sexta-feira, 20 de setembro de 2019

EXCLUSIVO: A escritora Helena Gomes e sua trajetória literária, por Cida Simka e Sérgio Simka

Helena Gomes - Foto divulgação
Nesta entrevista exclusiva aos leitores da Revista Conexão Literatura, a renomada e premiada escritora Helena Gomes fala sobre sua trajetória literária. Confiram.

Helena Gomes é jornalista, revisora e autora com livros adotados em escolas e selecionados por programas como Biblioteca Itaú Criança, PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), PNLD Literário (Programa Nacional do Livro e do Material Didático), Minha Biblioteca e Apoio ao Saber. Vencedora do Prêmio FNLIJ 2019 - Produção 2018 na categoria Reconto, foi quatro vezes finalista do Prêmio Jabuti. Cinco livros seus receberam o selo Altamente Recomendável da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil). Tem obras escolhidas para representar a Literatura Brasileira no catálogo Selection of Brazilian Writers, Illustrators and Publishers da FNLIJ para a Feira do Livro Infantil de Bolonha (2015, 2017, 2018 e 2019) e na Machado de Assis Magazine, no Salão do Livro de Paris (2015).

ENTREVISTA:

Você é autora de quase 50 livros. Qual deles lhe deu mais satisfação em escrever?

Ah, impossível dizer! É como ter que escolher um filho preferido... (risos)
Escrever livros de ficção sempre envolve inspiração, pesquisa e muito, muito trabalho mesmo! Claro que envolve satisfação também, principalmente quando chegamos ao ponto-final e podemos ver nossa caminhada até ali.      
 

Como é o seu processo de escrita?

Não tenho exatamente um processo. Quando surgem, as ideias podem ou não render uma história. Às vezes, são descartadas por não serem úteis. Em outras, são guardadas para um possível projeto. Aquelas que chegam a ser desenvolvidas vão crescendo, ganhando consistência, personagens, ritmo narrativo, enfim, passam a ser estruturadas como narrativas.

Você tem alguma rotina/ritual?

Eu deveria ter ao menos um ritualzinho para escrever, não é? Parece tão chique! (risos). Mas, não. Sou uma criatura prática, que escreve a qualquer hora e em qualquer lugar, até em guardanapo!

De onde vêm suas ideias?

Do mundo ao nosso redor, das notícias, de personagens reais e fictícios, dos contos de fadas e também do universo nerd com seus filmes, seriados, HQs, animes e livros.

Que dica poderia fornecer a um aspirante a escritor?


Leia muito e criticamente. Não veja apenas o que você gosta ou desgosta numa história, mas analise o motivo de gostar ou desgostar. Leia livros sobre criação de histórias e também de roteiros para descobrir como estruturar sua narrativa. Acompanhe o trabalho de outros escritores, o que acontece no mercado editorial. E, quando possível, faça cursos sobre o processo de escrita de histórias. Ou seja, funciona como em toda a profissão, pois ser escritor exige preparo, estudo, ética e responsabilidade.

Você tem alguns livros escritos a quatro mãos. Como se dá essa parceria? Como é o processo de escrita?

A parceria geralmente acontece por se ter ideias e interesses em comum e ainda pela vontade de se trabalhar com um escritor que também é amigo. Quando juntamos em um único livro histórias escritas individualmente, como é o caso de um livro de contos, procuramos editar o material de acordo com a proposta que combinamos. Já no caso de uma única narrativa, costumamos desenvolver antes toda a sinopse cena a cena, capítulo a capítulo. Depois, é só dividir entre nós as cenas, escrever e, ao final, dar uma boa edição para que os estilos diferentes dos autores sejam padronizados em um estilo único.

Como analisa a questão da leitura no país?

Temos projetos excelentes graças a bibliotecários, educadores, ONGs e iniciativas tanto particulares quanto públicas. Mas, infelizmente, ainda é muito pouco diante de um contexto cada vez mais difícil para a cultura no país.

Qual o projeto no qual está trabalhando atualmente?

Terminei de escrever para a editora Edelbra um juvenil que chamamos de “Uma aventura corsária”. No momento, a Rosana Rios e eu estamos reformulando um projeto antigo e, em breve, vou trabalhar em outro juvenil, dessa vez uma adaptação escrita em parceria com a Susana Ventura.


Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak Editora, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak Editora, 2016), O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), “Nóis sabe português” (Wak Editora, 2017) e Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de mais de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Autor, dentre outros, do livro Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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Sempre Um Papo e Sesc Santo André recebem escritor Ignácio de Loyola Brandão

Ignácio de Loyola Brandão - Foto divulgação
O Sempre Um Papo e o Sesc Santo André recebem Ignácio de Loyola Brandão, romancista, jornalista, contista, cronista, biógrafo, escritor de livros infanto-juvenis e não-ficção para o debate e o lançamento de “Desta Terra Nada Vai Sobrar, a Não Ser o Vento que Sopra Sobre Ela” (Global Editora). Loyola é considerado um dos mais completos escritores da sua geração, sendo um imortal da Academia Brasileira de Letras. O encontro será no dia 25 de setembro, quarta-feira, às 20h, com entrada gratuita.
No livro, a narrativa transcorre num futuro indeterminado, em que, ao nascer, todos recebem tornozeleiras eletrônicas, são seguidos, vigiados, fiscalizados por câmeras instaladas nas casas, ruas, banheiros. Nesta terra estranha, e ao mesmo tempo tão próxima de nós, a peste se tornou epidemia que dissolve os corpos. A auto eutanásia foi legalizada para idosos. Para o governo, quanto mais longevos morrerem, melhor.
Circulam os comboios de mortos das mais variadas doenças. Os ministérios da Educação, Cultura, Direitos humanos e Meio Ambiente foram extintos. As escolas foram abolidas. A política, matéria rara, se tornou líquida. Coexistem 1.080 partidos. E ninguém governa verdadeiramente. Uma nação moderna, mas arcaica. No meio disso tudo, conhecemos o desenrolar da história de amor entre Clara e Felipe, conturbada como o mundo em que vivem.
Alinhavando encontros e desencontros, lembranças e esquecimentos, Loyola recolhe, funde e amplifica as vozes e experiências que se chocam num mundo em caos e desalinho, expondo os nervos das fragilidades e ambições humanas. E assim tece uma trama intensa e contundente. E altamente provocadora como as dos romances de nossa literatura que surgem para impactar gerações e gerações de leitores.
O romance anterior de Loyola foi  “O Anônimo Célebre”, publicado em 2002. O próprio autor, em entrevistas recentes, declarou sua surpresa ao constatar, ao final da concepção do romance, sua ligação natural com seus desconcertantes “Zero” e “Não verás país nenhum”. Neste novo livro, Loyola eleva à máxima potência a distopia presentes nos dois livros fundamentais do escritor que, em 2016, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
O Sempre Um Papo com Ignácio de Loyola é gratuito, com retirada de ingressos uma hora antes do início do bate-papo. Não recomendado para menores de 12 anos.
Sobre o Sempre Um Papo. Criado em 1986 pelo gestor cultural e idealizador do Fliaraxá, Afonso Borges, o “Sempre Um Papo” promove a difusão do livro e seu autor através de lançamentos de livros antecedidos por debates informais. Já atuou em mais de 30 cidades brasileiras, tendo realizado mais de 5 mil eventos com um público presente estimado em 1,6 milhão de pessoas. O encontro presencial converge para a televisão, sendo exibido aos sábados e domingos na TV Câmara. Desdobra-se para a série de DVDs educativos “Cultura Para a Educação”, em sua sexta edição, distribuído para mais de 6.000 escolas brasileiras, gratuitamente. E no site www.sempreumpapo.com.br, estão disponíveis mais de 300 programas com escritores, além de diversos seminários. Com o programa “Ler Convivendo”, em vigor há 8 anos, adota bibliotecas comunitárias em Minas Gerais ao promover 3 atividades: doação de livros, palestras com escritores e capacitação de voluntários. Há dois anos Afonso Borges conduz, na Rádio CBN Belo Horizonte, o boletim “Mondolivro – o blog sonoro da literatura”.

