terça-feira, 27 de junho de 2017

Crônica - Refúgio urbano


São exatamente 17 horas e 35 minutos de um domingo tranquilo, sossegado e até mesmo pacato, nem frio e nem calor, apenas um clima agradável e preguiçoso.

Uma coisa que acontece todo o santo dia, são aquelas revoadas em formação das garças, em sincrônica o líder na frente seguido pelo bando, voltando para os seus lares em meio à natureza. 

Confesso, nunca tinha reparado nesse detalhe da natureza, todos os dias essas belas garças saem dos seus lares, para buscar comida, entre outras coisas, não sei nada sobre essa espécie, reparei que nossa natureza faz um grande espetáculo, em harmonia com nossa cidade e toda loucura do nosso dia, corrido, agitado e muita das vezes, sem nenhum controle. 

Parando para pensar, até que somos parecidos com essas garças, saímos em bando para caçar (trabalhar), buscar alimento para sustentar nossas crias, voltamos para o nosso habitat (lar), esqueci-me de mencionar, voltamos em bando para nossos lares, não é igual às garças em formação, mas estamos em nossos carros, enfrentando o trânsito e mais stress, até chegarmos em casa e preparar para o dia seguinte.

É o que somos, vivemos e lutamos para sobreviver e proteger nosso território, para que no dia seguinte “voamos em bando”. 

Vamos parar por aqui, Ok? Deixar de lado toda essa loucura e apreciar o que nossa mãe natureza pode oferecer diariamente para todos nós, logo mais, precensiaremos mais uma revoada dessas belas garças em formação.


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Editora argentina lança antologia gratuita com contistas brasileiros

Livro traz 16 autores contemporâneos de diversas regiões do Brasil

Está disponível para download gratuito a antologia Língua Rara, publicação que busca aproximar a língua portuguesa dos leitores da América Latina a partir de 16 contos de autores brasileiros. O livro é uma parceria entre a editora portenha Outsider e o escritor Bruno Ribeiro, um dos vencedores do prêmio Brasil em Prosa e autor de Arranhando Paredes e Febre de Enxofre.

"O nosso português é uma língua estranha na América Latina, pois não compartilhamos do espanhol que une o continente. Somos estranhos em nosso próprio mundo e isso explica muita coisa sobre a relação do Brasil com os nossos hermanos latinos", observa o organizador, que fez mestrado em Escrita Criativa na Argentina.

Com o objetivo de refletir sobre as diferenças linguísticas, 16 escritores contemporâneos de diversas regiões do Brasil participam da coletânea. Compõem o time Adriana Brunstein, André Timm, Camila Fraga, Carlos Henrique Schroeder, Diego Moraes, Eduardo Sabino, Irka Barrios, Letícia Palmeira, Luisa Geisler, Micheliny Verunschk, Noemi Jaffe, Priscila Merizzio, Ricardo Lísias, Roberto Denser, Roberto Menezes e Sérgio Tavares. Além de diferentes formas de explorar as riquezas da língua portuguesa, os contos tratam de assuntos variados, desde relatos cômicos até horrores da ditadura.

A publicação está disponível para download gratuito no site da editora Outsider e da livraria A Boa Prosa.

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domingo, 25 de junho de 2017

Resenha | O Poço e o Pêndulo - Edgar Allan Poe

O Poço e o Pêndulo

Não é novidade pra ninguém que Edgar Allan Poe é um dos maiores escritores em Língua Inglesa e que influenciou por aí. E por isso e outras coisas que devemos sempre lembrar de suas obras e divulgá-las para os novos leitores. O Poço e o Pêndulo é uma dessas obras que merecem destaque nos meios literários.

Publicada pela primeira vez em 1842 traz uma história ambientada na época  da Inquisição e retrata a vida de um homem condenado pelos Inquisidores e jogado num calabouço. Os momentos finais desse homem é retratado por Edgar Allan Poe com doses homeopáticas de horror.

Num ambiente escuro e hermético o homem vai aos poucos tentando descobrir que ambiente era aquele. Começa medindo o tamanho do calabouço e por pouco não cai num buraco. Era alimentado com apenas pão e água e com volúpia devora as suas últimas refeições.

Mas para o espanto de leitores atenciosos percebe que o homem estava delirando naquele ambiente escuro e sinistro. Uma luz surge como redenção, porém, o que o homem percebe é um lugar com imagens de demônios e criaturas sinistras e um Pêndulo próximo ao seu corpo como um convite para a Morte.   


DNA da Obra

O que chama atenção nessa obra é o ambiente criado pelo escritor Edgar Allan Poe. Aos poucos você vai criando imagens do sofrimento desse homem e do ambiente em que ele está. A última coisa que você lembra é que o homem será queimado pelos Inquisidores.
Ficara esgotado, mortalmente prostrado com aquela prolongada agonia; e quando por fim me desamarraram e me deixaram sentar, tive a sensação de que todos os sentidos me abandonavam. A sentença, a medonha sentença da morte, foram as últimas palavras que me chegaram com nitidez aos ouvidos. Depois disso, o som das vozes dos inquisidores pareceu abismar-se no sussurro indefinido de um sonho. Edgar Allan Poe
Aqueles Calabouços de filmes da época não chegam perto do ambiente criado por Poe. É mais sinistro e aos poucos você vai sofrendo com o homem e sentindo o mesmo medo que ele. As cenas criadas são características fiéis de um verdadeiro horror. 

O gênero conto favorece esse tipo de sensação, afinal, as informações são mais diretas e obriga o escritor a medir as palavras com muita cautela. É claro que Edgar Allan Poe supera tudo isso e transmite um medo fora do senso comum.

Para conhecer no detalhe essa obra sugiro você visitar o Blog Secreta Litterarum que realizou uma análise excelente.

Outras Mídias

Essa obra foi aproveitada em outras Mídias como HQ e Cinema mas é claro que a obra original supera qualquer outra.

