinadas ações por interesses próprios. Essa dura realidade que nem sempre notamos me ajudou a compor essa obra, somando minha imaginação e questionamento sobre as organizações. Como a capa e o nome sugerem, não é uma leitura leve e feliz.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Adiel Machado: As pesquisas foram bem intensas e deram bastante trabalho, pois gosto de estar mais próximo possível de acontecimentos que possam trazer peso para a trama, além de notícias, livros e filmes, gosto de ir a campo e sentir na pele o dia a dia sobre o que estou escrevendo, seja para o livro ou para um artigo técnico, por exemplo. Além é claro das referências que devemos levar conosco de acontecimentos reais que vivemos e podemos contar de forma subjetiva. Levei cerca de seis meses somente para escrever, mas acredito que a pesquisa nunca para, nossa vida é uma grande pesquisa, a diferença é que o escritor a transmite para os outros com ajuda da imaginação.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial no seu livro?

Adiel Machado: O livro todo é especial para mim, é como um filho, como um pedaço de mim que foi mesclado a outros personagens e traz uma nova história, mas considero alguns trechos de grande importância durante a leitura, como o capítulo 5, onde os personagens principais fazem interrogatório de um político suspeito de estar envolvido no caso que investigam. Ali é onde tudo começa a ficar claro e as peças de um quebra cabeça se unem.

Conexão Literatura: Se você fosse escolher uma trilha sonora para o seu livro, qual seria?

Adiel Machado: Definitivamente seria “No Life” da banda americana Slipknot.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Adiel Machado: O livro faz parte do projeto pegaí do Estado do Paraná, por lá o leitor pode pegar o livro emprestado gratuitamente para leitura. Para compra do livro, em todo o país basta acessar ao site http://www.livraria-editora4letras.com.br/selvageria-urbana , além de outras livrarias pelo país que já tem o livro disponível. Ao acompanhar minhas redes sociais é possível visualizar cada parceiro que está disponibilizando o livro.
Linkedin: https://br.linkedin.com/in/adielmachadoo
facebook e instagram: https://www.facebook.com/OfficialAdielMachado/
Website: www.adielmachado.com.br 
Para adquirir o livro: clique aqui
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Adiel Machado: Com certeza, tenho mais alguns livros prontos para serem editados! Em função da excelente parceria com a editora 4letras minha vontade é de lançar mais dois livros com eles e se tudo der certo, os dois serão lançados em 2017. Além dos livros, estamos nos planejando para organizar feiras literárias onde outras editoras e autores possam divulgar o trabalho.

Perguntas rápidas:

Um livro: Dragão Vermelho
Um (a) autor (a): Stephen King
Um ator ou atriz: Michael Caine
Um filme: O Senhor dos Anéis
Um dia especial: Hoje!

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Adiel Machado: Obrigado pela entrevista, curtam minha fanpage facebook.com/OfficialAdielMachado! E parabéns por seu trabalho!Acredito que ajuda tanto aos leitores que buscam novas leituras, comentários e materiais quando aos escritores e profissionais do meio literário.


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Conheça A Batalha das Raças - A Maior História Já Contada à Humanidade, novo livro do autor Carlos Dias

Carlos Dias
Carlos Dias mora em São Paulo – SP tem uma filha e ama tecnologia e ciência. Formado em Análise de Sistemas é especialista em computação forense e investigação de fraudes, exercendo o cargo de gerente sênior em uma consultoria de investigações. Carlos tem como passatempo a escrita, jogar games, pescar, estudar ciência, astronomia e jogar baralho com seus amigos e família.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Carlos Dias: Sempre gostei de escrever, mas nunca pensei em publicar um livro ou algo assim. Na minha profissão eu escrevo muitos relatórios, pois é a parte mais legal do trabalho. No início de 2016 tive um pensamento, de como seria o nosso planeta se não tivéssemos inventado o tempo, o relógio etc. Após este pensamento comecei a imaginar esse fato com detalhes e assim surgiu A Batalha das Raças.

Conexão Literatura: Você é autor do livro "A Batalha das Raças". Poderia comentar?

Para adquirir o livro: clique aqui
Carlos Dias: A Batalha das Raças é uma série que irá trazer muita emoção e despertar a curiosidade do leitor. A ideia da obra é esquecermos por um momento a concepção dos nossos antepassados, imaginando como seria tudo em nosso planeta se não existissem os seres humanos, se outra raça sem nenhuma referência nossa tivesse prevalecido, fazendo tudo diferente.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Carlos Dias: Para elaborar A Batalha das Raças eu pesquisei muito, desde os sapiens até radiação eletromagnética. Juntou também algumas referências de series, livros e filmes que já vi ou li. A ideia é que essa serie se torne um refugio para refletirmos um pouco sobre a vida e o nosso planeta. Demorei 1 ano para terminar o primeiro livro “A  Batalha das Raças - Volume I - “A Maior História Já Contada à Humanidade”.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial no seu livro?

Carlos Dias: Quando os Diiiorks pesquisam sobre os organismos microscópicos, discutem como capturá-los e enfim conseguem com base em frequências de pensamento. Creio que a nossa vida é assim, nós conseguimos contagiar todos ao nosso redor dependendo do nosso humor e frequência.

Conexão Literatura: Se você fosse escolher uma trilha sonora para o seu livro, qual seria?

Carlos Dias: Eddie Vedder - Hard Sun. Imaginando que ao invés de uma mulher nós estamos falando da história de Leop e Lia, que são personagens da A Batalha das Raças.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Carlos Dias: Tenho um site exclusivo para a série www.batalhadasracas.com.br. Lá existe o link de compra do livro e também um book trailler. O livro também está a venda na Amazon (Versão eBook) e no Clube de Autores (Versão eBook e Impressa).