Sobre o Sesc Santo André. O Sesc Santo André, inaugurado em 8 de março de 2002, é uma das 42 unidades da Rede Sesc São Paulo e está localizado às margens da avenida Prestes Maia, via importante situada entre os três maiores centros da região do Grande ABC: o de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. A unidade oferece programações diversificadas para aproveitar ao máximo a versatilidade de seus espaços e equipamentos, como Teatro, Programa de Ginástica Multifuncional, Parque Aquático coberto e externo, Galeria com exposições, Espaço de Brincar, Biblioteca e muito mais. Ao longo dos 16 anos de trajetória e com grande representatividade na região, o Sesc Santo André desenvolve ações que buscam observar e entender seu público, adaptar-se de forma orgânica ao seu entorno, e estruturar projetos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida, consumo de bens culturais e bem-estar de seus frequentadores.
Sempre Um Papo, com Ignácio de Loyola Brandão
Dia 25 de setembro, quarta-feira, às 20h.
Grátis. Retirada de ingressos uma hora antes.
Recomendação etária: 12 anos.
No Teatro.

SESC SANTO ANDRÉ
Rua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar – Santo André
Telefone – (11) 4469-1311
Estacionamento (vagas limitadas): Credencial Plena – R$5,00 a primeira hora  e R$ 1,50 por hora adicional|
Outros – R$10,00  a primeira hora e R$ 2,50 por hora adicional.
Informações sobre outras programações:
sescsp.org.br/santoandre | facebook.com/SESCSantoAndre
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Sobre o Conto de Ficção Fantástica “Rondam Tigres”, de Ray Bradbury

Ray Bradbury - Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

Chatterton tinha a opinião de que um planeta tinha de ser espoliado, envenenado, suas riquezas extraídas à força, rasgado, vilipendiado, violentado. Caso contrário, o planeta acabaria com você. Um planeta é naturalmente mau, não confiável, esperando a um bilhão de milhas no espaço para agarrá-lo e retorcê-lo até não sobrar nada de você. Deveria ser apanhado e subjugado, antes disso.

O foguete, o milionésimo já lançado da Terra, tinha por objetivo averiguar as condições, favoráveis ou não, de se estabelecer uma colônia para extração de recursos. Chatterton representava a companhia extrativista e queria ganhar dinheiro, custe o que custasse. Apontou para Forester, o capitão, um recanto tão verde como nenhum dos tripulantes jamais vira, desde a infância. Lagos dispunham-se como límpidas gotas-d’água através das colinas e campos verdejantes onde se podia jogar o “crocket” pela Eternidade, pois eram campos que se estendiam por todo o planeta.

Chatterton queria, logo que o foguete aterrissou, que desembarcassem a perfuradora. Forester negou-se, dizendo que teriam de averiguar o perímetro para saberem se havia animais ou habitantes hostis. Chatterton falou que não estava gostando do verde em abundância, do silêncio profundo, era tudo demasiado. Deveriam sair com os fuzis. Forester afirmou que quem dava as ordens era ele, e não Chatterton. Este disse que quem pagava os milhões de dólares pela maquinaria e equipamento que trouxeram ao planeta era a companhia, ou seja, ele...

O ar do planeta 7, do Sistema 84, era excelente. Quando foi a vez de Chatterton colocar os pés no solo, este estremeceu. Um terremoto pequeno. Um aviso de que o planeta não gostava do homem. Não o aprovava. O planeta era belíssimo. Uma real e verdadeira mulher, bela e sentimental. Deixaram um homem de guarda na nave e partiram. Atravessaram colinas e montes, campos verdejantes. Como garotos em excursão no mais belo dia do melhor verão, no mais delicioso ano da história, caminhavam com aquele tempo ideal para o jogo de “croquet”, onde, se se prestasse atenção, podia-se ouvir o sussurro da bola de madeira através da relva, seu estalido na meta, as ondulações suaves das vozes, a ressonância súbita de risos femininos vindos do alpendre coberto de hera, o tilintar do gelo na jarra de chá.
Estavam agora sobre um campo em que a grama fora aparentemente cortada há pouco. Forester afirmou que deveria ser um tipo de grama da espécie “diehondra”, que não crescia mais do que isso. Chatterton disse que não estava gostando disso. Ele falou que alguma coisa não estava certa. Se acontecesse alguma coisa com eles, ninguém na Terra jamais saberia. Deveriam mandar um segundo foguete, atrás do que não voltara.

Forester afirmou que isso era perfeitamente lógico. No universo de milhares de mundos hostis, onde se enviavam naves de exploração, era fútil enviar mais de uma nave para cada mundo. Eles continuavam a visitar somente planetas  pacíficos, como este.

Driscoll era um dos membros mais jovens da tripulação. Falou que muitas vezes se perguntava o que teria ocorrido com as expedições que nunca haviam voltado. Chatterton respondeu que foram fuzilados, apunhalados, assados e comidos num jantar. Como poderia acontecer com eles a qualquer momento. Falou que estava na hora de voltarem ao trabalho.

Driscoll, ao pararem no alto de uma elevação, recordou os tempos em que se pensava que podia-se voar, simplesmente abrindo os braços ao vento, como ele estava fazendo agora. Os homens ficaram recordando. Havia uma fragrância de pólen e de recentes gotas de chuva secando sobre um milhão de hastes de grama. Driscoll deu uma corridinha. E flutuou. E voou. Depois que pousou no chão, ofegante, vibrando de prazer, Chatterton falou que era uma armadilha. Que queriam que voassem para derrubá-los no chão. E disse que voltaria à nave. Mas o capitão redarguiu, dizendo que teria, para isso, de esperar ordens dele. Forester disse que iria se arriscar a voar. Se morresse, os homens tinham ordens de voltar à nave.

Chatterton sacou sua arma. Disse a Forester que ele não podia correr o risco, era o capitão. Ordenou que todos voltassem à nave. O capitão falou para ele guardar a arma, com tranquilidade. Chatterton, os olhos correndo rapidamente de um para outro homem, disse que o planeta era todo ele um organismo vivo. Esperando para matá-los. Chatterton falou que voltaria ao foguete, retiraria amostras e voltaria à Terra. Ele correu e voou.
Quando a noite chegou, todos estavam sentados na colina. Em vez de voltar direto para o foguete, Chatterton tonteara com o voo e pousara. Driscoll havia retornado, voando, de um riacho onde havia água pura. Sabia a vinho branco de alta qualidade. Chatterton afirmou que era veneno, mas bebeu, assim mesmo. Logo, quis voltar à nave. Forester disse que iria com ele. Chatterton dobrou-se em dois e exclamou:

— Estou envenenado! Envenenado!