HQ


HQ O Poço e o Pêndulo













Filme de 1961



Capa


ISBN-13: 9789726992486
ISBN-10: 9726992486
Ano: 1990 / Páginas: 128
Idioma: português 
Editora: RBA Editores





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terça-feira, 20 de junho de 2017

Construindo o puzzle enigmático na obra Atlas do impossível, de Edmar Monteiro Filho

por Alexandra Vieira de Almeida – Doutora em Literatura Comparada (UERJ)
Contato: alealmeida76@gmail.com

    Os 15 contos do livro Atlas do impossível (Penalux, 2017), de Edmar Monteiro Filho, conduzem o leitor não a um caminho retilíneo e plano, mas por ruas curvilíneas e íngremes, perfazendo uma geometria de dificuldades, com figuras que se desdobram num virtuosismo profundo em que o leitor não tem possibilidade de escolha, uma vez que a narrativa revela múltiplos enfoques, mostrando o plurivocalismo e as camadas de um livro em expansão até o infinito. Para tal intento, o autor utilizou como referência 15 gravuras do formidável Escher, iniciando cada conto com uma ilustração do artista holandês. O título de cada conto é homônimo a cada gravura de Escher, já revelando uma estratégia temática de Edmar Monteiro Filho, a simulação e seu estranhamento a partir de cada narrativa. Outra homenagem prestada por Edmar no seu livro excepcional é a referência ao escritor argentino Borges que num dos contos deste livro é personagem da narrativa, valendo-se o autor brasileiro da temática borgeana também para estruturar a espinha dorsal de seus textos juntamente com Escher, demonstrando a riqueza que se bifurca neste livro, unindo as influências das artes plásticas e da literatura, nos revelando os diálogos entre Escher e Borges.
    No catálogo do CCBB “O mundo mágico de Escher”, do curador Pieter Tjabbes, este já vislumbrava o paralelo entre os dois célebres artistas:  “...ambos abordam temáticas com filosofia (e seus desdobramentos matemáticos), infinidade e metafísica, em narrativas fantásticas onde figuram os “delírios do racional” expressos em labirintos lógicos e jogos de espelhos”. Edmar capta esta íntima relação entre ambos e produz um livro fantástico, trabalhando com a exploração dos efeitos do jogo de espelhos, como o papel do que se intenciona ou deseja com o que se afasta ou repele, que podemos ver no conto “Dia e noite”: “Observo o espelho prestes a quebrar-se...” A fragilidade do espelho aqui que pode se espatifar desnuda este espelhamento fragmentado que acaba levando ao oposto da imagem que se quer construir, ou seja, aquilo que reluz pode mostrar o seu lado mais sombrio. O paradoxo doença/cura nos leva à imagem do pharmakós que traz a cura mais também um veneno, que é a serpente enroscada em cada beleza. Como escapar de um caminho que pode levar à libertação, mas que traz inserida a ruína para estes personagens doentes que vivem nas ruas neste conto emblemático?
    Há espelhos cortados, partes de um espelho formando o todo. O narrador joga com a inteligência do leitor o tempo todo, como se a própria narrativa fosse um espelho a ser refletido pelo leitor inteligente que deve juntar as peças deste puzzle enigmático. O livro de Edmar não percorre as linhas de uma narrativa fácil, é denso em seu poder de autorreflexão que se espelha no conhecimento de um receptor perspicaz. No conto “Predestinação”, temos esta urdidura máxima em que o narrador não poupa sua rica e admirável imaginação nos labirintos em múltiplos caminhos e ângulos. O conto nos faz recordar da origem da palavra “texto” que vem do latim textus, que significa “tecido”. Como não perceber que este conto é uma trama em que as várias linhas se chocam e se unem para formar um todo em seu sentido lógico e coerente? O conto nos dá a chave que tem que ser aberta pelos olhos iluminados do leitor atento. O narrador desafia a todo tempo o leitor como vemos em Machado de Assis.
    Em “Convexo e côncavo”, a mensagem encontrada num origami do bonsai nos direciona para esta fragilidade tênue que se encontra na vida de nosso dia a dia: “A vida é frágil”, fazendo-nos lembrar da notável frase de Guimarães Rosa “Viver é muito perigoso”. Entre a fragilidade e o perigo, a vida carrega o peso desta medida que as personagens complexas e profundas deste maravilhoso contista nos revelam. A camada lisa do espelho é propensa ao arranhão, à rasura, à fratura. Os contos deste livro são intensos em demonstrar as peripécias da vida com suas realidades e irrealidades, com sua nudez e sonho. As personagens destes contos são andarilhos de um labirinto frágil que não lhes dá uma resposta satisfatória. O autor se pauta nas questões, nas interrogações que se encontram no lado ainda não visto do espelho, como em “Espelho mágico”, em que a foto deixada na mesinha da sala é o motivo para a narrativa e para as digressões do narrador/personagem, que se confundem.
    São constantes as interferências do narrador, revelando a intensa maestria no próprio ato da narrativa e da leitura, que equaciona o conto como produto de um acontecimento, de uma presentificação, de um aqui-agora. Clarice Lispector era mestra em nos mostrar a partir de suas narrativas o “instante-já”, o tempo do agora, como proposto pela professora Carina Lessa. O conto “Três mundos”, de Edmar é impactante e revela a outra face do espelho literário, a meta-narrativa, com a autorreflexão sobre seu próprio processo de escrita. O narrador que é personagem, que busca afirmar uma verdade ficcional, onde realidade e ficção se mesclam, a memória e esquecimento se alternam, produzindo um conto de fôlego em que o contista mostra seu pleno domínio sobre esta arte difícil do conto que para muitos é o texto em prosa da literatura mais complexo de se elaborar, pois é necessária a medida certa, o ponto essencial.
    Deleuze já apontava em Diferença e repetição que “...a mais exata repetição, a mais rigorosa repetição, tem, como correlato, o máximo de diferença”. Podemos perceber esta afirmação principalmente em dois contos de Edmar, “Fita de möbius” e “Mãos desenhando”. No primeiro, temos o “déja vu” da personagem e partes da narrativa são repetidas em espiral, revelando a dobra deleuziana que através da repetição produz uma diferença. O espelho mais uma vez aparece aqui, sendo uma metáfora recorrente nos contos de Edmar: “...esse tempo de onde meu rosto olhou-me do espelho, em que cada passo e cada gesto é a repetição de um enredo do qual conheço apenas o terrível desfecho.” No outro conto em que temos Borges como personagem, temos o estudante da faculdade de Buenos Aires Barros que faz uma entrevista com o célebre escritor argentino e na bela narrativa, temos um conto do universitário Barros dentro deste conto, aproximando ainda mais Escher e Borges, pois aquele aproveitava o espelhamento das formas geométricas, utilizando uma mesma imagem de forma diferenciada. Aqui o conto “Pierre Menard, autor de Quixote” de Borges do livro Ficções (1944) é também aproveitado a partir deste espelhamento. O uso dos nomes Borges e Barros não é gratuito para se falar do tema do simulacro. Assim, admiravelmente, temos um duplo jogo de espelhos. Edmar se utiliza do conto de Borges para fundamentar seu próprio e autêntico processo de escrita, pois apesar de se valer do artista plástico holandês e do escritor argentino, o contista brasileiro por ora aqui estudado é de uma originalidade surpreendente. Dialoga com grandes gênios, mas revela também sua intensa genialidade em construir contos tão elaborados e complexos em sua tessitura literária. Temos uma obra ricamente ficcional que conhece todo o processo da confecção de um verdadeiro conto sem deixar nada a dever aos grandes nomes da literatura.
    Edmar Monteiro Filho produziu um belíssimo livro de contos em que ele monta um jogo de puzzle enigmático com os grandes artistas, com sua própria narrativa, com as personagens, com a escrita, com as artes plásticas, com o leitor; produzindo um tapete imaginário e real em que os desenhos geométricos se multiplicam em caminhos da escrita, fazendo de sua obra um mosaico de experiências variadas em que a autenticidade ganha voos altíssimos, costurando as linhas tênues entre a vida e a morte, entre o que se consagra, se realiza ou se fracassa na vida de personagens que deixarão o seu canto mais profundo em várias partes do mundo. O domínio do verbo em Edmar é complexo, profundo e infinito como nos espelhos de Escher e na biblioteca de Borges.