Eu tenho um perfil no LinkedIn www.linkedin.com/in/cdiasdds, com um pouco sobre mim e também alguns artigos tecnológicos que eu escrevi. Para saber mais é só enviar um e-mail para carlos@batalhadasracas.com.br que terei o prazer em responder.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Carlos Dias: Sim! A continuação da Batalha das Raças. Será uma série bem interessante e que me demandará muito tempo.

Tenho um projeto futuro de escrever histórias voltadas a tecnologia e investigações, irei pensar nela após a conclusão da A Batalha das Raças.

Perguntas rápidas:

Um livro: O Universo Numa Casca de Noz.
Um (a) autor (a): Zecharia Sitchin
Um ator ou atriz: Jim Carrey
Um filme: Star Wars
Um dia especial: O nascimento da minha filha.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Carlos Dias: Para quem gosta de ficção científica, leiam A Batalha das Raças. Creio que irão gostar e, por favor, façam críticas e comentários sobre o livro, pois será muito importante para mim.


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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Clube de Leitura na Biblioteca Parque Villa-Lobos

Todos os meses a Biblioteca Parque Villa-Lobos seleciona um livro do seu acervo para ser debatido num encontro entre os leitores. Participar de um Clube de Leitura é a oportunidade de você debater ideias acerca do livro, da estrutura narrativa, dos personagens, das cenas, do contexto e até da vida e da obra do escritor. 

As sensações despertadas pela leitura de uma obra é algo muito próprio do leitor e compartilhar em conjunto essas sensações, abre-se a possibilidade de outro leitor se deparar com detalhes que não havia reparado e isso pode fazer muita diferença numa releitura.

Este mês, o Clube de Leitura irá discutir o livro "Quarto de despejo: diário de uma favelada", de Carolina Maria de Jesus. O encontro ocorrerá no interior da biblioteca na sexta-feira, dia 27 de janeiro, das 15 às 17 horas. Não é necessário se inscrever. É só chegar na biblioteca e se juntar ao grupo.


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Não Somos Donos

Estava relendo uma crônica da Cristina Hauser em que ela conta que experimentou soltar a trela que prendia seu cão durante um passeio. Em vez de o cão correr à sua frente como sempre parecia desejar, arrastando-a com força por todos os lugares, ele estancou. Aí andou um pouco, mas sempre olhando para trás como a certificar-se de que ela o seguia. Depois desistiu de ir à frente, optando por vir mais atrás, de onde certamente poderia vigiar sua dona. Eu disse “dona”? Sim, disse, mas não devia. Não somos donos de nossos cães, nem de ninguém e nem de nada.

Isso me fez relembrar meu admirável psicanalista de tantos anos atrás. Eu lia para ele um conto que fiz sobre a “Joia”, nossa cadela perdigueira, a última que meu pai teve e justamente por isso de quem mais nos lembramos com tanto carinho. Bem, enquanto lia, meu psicanalista ouviu com atenção como sempre fazia quando eu levava novos contos e crônicas. Depois, com a delicadeza que nunca dispensou um tom firme que até hoje me faz falta, disse: “não soa estranho a você que a palavra ‘dono’ apareça tantas vezes em seu conto?” Foi aí que parei para pensar e refleti. Fiz o conto narrado pela própria Joia e muitas vezes, ela, a Joia, se referia a meu pai usando a palavra “dono”. É verdade, respondi eu, a Joia não se sentia propriedade de meu pai, mas uma amiga, companheira de caçadas, sobretudo uma amiga. De forma igual, tenho certeza de que meu pai nunca se sentiu dono dela. O amor entre eles certamente estava bem além do que significa a palavra “dono”, que implica um senhorio, nada tendo a ver com as pessoas ou animais que tanto amamos.

Etimologicamente, dono vem do latim “dominus”, senhor, proprietário, líder. Hummm, líder até que é legal, pois quando a Cristina Hauser pensava que estava no comando de seu cão, ele é que a guiava, exercendo o papel de líder, puxando-a fortemente por onde desejava. Mas essa liderança está mais para uma cumplicidade cheia de amor partilhado. Contudo dizemos “meu filho”, “meu marido”, “meu cão”, tudo bem. É mais por uma questão de referência. Podemos dizer “meu filho é mais velho do que o seu”, mas este pronome possessivo não significa posse, propriedade no sentido que questiono aqui.

Não, não somos donos de nada. Nem de nossos filhos, nem de nossos cães, gatos, cavalos, elefantes, seja lá do que for, até mesmo das coisas como casas, carros, dinheiro. Estamos usando estes bens temporariamente, pois desde sempre soubemos que um dia deixaremos tudo para trás. É difícil viver sem amarras, com total liberdade, isso praticamente não existe porque nossa natureza humana tem necessidade de possuir, de ter, de ser proprietário. Quanto às pessoas e criaturas que amamos, existem laços entre nós (nós nos dois sentidos), alguns mais apertados, outros mais leves, assim como a trela que usamos em nosso cão para passear. Mas bem diferente de serem algemas de ferro, são com certeza, laços de amor e de ternura.  


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Edgar Allan Poe, na DarkSide Books

É meia-noite. As asas de um corvo se misturam à escuridão. A velha casa em ruínas observa com janelas que pareciam olhos. Você jura ouvir a voz de alguém que já partiu para o outro lado, bem na hora em que um gato preto cruza seu caminho.