Ele se recuperou e, titubeando, caminhou para o foguete. Lá, tirou a Perfuradora do depósito e começou a abrir um buraco no solo verde. Não demorou muito e alcatrão subiu pelo buraco. A Perfuradora começou a afundar. Chatterton escapou e a máquina foi tragada. Ele disse:

— Vou dar um jeito nele! — referindo-se ao planeta.

Chatterton havia levado a máquina a um local um pouco afastado do foguete. Um bosque se interpunha entre ele e a nave. Temendo que o homem desesperado chegasse ao foguete e armasse a bomba atômica que haviam trazido, os homens de Forester voaram e chegaram antes de Chatterton à nave. Trancaram o foguete esperaram. Começou a chover. Mas não chovia nos homens, e sim, ao largo deles. Eles ficaram secos, enquanto a torrente varria o resto da paisagem.

Ficaram discutindo se o que seria melhor, voltarem à Terra, onde havia poluição, contas a pagar, impostos, vida estressante, ou permanecerem naquele Jardim do Éden. Forester disse que enlouqueceriam, ao que um dos tripulantes respondeu que era só pensarem “Rondam tigres”. Nisso, ouviram um rosnado baixo, vindo do bosque. Chatterton não havia voltado do bosque.

Um pouco depois, averiguaram que havia marcas de patas de um grande animal e resquícios de sangue. Concluíram que o planeta, ou a mulher que vivia como essência dele, eliminara Chatterton. Ele tentara agredi-la e ela respondera à altura. Forester pensou estava sozinho, lastimando-se. E sons de vozes de mulheres chegou-lhe à mente, ao longe, nas margens de um regato.

Eles todos pensaram o mesmo, que deveriam ficar no planeta e constituir uma família. Mas Forester tinha dúvidas. Tinha um trabalho a fazer e diria à companhia que o planeta era hostil, isso para preservá-lo de outras expedições, que a partir de então nunca viriam. Quando o foguete entrou em órbita, eles puderam ver dinossauros, mamutes, vulcões em erupção na superfície.

Driscoll havia ficado no planeta. Abraçara de bom grado tudo o que o mundo oferecia, aceitando o carinho da mulher que o planeta na verdade era. Como ele não agredira o planeta, Forester pensou que ele dispunha de toda uma vida de alegrias para viver. E concluiu que as coisas que se via do foguete na superfície eram direcionadas apenas aos tripulantes, e que jamais poderiam voltar ao planeta. Mas com Driscoll, as alucinações não existiam. O que ele queria, o que ele desejasse, aquele mundo concederia a ele.

“Rondam Tigres”, conto do mestre da Ficção Científica Fantástica, foi publicada em português no Brasil pelas Edições Ficção Científica GRD — Gumercindo Rocha Dorea —, na coletânea “Amor Dimensão 5”.

Um estilo poético, dramático e corrosivo marca a obra de Bradbury. Ele escreve prosa com requintes de poesia, escolhendo cada palavra de sua obra como se ela fosse um objeto de valor inestimável. Nada é deixado de lado nos contos e romances de Bradbury. Ele sabe exatamente como cativar a atenção do leitor, sem cair em lugares-comuns, repetições exaustivas de palavras, situações que beiram o absurdo. Tudo é lógico, tudo é perfeitamente encaixado para que surja uma história muito bem escrita, em termos de estética. Mas Bradbury é voltado mais à parte Fantástica, da Fantasia em si. A tecnologia está em segundo plano; a parte humana, o drama de situações insólitas, são características suas, ao lado de uma crítica social frente ao porvir que jamais se poderia pensar que se escrevesse.

Assim, em “Rondam Tigres”, um planeta virgem, literalmente um organismo vivo, é ameaçado por um terrestre interessado em ganhar dinheiro, com a exploração dos recursos deste mundo. O planeta reage, eliminando o terrestre, por meio de um tigre, que um dos tripulantes da nave que os trouxe imagina. Nesse ponto fica a questão: a Terra vem sendo dizimada por países em que indústrias, milhões de automóveis, poluição que destrói os oceanos — principal fonte de oxigênio do mundo, devido aos plânctons! — e o mesmo poderá ocorrer, ao colonizarmos mundos habitáveis. Isso se ultrapassarmos a infância do Homem, onde ele está em vias de desaparecer sob uma série de ameaças que ele mesmo criou para si.

“Rondam Tigres”, de certa forma concede ao leitor o benefício da alternativa à destruição de novos e virginais mundos. Apenas é questão de dizer que tal planeta é hostil à vida humana, que os problemas se acabam, não se enviando mais naves de exploração.

“Rondam Tigres” é, decerto, uma volta aos sonhos de infância do Homem, em que ele obtém tudo por livre vontade. E, para isso, para que um membro da tripulação possa permanecer no planeta, os outros tripulantes devem voltar à inóspita Terra, para relatar a suposta hostilidade do planeta idílico.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
Pelo site da Amazon: Clique aqui.
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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

TRAFICANTES DE ARTE - Um romance sobre roubo de quadros que vai de São Paulo a Paris


Está para ser lançado pela Editora Penalux o livro Na rota de traficantes de obras de arte, da escritora Mazé Torquato Chotil, cuja história traz como tema principal o roubo de quadros valiosos, envolvendo uma rota que passa pelo Paraguai, Brasil (Mato grosso do Sul/São Paulo) e França. A história possibilita ao leitor uma viagem pelo mundo das artes, sobretudo às artes plásticas. Na trama, esses objetos culturais de alto valor são utilizados por criminosos para lavar dinheiro derivado do tráfico. 
Trabalhando no combate ao crime, Marta, agente da Polícia Federal brasileira (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Histórico), se desloca até Paris e Lyon, sede da Interpol, organização internacional de polícia criminal, para juntar esforços no desmantelamento da quadrilha que “trabalha” entre os territórios brasileiro, paraguaio e francês. 
Os traficantes remetem as obras roubadas por navio: quadros de pintores brasileiros e sul-americanos, entre outras peças que são destinadas a compradores europeus e americanos.
“A história começa com a chegada da agente brasileira em Paris”, adianta a autora. “Lá, ela se junta ao comando das operações que vai à captura dos criminosos. O enredo mescla pitadas de jornalismo e suspense policial”, conclui.
O leitor acompanha passo a passo essa viagem nos bastidores do combate ao crime. “Uma operação policial de tirar o fôlego”, escreve Cláudia Marczak, escritora que assina a apresentação do livro. “De país em país, cada etapa da ação possui uma riqueza de detalhes intensa. A sensação inicial da leitura é de uma grande viagem. É um mercado ilegal e milionário. Em sua narrativa, Mazé detalha cada etapa da ação com maestria e enreda o leitor no movimento de ir e vir, peculiar da estratégia da polícia, buscando romper esse círculo criminoso. Como resultado, o leitor é transportado para dentro da trama, das imagens e percepções do que é narrado. O conhecimento impecável sobre as obras proporciona ao leitor uma imagem real do que acontece no submundo do crime.”

TRECHO
O avião, vindo de São Paulo, aterrissa no Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, na periferia norte de Paris, na cidadezinha de Roissy-en-France, que os turistas não conhecem, só passam pelo aeroporto. Nessa manhã de primavera europeia, 1º de maio, o tempo é cinza e uma neblina fina é constante. 
Antes de pegar o trem para Lyon, sede da Interpol onde trabalhará, Marta passa por Paris. Seu colega da Polícia Federal, sediado na embaixada brasileira, que está na mesma missão, trabalhando em ligação com os franceses, vem buscá-la no aeroporto, na porta de saída dos viajantes. Ele deve lhe mostrar os lugares que membros da gangue frequentam e onde atuam, além de tudo que pôde saber do trabalho em comum com a polícia francesa e a Interpol.

