quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Escritores e realizadores indígenas trocam saberes no Itaú Cultural e Andrea Tonacci apresenta vídeos seus sobre diferentes etnias

Cena do filme "Já me transformei em imagem" - Foto Divulgação
Artistas de 11 etnias brasileiras e pesquisadores se reúnem no instituto em um ciclo de trocas
a partir da literatura e do cinema, com debates e exibição de filmes; o cineasta italiano radicado no Brasil exibe três vídeos entre os que gravou em 1979 e 1980 com indígenas
do Canadá à Patagônia; em projeto selecionado pelo Rumos Itaú Cultural 2014, a obra está sendo digitalizada e será depositada na Cinemateca Brasileira

Um raro encontro reúne escritores e realizadores indígenas durante três dias no Itaú Cultural. Entre rodas de debates, literatura, apresentações tradicionais e exibições de filmes, de 28 a 30 de setembro (quarta-feira a sexta-feira), artistas representando 11 etnias de 11 estados brasileiros e pesquisadores fazem um ciclo de trocas de conhecimento em Mekukradjá – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas. A curadoria é dos escritores Daniel Munduruku e Cristino Wapichana, da também escritora e realizadora Cristina Flória, da antropóloga e documentarista Junia Torres e do cineasta Andrea Tonacci – este último também exibe vídeos que realizou em comunidades indígenas no fim dos anos 70 e hoje formam o projeto Olhar: Um Ato de Resistência, selecionado pelo programa de fomento à produção cultural brasileira Rumos Itaú Cultural, na edição 2014.

Patricia Ferreira - Crédito: Acervo Pessoal
As discussões de Mekukradjá – palavra de origem caiapó, etnia do Mato Grosso e Pará, que significa sabedoria e transmissão de conhecimento – se organizam ao redor de cinco círculos e sessões de conversa. Os temas perpassam a atualidade de comunicação e a transmissão da história dessas diferentes etnias inseridas no mundo globalizado por meio da escrita e da imagem, o que move a sua produção nessas áreas, as contribuições literária e audiovisual femininas, os processos criativos e as políticas culturais (veja a programação com as sinopses das mesas e filmes).

Os curadores participam das mesas que reúnem, ainda, Ailton Krenak, Kaká Werá, Roni Wasiry Guará, Olívio Jekupé, Márcia Wayna Kambeba, Tiago Hakiy e Eliane Potiguara; e os realizadores Isael e Sueli Maxakali, Alberto Alvares, Divino Tserewahú e Patrícia Ferreira Mbya. Os debates contam também com não-indígenas – além de Tonacci, o ilustrador Maurício Negro, pesquisadora em linguística Maria Silvia Cintra Martins, o antropólogo, etnógrafo e escritor Massimo Canevacci, pesquisadora em antropologia e cinema, produtora e diretora do ForumDoc Junia Torres e a pesquisadora Patricia Mourão, também produtora do projeto Tonacci – Olhar: Um Ato de Resistência

Todos os participantes das diferentes etnias estão entre os mais representativos do movimento de literatura e cinema indígenas. Ailton Krenak é escritor e uma das maiores lideranças indígenas políticas e intelectuais que despontaram no final dos anos de 1970. O guarani Alberto Alvares se destaca como realizador e atualmente ministra oficinas para diferente etnias. Daniel Muduruku, que está completando 20 anos de literatura, é diretor presidente do Instituto UKA – Casa dos Saberes Ancestrais e autor de 50 livros para crianças, jovens e educadores. Desde 1990, o xavante Divino Tserewahú Tseptse se foca no registro de cerimoniais para o público da aldeia e segue o trabalho iniciado pelo irmão junto ao Vídeo nas Aldeias, um projeto de formação de realizadores indígenas.
Isael Maxakali aprendeu a filmar durante uma oficina com o cineasta xavante Divino Tserewahú e hoje conta com sete obras sobre a cultura indígena, realizadas entre 2007 e 2016. Kaká Werà é escritor, educador, psicoterapeuta, ambientalista e conferencista brasileiro de origem indígena caiapó, do grupo dos txucarramães. De origem Tapuia, ele se dedica, há 25 anos, ao empreendedorismo social com foco em comunidades indígenas e valorização de saberes tradicionais.
Roni Wasiry Guará é contador de histórias, pescador, e, como ele diz, rabiscador de palavras.  Tiago Hakiy graduou-se em biblioteconomia e é poeta e contador de histórias. Eliane Potiguara é professora, poeta, escritora, contadora de histórias e ativista social e política em favor dos direitos humanos dos povos indígenas. Márcia Kambeba é natural do Amazonas, escritora, poeta e ativista em políticas públicas em educação e formadora de professores indígenas. Patricia Ferreira da etnia Guarani-Mbya, é uma das cineastas mais atuantes nos quadros do Vídeo nas Aldeias. Sueli Maxakali, é fotógrafa e pesquisadora. Nascida em Água Boa, em Minas Gerais, entre os yãmĩyxop e, em 2007, criou com parentes a Aldeia Verde, onde vive e trabalha atualmente.
Tonacci e Olhar: Um Ato de Resistência
No final dos anos de 1970, o cineasta Andrea Tonacci ganhou uma bolsa Guggenheim e viajou pelos Estados Unidos, México, Guatemala, Peru e Brasil registrando comunidades indígenas. Em 2014, o programa Rumos Itaú Cultural selecionou o projeto Olhar: Um Ato de Resistência, proposto pela produtora Aroeira Filmes, em parceria com a Associação Filmes de Quintal e consultoria do próprio cineasta, para recuperar e copiar este material, até então guardado em bruto, e disponibilizá-lo a pesquisadores na Cinemateca Brasileira. 
Iniciação dos filhos espíritos da terra - Divulgação
Encerrando o encontro de Mekukradjá com a mesa THE STRUGGLE TO BE HEARD: Voices of Indigenous Activists (UMA LUTA A SER OUVIDA: Vozes de Ativistas Indígenas), frase de um ativista do movimento indígena americano Jimmie Durham, ele exibe três desses vídeos. Anuncia, ainda, o depósito do material à Cinemateca – um modo de estimular o debate sobre o cinema documental não só como forma de registro, mas como ferramenta para a construção da identidade cultural.

SERVIÇO

Mekukradjá – Círculo de Saberes de Escritores e Realizadores Indígenas
Encontro com mesas de debates, manifestações artísticas e exibição de filmes
De 28 a 30 de setembro (quarta-feira a sexta-feira)
Sala Itaú Cultural (254 lugares)
Piso térreo
Distribuição de ingressos:
Público preferencial – duas horas antes do evento
Público não preferencial – uma hora antes do evento
Entrada gratuita
Interpretação em Libras

Estacionamento
:
Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
R$ 10 pelo período de 12 horas. Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural: 3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 15.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.
Acesso para pessoas com deficiência física
Ar condicionado
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777
www.itaucultural.org.br
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