Tudo o que hoje conhecemos como terror começou a ganhar forma na obra de Edgar Allan Poe. Genial e maldito, Poe é considerado o mestre dos mestres da literatura fantástica. Stephen King, Clive Barker ou H.P. Lovecraft são apenas alguns de seus discípulos mais sombrios. Porém, com certeza não são os únicos. Desde o século XIX, o criador de “O Corvo” vem influenciando gerações de escritores consagrados, dos mais diversos gêneros, como Henry James, Franz Kafka, Arthur Conan Doyle, Júlio Verne, Vladimir Nabokov, Oscar Wilde e Jorge Luis Borges.

Mais de duzentos anos após seu nascimento, Poe continua atual. Sua obra se mantém em catálogo por todos os continentes, nos mais diversos idiomas, e é tema comum em teses de mestrado. Do mundo acadêmico para a cultura pop, de tempos em tempos as histórias fantásticas do autor ganham novas adaptações no cinema, na TV, na literatura. De Iron Maiden a Green Day e Os Simpsons; de Vincent Price a Tim Burton; nos quadrinhos de Neil Gaiman ou nas séries The Following e na brasileira Edgar.

Onde você procurar, existe o toque do gênio. E agora chegou a sua vez de reencontrar — ou mesmo conhecer — a obra original em toda a sua grandeza. Os contos que mudaram os rumos da literatura ocidental. Os personagens eternos. A prosa e a poesia escritas à pena, manchadas de sangue. Finalmente, uma edição nacional à altura do mestre.

Há tempos que os leitores clamavam: “Queremos Edgar Allan Poe na DarkSide!”. E como desejo de DarkSider é lei, a primeira editora brasileira inteiramente dedicada ao terror e à fantasia preparou a edição que todos os fãs esperavam. Seguindo o padrão quase psicopata de qualidade que os leitores já esperam da DarkSide® Books, o livro é uma homenagem a Poe em todos os detalhes: da capa dura à nova tradução feita por Marcia Heloisa, pesquisadora e tradutora do gênero, além das belíssimas ilustrações em xilogravura feitas pelo artista gráfico Ramon Rodrigues. E o mais importante: o conteúdo selecionado que recheia as 384 páginas deste primeiro volume de EDGAR ALLAN POE: MEDO CLÁSSICO. E que conteúdo!
Pela primeira vez numa edição nacional, os contos estão divididos em blocos temáticos que ajudam a visualizar a enorme abrangência da obra. A morte, narradores homicidas, mulheres imortais, aventuras, as histórias do detetive Auguste Dupin, personagem que serviu de inspiração para Sherlock Holmes.

O livro traz ainda o prefácio do poeta Charles Baudelaire, admirador confesso de Poe e o primeiro a traduzi-lo para o francês. Os contos são comentados na voz do personagem mais famoso de Poe, um certo pássaro de asas escuras como a noite. E por falar nele, EDGAR ALLAN POE: MEDO CLÁSSICO apresenta “O Corvo” na sua versão original, em inglês, além de reunir suas mais importantes traduções para o português: a de Machado de Assis (1883) e a de Fernando Pessoa (1924).

Uma obra tão completa que não poderia se limitar a um só volume. A DarkSide® Books já começa a organizar EDGAR ALLAN POE: MEDO CLÁSSICO, VOLUME 2. Além de Poe, Mary Shelley, Bram Stoker e Lovecraft também farão parte da coleção Medo Clássico, sempre com ilustradores convidados e tradutores que respiram e conhecem profundamente as obras originais.

Nunca mais houve um autor como Poe.
Nunca mais haverá uma edição como esta.

“O melhor de Poe nunca envelhece. Seus contos ainda nos deixam maravilhados. E suspeito que eles serão eternos.”
— NEIL GAIMAN —

Fonte: DarkSide

MAIS INFORMAÇÕES EM BREVE.

Aproveite e curta a fanpage "Poe's Club": Clique aqui e conheça o blog: http://poesclub.blogspot.com

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domingo, 15 de janeiro de 2017

Conexão Nerd: Descubra 8 curiosidades sobre o super-herói Capitão América

Descubra 8 curiosidades sobre o super-herói Capitão América. Assista o vídeo, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=zaB_dLCaAjc

 
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sábado, 14 de janeiro de 2017

Fernanda W. Borges, promessa da literatura policial nacional, comenta sobre seus livros e futuros lançamentos

Fernanda W. Borges
Fernanda W. Borges é uma taurina pela astrologia védica e geminiana pela ocidental, com ascendente em Aquário em ambas. Apaixonada pelo lado oculto do Universo, nasceu e foi criada no Rio de Janeiro, formou-se em Direito e especializou-se na área Penal. Atuando como servidora pública na área da Segurança há quinze anos, conhece bem as mazelas sociais e o lado mais temido do ser humano. Antes de passar a ser sua fonte principal de escrita, o crime já fazia parte de seu trabalho como policial. Seja no ocultismo, seja na literatura ou lidando com inquéritos, Fernanda gosta de ser intensa em tudo o que faz.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Fernanda W. Borges: Em 2009 eu tinha passado por problemas sérios de saúde. Durante o processo de recuperação (física e emocional), percebi mudanças na minha rotina. Uma delas, e que mexeu muito comigo, foi o fato de deixar de lado os concursos públicos. Eu simplesmente não conseguia mais ter prazer naquele tipo de estudo. Fiquei bastante chateada com essa súbita e inexplicável mudança nos meus projetos, e certo dia, enquanto assistia novamente ao filme Instinto Selvagem, pensei no quanto era difícil ver tramas naquela natureza noir ambientadas no Brasil. Eu não sabia nada sobre roteiros, mas resolvi tentar escrever um esboço de livro. Da leitura dos livros jurídicos eu passei para a escrita, eu mudava o foco. Mostrei para umas duas pessoas de minha confiança os primeiros capítulos e pediram que eu continuasse. Eu obedeci (risos) e em 2011 publiquei meu primeiro policial neo noir, Orgasmos Fatais.