Sobre a autora
Mazé Torquato Chotil
É jornalista, pesquisadora e autora. Doutora em ciências da informação e da comunicação pela Universidade de Paris VIII e pós-doutora pela EHESS – L'École des hautes études en sciences sociales.
Nascida em Glória de Dourados-MS, morou em São Paulo e vive em Paris desde 1985.
Já publicou os livros: José Ibrahim: O líder da grande greve que afrontou a ditadura, Trabalhadores Exilados: a saga de brasileiros forçados a partir (1964-1985), Lembranças do sitio, Lembranças da Vila, Minha aventura na colonização do Oeste, Minha Paris Brasileira, L’Exil ouvrier e Ouvrières chez Bidermann: une histoire, des vies.

Lançamento
Dias 11 (segunda) e 12 (terça) de novembro, às 19h, na Biblioteca Estadual Isaias Paim.
Av. Fernando Corrêa da Costa, 559 – 2º andar – Vila Carvalho, Campo Grande – MS.

Serviços
Na rota de traficantes de obras de arte, Mazé Torquato Chotil – romance (110 p.), R$ 37 (Penalux, 2019). 
Link para compra:
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Daiana Barasa e o livro Mulher quebrada, por Cida Simka e Sérgio Simka

Fale-nos sobre você.

Daiana Barasa é jornalista e escritora, autora do livro de contos Na Atemporalidade das Palavras – O Brio, o Vento e o Talvez, pela Cia do eBook, e do romance Mulher Quebrada, lançado pela Chiado Editora.
A artista tem se dedicado, principalmente, a projetos de incentivo à leitura, porque considera o ato de ler essencial para o desenvolvimento humano. Para ela, o relacionamento mais importante é o que mantém com as palavras. É por meio do exercício da escrita e leitura que se sente existente.

ENTREVISTA:

Você é jornalista. Como vê a profissão hoje?

O jornalismo me escolheu. Quando ingressei no curso de Comunicação Social sabia exatamente o que me aguardava. Comecei a fazer o curso em meio ao ‘boom’ de se era necessário diploma de jornalista ou não. A minha visão sobre o jornalista é daquele ser necessário no mundo, mas tratado pela sociedade como “cão de rua”, o que, a meu ver, tem o seu charme (risos). Hoje enfrentamos problemas graves, principalmente por conta do contexto sociopolítico.
A profissão ‘jornalista’ precisa se adequar a essa loucura da transformação digital, é preciso inovar, entender que o fazer jornalístico engloba essa atualização constante, essa busca pelo novo, essa integração com as demais áreas da comunicação.
Sinceramente, para o jornalista que está vendo as mudanças frenéticas e deseja mudar junto, só enxergo oportunidades. O caminho é o digital, é a humanização da escrita. Ser jornalista ainda é deixar o ego de lado e falar à sociedade, de um jeito que as pessoas possam formar as suas próprias opiniões.
Ouve-se muito falar em imparcialidade, não acredito que seja possível ser totalmente imparcial, mas o profissional com esforço consegue trabalhar isso e tornar o seu trabalho o mais isento de suas visões particulares de mundo ao escrever. Sempre terei esperança no jornalismo e existem profissionais incríveis ao redor do mundo.

Fale-nos sobre seus livros. O que a levou a escrevê-los?

O Na Atemporalidade das Palavras – O Brio, O Vento e o Talvez, pela Cia do eBook, lançado em 2016, foi a minha primeira experiência com o gênero conto, é um livro de doze histórias. O que me norteou a escrevê-lo foi a temática da esperança e também quis trazer um pouco das vivências da infância, pitadas de humor e de drama. Foi escrito de maneira livre, era um momento da minha vida bem introspectivo e eu queria colocar para fora, como tinha de ser. Os meus contos favoritos nesse livro são O velho rabugento dos mortos e O gato dos olhos sonsos.
Já o segundo livro, Mulher Quebrada, lançado em 2017 pela Chiado Editora, é um livro muito intenso, nasceu de um momento da minha vida muito conturbado. Sentia-me exatamente como a personagem, mas compreendia que essa sensação tão atormentadora pode e é experimentada por muitas pessoas (mulheres e homens). Todos nós estamos sujeitos a quebrar!
Essa foi a minha primeira experiência com o gênero romance. Essa personagem é conhecida por Mulher Quebrada e é descrito o momento em que ela se percebe estatelada em pedaços e inexistente, primeiro para ela mesma e, depois, para a sociedade; no decorrer da narrativa, alguns personagens têm a sua história contada, para simbolizar o que a personagem vivencia na história, que não é algo só dela e só ‘ficcional’. Foi uma experiência muito importante e o que me encanta é o que as pessoas me dizem depois de ler o livro.
Escrever ficção no meu entendimento é como um chamado. Valorizo as personagens, acredito no poder que elas têm e as personagens têm comigo liberdade de comunicação, entendo a minha arte de certa forma como processo quase mediúnico. 

Como analisa a questão da leitura no país?

Comecei a pesquisar a respeito das questões em torno da leitura no Brasil em 2017. Tive acesso à divulgação da pesquisa Retratos da Leitura, pelo Instituto Pró-Livro, e vi a realidade do país como um dos que menos lê no mundo. Por que isso acontece? Quis compreender. Talvez porque as pessoas estejam em uma correria tão louca no seu dia a dia que não conseguem mais parar para ler um livro; talvez seja porque não conseguem mergulhar na leitura, são muitos os ‘talvez’, foi aí que comecei a pensar em projetos de incentivo à leitura, que pudessem de alguma forma transformar a maneira como as pessoas se relacionam com os livros.
Tive uma experiência muito enriquecedora de mediar uma roda de leitura com Biblioterapia na Casa da Palavra em Santo André (SP), depois esse mesmo projeto foi realizado na biblioteca Paul Harris em São Caetano do Sul (SP), junto à Academia Popular de Letras. A ideia da roda de leitura com biblioterapia é o mergulho na leitura de uma maneira profunda. Não deixa de ser uma forma de possibilitar às pessoas uma nova visão sobre a relação com uma obra literária.
Atualmente estou com um projeto de incentivo à leitura e que também pretende estimular a escrita na Casa da Palavra, em Santo André, nas tardes de sábado. A cada mês, haverá uma nova temática.
Ler é um exercício que ajuda a pessoa a se conhecer e a conhecer o mundo, parece pretensioso, mas não é, esse é um processo possível apenas por meio da leitura crítica, e acredito que pode ser desenvolvida em qualquer pessoa.
Cada escritor em uma obra literária impregna nos seus personagens e contextos no qual estão inseridos a sua visão de mundo, as suas crenças, as suas ideologias, enfim, a gente aprende a lidar, mesmo que não perceba, com a diversidade, no ato da leitura. Acho Florentino Ariza de O Amor nos Tempos do Cólera, por exemplo, um personagem poderosíssimo, acho linda a história de amor, toda a espera de mais de cinquenta anos para viver o amor que ele ansiava, mas ao mesmo tempo, penso no quanto ele desperdiçou de sua vida com essa ‘obstinação’, muitas vezes agimos assim como ele. Entende? A leitura nos faz refletir sobre aspectos de nossa própria vida, sobre o contexto que nos cerca e, em parte, nos faz conhecer um pouco do mundo antes que pisemos os nossos pés em qualquer canto da Terra.