Alexandra Vieira de Almeida nasceu no Rio de Janeiro em 1976. É Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. É poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Trabalha como agente de leitura na Secretaria de Estado de Educação. É tutora de ensino superior a distância na faculdade de Letras da UFF. Publicou artigos e ensaios literários em revistas acadêmicas especializadas e livros. Participou do livro “À roda de Machado de Assis, ficção, crônica e crítica”, com um ensaio literário (Argos, 2006). O livro foi organizado pelo professor Doutor João Cezar de Castro Rocha. Tem um livro de crítica literária, publicado em 2008, fruto de sua dissertação de Mestrado em Literatura Brasileira, “Literatura, Mito e Identidade Nacional” (Ômega, 2008). Organizou juntamente com um amigo, Doutor em Letras, Ulysses Maciel, um livro de ensaios literários, intitulado “Inventário de literariedades e outras vertigens”(Imprinta, 2008). É membro correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni, em Minas Gerais. Também foi aprovada por unanimidade pelos Dirigentes da Litteraria Academiae Lima Barreto (RJ) para o recebimento do Diploma de Distinção Literária, laurel máximo desta instituição. Além disso, a partir desta distinção máxima lhe foi conferido o título de Acadêmica Honorária desta excelente instituição. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil.


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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Entrevistado, Emerson Sarmento comenta sobre o seu livro Cromossonhos

Natural de Recife, o poeta e cantautor Emerson Sarmento ganhou em 2011 o Festival de Música Carnavalesca do Recife, época em que marcou presença no FIG e outros festivais locais.
Com a poesia, concorreu ao Prêmio SESC de literatura. Na Era do Orkut ganhou quatro concursos nacionais promovidos pelas comunidades literárias. Já foi homenageado num sarau em Natal durante o qual seus poemas foram lidos por poetas locais. Em 2012, lançou seu primeiro livro Perfume do Sangue pela editora Moinhos de Vento e em 2016 publicou pela Editora Penalux sua segunda obra Cromossonhos.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Emerson Sarmento: Eu caí de paraquedas na literatura porque alguns fatores foram fundamentais para minha iniciação como poeta. Enfatizo três desses fatores por considera-los os mais importantes: o incentivo de leituras literárias por parte dos meus pais, a influência de um primo que é um grande escritor, Tadeu Sarmento. Costumo dizer que Tadeu foi o E.T.A Hoffmann da minha infância porque ele tinha o costume de criar histórias absurdas de terror para me contar nas noites dos fins de semana na casa de nossa avó. Aquilo tudo me assombrava, mas, literariamente, me fez muito bem. Despertou-me coragem para enfrentar o mundo literário, pois nesse mundo o leitor encontra de um tudo. Além disso, acredito que ativou em mim o “ imaginar sem limites”. Isso foi essencial para minha imaginação no ato de criar. O último fator foi o mais importante para o hábito de escrever, que foi a timidez. Explico a relação entre hábito da escrita com a timidez: na adolescência eu tive muito problema para expressar o que eu sentia. Era uma tortura. Eu ficava anestesiado diante dessa situação. Então descobri o quanto eu ficava satisfeito em escrever o que sentia para a menina que eu estava afim. Desde então criei esse hábito. Passei a escrever sonetos e mostrá-los na internet e aos 16 anos recebi um convite para escrever mensalmente para o Blog Vale das Sombras. A timidez acabou, porém a necessidade de escrever agora é exclusivamente literária.

Conexão Literatura: Em 2011, você ganhou o Festival de Música Carnavalesca do Recife. Fale mais pra gente sobre o festival e sobre a música vencedora.

