quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Brianna Oliva comenta sobre o seu novo livro Fragmentos de Tempo Soprados ao Vento

Nas profissões, como na vida, Brianna Oliva tem seguido os caminhos ditados pelo coração. É professora de arte, bacharel em design de interiores, bacharel em artes plásticas, e pós-graduada em história da arte. Além disso, participou de grupos de estudo sobre filosofia, uma das suas paixões, e é grande admiradora e estudiosa da cultura celta. Porém, é na fotografia e na escrita que encontra sua plena realização.
Mulher de mente inquieta, temperamento apaixonado, eterna aprendiz e curiosa sobre os meandros da vida.
Em janeiro de 2015, arrumou as malas e trocou o glamour da maior cidade da América Latina pela tranquilidade da vida nas montanhas. É num dos mais belos recantos do Brasil, em meio à natureza exuberante da Serra da Mantiqueira, onde atualmente vive com seu marido, fotógrafo português, que ela encontra sua fonte de inspiração.

ENTREVISTA:   

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Brianna Oliva: Acho que todo escritor começa como um leitor voraz. Eu sou filha única de pais idosos e quando criança não tinha com quem brincar, portanto, meus amigos eram os livros. Sempre fui apaixonada por eles, e ao chegar a adolescência meus pais atravessaram uma forte crise financeira, de modo que os livros em minha casa passaram a ser considerados supérfluos, uma vez o pouco dinheiro que entrava em casa era usado para outras necessidades (livro no Brasil sempre custou caro), mas eu não desisti. Comecei ali a frequentar as bibliotecas públicas semanalmente para pegar emprestado um livro.  Foi assim que li todos os Clássicos da Literatura Brasileira.
Quando tinha quatorze anos comecei a escrever e a sonhar com o dia que me tornaria uma escritora. Cheguei a me aventurar na escrita de um romance que acabou se perdendo em uma das inúmeras mudanças de cidade.
Aos quinze anos fui vencedora de um concurso estadual de poesia cujo tema era Natureza. De lá para cá, nunca deixei de escrever, inclusive diários e poemas, mas a vida me levou por outros caminhos e durante anos me deixou em outras “paragens”.  Só agora eu cheguei à conclusão de que a minha escrita estava suficientemente madura para publicar meu primeiro livro.  

Conexão Literatura: Você é autora do livro "Fragmentos de Tempo Soprados ao Vento”. Poderia comentar?

Brianna Oliva: Sim, claro! O livro “Fragmentos de Tempo Soprados ao Vento” aborda diversos assuntos através da poesia e da prosa poética. Posso dizer que é um transbordamento de emoções, de sentimentos que nos lembram a todo instante que não somos feitos apenas de matéria, que somos, acima de tudo, feitos de emoção.
O livro é também um diálogo entre a palavra escrita e a imagem. Sou fotógrafa, mas não concordo com a velha história de que uma imagem vale mais que mil palavras. Acho que imagens e palavras são complementares. É como numa relação de Amor. Gestos e atitudes são importantes, porém, as palavras alimentam nossa alma e reforçam o sentimento.

Conexão Literatura: Fale mais sobre as ilustrações internas (fotografias em preto e branco), elaboradas por você e pelo seu esposo, que é um reconhecido fotógrafo português.

Brianna Oliva: Conforme eu disse anteriormente, acredito que as imagens dão ainda mais força aos textos e isso é um diferencial.  Ao adquirir “Fragmentos de Tempo Soprados ao Vento” o leitor não apenas leva para casa um simples livro de poesia, ele leva também um belo acervo fotográfico.
Todas as fotografias foram cuidadosamente escolhidas de forma que embasam os textos, criando um casamento perfeito entre a imagem e palavra escrita.
Eu tive a honra de contar com o apoio do meu marido que gentilmente cedeu a maior parte das imagens e juntos, tivemos o cuidado ao escolher um papel de altíssima qualidade e ótima gramatura para a impressão do livro.

Conexão Literatura: Quanto tempo você levou para concluir a obra?

Brianna Oliva: O livro foi sendo construído aos poucos, ao longo de alguns anos.  Nunca tive pressa em escrevê-lo. Até porque, foi somente este ano que me ocorreu a ideia de tirá-lo da gaveta e trazê-lo ao mundo. A decisão de publicá-lo aconteceu no início de 2016, mas o caminho percorrido até a data do lançamento foi longo. É um processo demorado para qualquer pessoa que queira se lançar com responsabilidade nesse competitivo mercado literário.
Atualmente vejo autores escrevendo um livro por mês, lançando vários títulos por ano em algumas plataformas disponíveis no mercado. Nada contra, porém, definitivamente, esse não é o meu estilo. Sou meio tradicionalista. O que não significa que eu não lance mão da tecnologia que tenho ao meu dispor. Futuramente pretendo lançar “Fragmentos de Tempo Soprados ao Vento” em e-book também.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