Você é sócia-fundadora da Biquara Contents. Fale-nos sobre ela.

A Biquara Contents é uma agência de produção de conteúdo com foco em SEO, criada em parceria com a jornalista Juliana Rodrigues. Está no mercado há oito anos. Biquara é derivado de uma palavra tupi que significa “comunicação”.
Vale considerar aquilo que foi mencionado antes sobre as muitas possibilidades dentro do jornalismo e, na área digital, como a aposta para o futuro da profissão. Hoje, o foco da Biquara Contents é a área dos negócios e saúde. É um trabalho que tem gerado excelentes resultados.

Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir seus livros e saber um pouco mais sobre seu trabalho?

O livro (e-book) Na Atemporalidade das Palavras – O Brio, O Vento e O Talvez pode ser adquirido nas principais livrarias como a Amazon. O livro Mulher Quebrada também pode ser adquirido nas principais livrarias. No blog Mulher Quebrada (aqui), também é possível adquirir direto comigo, no campo “comprar o livro”.


Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak Editora, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak Editora, 2016), O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), “Nóis sabe português” (Wak Editora, 2017) e Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de mais de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Autor, dentre outros, do livro Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Editora Noir reúne em livro as tiras coloridas Os Mundos de Liz, do quadrinista Daniel Brandão, desenhista da Marvel e DC

As tirinhas coloridas da adolescente Liz, de Daniel Brandão, que tanto sucesso faz nas páginas do jornal O Povo, de Fortaleza, podem agora ser conhecidas por leitores de todos os cantos do país e até do exterior. A Editora Noir, de São Paulo, está lançando o álbum Os Mundos de Liz, com inteligentes histórias que o artista criou inspirado em sua filha, desde os seus primeiros anos de vida. São abordagens que acompanham o crescimento de uma menina, suas dúvidas, anseios, personalidades e descobertas, além das relações familiares.

Em 136 páginas, são tratados temas como amores, escola, família, amigos. Tudo isso temperado em um caldeirão chamado adolescência. Liz, uma garota de 14 anos, é a personagem central deste álbum delicioso que apresenta, de forma profunda e divertida, os pequenos e grandes dilemas existenciais que se abatem sobre todos nós, com 14, 34 ou 64 anos. Temas universais e atuais abordados sob o prisma de uma personagem mais do que real, com coadjuvantes que são tão próximos de nós que certamente você vai se pegar pensando o quanto lembra aquele amigo ou primo.

No auge de sua maturidade como artista, Daniel Brandão usa toda sua experiência em anos dedicados aos super-heróis da Marvel e DC para criar um universo cheio de referências que vão dos Beatles ao poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa, tudo isso com um traço delicado e homenagens que deixariam o próprio Will Eisner com um belo sorriso no rosto.

Como diz o autor, Os Mundos de Liz são vários. E todos eles são mágicos, encantadores e surpreendentes. A edição pode ser adquirida no site da Editora Noir (www.editoranoir.com/osmundosdeliz), nas lojas físicas e nos sites das livrarias Travessa e Martins Fontes e pela Internet na Amazon e no Mercado Livre. 

A obra já reúne críticas de especialistas: Este livro é, para mim, o melhor resumo da personalidade de Daniel: um coquetel de talento, sensibilidade, humanidade, bondade e generosidade.

FABIEN TOULMÉ
Autor de Duas Vidas e Não Era Você Que Eu Esperava

Contar a(s) história(s) de alguém que se ama em forma de quadrinhos pode parecer fácil, mas está longe disso. Ainda mais quando o autor resolve retratar uma filha crescendo. Conheci Liz pequenininha, fazendo traquinagens, e hoje a acompanho adolescente. E pelo respeito que Daniel Brandão demonstra ao mostrar os sonhos, as dúvidas, os medos, as inseguranças e as alegrias dela, tenho certeza de que a verdadeira Liz está duplamente orgulhosa do seu pai.

SIDNEY GUSMAN
Jornalista e editor

Ler Os Mundos de Liz nos leva a um reencontro com nossa própria adolescência. Para pais e mães, em especial, as tirinhas são uma tradução sensível do cotidiano.

CINTHIA MEDEIROS
Editora do caderno Vida&Arte do jornal O Povo

Sobre o autor:
Daniel Brandão está no mundo das HQs desde 1996 como ilustrador, educador e empresário. Trabalhou com diversas editoras, nacionais e internacionais (DC Comics, Marvel, Dark Horse, Abril e Maurício de Sousa Produções). Ganhou quatro prêmios HQ Mix (2002, 2005, 2006 e 2017). Em 2016 ganhou o prêmio Al Rio. Criador da personagem Liz, que já foi tema de seis livros autorais. Desde janeiro de 2018 publica diariamente a tira Os Mundos de Liz no jornal O Povo. Seu estúdio em Fortaleza, CE oferece cursos de histórias em quadrinhos, desenho e mangá desde 2002.

Os Mundos de Liz
Editora Noir
Autor: Daniel Brandão
ISBN: 978-85-93675-23-2
Edição 2019 / 120 páginas / colorido
Valor: R$ 39,90
Formato: 16x23cm
Assunto: álbum de quadrinhos
Onde encontrar: www.editoranoir.com./osmundosdeliz
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terça-feira, 17 de setembro de 2019

“Qualquer coisa é só chamar” aborda com humor as situações adversas de um transplantado

Por meio de crônicas, o leitor se aproxima da realidade de um transplantado

A obra “Qualquer coisa é só chamar: crônicas dos bastidores de um transplante”, do professor universitário e consultor empresarial Raul Azambuja, publicada pela Sinopsys Editora, apresenta trinta e seis crônicas, nas quais o autor narra sua trajetória de enfrentamento diante de uma patologia grave e o seu processo de transplante bilateral de pulmões. Com prefácio do Dr. José Camargo a obra também evidencia a importância da doação de órgãos, bem como explora a percepção dos limites humanos na condição da doença.

A doação de órgãos é uma temática que deve estar presente o ano todo. Contudo, em setembro esse assunto ganha maior destaque por esse mês ser conhecido como “Setembro Verde”, em alusão a doação e transplante de órgãos. Aliás, no primeiro semestre de 2018, segundo o Ministério da Saúde, o país teve 1.765 doadores efetivos de órgãos

Por meio de crônicas e ilustrações do cartunista e chargista Tacho, o autor aproxima o leitor de sua realidade de transplantado. Aliás, esta obra é uma apologia à vida, como define Azambuja, pois trabalha com questões como a religiosidade, humor e situações cotidianas, que permeiam o processo pelo qual ele vivenciou.

Autor
Raul Azambuja (in memoriam) - Leopoldense, manezinho de coração, nascido em 1972. Professor universitário e consultor empresarial, dedicou sua vida para ajudar pessoas e empresas a crescerem. Pai do Guto e marido da Cristina, seus alicerces. Transplantado bilateral de pulmões desde 16 de setembro de 2014.