Emerson Sarmento: Bom, esse Festival contribuía bastante para a cultura pernambucana, pois envolvia vários ritmos oriundo da terra. O festival abraçava frevo, maracatu e caboclinho, com a proposta de incentivar novas composições e novos compositores. No fim eram 15 músicas vencedoras onde as quais iriam compor um disco para o carnaval do ano seguinte. Infelizmente a prefeitura de Geraldo Júlio (PSB) cancelou o festival em 2012. Cheguei, inclusive, a fazer um abaixo assinado na tentativa de reverter o caso, porém o prefeito disse que Recife estava passando por uma crise e que não haveria mais a possibilidade de continuar com esse festival. Foi uma facada na cultura, mas o Brasil é cheio dessas coisas. Vai entender. Em relação a música, eu concorri na categoria Maracatu com a música Canto de Oxalá. Não pertenço à religião de matriz africana, mas sempre achei interessante a musicalidade deles e, então, decidi estudar sobre e compus a música. Para minha surpresa a música ficou em primeiro lugar, fiquei surpreso porque eu era o compositor mais novo (22 anos) naquele antro de feras. Geraldo Maia, um cantor que dispensa comentários,  ganhou como melhor interprete. Foi uma noite incrível.
Conexão Literatura: Você é autor do livro “Cromossonhos” (Editora Penalux). Poderia comentar?

Emerson Sarmento: Cromossonhos foi um livro que pensei bastante como seria. Passei um ano preso a ele. E cheguei a conclusão do que eu queria. Eu quis mostrar que dentro de uma obra poderia haver uma harmonia entre versos fixos e livres. O livro transita nesses dois mundos que parecem ter pouco diálogo no mundo literário. Inclusive no fim do livro eu escrevi um soneto mais modernizado para mostrar que pode existir uma unidade nessas duas estruturas. Em relação aos temas, eu escrevi basicamente sobre minha vida, minhas visões de mundo, sobre meus sonhos. O título do livro abraça tudo isso, pois esse neologismo envolve todo meu DNA poético, todos meus sonhos plurais e coloridos que embora sejam, muitas vezes, opostos, mas habitam em mim na mais perfeita sintonia.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Emerson Sarmento: Eu passei a ler bastante os modernos. Manuel Bandeira, Manoel de Barros, Mário de Andrade, Oswald, Drummond... quis estudar a forma como eles escreviam, como suas poesias se comportavam. Fiquei muito encantado em me aprofundar nesses autores, não só em suas obras, mas também na luta que cada um teve para que seus desejos e anseios fossem vistos. Foi um ganho intelectual maravilhoso para mim e para minha poesia.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Emerson Sarmento: Bom, diante da situação política do Brasil destaco o seguinte terceto do poema Elegia ao Brasil que é um apelo para o nosso país ressuscitar desse inferno que adormece tão tranquilo.

“ Clamar-te-ei, ó Brasil, em versos magistrais
renasça ferozmente na aurora dos gloriosos
porquanto, eis o meu luto – aqui o Brasil jaz!”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Emerson Sarmento: Ele pode entrar em contato comigo nas redes sociais (facebook, instagram) instagram : esarmento_ \ facebook : Emerson Sarmento
Mas o leitor poderá compra-lo pelo site da editora também. Nesse link:
http://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=474

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Emerson Sarmento: Existem, um romance e um livro de crônicas. O livro de crônicas sairá primeiro e chama-se “Todo hipocondríaco é formado em medicina pelo Google” é um livro que foi inspirado nas “doenças” e “diagnósticos” cujos os mais lunáticos “especialistas”(internautas) vomitam nos portais de notícias. O título faz um diálogo com essa galera que propõe soluções inimagináveis para o momento social e político brasileiro.  Enquanto ao romance, ainda estou decidindo seu enredo, mas prometo marcar um café com você(s) para falarmos dele.

Perguntas rápidas:

Um livro: Crime e Castigo, Dostoievsky
Um (a) autor (a): Gabriel García Marquez
Um ator ou atriz: Brendan Fraser
Um filme: O sétimo selo, Direção: Ingmar Bergman
Um dia especial: 28 de março, nascimento do meu filho.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Emerson Sarmento: Gostaria de agradecer o espaço no Conexão Literatura. É muito importante os portais voltados para a literatura abrir os braços para que possa ter essa troca com os leitores. Obrigado.


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sábado, 17 de junho de 2017

Ela largou o emprego para se dedicar ao ofício da escrita e lançou três livros em apenas onze meses

Próximo de completar 40 anos, Patrícia Morais largou o emprego para se dedicar ao seu inesperado sonho de ser escritora.

Patrícia Morais é uma nova autora da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, que lançou três livros em apenas onze meses. Mas não foi do dia para a noite que tudo aconteceu, pois Patrícia passou mais de dois anos correndo atrás de contratos com editoras até que a primeira porta se abriu e, logo depois, outra, e ela não parou mais. 
 
ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Patricia Morais: Foi algo surpreendente! Algo totalmente inesperado, mas muito feliz. Eu nunca havia pensado em escrever um livro daí um dia, após brigar com o controle remoto por não encontrar nada de interessante na televisão, levantei do sofá e do nada disse para meus cachorros: A mamãe vai escrever um livro. Fui para o notebook e comecei brincando. Quando me dei conta, o meu primeiro livro “Após uma tragédia um recomeço” estava pronto. Me apaixonei tanto por ele que achei que teria potencial para ser publicado. Daí veio a parte mais difícil que foi conseguir uma editora que se interessasse em publicá-lo. Ser um autor iniciante é dureza! (risos) Passei mais de dois anos tentando conseguir um contrato com uma editora até que uma porta se abriu então eu entrei e não parei mais.

Conexão Literatura: Você é autora dos livros “Após uma tragédia um recomeço”; “A vida que eu quero” e “Thalita Rebouças – Uma biografia (ou duas?). Poderia comentar?