Brianna Oliva: Citarei o excerto de uma prosa poética onde falo sobre a sensação de pertencimento e digo:
- [...] Sempre me vi como cidadã do mundo e sabia que minhas raízes estavam fincadas em cova rasa.
Apesar de reconhecer todas as belezas, explícitas e implícitas, daquele meu pedaço de chão seco, árido, aparentemente sem vida, onde a fertilidade era apenas oriunda dos meus sonhos, passei a vida inteira com a sensação de ser uma estrangeira naquele lugar que era meu próprio mundo...
Meu destino já está selado e as suas rotas estão traçadas. A bússola já indica a direção, as provisões estão sendo armazenadas, minhas preces já foram enviadas ao Universo, os rituais foram cumpridos, as bênçãos a Poseidon, o supremo dos mares, já foram solicitadas. Falta apenas o momento exato... Quando os ventos estiverem favoráveis para que eu possa soltar a âncora e lançar minhas velas ao mar.

Conexão Literatura: Poesia e prosa poética, fotografia e música se mesclam. Se fosse para você escolher uma trilha sonora para o seu livro, qual seria?

Brianna Oliva: Pergunta difícil, esta (risos). Na verdade, eu tenho uma trilha sonora para cada momento da minha vida. Música me inspira, música é vida e eu não sei ficar um único dia sem ouvir uma boa música, mas por incrível que pareça, em relação ao livro, eu ainda não havia pensado sobre isso. De qualquer modo, acho que “Fragmentos de Tempo Soprados ao Vento” combina perfeitamente com a trilha sonora do filme “Natureza Selvagem”. Seja pelo imenso amor que tenho pela Natureza ou mesmo pela sensação de Liberdade que carrego dentro de mim. Destaco dessa “trilha, a música ‘No Ceiling”, cujo texto traduzido diz:

“Já fui ferido, já fui curado
E para pousar já fui, já fui autorizado
Certo como estou respirando
Certo como estou triste
Manterei essa sabedoria na minha carne
Saio daqui acreditando em mais do que antes
Esse amor não tem teto”.

Conexão Literatura: Como os interessados deverão proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?

Brianna Oliva: Poderão adquiri-lo diretamente comigo através da Fanpage www.facebook.com/briannaescritora ou através da livraria virtual que criei para este fim, cujo endereço é: www.livrariaoficinadapoesia.com.br.
Para conhecer um pouco mais sobre mim e sobre o meu trabalho, basta acessar o site www.briannaoliva.wix.com/briannaoliva.
Mantenho também uma página no Instagram onde tenho contato com meus leitores:
@briannaescritora.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Brianna Oliva: Sim! Em março de 2017 será lançada em Lisboa, pelas Edições Colibri a maior Antologia da Lusofonia já publicada. E da qual orgulhosamente farei parte.
Tenho mais um livro de crônicas em andamento e um mega projeto que estou desenvolvendo em parceria com meu marido e com o apoio de um amigo indígena. É um projeto que aborda a vida, os costumes e a relação dos povos indígenas com os brancos, na região do Pantanal. Um trabalho de cunho histórico que envolve muita pesquisa, mas que desmitifica questões sérias que ao longo da nossa história foram sendo contadas de maneira deturpada, fomentando e perpetuando uma rivalidade sem sentido entre dois países irmãos: Brasil e Portugal. Queremos mostrar que a História nos é contada de acordo com os interesses vigentes de determinadas épocas e que nem sempre aquilo que aprendemos, nos bancos das escolas e/ou das universidades, é condizente com a realidade.
Para este último projeto, ainda estou em busca de patrocínio, pois os custos são muito elevados, já que envolve uma vivência de três meses em uma aldeia indígena, um livro com  cerca de 300 a 500 páginas, em tamanho grande, com muitas fotografia em cores e também um DVD, uma espécie de documentário.
   
Perguntas rápidas:

Um livro: O Mundo de Sofia
Um (a) autor (a): Isabel Allende
Um ator ou atriz: Al Pacino
Um filme: “O Óleo de Lorenzo’
Um dia especial: o dia em que tive meu livro impresso nas mãos, pela primeira vez.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Brianna Oliva: Apenas dizer que as editoras brasileiras precisam investir mais em novos autores cuja escrita tenha qualidade, de fato.  Que saiam um pouco daquele ciclo vicioso de “mais do mesmo”. Quero agradecer pela oportunidade de falar sobre o meu livro “Fragmentos de Tempo Soprados ao Vento” e mencionar meus projetos futuros.

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3 comentários:

  1. Deixo aqui o meu muito obrigada a toda equipe desta revista magnífica!

    ResponderExcluir
  2. Amei a entrevista, a Brianna é uma querida com um talento maravilhoso com as palavras e imagens!
    Abraços a todos.
    Sheila

    ResponderExcluir

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