Dados Técnicos
Qualquer coisa é só chamar: crônicas dos bastidores de um transplante
Sinopsys Editora – 2019
Raul Azambuja
Ilustrações: Tacho
ISBN: 978-85-9501-132-8
Formato: 16 X 23 cm | 96 Páginas | Peso: 336g
Acabamento: Brochura  
Preço de capa: R$ 29,00
https://www.sinopsyseditora.com.br/livros/qualquer-coisa-e-so-chamar-cronicas-dos-bastidores-de-um-transplante-1700

Para saber mais sobre a Sinopsys Editora, acesse os canais virtuais:
Site: www.sinopsyseditora.com.br
Facebook: @SinopsysEditora
Instagram: @sinopsys
YouTube: Bit.ly/SinopsysNoYouTube
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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

C. B. Kaihatsu, o livro A Sociedade dos Corvos – Volume II e o projeto literário Clube dos Cinco, por Cida Simka e Sérgio Simka

Fale-nos sobre você.

C. B. Kaihatsu é escritora, poetisa, antologista, engenheira de controle e automação, bailarina clássica e de jazz e colunista cultural do Jornal Tribuna de Paulínia e do site CultEcléticos. Também é idealizadora do projeto literário Clube dos Cinco e membro do coletivo de escritores Maldohorror.
Participou de dezenas de antologias como autora e organizou as antologias: A Sociedade dos Corvos, A Sociedade dos Corvos – Volume II, Sociedade dos Poetas Vivos, O Mundo Fantástico de R. F. Lucchetti e Gothic – O Horror no Século XIX.

Redes Sociais:
Fanpage: https://www.facebook.com/C.B.Kaihatsu
Instagram: @camilakaihatsu
Twitter: @camilakaihatsu
Wattpad: @CBKaihatsu

C. B. Kaihatsu - Foto divulgação
ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros.


Em 2016, na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, lancei o livro de poemas Retalhos: Almas em Versos (Editora Empíreo) em coautoria com a escritora Natasja Haia e com ilustrações de Michele Borges. O livro, que venceu o prêmio Brasil Entre Palavras 2016 na categoria de Melhor Livro de Poesia, é composto principalmente por poemas sobre a vida, sentimentos inerentes à condição humana e que enfatizam as mazelas de nossa sociedade.
A antologia de terror e suspense A Sociedade dos Corvos (Editora Coerência) foi lançada em 2017 e venceu o prêmio Brasil Entre Palavras 2017 na categoria de Melhor Livro de Contos. O elemento comum a todos os contos do livro é o mistério. Os autores são fãs de Edgar Allan Poe.
Na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, lancei as antologias O Mundo Fantástico de R. F. Lucchetti e Sociedade dos Poetas Vivos, ambas pela Editora Coerência. Sociedade dos Poetas Vivos venceu o prêmio Brasil Entre Palavras 2018 nas categorias de Melhor Livro de Poesia e Capa Mais Bonita. O Mundo Fantástico de R. F. Lucchetti é uma antologia de terror e suspense em homenagem ao Mestre do Horror Nacional e Papa da Pulp Fiction no Brasil, Rubens Francisco Lucchetti. Ele é uma das minhas influências na literatura, então foi muito especial e uma grande honra prestar esse tributo a um nome tão importante da literatura nacional.
A antologia de terror e suspense A Sociedade dos Corvos – Volume II será lançada em outubro de 2019 pela Editora Coerência. O livro é uma homenagem aos 210 anos de Edgar Allan Poe, são 19 contos inspirados diretamente em contos e poemas de Edgar Allan Poe, tais como: O Corvo, Gato Preto, A Queda da Casa Usher, Berenice, entre outros.
Este ano também lançarei a antologia Gothic – O Horror no Século XIX pela Editora Luva. Como o nome sugere, trata-se de uma antologia de horror gótico que se passa no século XIX. A obra traz personagens da literatura gótica, como: Drácula, Frankenstein, Dr. Jekyll/Mr Hyde, O Fantasma da Ópera, entre outros.

O que a motivou a escrevê-los?

A necessidade de dar vazão a pensamentos e colocar em versos coisas do cotidiano e do mundo me motivaram ao escrever os poemas tanto para o Retalhos quanto para Sociedade dos Poetas Vivos.
A admiração pelo trabalho dos escritores que me influenciam e as histórias que tenho em minha cabeça e precisam ser contadas motivaram minha escrita em prosa, como nos dois volumes de A Sociedade dos Corvos, que tem como inspiração o escritor Edgar Allan Poe.
Gostaria de ressaltar que em O Mundo Fantástico de R. F. Lucchetti a minha maior motivação foi poder prestar um tributo ao Lucchetti e apresentá-lo para as novas gerações. O projeto todo foi pensando para ser uma grande homenagem, desde a capa que traz o Mestre ilustrado até o prefácio, escrito por seu filho e editor Marco Aurélio Lucchetti, e o comentário da contracapa que foi feito pelo roteirista e cineasta Paulo Biscaia Filho que produziu peça e curta-metragem inspirado na obra de Lucchetti.

Fale-nos sobre o Clube dos Cinco (o porquê desse grupo, quantos textos já foram publicados, há alguma previsão de publicar os textos em livro, link etc.).

Criei o Clube dos Cinco em 2018. A ideia é a de mostrar cinco visões diferentes do mesmo tema através de contos curtos e de rápida leitura. O projeto trabalha a versatilidade dos autores em diversos temas. O filme oitentista Clube dos Cinco de John Hughes serviu como inspiração para batizar o grupo e a famosa reunião de Lord Byron, Mary Shelley e John Polidori também inspirou o projeto, antes de cada conto há um cabeçalho dizendo que os membros do Clube dos Cinco estão em volta de uma fogueira contando histórias de terror e fantasia. Atualmente, o Clube dos Cinco é formado por cinco autoras: Meg Mendes, Morphine Epiphany, Naiane Nara, Natasja Haia e eu. Já passaram pelo projeto os autores: Carlos H. F. Gomes, Ed Celente e Natanael Otávio. Já foram publicados 54 contos no Clube dos Cinco. Os textos podem ser lidos no blog.
Ainda não tenho previsão para a publicação de textos do Clube dos Cinco em livro, mas é algo que gostaria muito de fazer.
Link do blog: https://clubedoscincoautores.blogspot.com

O que tem lido ultimamente?

Livros da Clarice Lispector, minha autora favorita, do R. F. Lucchetti e do escritor japonês Haruki Murakami.

Qual a dica que poderia fornecer para um aspirante a escritor?

Ler bastante, de clássicos a contemporâneos. Acredito que todo escritor deve ser antes um grande leitor.

Quais os seus próximos projetos?

Estou trabalhando em dois livros, um livro solo de poesia que se chamará Reflexos e um romance chamado Valentina. Também estou trabalhando na antologia Modus operandi, em coorganização com a escritora Renata Maggessi, que será publicada pela editora Rico e na organização de uma antologia que será publicada pela editora JK.


Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak Editora, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak Editora, 2016), O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), “Nóis sabe português” (Wak Editora, 2017) e Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de mais de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Autor, dentre outros, do livro Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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Resenha: Sala de Cirurgia – Contos Sem Anestesia


Título: Sala de Cirurgia 

Subtítulo: Contos Sem Anestesia 

Autores: Vários 

Organização: Amanda Reznor 

Editora: ForaDaCaixa 

Páginas: 224 

Ano Lançamento: 2019 

A U.T.I. está lotada. Médicos, enfermeiros e auxiliares precisam ter sangue frio para lidar com as tragédias que lotam os prontos-socorros e preservar com responsabilidade o maior bem da humanidade: a vida. Mas, acidentalmente, erros médicos podem ser cometidos no processo, trazendo consequências avassaladoras aos pacientes envolvidos. No entanto, e se... O erro não foi acidental? E se um ou mais profissionais da área da saúde se reunissem para praticar atos sádicos, para infernizar o organismo do paciente, ou, quem sabe, até mesmo para se vingar? Prepare-se para criar incisões nos órgãos das letras e criar traumatismos nos olhos daqueles que lerão seus contos, porque nem autor nem leitor sabe que fim levará após adentrar a... SALA DE CIRURGIA! 