Conexão Literatura: Você é autora dos livros "Orgasmos Fatais", "O Reverso do Destino" e "Sob o Signo de Escorpião" 1 e 2, ambos pela Drago Editorial. Poderia comentar?

Fernanda W. Borges: Orgasmos Fatais surgiu para ser um livro único, quer dizer, depois dele eu pensava em escrever sobre outros personagens, outras tramas. Parti para O Reverso do Destino que, a princípio, seguia apenas a linha do personagem principal do primeiro livro, o inspetor de polícia Douglas. Entretanto, era uma trama independente. O problema é que algumas histórias parecem ter vontade própria e eu notei que havia ali um grande lance, que aquelas duas histórias mereciam ter um ponto em comum no futuro. Então, com o final mais do que polêmico (amado ou odiado, não tem meio termo) de O Reverso do Destino, comecei a escrever Sob O Signo de Escorpião – Parte 1, onde os dois núcleos de personagens dos livros 1 e 2 se encontram. Penso em Orgasmos Fatais e O Reverso do Destino como duas estradas que bifurcam e iniciam Sob O Signo de Escorpião. Daí, a série Neo Noir. Em relação ao volume ou parte 2 desse terceiro livro, está em fase de pesquisas ainda, porque parte dele será ambientado nos anos 20. Eu amo os “Anos Loucos”.
Para adquirir o livro: clique aqui
Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seus livros?

Fernanda W. Borges: Em relação à parte investigativa, nem preciso dizer que minha condição de policial civil, assim como minha formação jurídica, facilitam e muito no material de inspiração para os casos que crio em meus livros. Quanto ao suspense, que é algo de que eu não abro mão, procuro sempre amarrar o leitor entre um capítulo e outro, deixo sempre um ponto de interrogação, de modo que a pessoa pense: “preciso ir para o próximo capítulo! Só mais um... eita, acho que vou ler outro...”. E, claro, brincar com as reviravoltas, eu me divirto muito com isso. Toda essa elaboração toma bastante tempo, preciso rever várias vezes cada livro, e por isso acaba demorando, às vezes, mais de um ano para ficar pronto. Vou lapidando, procurando discrepâncias etc. Curiosamente, Orgasmos Fatais foi um livro que pareceu se escrever sozinho, eu o fechei em cerca de dois meses. O Reverso do Destino levou um ano em média, já Sob O Signo de Escorpião, vai caminhando pra dois anos. Eu, sinceramente, não marco com precisão o tempo de elaboração dos livros. Noto que, quanto mais experiência vamos adquirindo como escritores, o trabalho exige mais e mais, o processo não fica mais fácil, pelo contrário. Precisamos nos superar e surpreender sempre.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em um dos seus livros?

Fernanda W. Borges: Caramba, tem vários (risos). Escolho uma frase simples de um personagem do terceiro livro, Sob O Signo de Escorpião – Parte 1:

Conheço a Justiça. Quando ela dorme, sua gêmea, a Vingança, acorda. (Inspetor Douglas).

Conexão Literatura: Se você fosse escolher uma trilha sonora para os seus livros, quais seriam?

Fernanda W. Borges: Também teria tantas opções... Mas, optaria pelo Rock Nacional dos anos oitenta e algumas canções internacionais também, entre o Pop daquela geração e o Rock’n’Roll, incluindo o Progressivo. Em Orgasmos Fatais eu cito uma música da banda Zero, outra do Prince (in memorian); já em O Reverso do Destino uma cena se passa em um show do Bon Jovi que realmente ocorreu aqui no Rio de Janeiro; em Sob O Signo de Escorpião a primeira cena tem como fundo Age of Loneliness Carly’s Song, do filme Invasão de Privacidade, performance da Banda Enigma.
Gustavo Drago, Fernanda W. Borges e Roberto Laaf, no Codex de Ouro
Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir os seus livros e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Fernanda W. Borges: Os dois primeiros livros estão sendo relançados pela Drago Editorial e os novos seguem pela mesma editora. No site da Drago estão disponíveis para venda e pré-venda (clique aqui). Quem preferir os e-books, pode encontrá-los no site da Amazon, que também disponibiliza dois contos sobrenaturais meus: O Suvenir da Iara e O Jogo do Copo. Eu tenho uma página no Facebook, a “Fernanda W. Borges”, e lá mantenho contato direto e diário com os leitores, interessados e amigos também. É bem fácil me encontrar e eu respondo a todos. É importante saber o que os leitores querem ler, como avaliam nossos trabalhos. As críticas que eles fazem ajudam bastante.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Fernanda W. Borges: Certamente. Este ano eu concluo um livro chamado Os Esquecidos. É policial sobrenatural, lida com casos de homicídios antigos e que tinham sido deixados de lado. Foca nas consequências desses abandonos, como as almas dessas vítimas ficariam sem obterem a tão desejada justiça. Tenho também a parte dois de Sob O Signo de Escorpião na fila. Recentemente, também foi lançada uma antologia pela editora Vermelho Marinho (Selo Llyr Editorial), chamada O Outro Lado do crime – Casos Sobrenaturais (dossiê organizado por Bruno Anselmi Matangrano e Debora Gimenes), onde participo com o conto A Herança da Guerra.

Perguntas rápidas:

Um livro: A Coisa – Stephen King.
Um (a) autor (a): Nelson Rodrigues.
Um ator ou atriz: Glória Pires.
Um filme: Instinto Selvagem.
Um dia especial: Seis de Fevereiro.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Fernanda W. Borges: Agradecer pelo convite e pela oportunidade de falar um pouco sobre o meu trabalho. Desejo sucesso a todos e que a literatura nacional consiga ser reconhecida como merece, que nossos autores tenham chances de publicar seus trabalhos, que nossos livros ganhem seus lugares de destaque nas vitrines das livrarias. Que o sol brilhe aqueles que buscam verdadeiramente por ele. Abraços a todos!