Patricia Morais: Até hoje eu me surpreendo com isso. (risos) Sinto muito orgulho dos meus livros. Por ter batalhado por essa prazerosa conquista de me tornar uma escritora sozinha. Sem conhecer ninguém da área.
É mágico saber que algo que você escreveu emociona e diverte as pessoas. Posso afirmar que sou uma escritora engajada e feliz. Do tipo que vai superando as dificuldades e que não desiste de lutar pelo o que quer.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir a biografia da Thalita Rebouças?

Patricia Morais: Participei de alguns eventos da Thalita. Mas basicamente a pesquisa foi feita pela internet mesmo. Em torno de uns seis meses o livro estava pronto. Quando começo a escrever eu não gosto de parar, por isso não demoro muito. Eu meio que vivo pra isso. Levanto até de madrugada se tiver alguma ideia interessante para acrescentar. Eu fico tão empolgada que chego a perder o sono e a vontade de sair de casa. (risos) 

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho de um dos seus livros do qual você acha especial?

Patricia Morais: Eu mesma, para dar vida a este meu sonho de me tornar escritora, precisei aguardar mais de dois anos para colher os primeiros resultados deste meu esforço. Francamente, eu queria fazer tudo certo. Para tudo dar certo. Mais tarde um pouco, precisei parar e pensar em meu futuro profissional e meu desejo com todo o carinho. E decidi após isso, para ter tempo de escrever, ainda que com um pouquinho de culpa, largar meu emprego que era um peso em meus ombros, me deixava exausta e insatisfeita, mas que era de carteira assinada e pagava meu salário pontualmente no fim do mês. Mesmo morta de medo de tomar essa atitude, decidi arriscar. E arrisquei. E aqui está. O meu “todo-poderoso” e amado segundo livro. E a minha “toda-poderosa”, amada e nova profissão. Acho melhor nem comentar que eu não estava aguentando de tanta ansiedade nessa época. Ou que me achava “a mulher louca que larga um emprego em época de crise”. De modo que podemos pular essa parte e ir direito ao que interessa.
- A vida que eu quero.

Conexão Literatura: E como surgiu a ideia do projeto "Vem ver meus livros"

Patricia Morais: Após os lançamentos e aquela empolgante fase inicial em que os amigos e familiares dão a maior força comprando os livros, eu pensei: Eu tenho que continuar vendendo os meus livros, e agora? Daí eu vi uma postagem de um escritor de São Paulo que vende seus livros na Avenida Paulista e pensei: vai ser por aí. Daí comecei a pensar em formas de atrair a atenção das pessoas nas ruas, pois eu sou muito tímida e não conseguiria abordar ninguém diretamente. Minha voz, por conta da timidez, não sai! Eu já tentei. (risos) Até que tive a feliz ideia de fazer um banner convidando todo mundo a ver os meus livros. E é assim que até hoje consigo a atenção das pessoas e as vendas que preciso para continuar seguindo com o meu sonho até que algo maior, como ver os meus livros nas prateleiras das livrarias, aconteça. 

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir os seus livros e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Patricia Morais: Basta acessar a minha página: www.patriciamorais.net ou o meu perfil no Instagram @patriciamorais.eu

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Patricia Morais: Sim. O lançamento do que eu chamo de meu “bebezinho”, meu primeiro livro infantil “Deu sono!” que está previsto para o fim do segundo semestre deste ano. 

Perguntas rápidas:

Um livro: Férias
Um (a) autor (a): Marian Keyes
Um ator ou atriz: Lázaro Ramos
Um filme: Titanic
Um dia especial: O dia em que participei do Programa Sem Censura, com Leda Nagle. Nunca senti tanto frio na barriga antes. (risos)

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Patricia Morais: Gostaria de agradecer pelo convite. Amei! É sempre muito importante para um novo autor uma oportunidade tão bacana como essa.
E gostaria de terminar deixando uma mensagem que considero valiosa, que é: nunca desperdicem uma boa ideia. 

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Andrea Pitzer acusa Bob Dylan de plágio



A colunista da revista americana Slate, Andrea Pitzer, acusa Bob Dylan de plágio, pois inúmeras passagens das citações que o cantor fez na cerimônia do Prêmio Nobel são semelhantes a um guia de estudos que estão presentes no site SparkNotes

Se há verdade nisso, não sabemos, no entanto, a polêmica continua, afinal, parece que muitos estão descontentes com a premiação do cantor. A suspeita começou com trechos do livro Moby Dick, de Herman Melville, ter sido usado no discurso de Dylan e que tais passagens não existem, conforme descobertas feitas pelo escritor Ben Greeman.

Andrea Ptzer comparou trechos do discurso com as passagens do guia on-line do site SparkNotes e descobriu que há inúmeras semelhanças. A colunista, afirma ainda, que trechos do livro de Herman Melville não existem.

Bob Dylan cita, além de Moby Dick, obras como Nada de Novo no Front, de Erich Maria Remarque e a Odisseia de Homero. Caso se confirmem essas suspeitas ficará muito feio para o escritor. Aguardemos os próximos capítulos dessa intricada confusão.





Via Zero Hora






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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Jovem roraimense comenta sobre "Moça Estranha", novo livro lançado pela Drago Editorial

Lanna Kamila
Roraimense, Escorpiana, estudante e filha caçula. Lana Camila Santos Gonçalves tem 17 anos, nasceu em 25 de outubro de 1999, e mora no interior do estado de Roraima, na cidade de São Luiz. Lanna é apaixonada pela vida, por flores, fotografia e poesias. Gosta de MPB, como o clássico Tim Maia, e os sertanejos de Bruno e Marrone. Mora com a mãe, o padrasto e a irmã, e está cursando o terceiro ano do 2° grau.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Lanna Kamila: Bom, minha conexão com a Língua Portuguesa existe desde o inicio da minha vida estudantil, eu sempre fui organizada com as palavras, até porque eu gosto e aprecio-as. A questão literária já foi em 2015, por um acaso, (acaso lindo, pra variar, né!?) voltando no ônibus escolar, sentada e olhando a paisagem pela janela, eu escrevi então minha primeira poesia; fraquinha, curta e sem muita rima, mas esse foi exatamente o ponto de partida para a produção de muitas outras. 
Eu já havia sonhado em ser médica, juíza, delegada, professora, mas nunca em ter um livro publicado. Por isso defino minha carreira no mundo literário como “um presente de Deus”, que chegou sem aviso prévio, mas que se encaixou perfeitamente ao meu perfil.