Impressões: 

O leitor vai embarcar em contos apavorantes, tendo como pano de fundo, hospitais, salas de cirurgias e mesas de autópsias. Uma antologia com os melhores autores nacionais de mistério e terror, proporcionando uma leitura rica e bem tenebrosa, logo nas primeiras páginas. 

Organizado pela autora consagrada, Amanda Reznor, trazendo um livro repleto de terror físico e psicológico, deixando o leitor com medo da próxima vez em que for em algum hospital ou Pronto Socorro. 

Essa antologia possui personagens e situações bizarras, dignas de filmes de terror, levando o leitor para os corredores e salas de cirurgias no momento exato do horror provocado de seres humanos para outros seres humanos. 

São inúmeros autores participantes dessa antologia, cada qual com seus estilos, jeitos e maneira de levar o melhor do horror para os leitores que apreciam esse gênero. 

Trabalho gráfico e editorial impecável, editado com bons espaçamentos e fonte adequada para uma leitura agradável, sem contar que no final do livro o leitor vai encontrar um ensaio macabro. Vale mencionar que no início de cada conto, possui uma pequena biografia dos autores envolvidos. Editora ForaDaCaixa está de parabéns por todo o trabalho gráfico. 

Sala de Cirurgia – Contos Sem Anestesia, uma obra de puro terror, no qual os profissionais que eram para salvar vidas, acabam por tirar vidas em qualquer circunstância pelo puro prazer da morte.


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domingo, 15 de setembro de 2019

Um quarteto clássico



Quem hoje em dia vê o Quarteto Fantástico naufragar no cinema filme após filme dificilmente poderia imaginar que esse pequeno grupo de super-heróis foi durante muito tempo o que havia de mais interessante e revolucionário nos quadrinhos americanos de super-heróis. A coleção histórica Marvel, recentemente lançada pelo Panini, serve como exemplo disso.
O Quarteto surgiu em 1961, graças a uma partida de golfe. Martin Goodman, dono da Marvel (que na época chamava-se Atlas) jogava com Jack Liebowitz, dono da National (atual DC Comics) e Liebowtiz se vangloriou que a revista da Liga da Justiça, lançada recentemente, estava se tornando um sucesso absoluto entre os jovens leitores.
Goodman correu para a Marvel e pediu para seu editor-chefe, Stan Lee, que criasse um grupo de heróis aos moldes a Liga: unindo heróis da Era de Ouro.
Lee, à essa altura, estava pensando em abandonar os quadrinhos e se dedicar à literatura. Queria propor algo diferente, mas achava que o chefe não iria aceitar. Foi sua esposa que o encorajou a apresentar a nova ideia. Afinal, o máximo que poderia acontecer seria ele ser demitido, algo que ele já queria.
A ideia de Lee era um grupo totalmente diferente de heróis, humanizados, com histórias dotadas de cronologia e que nem mesmo usavam uniformes ou máscaras (posteriormente eles usariam um informe azul, mas sem máscaras). Surpreendentemente, o dono da Atlas aceitou e assim surgiu o Quarteto Fantástico.
 Além da continuidade, dos heróis bidimensionais (em oposição aos heróis unidimensionais da DC da época), Stan Lee e Jack Kirby criaram uma série de tirar o fôlego, em que a ação acontecia de maneira ininterrupta e ganchos e mais ganchos seguravam o leitor e o deixavam se fôlego.
Provavelmente o melhor exemplo disso seja o volume dois da Coleção Histórica, dedicado aos confronto do Quarteto com Galactus. Dizem que a sinopse, escrita por Stan Lee para a história foi: “O Quarteto enfrenta Deus!”. E de fato era um deus, um ser tão poderoso que se alimentava de planetas. Essa história elevou o nível dos vilões. Se antes eles queriam roubar um banco, ou dominar um país, esse singrava as estrelas e tinha tanta consideração pela humanidade quanto um ser humano tinha por uma formiga.
O volume apresenta histórias de duas fases, ambas escritas por Lee, mas com dois desenhistas diferentes. Na primeira fase, Jack Kirby imprime seu traço simples, mas potente, de ação pura. Na segunda fase, John Buscema imprime elegância aos desenhos e dá o visual que seria definitivo do Surfista Prateado, que havia sido colocado na primeira história como um simples coadjuvante, que deveria desaparecer depois. Dizem que Stan Lee viu o desenho e viu ali um ser nobre, um profeta ou filósofo das estrelas, mas essa nobreza só foi alcançada no traço de Buscema em um trabalho tão fantástico que deu origem à revista do personagem, de vida curta, mas que virou cult entre os leitores.   

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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Inscrições para prêmios de literatura da Cepe terminam na próxima sexta-feira (20)

Estão abertas até a próxima sexta-feira (20) as inscrições para o II Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantojuvenil e para o V Prêmio Cepe Nacional de Literatura, que selecionará obras nas categorias Romance, Conto e Poesia. Os certames são realizados pela Companhia Editora de Pernambuco, que destinará um total de R$ 90 mil em premiações, além da publicação das obras vencedoras. Os interessados em acessar os editais poderão consultá-los no site da Cepe (www.cepe.com.br).

Poderão concorrer aos prêmios literários escritores brasileiros, residentes no país, ou no exterior, bem como estrangeiros naturalizados que vivam no Brasil. Cada candidato (a) poderá inscrever apenas uma obra que deverá ser inédita. A quinta edição do Prêmio Cepe Nacional de Literatura estabelece o pagamento de R$ 20 mil para cada vencedor nas categorias previstas no concurso. Já para o II Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantojuvenil os valores são de R$ 10 mil para cada categoria.

As obras inscritas serão avaliadas por duas comissões julgadoras (uma local e a outra nacional). O anúncio dos resultados será feito até o dia 20 de fevereiro de 2020. 
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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Frank Engelbert e o livro Querendo ser Elvis, por Cida Simka e Sérgio Simka

Frank Engelbert - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Eu nasci em Londrina, no norte do Paraná, mas moro em Curitiba desde a adolescência. Tenho 48 anos e sou formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Paraná e trabalho com redação publicitária há mais de 20 anos.
Durante todo esse tempo, trabalhando com textos, eu sempre pensei em escrever ficção. Produzia alguns contos esporadicamente, mas demorei para me dedicar da forma correta e necessária para produzir um romance, que exige um período maior de trabalho e um foco maior.
Na verdade, eu também tinha aquela ilusão de que as obras nascem de um fluxo só, em que os escritores começam a escrever com a primeira palavra e terminam na última, sem ter que reescrever nada, com tudo perfeito desde o início. Isso me fazia começar e desistir várias vezes.
Quando eu aprendi que escrever é um processo, que inclusive pode ser aprendido e aperfeiçoado, tudo começou a fazer mais sentido. Foi nesse momento que eu comecei a me ver como escritor, pois entendi um pouco melhor o trabalho que exige.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que o motivou a escrevê-lo?