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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Nelson Setubal Pavie comenta sobre seus livros, incluindo A Princesa Herdeira da Terra

Nascido no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1963, divorciado, mora atualmente na cidade de Araruama, no Rio de Janeiro. Atualmente está no Ministério da Marinha, onde trabalha com suporte ao usuário, ainda faz serviços de manutenção de computadores e modelagem 3d, em software 3D MAX, Autocad e vídeos.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Nelson Setubal Pavie: Meus filhos em casa, tinham então três e cinco anos e não dormiam enquanto não sentava ao seu lado na cama para contar histórias da “Patrulha do Espaço” e a guerra contra os terríveis “Diablos” de Faltan, lembranças de minha própria infância.
Foi assim, surgindo a visão do “Império Solar”, um incrível império galáctico que se espalha por Sete Galáxias gigantescas, todas povoadas por seres medonhos, insetos e répteis  gigantescos e inteligentes e muitos povos humanos estranhos. Alguns canibais, deuses e demônios, bruxas poderosas, algumas boas e outras nem tanto, assassinos cruéis e as corajosas Princesas Guerreiras que sempre, ou quase sempre, conseguem derrotar seus maiores inimigos.
Comecei a me organizar e colocar as ideias em ordem, anotando em um caderno todas as ideias que iam surgindo ao logo do tempo. Após várias semanas de pesquisas, comecei em meu computador, tarde da noite quando chegava do trabalho, a descrever a sinistra “Guerra de Mil Anos”. Uma guerra tão estranha e ao mesmo tempo tão violenta, que logo percebi que não poderia publica-la, não para o público infanto-juvenil que sempre foi meu alvo.
Logo após terminar de escrever “A Guerra de Mil Anos”, comecei a formar o Império Solar. Tudo começou com a “Invasão do Brasil”, a galáxia nesta época não era dividida em países e sim pelos povos que a governam.
A Invasão do Brasil, começa por causa de um grande mal-entendido. No distante “Império”, o povo “brasileneses” percebe sua nação de origem, o Brasil, no quase desconhecido planeta “Erethia”, sendo ameaçado pelas milícias e facções criminosas faltans que desejam invadir o mundo.
Um engano, a Patrulha do Espaço mirou no alvo errado. Os faltans, conseguiram chegar a Erethia, por causa dos traidores, entre seu povo que desejava reiniciar a Guerra de Mil Anos e dominar para sempre tanto Faltan, quanto Erethia.   
Furioso todo povo brasileneses exige da Patrulha do Espaço, providencias. Faltan pelo menos dessa vez era inocente. A “Guerra de Mil Anos” e Faltan, tenta conviver em paz com todos os povos da galáxia. A partir daí não parei mais. A Patrulha do Espaço depois de muito relutar, invadiu o mundo inteiro a partir do Brasil e criou o pais único, “Estados Unidos da Terra”.
Enquanto no Planeta Terra, seu povo se torna maior e mais poderoso a cada ano que passa, em Faltan, a “República Federativa dos EUT” passou a ser chamada pelos faltans de “Império” e seu líder, o poderoso comandante da Patrulha do Espaço, passou a ser visto como o “Primeiro Imperador” do “Império do Centro da Terra”, finamente mil anos depois da “Invasão do Brasil”, surge o “Império Solar”. 

Conexão Literatura: Você é autor do livro “A Princesa Herdeira da Terra”. Poderia comentar?