Conexão Literatura: Você é autora do livro "Moça Estranha" (Drago Editorial). Poderia comentar?

Lanna Kamila: Costumo dizer que o livro “Moça Estranha” é um livro diferenciado dos demais, porque foi feito para um público alvo especial, que são as moças apaixonadas e sonhadoras. Eu me dediquei para ele ser assim. Até porque eu via a necessidade de algo parecido no mercado literário, acredito que o sentimentalismo e a sensibilidade feminina não podem ser esquecidos, e é exatamente isso que o livro “Moça Estranha” traz... Poesias exorbitantemente amorosas e repletas de luz, para que todos os dias o leitor possa ser impactado pelo amor.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Lanna Kamila: A construção do meu livro é algo bem intrigante! Rsrs. Nem eu mesma sei explicar como tudo aconteceu, foi tudo muito rápido, não sei calcular corretamente o tempo certo em que o escrevi, foram basicamente apenas nas férias do colégio, do final do ano de 2015 para o ano de 2016. Eu passava o dia catando palavras mentalmente para a produção de novos versos, e, sempre que possível escrevia uma nova poesia para alguma menina, e assim fui dando sequência... Até obter o livro em mãos.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Lanna Kamila: Uma das poesias mais marcantes para mim e, que também está no livro “Moça Estranha”, é:

“Sempre fui assim,
AMOROSA.
Uma mistura de
AMOR e ROSA.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Lanna Kamila: As vendas por enquanto estão sendo apenas online. Mas basta acessar o site da Editora Drago (www.livrariadragoeditorial.com) clicar na categoria “não ficção”, em seguida em “poesias”, daí por diante basta escolher a quantidade e a sua cidade para entrega do livro! É simples e rápido! Para conversar comigo basta mandar um email, para lannakamilallf@gmail.com, respondo a todos assim que eu visualizar. E para conhecer o trabalho da Moça Estranha é só curtir a página no facebook (Moça Estranha) e seguir no instagram (@flordemeninna)

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Lanna Kamila: Sim! Nada concreto, nem em andamento... Mas estou cogitando e analisando histórias de moças e seus relacionamentos, para a produção de um romance juvenil. Esse é um projeto para o ano de 2018, como a ficção é bem mais complexa que poesias, tentarei dedicar mais tempo à minha escrita para o resultado ser alvo de um público maior e unissex.

Perguntas rápidas:

Um livro: Meu Pé de Laranja Lima
Um (a) autor (a): Clarice Lispector
Um ator ou atriz: Fernanda Montenegro
Um filme: “Colônia Dignidade”
Um dia especial: 08.07.2014

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Lanna Kamila: Quanto ao tema “Moça Estranha”, às vezes perguntam para mim: “por que?” “quem se encaixa?” “o que tem que fazer para ser uma Moça Estranha?”

E eu sempre digo que basta ter amor, sabe!? O coração de muitas meninas hoje em dia foi tomado por malícias e maldades, por isso designo como “Estranhas” aquelas que continuam com seu coração intacto e repleto de energias boas, essas são as diferenciadas, as fortes comparadas às demais, essas são, sem dúvidas, Moças Estranhas.

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terça-feira, 13 de junho de 2017

O desafio na formação de novos leitores

Era início da década de 1990 e celulares, desktops e notebooks pareciam mais objetos de outros mundos, encontrados em filmes de ficção científica produzidos por Hollywood. Qualquer novidade tecnológica que surgisse no Brasil, nessa época, era motivo de alvoroço, ainda mais quando se tratava de um brinquedo num país cheio de crianças resultado de uma alta natalidade. Numa época de inflação galopante e crise econômica, a criança cujo pai abastado conseguisse adquirir um brinquedo tecnológico, já era o motivo para ela sair a rua exibindo-o para a tristeza de muitos que tinham que se contentar com carrinhos fabricados com restos de embalagens de margarina, por exemplo.
Uma dessas novidades que abalou o Brasil e tirou o sono de muitas crianças por muito tempo foi a venda de uma espécie de computador desenvolvido pela TecToy (aquela mesma marca dona do Master System e do Mega Drive) chamado de "Pense Bem". Era bonito, funcional, colorido, fazia contas, ajudava aprender geografia, história e matemática, fora outras utilidades. Nada havia sido criado antes na indústria de brinquedos. Tais atributos, aliado a uma pesada ação publicitária bastaram para que a paz entre mim e meus pais fosse tirada. Para o meu espanto, certo dia, o meu pai chegou com um embrulho. Tinha o formato de um "Pense Bem". Não me contive de alegria. Saí rasgando o papel colorido até que… Era um monte de livros! Quis me chatear na hora, mas os livros eram tão bonitos, com capas chamativas, papéis especiais, gravuras que me levariam a outros planetas, reinos, florestas... a outros mundos! Foram semanas de leitura e assim que o meu pai percebia que eu terminava de ler, ele ia me presenteando com novos títulos. Apesar de todo o barulho provocado pelo "Pense Bem", ele não duraria muito no mercado e nem a sua criadora TecToy (que nos últimos meses ressuscitou o Mega Drive e cogita fazer o mesmo com o Atari), já os livros e a leitura ficaram.
Esse é um exemplo de como a ação dos pais é importante para despertar nas crianças o gosto pela leitura. Felizmente tive a sorte de ter um pai leitor e um amante dos livros. Além disso, na escola em que eu estudava havia uma bela biblioteca e os professores eram leitores, em sua maioria. Uma combinação perfeita para que as crianças lessem cada vez mais, hábito que me acompanha até hoje.
O incentivo dos pais e da escola são ingredientes indispensáveis para formarmos uma geração de leitores e, por conseguinte um país de leitores. Já temos 98,6% de crianças entre 6 e 14 anos presentes na escola, mas infelizmente, na maioria das vezes, são escolas sem biblioteca, professores malformados e não leitores e pais com baixa escolaridade, quando não, analfabetos ou analfabetos funcionais. Se nada for feito continuaremos a ser um país de não leitores, algo que provoca graves consequências, mas isso é assunto para outro artigo.

