quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Alexandre Sarmento comenta sobre o seu novo livro Acima dos Deuses - Drago Editorial

Alexandre Sarmento
Alexandre Sarmento, autor de Acima dos Deuses, tem 32 anos e é natural da Cidade Maravilhosa. Administrador e gerente de projetos por formação, se viu mergulhado nas infinitas possibilidades que a fantasia poderia lhe proporcionar ainda aos 10 anos de idade, quando recebeu de presente uma caixa do jogo de RPG Dungeons & Dragons. A partir dali, sua vida nunca mais foi a mesma.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Alexandre Sarmento: Sempre fui um “nerd” convicto, mais adepto da leitura do que de videogames. Até hoje sou leitor de HQ’s, mas lembro de quando era bem garoto e ficava fascinado, por exemplo, com os clássicos livros do Pedro Bandeira — Pântano de Sangue, A Droga da Obediência... — enquanto a maioria dos meus colegas da escola achava que ler esses livros era uma verdadeira chatice.

Lá pelos onze, doze anos de idade, já envolvido com jogos de RPG, passava horas debruçado sobre os livros, capturado por suas ambientações maravilhosas, cenários cheios de vida e imaginando como seriam aqueles mundos mágicos e fantasiosos. Como na maior parte das vezes eu conduzia os jogos sob o papel de Mestre/Narrador, desenvolvi com o tempo um gosto todo especial por criar novas histórias e ambientações, desenvolver personagens e planejar aventuras que fossem capazes de deixar sua marca nos jogadores. E é assim até hoje.

Conexão Literatura: Você é autor do livro "Acima dos Deuses" (Drago Editorial). Poderia comentar?

Para adquirir o livro: Clique aqui
Alexandre Sarmento: Em 2008 o famoso jogo de RPG “Dungeons & Dragons” ganhou uma nova edição e na época era possível, através de algumas licenças, desenvolver material e publicá-los comercialmente. Entre os anos de 2009 e 2011, então, desenvolvi uma ambientação de fantasia — para os jogadores de RPG, um “cenário de campanha” — para o jogo D&D, publicando o material de maneira independente. Chamava-se OHMTAR (om-tár). O guia do cenário trazia, com detalhes, mundos fictícios: suas lendas, seus deuses, heróis, vilões e personagens icônicos, com humanos, elfos, anões e toda sorte de criaturas míticas compartilhando a mesma realidade. Criações minhas que preenchiam alegremente uma espécie de atlas de 540 páginas.

Mas não era o suficiente para mim. Havia a necessidade de ir além, de trazer à luz uma ou mais aventuras ambientadas naquele cenário que eu havia desenvolvido. Através das sessões de RPG, meus amigos mergulharam nesta jornada comigo e me proporcionaram trabalhar com personagens únicos, cheios de nuances e peculiaridades. Não sem motivo, digo que muitos desses meus amigos estão devidamente refletidos nos personagens de Acima dos Deuses.

As jornadas de seus heróis estão no livro, mas essencialmente é como se meus amigos estivessem um pouco no livro também. Relendo os diálogos eu ouço a voz de cada um deles, rio com eles, choro com eles e os tenho ao meu lado, ainda que fisicamente esteja cada um num canto, dentro ou fora do país.

Trazê-los para dentro do livro, tornando possível que seus personagens se misturassem a outros do cenário e fizessem parte dos eventos fantásticos da história narrada, foi a maneira que encontrei para retribuir todo o carinho que tive deles nos últimos anos. De colocá-los entre as grandes figuras de Ohmtar. Meus “Agentes do Destino”.

No fim das contas, Acima dos Deuses é uma aventura que fala sobre recomeços e, principalmente, sobre o fato de que histórias podem ser reescritas. Nem tudo é estático e uma mesma narrativa pode encontrar várias versões ao longo do tempo. O romance, assim, acaba sendo um novo ponto de partida para o cenário de Ohmtar, para novos e velhos leitores do cenário.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo demorou para escrever seu livro?

Alexandre Sarmento: Acima dos Deuses foi escrito entre os anos de 2013 e 2014. Um ano aproximadamente de desenvolvimento, considerando o tempo de planejamento do enredo e desenvolvimento. As pesquisas foram focadas no melhor uso possível do cenário de Ohmtar a ponto de manter a proposta de fantasia épica que ele fornece. Encontrar o tom da narrativa e ao mesmo tempo garantir um enredo amarrado e envolvente exigiu muito do meu tempo no início. Inúmeras vezes fui e voltei nos mesmos pontos até encontrar a história que eu realmente gostaria de contar e, da mesma maneira, fazer jus aos personagens que estariam presentes. Em 2015, consegui a bênção de passar a ter a Drago Editorial ao meu lado e com isso, hoje, o romance enfim vê a luz do dia.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

Alexandre Sarmento: Claro! Vamos lá:

“Do alto de uma montanha feita de ossos e corpos deformados, ergueu-se uma criatura de sangue e trevas. Como um rei de um mundo decadente, o monstro caminhou pelos campos inférteis de um pós-guerra trazendo consigo uma horda descomunal de mortos-vivos. Um exército de desmortos avassaladores, ferozes e brutais que lutavam contra tudo e contra todos. Nem mesmo os elfos com toda sua magia, nem mesmo os anões com suas fortalezas impenetráveis, nem mesmo os dragões com toda sua sapiência e poder ou os humanos e a determinação e resiliência que lhes são características, puderam resistir ao avanço daquele que ficou conhecido como O Destruidor de Mundos ou ainda, como O Senhor das Trevas.