Para adquirir o livro: clique aqui
Nelson Setubal Pavie:  Não posso falar de “A Princesa Herdeira da Terra”, sem antes comentar o “Império Solar”. Pretendo assim unificar seu universo que ficou bastante complexo, com muitas histórias contadas em paralelo. 
Cem mil anos, ou dez mil anos galácticos, depois que surgiu no universo, o Império Solar, se tornou tão poderoso que começou a ser como uma ameaça, para os “deuses” ainda vivos na Terra. Se juntaram aos demônios e seus inimigos alienígenas e criaram uma armadilha para a humanidade.
O "Círculo do Tempo" destruiu o “primeiro” Império Solar. Seu fim, o "Círculo do Tempo", foi o início de um gigantesco paradoxo do tempo em todas as Sete Galáxias. O passado o presente e o futuro e os universos paralelos onde o Império Solar existe, começam a colidir uns com os outros, ameaçando a todos. Toda humanidade, os deuses e os alienígenas que o criaram.
O Primeiro Imperador ordena abandonar a Terra e se refugia na distante Galáxia Lemescal. A fuga para Lemescal não foi suficiente para o ser humano se colocar em segurança. Seus inimigos ameaçam se unir e invadir o que ainda resta do Império Solar.
Jasmim a “grande” Princesa Guerreira que no passado tornou o Império Solar, o “Império de Sete Galáxias” une todos os exércitos do império e segue na direção de “Nino, o Demônio das Sombras” escondido no interior de um buraco negro no centro de Tietamem, a Sétima Galáxia. A derrota do “Demônio das Sombras”, levou a descoberta no “Universo Desconhecido”, de uma distante galáxia, conhecida como, “Tirania”.
As leis do império proíbem que qualquer missão de exploração a planetas desconhecidos, seja planejada se não for possível alcançar seu destino em trezentos anos, três anos galácticos. Tirania foi vista como a salvação da humanidade, porém estava tão distante que uma missão levaria pelo menos quatrocentos anos para alcançar seu destino.
Uma alternativa foi encontrada. “Cobalto”, um reino distante e deserto de vida humana, ou não. Não tão rico quanto Tirania, mas que poderia servir de trampolim para aquela região desconhecida. Mil anos depois da descoberta de Tirania, toda humanidade, quer retornar ao seu lar, onde se sente poderoso e em segurança.
No “Reino de Cobalto”, o Império Solar renasce e para tentar aliviar a saudade que sente de sua casa, o imperador ordena criar naquele lugar deserto e sem vida, um planeta artificial idêntico a “Terra-Alpha” nos mínimos detalhes, “Terra-Beta”
Finalmente, trinta mil anos galácticos, depois de surgido o novo Império Solar em Cobalto, a humanidade volta seus olhos na direção das Sete Galáxias mais uma vez. O paradoxo do tempo, se estabilizou e pode retornar para Terra-Alpha em segurança.
Este retorno, não é tranquilo. Ao contrário do que o Primeiro Imperador imagina, Terra-Alpha não está deserto. O paradoxo do tempo que os expulsou das Sete Galáxias, não foi a catástrofe que imaginaram seus cientistas e generais.
Em Terra-Alpha, seu povo mais uma vez se prepara para seguir em direção as estrelas e ao chegar a região de “Centauro” e “Soberba” vão encontrar os sobreviventes do povo faltans, desta vez, “Vulcan, o Mundo dos Vulcões”, tentando conquistar Casseopea, Haskuo-Lars e Kaar. Começarão a disputar o domino pela pequena, mas riquíssima região de trezentos mil anos luz que forma o mais poderoso núcleo do Império Solar, lutarão até a morte, uma nova e sangrenta “Guerra de Mil Anos”.
Desenvolvimento paralelo, nunca surge ao acaso e sem perceber, terrestres e vulcans estão revivendo a história do Império Solar que surgiu em seu planeta milhares de anos antes. 
O imperador, se pergunta o que fazer? Trezentos mil anos se passaram desde que a humanidade, abandonou por vontade própria seu lar e agora não podem retornar, destruindo os povos inocentes que começam a se espalhar pelas Sete Galáxias mais uma vez.
Foi então que um plano audacioso foi criado, não seria a primeira e nem a última vez que um exército de crianças foi organizado para dominar um povo inteiro sem derramar sangue.
Em negociações secretas, com os principais dirigentes de todos os países de Terra-Alpha, o Primeiro Imperador, consegue que concordem em aceitar uma Princesa Guerreira que mais tarde, seria sua rainha e os governaria criando um novo reino do Império Solar em Terra-Alpha. Sua alternativa, o “Reino de Cobalto”, invadir as Sete Galáxias e destruir todos.
O “Reino das Estrelas”, mil anos depois de surgido um novo Império Solar nas Sete Galáxias, se uniria ao “Reino de Cobalto”, em Tirania e juntos Terra-Alpha e Terra-Beta se tornariam o mais poderoso povo do universo.
Feito os planos restava saber quem seria a Princesa Guerreira que se tornaria a “Princesa Herdeira da Terra” e guiaria seu povo até se tornarem mais uma vez o “Império Solar” e finalmente governar o universo.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Nelson Setubal Pavie: Nossa, somente para a “Princesa Herdeira da Terra”, foram pelo menos dois anos, não apenas de pesquisas. Precisava unir todo universo referente ao Império Solar e recomeçar sua história, apagando todo passado.
Me vi obrigado a reler todos os livros anteriores e reescrever capítulos inteiros. A “Guerra de Omikron” que termina com a criação do "Círculo do Tempo" e encerra a primeira fase, teve que ser descartada e ainda não consegui reescrever sua história.
O surgimento do “Devorador de Mundos” que devastou todas as Sete Galáxias, após o rompimento do "Círculo do Tempo" e o surgimento de “Terra-Alpha” e “Terra-Beta” tornou a guerra sem sentido, assim como o aparecimento de “Walia e os Deuses de Palnazzea”, que ajudam a humanidade a vencer a “Guerra dos Deuses”, querendo apenas sua amizade em troca do favor, mudaram completamente tudo que tinha feito no passado. Ao mesmo tempo que escrevia a Princesa Guerreira da Terra, tive que repensar tudo que havia feito antes, até chegar ao momento atual.
Outra grande dificuldade que encontrei foi escolher entre os personagens, a Princesa Guerreira que seria enviada para Terra-Alpha. Todas as outras que poderiam ter essa honra, não poderiam fazer parte da invasão planejada, deveria ser uma criança. Como poderia fazer isso se todas já eram rainhas, tinham seus mundos para governar, nem todos seus filhos eram meninas e suas filhas, princesas no mundo de seus pais e ajudavam a todos a governar?
Por causa de uma sabotagem, os computadores exigem que o Primeiro Imperador tenha como seu sucessor, uma de suas filhas nascidas de seu primeiro casamento com Simone. Cristinne que se tornou a única filha do imperador viva, capaz de ocupar o lugar do pai, renunciou a seus direitos por ter se tornado a Segunda Imperatriz e sua filha Jasmim, renunciou para se tornar a terceira. Não há lógica, usar uma de suas filhas mais jovens, para ser a Princesa da Terra e talvez a próxima governante do Império Solar.
Trezentos mil anos depois do surgimento das Princesas Guerreiras, não havia uma única menina descendente do imperador capaz de se tornar a próxima imperatriz, zerar a lógica confusa das maquinas e criar um novo Império Solar diferente de tudo que existia até então e eu como criador dessa “confusão” toda, tinha apenas quatro opções.
Aninha, “filha genética” de Simone, a primeira esposa do imperador. Heleninha, “filha genética” de Cristinne, a “Segunda Imperatriz” e ao mesmo tempo, “prima biológica” e “irmã genética” de Aninha e mais duas antigas filhas do Primeiro Imperador que desapareceram com o fim do "Círculo do Tempo". “Tamae” e “Gabrielle”, ambas haviam morrido havia milhares de anos, porém a morte é vista no Império Solar como uma doença e seus corpos foram preservados. A tecnologia de regeneração celular, poderia trazer de volta a vida Tamae e Gabrielle a qualquer momento.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