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Editora Penalux lança obra de romancista vencedora do Prêmio Pulitzer de Literatura

A editora Penalux promove um resgate literário ao lançar o clássico romance Ethan Frome, de Edith Wharton, com a tradução de Chico Lopes. O livro, que é dito a partir da perspectiva do narrador, conta a vida e tragédia do personagem que dá título à obra. Repleto de teor psicólogo, a autora conta uma história de amor repleta de desolação, expectativas, devaneios e frustrações.

De acordo com Tonho França, editor da Penalux, o narrador encontra o personagem principal, Ethan, que conta sobre um triângulo amoroso ocorrido anos atrás. "A partir disso, somos transportados a uma epóca em que Ethan era um homem novo, que se dedicava com total comprometimento a fazenda e a cuidar da mãe."

Segundo o editor, Ethan expressa um intenso desejo de se libertar do seu modo de vida e de seu casamento com Zenobia (Zeena). "É quando a esposa traz sua jovem prima Mattie Silver para ajudar com as tarefas domésticas, enquanto Zeena luta contra suas enfermidades."

– Ethan se encanta com esperança para o futuro que Mattie traz e começa a ter pensamentos de um recomeço com ela. Mattie por sua vez também se sente atraída por Ethan. Eles têm o desejo de estarem juntos, mesmo sem manifestarem isso inicialmente. Percendo o envolvimento, a esposa, decide substituir Mattie por outra cuidadora – revela.

A história continua com Ethan e Mattie se declarando. A partir disso, decidem que morrer juntos talvez seja  melhor do que viver separados. Porém, uma reviravolta faz com que todos os personagens sejam forçados a sucumbir aos desejos do destino.

Wilson Gorj, também editor, explica que o livro pretende mostrar que  o amor costuma ser trágico e que houve uma época em que o peso das convenções sociais era tão forte que esmagava os sonhos. "Trata-se de um clássico. Muitos consideram este livro o melhor trabalho autoral da escritora."

– Desejamos promover esse resgate literário, trazendo de novo ao público grandes obras, mas que caíram no esquecimento do mercado editorial brasileiro, como outra reedição nossa: "Os papéis de Aspern", de Henry James – ressalta.

Ficha técnica:
Título: Ethan Frome
Autor: Edith Wharton
Tradução: Chico Lopes
Publicação: 2017
Tamanho: 14x21
Páginas: 160 p
Preço: R$ 35,00
Link para compra: https://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=578

Sobre a autora:
Edith Newbold Jones nasceu a 24 de janeiro de 1862 em Nova York. Aos 23 anos, já escrevia ficção e colaborava para revistas e jornais. Em 1905, publicou o romance A Casa da Alegria (The HouseOf Mirth).

Edith foi a primeira mulher a receber o título de Doctor honoris causa pela Universidade de Yale e a medalha de ouro do Instituto Nacional de Artes e Letras, do governo americano. E foi também a primeira mulher a receber o aclamado Prêmio Pulitzer (1921), com "A idade da inocência" (The Age of Innocence), que teve sua adaptação para o cinema em 1993, por Martin Scorsese.

Considerada como um grande nome da literatura feminina norte-americana, Edith Wharton continuou escrevendo até a sua morte, em 11 de agosto de 1937. Está enterrada no cemitério de Gonards, em Versalhes.


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domingo, 11 de junho de 2017

Bibliobicicleta: a bicicleta que leva livros

Não existem limites para incentivar a leitura e quando realmente queremos algo, não existem barreiras. Foi com esse entusiasmo e força de vontade que surgiu a Bibliobicicleta, um projeto de São Francisco (EUA), que usa uma bicicleta para transportar até 100 livros para pessoas que não têm acesso à leitura, uma ideia simples e criativa.

PARA SABER MAIS:
Conheça o site da Bibliobicicleta, acesse: http://bibliobicicleta.com/


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sábado, 10 de junho de 2017

Músico e compositor, Línox lança seu livro de poemas A poética do Impulso pela Ibis Libris Editora

“Batendo asas, a palavra voa pelo pensamento...
Até que vibra na garganta,
pula pela boca
e passa a voar ao vento.”


A Poética do Impulso, de Línox, possui uma estética singular.  O seu conteúdo não foi concebido para ser impresso em papel, ou ordenado em forma de livro. Ao pé da letra, são recortes de postagens na internet, geradas a partir do exercício espontâneo, orgânico, visceral do autor, de regurgitar pensamentos que lhe tomam de assalto, enquanto assumem o aspecto da palavra escrita.São rompantes, fragmentos, epifanias. São poesia.  

Músico de profissão, o baterista, compositor e cantor Línox começou a exercitar a escrita de forma mais consistente ao participar de um grupo de estudo de filosofia com Claudio Ulpiano, nos idos de 1993. Mas foi em 2010, ao criar um perfil no Facebook, que a prática de lapidar o pensamento em palavras se descolou das músicas e ganhou ritmo. “A página lotou de gente”, conta, num movimento de troca de poemas que estimulava respostas instintivas, quase imediatas. “Este exercício despretensioso resultou numa linguagem sem preocupação alguma com a exposição, até pela própria leveza da rede social. Cada post de algum amigo – a maioria dos quais nunca cheguei a conhecer pessoalmente – disparava em mim uma nova escrita. E os poemas iam saindo mais rápido e com mais contorno.”   

Destes diálogos poéticos na rede surgiu o projeto Organismo, em 2012, em parceria com os amigos virtuais Roberto Pontes e Shala Andirá, os quais finalmente veio a conhecer em carne e osso em um sarau combinado na casa desta última. Os poemas, então, evoluíram para espetáculos performáticos que misturavam a palavra postada com texturas musicais, sons emanados sem quaisquer instrumentos.