A ideia do livro Querendo Ser Elvis nasceu bem antes de eu decidir realmente começar a escrevê-lo.
Como eu disse antes, sou publicitário e em 2007 eu estava trabalhando em uma agência que fazia parte da rádio 91 Rock, de Curitiba. Naquele lugar ouvíamos e falávamos muito sobre rock. Em um desses momentos de conversa, surgiu o assunto de Elvis Presley ter fingido a própria morte e toda a teoria da conspiração que existe por trás disso.
Lembro que naquele dia eu pensei: “e se alguém tentasse fazer o mesmo? Como seria? Acho que isso daria uma ideia para um livro.”
Pensei naquilo por uma ou duas semanas, sem escrever nada, e em seguida esqueci.
Porém, sempre quando a vontade de escrever um romance voltava, eu sempre lembrava desse princípio de ideia e começava a pensar em detalhes para ver se realmente daria uma história. Aos poucos eu fui pensando na concepção geral, mas sem ainda formatar nada.
Sete anos depois da primeira ideia, em 2014, eu decidi que escreveria um livro e mais uma vez resgatei essa ideia, apesar de já ter várias outras também guardadas.
Escrevi uma primeira versão em um mês. Um texto que daria um livro de umas 100 páginas, mais ou menos. Não fiquei satisfeito com o resultado, mas também não sabia, naquele momento, como melhorá-lo. Mas esse processo foi importante para eu aprender a desenvolver uma narrativa mais longa.
Deixei a história de lado, peguei outra ideia e comecei um outro livro.
Em 2016, voltei a trabalhar no Querendo Ser Elvis, tendo já aprendido algumas coisas a mais sobre o processo todo. Reescrevi tudo, criando partes da trama que faltavam, novos personagens, novas relações. Fiquei bem mais satisfeito dessa vez, mas mesmo assim não tinha certeza se estava pronto. Resolvi mostrar para algumas pessoas para ver o que elas achavam e o que poderia ser melhorado.
Um dos feedbacks mais importantes que eu recebi foi para escrever as letras das músicas da banda. Eu tinha criado um protagonista que ficou famoso pelas letras que escrevia e eu não mostrava nenhum trecho delas.
Além disso, dei a presidente do fã-clube, que já existia na história, uma importância maior, com textos dela em um blog sobre a banda e sobre o significado das letras das músicas. Com isso, finalmente fiquei satisfeito com o resultado.
Em 2017 eu lancei o livro de forma independente e em 2018, pela editora InVerso.

Caso tenha outros livros, pode discorrer sobre eles brevemente.

Como disse, entre a primeira e a segunda versão de Querendo Ser Elvis, eu escrevi um outro livro, que eu também publiquei de forma independente. Ele conta a história de um homem que cria uma personagem fictícia, para um blog. Ele escreve como se fosse uma garota de programa e ela fica famosa. Mas para sua surpresa, a personagem aparece morta. O livro não está mais disponível.

Dizem que Elvis Presley está vivo. Concorda com essa tese? O seu livro não levanta essa suspeita?

Minha mãe sempre ouvia músicas do Elvis e eu cresci conhecendo as suas músicas e a sua história. Não acredito que ele esteja vivo ou que tenha executado um plano desse.
O meu livro não explora esse aspecto e não abre uma discussão sobre o tema.
BJ, o protagonista, assim como eu, conhece essa teoria de que Elvis não morreu e tem a ideia a partir dela. É comum surgirem essas teorias, inclusive com outros artistas. Minha ideia foi explorar esse e outros aspectos no universo da música para criar a narrativa.

O que tem lido atualmente? Qual o seu gênero preferido?

Atualmente, por motivo de estudos, tenho focado minhas leituras em romances contemporâneos, norte-americanos e latino-americanos.
Li Graça Infinita (Wallace), Submundo (DeLillo) e Café da Manhã dos Campeões (Vonnegut).
Tem uma escritora argentina que vive na Alemanha que gostei muito, a Samantha Schweblin. Dela eu li o Distância de Resgate, Pássaros na boca e o Kentukis. Esse último ainda não foi lançado no Brasil, mas tem uma coisa meio Black Mirror muito interessante.
Li alguns do mexicano Mario Bellatin. Também são muito bons: Flores, Cães Heróis e Salão de Beleza.
Não tenho um gênero preferido no momento. Já gostei muito de thrillers e suspenses, mas agora busco livros com situações estranhas a quais os personagens são expostos. Gosto de ver como eles se comportam. Acho que a literatura tem essa capacidade de propor experimentos psicológicos, tanto para quem lê, como para quem escreve.

Como o leitor pode saber mais sobre você e ter contato com sua obra?

Podem me seguir nas redes sociais (instagram e facebook), apesar de que não sou daqueles que atualizam muito, mas pretendo estar mais presente em breve.
Também podem ler algumas coisas que eu posto no meu blog: frankengelbert.com (que também estou tentando atualizar com mais frequência).


Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak Editora, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak Editora, 2016), O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), “Nóis sabe português” (Wak Editora, 2017) e Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de mais de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Autor, dentre outros, do livro Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Fundação - por Gian Danton



Isaac Asimov era um mestre absoluto da narrativa. Mais do que isso, um grande criador de tramas, em que a história toda gira a partir de uma determinada lógica, que é seguida do início até o fim. Um dos melhores exemplos é a trilogia Fundação.
Escrita entre 1942 e 1953, a história mostra um futuro longínquo em que a humanidade  dominou a Via Lactea, espalhando-se por milhares de mundo em um poderoso império. Mas um cientista especializado na Psico-história (um ramo da ciência que lida com a humanidade a partir de uma análise matemática, só possível em população imensas, como os bilhões de habitantes do império) percebe que este império ira decair, o que dará origem a uma era de trevas e barbarismo – e concebe um plano para diminuir esse período bárbaro, fazendo com que um segundo império se erga em mil anos. Para isso foram criadas duas fundações, em pontos opostos da galáxia, destinadas a garantir o chamado plano Seldon (batizado em homenagem ao seu criador).
A trilogia, focada principalmente na primeira fundação, mostra como o plano vai sendo preservado, apesar dos perigos e dificuldades – na verdade, são justamente esses perigos, chamados de crises Seldon, que farão com que a Fundação se torne forte. A cada crise ela vai evoluindo e é interessante observar como Asimov maneja a trama de modo a que tudo se encaixe nos planos de Seldon. Há uma lógica interna irrefutável por trás dos acontecimentos. O tipo de coisa que você lê e pensa: mas é claro, essa é a consequência lógica disso!
Asimov, provavelmente prevendo críticas à estrutura rígida e à visão positivista e matematizadora, inclui até mesmo um elemento inesperado à equação, um verdadeiro efeito borboleta, ou atrator estranho, como diriam os teóricos do caos, que não havia sido previsto por Seldon, e que gera uma séria crise, que acaba sendo solucionada, também de maneira lógica.
Essa estrutura cria um elemento de suspense verdadeiramente viciante: sabemos que a Fundação irá enfrentar crise e sabemos que ela irá superá-las. A questão é como isso irá ocorrer de maneira lógica, que não pareça um simples Deus Ex-Machina (recurso em que o escritor simplesmente arranja uma solução artificial para o conflito).
Ajuda muito o fato do texto de Asimov ser sintético, focado principalmente em diálogos e descrições breves, um quase roteiro de cinema (é surpreendente que ainda não se tenha pensando em transformar a trilogia em filme ou seriado).
O sucesso foi tão grande que foram escritos mais quatro livros: Limites da Fundação, Fundação e a Terra, Prelúdio à Fundação e Limites da Fundação. Aliás, esse é o problema da trilogia. É tão viciante que você termina de ler e já quer comprar os livros complementares.

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