Sua face negra e esquelética flutuava no alto de um corpo sombrio, com pontos vermelhos iluminando suas órbitas oculares vazias. Sem a necessidade de qualquer movimento, usando apenas o poder de sua mente alienígena, ele era capaz de partir céu e terra e de transformar em pó as cidades que tentavam resistir às suas tropas profanas. Quanto aos deuses... Bem, àquela altura os deuses já haviam caído e não havia lua ou estrelas banhando a noite que parecia durar uma eternidade. O sol havia desaparecido dos céus e deixado para trás apenas sofrimento e desesperança entre aqueles que imploravam por bênção e proteção. Entretanto, alguns poucos heróis poderosos e destemidos, teimavam em continuar lutando, mesmo que o próprio destino insistisse em dizer que era inútil.

Conhecidos como Agentes do Destino, esses heróis fizeram o possível para tentar garantir a continuidade do espaço-tempo e com isso, a sobrevivência de todo o multiverso. Combateram juntos as forças das trevas, liderados pelo último dos sacerdotes a guardar em si parte da centelha divina que antigamente pertencera aos deuses. O tal sacerdote era o único indivíduo cujas preces eram poderosas o suficiente para fazer esqueletos e zumbis voltarem para baixo da terra, afugentar espectros de sombras e alimentar a fúria e a determinação que mantinham aquecidos os corpos de cada soldado e de cada aventureiro que lutava ao seu lado.

Todavia, nem assim aqueles gloriosos heróis foram capazes de resistir ao Destruidor de Mundos. Seis dos Sete Mundos já haviam se partido e só restava a eles lutar sobre o solo de Agrippa, o Mundo Material, que era também o coração de todo o Multiverso. As florestas já estavam negras, mortas e os mares nunca foram tão revoltos com suas ondas cobertas de cinzas lançadas pelo maior de todos os vulcões. Tudo se encaminhava para o fim e quando o Último Sacerdote tombou em combate, a escuridão avançou de vez.

Cada ideia que dava forma a cada coisa, a cada indivíduo e a cada pensamento... Tudo se desfez... Só restou escuridão e silêncio.

Ainda não havia, contudo, lugar para o esquecimento. Como uma pequena borboleta brilhante, uma fagulha de luz atravessou errante a escuridão e pousou sobre um oceano negro. A luz que era branca, tornou-se violeta, índigo, azul, verde, amarela, laranja, vermelha e branca mais uma vez e espalhou-se por todos os lados, desfazendo as trevas com uma grande explosão iridescente. Assim fez-se a luz novamente. Assim renasceu o multiverso. Parte de toda a grandiosidade que a Existência foi um dia, mas já era um começo.

Um recomeço.”

Conexão Literatura: Se você fosse escolher uma trilha sonora para o seu livro, qual seria?

Alexandre Sarmento: Certamente a banda Sigur Rós, que é uma banda islandesa de post-rock. Trilhas sonoras de jogos como Diablo, God of War, Neverwinter, Baldur’s Gate e Pillars of Eternity estão sempre presentes, também, quando estou escrevendo ou revisando.

Conexão Literatura: Como os interessados deverão proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Alexandre Sarmento: O Acima dos Deuses está sendo vendido, hoje, através da livraria online da Drago Editorial (livrariadragoeditorial.com), da Livraria da Travessa (travessa.com.br) e fisicamente na Livraria Leitura do Shopping Metropolitano. Em breve o livro estará também em outras lojas. Além disso, para continuar acompanhando o trabalho ao redor do Acima dos Deuses, os leitores da Conexão Literatura podem acessar o site oficial do cenário OHMTAR (ohmtar.com) e acompanhar as novidades no Facebook (facebook.com/Ohmtar) e no twitter (@ohmtar).

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Alexandre Sarmento: Com certeza! Acima dos Deuses é apenas o primeiro dos romances ambientados no cenário de Ohmtar. Ainda que o romance seja uma história fechada, os futuros livros sofrerão as consequências dos eventos deste ponto de partida. O segundo livro já está escrito, o terceiro está em desenvolvimento e o argumento dos seguintes está planejado.

Ainda existem muitas histórias a serem contadas usando Ohmtar como pano de fundo e eu espero, de coração, que os leitores da Conexão Literatura mergulhem comigo nessa jornada e, principalmente, que se apaixonem por essa criação tanto quanto eu me apaixonei.

Perguntas rápidas:

Um livro: O Colecionador de Ossos, de Jeffery Deaver. Pode mais um? Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons.
Um (a) autor (a): Neil Gaiman.
Um ator ou atriz: Cate Blanchett.
Um filme: O Senhor dos Anéis — O Retorno do Rei.
Um dia especial: O lançamento do Acima dos Deuses!

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Alexandre Sarmento: Se você acredita que tem uma história para contar, conte. Escreva, jogue fora, escreva de novo. Monte seu próprio processo de escrita. Planeje. Mude o planejamento. Não se preocupe com a perfeição no início, apenas faça o seu melhor para que as ideias que você tem dentro da sua cabeça estejam em outro lugar que não somente com você. Se você confiar no que tem, corra atrás, publique. Nem que seja para meia dúzia de amigos que estão sempre ao seu lado. A imortalidade está nas ideias que você passa adiante. A vida passa, o dinheiro se esvai, as pessoas vão e vem. Mas as ideias e as histórias se perpetuam. E se multiplicam!

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