Essa 'experimentação' logo repercutiu no efervescente underground literário e artístico carioca, e virou um movimento poético. Chamou a atenção de muita gente e uma amiga acabou convencendo Línox de que aqueles posts dariam um livro.“Quando parti para analisar o material recolhido na internet, eram trezentas e tantas páginas de PDF. Apesar de surgirem de formas distintas, eu percebi que muita coisa tinha vida própria. Daí em diante foram incontáveis cortes, até encontrar certa cronologia e ordenação temática.” 

Ao descrever o processo de criação do livro, Línox foi direto ao ponto: A Poética do Impulso tem vida própria. E, como é comum a tudo que tem vida, sua natureza é única. Cada página surpreende a gente, é um novo impulso, impossível prever qual será o próximo.

Vida, seta, flecha, meta. Silêncio, tempo, olhar, palavra. Corpo, desejo/querer, acaso, paisagem. Mar, medo, beleza, plural, retina. Pensamento, caos, insônia, organismo. Os poemas-impulsos vão revelando a existência como resultado final do desejo, o homem como máquina desejante, a potência do corpo, e as múltiplas formas de enxergar o real. “O que nos resta é o olhar, onde tudo se dá e onde tudo se pode transformar”, poematiza o autor. 

Línox ancora suas referências no rigor estético de João Cabral de Melo Neto, quem considera o maior representante da cultura brasileira, e no neoconcretismo de Ferreira Gullar. A contemporaneidade confere uma aura concretista ao livro, muito embora tentar enquadrar A Poética do Impulso não faça lá qualquer sentido. “Este livro nasceu do espanto, do ímpeto, de pequenas explosões de vida que interrompiam meu canto, minhas composições, dando espaço à palavra escrita”, esclarece.  

Resumindo, espantem-se.

A Poética do Impulso
Línox
Editora: Ibis Libris
Páginas 160
R$ 40,00
Formato: 14,8x21cm

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Edgar Allan Poe - A Essência do Medo - Ademir Pascale

Sinopse: "A Essência do Medo", é um trabalho que reúne trechos de alguns dos principais contos do escritor Edgar Allan Poe, uma pequena coletânea organizada por Ademir Pascale, que também trabalhou na arte da capa e nas imagens que antecedem cada conto. Pascale é fã da obra do mestre Poe, e buscou em cada frase e em cada palavra a essência para criar esta magnífica obra.

Divulgue, compartilhe com os seus amigos. É grátis.

Sobre o organizador:
Ademir Pascale é paulista, escritor e ativista cultural. Criador e editor da Revista Conexão Literatura. Membro Efetivo da Academia de Letras José de Alencar (Curitiba/PR). Participou em mais de 40 livros, tendo contos publicados no Brasil, França, Portugal e México. Publicou pela Editora Draco os romances “O Desejo de Lilith” e “Caçadores de Demônios”. É fã n° 1 de Edgar Allan Poe, o que lhe rendeu as publicações dos livros "Poe 200 Anos" (All Print) e "Nevermore - Contos Inspirados em Edgar Allan Poe" (Editora Estronho), é fã dos heróis da Marvel, adora pizza, séries televisivas, moedas antigas e HQs. E-mail: pascale@cranik.com

Ficha técnica:

Título: Edgar Allan Poe - A Essência do Medo
Autor: Edgar Allan Poe
Projeto, organização, capa e arte interna: Ademir Pascale
Tipo: e-book
Ano: 2016
Nº de páginas: 22
Distribuição gratuita

Para download: CLIQUE AQUI.


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Conheça Planeta Droga, novo livro do autor Daniel Malard

Daniel Malard nasceu em 1976 e foi criado em Belo Horizonte. Aos dois anos de idade, em função da bronquite, tornou-se o mais novo nadador do Mackenzie Esporte Clube. Desta forma, dedicou-se a natação competitiva até seus 14 anos. Na adolescência, experimentou os mais diversos psicoativos, e por fim tornou-se um dependente químico. Após combater duramente essa escravidão, conseguiu se libertar desta prisão sem muros. Alguns anos depois, retornou às piscinas e formou-se em Educação Física. Além de professor, trabalha com missões urbanas no “Planeta Droga”, daí o nome de seu livro.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Daniel Malard: Através de um sonho, Deus me falou claramente para escrever a minha história.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Planeta Droga” (Drago Editorial). Poderia comentar?

Daniel Malard: O livro é um retrato da juventude perdida dos anos 90 da Grande Beagá.
Na obra, relato minhas andanças por este misterioso planeta, mostrando o bizarro comportamento de seus habitantes. Como utilizo total veracidade e bom humor, grande parte dos participantes destes fragmentos autobiográficos recebeu pseudônimos, respeitando a privacidade de cada um.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Daniel Malard: Vasculhei os porões da minha memória, e com uma inseparável caderneta, trabalhei por 4 anos.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Daniel Malard: O penúltimo capítulo é considerado um divisor de águas. Tive uma revelação de Jesus Cristo em um momento crucial da minha história.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Daniel Malard: O interessado poderá adquirir o livro no site da Livraria Drago Editorial (www.dragoeditorial.com). Para saber mais sobre mim e os meus projetos podem conferir no youtube o canal do Planeta Droga. Contatos para palestras de prevenção e combate às drogas através do e-mail planetadroga@yahoo.com.br

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Daniel Malard: Comecei a escrever o segundo livro.

Perguntas rápidas:

Um livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
Um (a) autor (a): Charles Bukowski
Um ator ou atriz: Al Pacino
Um filme: Táxi Driver
Um dia especial: 03/05/2015. Dia em que conheci Telma Rodrigues, a minha esposa.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Daniel Malard: Escrever sobre si mesmo é uma prática altamente terapêutica. No momento em que surgir lampejos na memória, papel e caneta podem se tornar ferramentas mágicas. Não somente para os escritores profissionais, mas qualquer um que esquadrinhar os arquivos de sua existência.

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