Nelson Setubal Pavie: Acho que posso falar, sem dúvida alguma que foi o resumo que fiz da “Guerra dos Deuses”. Foi na época que estava sendo criada, talvez a mais difícil, ou uma das mais difíceis pesquisas que fiz. Essa história levou muito tempo para ser escrita e o pequeno resumo de poucas páginas, não transmite a terça parte da emocionante aventura que descrevi em detalhes. Outro trecho que não posso deixar de destacar é a emoção transmitida por Aninha, ao descobrir que tem uma irmã até então desconhecida, Lídia. Uma menina frágil, uma pequena Princesa Guerreira que cativa a todos que a conhecem.

Conexão Literatura: Se você fosse escolher uma trilha sonora para o seu livro, qual seria?

Nelson Setubal Pavie: “We are the Champions” do Queen e “Carta aos Missionários”, do Uns e Outros,  acho que se encaixam perfeitamente.

Conexão Literatura: Como os interessados deverão proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Nelson Setubal Pavie: Podem enviar e-mail para nspavie27@gmail.com
Tenho ainda um blog:  http://nspavie27.wixsite.com/apht,    
onde, não apenas apresento. “A Princesa Herdeira da Terra” como, também dou informações a respeito de todos os títulos desta fase e um link para a página da editora que comercializa o e-book. Qualquer dúvida, acessem o site pelo endereço:

http://busca.saraiva.com.br/?q=a%20princesa%20herdeira%20da%20terra&autocomplete_type=historical&autocomplete_order=1&search_id=6d9d0b53-9c96-4469-8173-2d1d7f3018d5

No blog ainda terão informações a respeito dos próximos lançamentos da série:
- “Terra-Alpha”, será o próximo a ser lançado nos próximos meses e conta a história de Aninha e Heleninha em Terra-Alpha e suas aventuras ao explorar a “Primeira Galáxia”.
- “Stravaga”, conta a história de Vulcan e como terrestres e faltans se unem mais uma vez para criar o Reino das Estrelas, o novo Império Solar nas Sete Galáxias, e
- “A Rainha de Cristina”, conta a história da filha de Aninha, com apenas treze anos, perdida em um planeta quase deserto, primitivo e perigoso criou um novo e poderoso reino e um novo Planeta Terra, no universo, “Terra-Delta”.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Nelson Setubal Pavie: Muitos, o Império Solar é divido em três grandes fases, os “Senhores das Galáxias”, “A Guerra dos Deuses e essa “Terra-Alpha” e assim que for possível logo estarei lançando a série completa, no blog coloco os títulos dos dez primeiros livros da série, a começar pela “Guerra de Mil Anos” e “Invasão do Brasil” que alguns dos leitores já devem conhecer, porém era necessário lançar a Princesa Herdeira da Terra e organizar a ordem cronologia dos acontecimentos.

Perguntas rápidas:

Um livro: Fundação, de Issac Assimov
Um (a) autor (a): Agatha Christie e Arthur Clark
Um ator ou atriz: Charles Chapllin
Um filme: A Experiência
Um dia especial: 21 de outubro de 2004

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Nelson Setubal Pavie: Apenas quero afirmar que terei, na medida do possível, prazer em responder todas as dúvidas e sugestões dos leitores, assim como responderei com todo prazer as suas críticas. 


