sexta-feira, 25 de março de 2016

Armada: a involução de Ernest Cline


Se você se considera nerd e nunca ouviu falar de Ernest Cline, após ler esta resenha vá imediatamente a uma livraria (ou pegue seu Kindle) e leia Jogador Número 1 (Leya, 2012). Mesmo sendo o primeiro livro de Cline, a maturidade da trama é espantosa e não é raro encontrar alguém afirmando se tratar de um dos melhores livros da vida. O sucesso foi tamanho que Jogador Número 1 será levado aos cinemas por ninguém menos que Steven Spielberg.

É comum que, após um best seller estrondoso, a expectativa sobre o segundo livro de Ernest Cline fosse enorme. Eis que ele lança Armada (Leya, 2015), que tem uma boa história, mas bem distante do potencial atingido por Jogador Número 1.

Armada conta a história de Zack, um garoto sem muito rumo na vida que é o sexto colocado no ranking mundial no jogo que dá nome ao livro. Certa vez, ele está na escola quando vê, pela janela da sala de aula, uma nave espacial idêntica ao do jogo sobrevoando a vizinhança. Dias depois outra nave o abduz, provando que o game, na verdade, era um simulador militar para recrutar pilotos em uma batalha interplanetária.

Montanha-russa de qualidade

A história pode ser dividida em dois momentos, sendo o primeiro o mais interessante. Nessa parte, acompanhamos o dia a dia da vida de Zack e seu contato com uma pesquisa feita por seu pai já falecido sobre teorias da conspiração envolvendo videogames, filmes da cultura pop e seriados. A teoria funciona e consegue instigar o leitor. A segunda parte do livro inicia após a abdução de Zack e foca na guerra em si. É quando a história muda completamente de rumo e mergulha em uma série de clichês.

É difícil simplesmente qualificar Armada como um livro bom ou ruim. A obra segue uma montanha-russa de qualidade com momentos maravilhosos e outros não tão bons.

O que, sem dúvidas, joga a qualidade para baixo é o já citado número exagerado de clichês. São tantos que, em algumas situações, chega a ser possível prever os próximos passos da história. O encontro de Zack com um personagem na Base Lunar Alpha, por exemplo, é algo previsível desde a primeira parte do livro. E o relacionamento entre ambos após esse encontro continua com a mesma previsibilidade. Prova disso é a descoberta da identidade de RedJive, o lendário número 1 do ranking do jogo Armada. Nada original, ousado ou surpreendente.

Vale também ressaltar que é difícil dar credibilidade à guerra proposta por Cline. Se em Jogador Número 1, o Oasis era bastante verossímil, fica complicado acreditar que os líderes mundiais investiriam sua última esperança em personagens que agem, na maioria das vezes, sem noção da gravidade da situação, inclusive o próprio Zack. Com isso, não se transmite ao leitor um sentimento de urgência, o que Cline faz brilhantemente em Jogador Número 1.

É importante ressaltar que Armada não é um livro ruim. Tem momentos bons, que divertem, mas fica uma sensação de potencial não alcançado ao terminar a leitura. Cline tinha em suas mãos um material que poderia tranquilamente ser um novo O Jogo do Exterminador, clássico de Orson Scott Card, só que fica bem longe disso.

Se você não se considera um leitor exigente e gosta de vídeo-games, Armada foi feito para você... mas apenas se, de fato, não for um leitor exigente.



Compartilhe:

2 comentários:

Baixe a Revista (Clique Sobre a Capa)

baixar

E-mail: contato@fabricadeebooks.com.br

>> Para Divulgação Literária: Clique aqui

Ajude a manter a nossa revista. Doe, nossas edições são gratuitas para os leitores!

Curta Nossa Fanpage

Inscreva-se e receba nossas novidades por e-mail:

Anuncie e Publique Conosco

LIVRO: 666 - SINAIS - MARLI FREITAS

Posts mais acessados

LIVRO DESTAQUE

REVISÃO DE TEXTOS

REVISÃO DE TEXTOS
Revise o seu texto conosco.

Passaram por aqui


Labels