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À Espera do Corvo



Era em uma meia-noite agreste, eu me lembro bem, quando pela primeira vez me deparei com aqueles versos imortais, quase proféticos do poema de Poe, O Corvo. Não sei que idade eu tinha, mas sei que era jovem e, até então, religião nenhuma eu seguia. Veja bem que disse “até então”. Alguns são católicos, outros evangélicos, outros espíritas, outros ateus, cada um tem seus deus, ou tem deus nenhum e é o deus de si mesmo. Acho que até então, eu era ateu, eu era o meu próprio deus. Mas, a partir do segundo no qual meus olhos derramaram-se sobre aqueles versos, eu senti que aquilo não era somente um poema. Era mais que arte, aquilo era o sentido da existência em sua forma mais pura, era uma nova bíblia, a minha bíblia, o anúncio da chegada de meu deus: O Corvo. O deus que me salvaria do sofrimento da perda de minha Lenore, que até então me assombrava a alma e me chamava para sua companhia, e eu tentava me refugiar das lembranças melancólicas me afundando nos livros, até que encontrei uma possível forma de escapar daquelas lágrimas.
Naquela noite, em que sozinho em minha sala, entre pilhas de livros nas estantes ao redor e em frente à lareira, lia diversos livros antigos encontrados ao acaso na biblioteca de meus avós, quando encontrei um exemplar antigo e empoeirado da obra completa de Poe. Abri em qualquer página aleatória, e o poema O Corvo (The Raven, pois era uma edição com os textos originais, em inglês) saltou aos meus olhos, como uma sombra negra que voava para fora do livro. O li de uma sentada, em voz alta, sem parar sequer para respirar. O bebi de um só gole, até que O Corvo tomara minh’alma por completo, era meu deus, minha única crença, um sentido para tudo. Alguém pode se perguntar: como pode alguém considerar um corvo de um poema como um deus? O mesmo pergunto eu para aqueles que consideram qualquer outra figura mítica como um adorado deus. E o meu é o Corvo, pois ele assim me disse, e à cada releitura do poema percebo a veracidade de sua existência. Cada vez que leio o poema, ele ganha mais vida e o Corvo parece se aproximar mais de mim, como se ele vivesse dentro daquelas palavras e a leitura delas o resgatasse das trevas contidas na tinta de cada letra.
O som das palavras ecoava pelo teto alto da minha sala antiga, nos antigos lustres foscos do teto, nas paredes distantes e frias, no assoalho de madeira do piso e na porta de entrada da casa. Mas o curioso é que quando eu lia trecho dos versos que diziam “Nevermore”, o eco tinha uma voz diferente da minha, mais grave, mais diluída na noite, como se fosse dita por outra voz que não a minha, outra voz que não humana. Logo que notei isso, tive arrepios, mas segui com a leitura do poema sem interrompê-la por nem um milésimo de segundo. Mas a cada “Nevermore”, a voz do eco a repetir o verso tornava-se mais diferente da minha, até que, quando cheguei à última estrofe, temi que o Corvo realmente entrasse em minha sala, pois sua voz era cada vez mais distinguível – a essa altura já tinha certeza de que era a voz do Corvo a repetir o verso. Até que, quando cheguei ao final do poema, o eco desapareceu por completo. Não ouvi o último verso ser repetido pelo eco, como ocorrera com o poema inteiro.
Porém, minha obsessão estava apenas começando. Depois de terminar de ler o poema, fui até a porta e a abri, na espera de que o Corvo aparecesse, mas o que encontrei lá fora foi escuridão, e nada mais. Isso se repetiu por noites e noites. Não houve noite na qual conseguisse dormir sem ler poema de Poe em voz alta, sentando na poltrona no meio da sala, e cuidando a porta da frente a cada Nevermore que lia, na espera ou no temor de que a criatura surgisse. Ave ou demônio, o meu deus Corvo nunca aparecia, mas eu continuava a rezar por ele. Cheguei a decorar os versos como uma reza, era a minha sagrada oração para o Corvo, que eu repetia toda noite, acreditando que um dia ele apareceria. Era o meu profeta da escuridão, que haveria de vim salvar a minha alma, haveria de vim acalentar meu sofrimento pela perda de minha Lenore. O nome real dela não era Lenore, mas decidi chamá-la de Lenore, pois para mim foi tão inesquecível quanto, e a sua ausência de fere tanto quanto a de Lenore fere o narrador do poema. Conheci-a mais do que a mim mesmo, e ela partiu, como um espelho estilhaça-se em pedaços, assim partiu-se minha Lenore. Porém, quando chegar o corvo, não vou tentar expulsá-lo, mas vou adorá-lo como a chegada de um deus sagrado e tão esperado. Pois, por algum motivo desconhecido, sei que não é somente ave ou sequer demônio, sei que é um deus, o Deus, único do universo; a cor do céu à noite é a da cor de suas penas, é o céu anunciando a sua chegada desde as mais remotas eras. Sua alma é a imensidão do universo e, em forma concreta, ele mostra-se em forma de corvo, anunciando a condenação de cada alma que encontra. Como sei disso tudo? Vamos dizer que ele me contou, em meus sonhos.
Faz muitos anos já que rezo para o corvo, toda noite, e a cada noite sua voz parece repetir “Nevermore” em um tom cada vez mais alto, cada vez mais audível. Noite passada, quase senti como se o som de sua voz viesse de dentro da minha cabeça, de tão alto que era! Comecei a ler mais uma vez o poema agora – a repetir os versos que já decorei - mas ao ouvir uma batida na porta, interrompi a leitura pela primeira vez em anos. Ao abrir a porta, não foi só escuridão que encontrei, e nenhum corvo também. Mas a porta se fechou sozinha, não me permitindo ver o que se escondia do outro lado. Só pode ter sido o vento que a fechou, o que mais seria? E as batidas na porta continuavam, mais altas e mais altas a cada instante, como um coração agoniado que acelerava cada vez mais. O meu coração acompanhava o ritmo e acelerava mais ainda, até que senti uma dor pungente, como que meu peito rasgando-se por dentro, e minha visão começou a escurecer.
Caí no chão em frete à porta, que se abriu. Uma tempestade torrencial começou a cair lá fora, e a figura de uma ave negra pareceu recortar-se entre as sombras que me eram ainda visíveis. A dor em meu peito aumentava. O Corvo olhara fixamente para mim, com seus avermelhados olhos demoníacos. Esperei que ele fosse repetir “nevermore”  ou que dissesse o refrão traduzido “nunca mais”- mas nada disse ele. No entanto, a expressão de sua existência era repetida em silêncio a cada segundo, cada batida do meu coração parecia sussurrar o refrão do Corvo. A escuridão e o silêncio e a dor era tudo o que eu sentia. A dor, tão intensa, que me sugava todas as forças, minha respiração faltava... Caí no chão da sala, tentando segurar a dor que parecia jorrar do peito e transbordar da alma. Vi então, de relance entre as sombras de dor que me cegavam, a figura pálida daquela quem chamo Lenore surgir entre as chamas da lareira, que já quase se apagava, e entre as chamas desaparecer. O bater das asas do corvo sobre meus olhos transformou tudo em escuridão, até que o som de meu coração parou.
E passei a enxergar pelos olhos do Corvo, que viera me buscar, ouvindo meus chamados. Imagino, às vezes, que talvez eu sempre fora o Corvo, e sonhei que era um humano que chamava por um corvo. Se tiver sido um sonho, ou um sonho dentro de um sonho, ou se tiver sido real, não importa mais. Foi um pesadelo que acabou com a chegada do ruflar de asas negras da noite. Agora, minha alma, nesta expressão, derramo eternamente: Nevermore, nevermore, nevermore.






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