quarta-feira, 5 de abril de 2017

Depressão Sazonal

Estou feliz, alimentada e amada. Nada me dói no corpo. No entanto, alguma coisa lá bem no fundo da minha alma reclama não sei o quê. Não sei se é o verão que já começa aprontar as malas para ir embora. Na verdade, esta mudança de estações sempre me provoca uma sensação esquisita, ainda que o calor continue insuportável. O outono faz seu prenúncio com um aroma de algo que não se pode explicar por palavras. Sinto no ar seu cheiro bom e triste que vem aos poucos me enredando. Não há como fugir disso. Depois do outono é fácil seguir, o inverno não me causa estranheza, muito menos a primavera, nem o verão. Mas o outono é inexorável demais. É a vida que passa. Não é sem razão que se costuma dizer: no outono de minha vida. A única coisa que permanece é a mudança, leio isto agora numa mensagem de uma prima. Benditas sejam as primas que tanto nos confortam!

Não sei, também pode ser que algum dos fantasmas do passado tenha vindo me assombrar, trazendo um arrepio de saudade ou de inconformidade. Eles sempre vêm, vez por outra. Ou ainda esta hora difícil quando escurece findando mais um dia e dando lugar a um crepúsculo sombrio que precede a noite. Tudo mexe com a gente. A sabedoria da madureza que não garante a felicidade, o silêncio pesaroso do crepúsculo, um arrependimento qualquer, a pilha de roupas para passar. Nesses dias estranhos mal consigo rezar. Tudo o que falo pra Deus soa falso e sem sentido, mas sei que é sincero. Deus também é inexorável demais, assim como o outono. Fez as estações para nos lembrar dos ciclos e das perdas irremediáveis, da vida que passa e da mudança que permanece. A nós só cabe aceitar. Deus é Deus. Bendito seja Ele.

 Penso nas impossibilidades que não consegui tornar possíveis. O real é tão tangível e visível aos olhos, mas teimamos em sonhar e viver de coisas impossíveis e etéreas, tateando o ar, mergulhados no escuro. Penso nos milagres tão sonhados e nunca vistos, nas árvores abatidas impiedosamente, no sol causticante, nas crianças sírias sofrendo tanto. Contudo tenho esperança porque o mundo é muito louco, a vida é imprevisível, triste, porém, bela. Ainda há flores, alguma sombra fresca, águas escorrendo das minas, o mar continua sendo um mistério, a gatinha pretinha ainda brinca de perseguir a bolinha de papel, o que me faz sorrir e quando eu sorrio fico mais bonita! Também enxergo sem óculos! Se puder, não se queixe, dizia Santa Teresa!

Tudo bem, que venha o outono, os fantasmas, o silencioso e triste crepúsculo! Nunca vamos compreender por que essas coisas nos afetam. Nosso lado oculto sempre vai ser mesmo o maior mistério do mundo! O que realmente a gente precisa não é tanto ser feliz, antes amar e armar-se de coragem porque é o que a vida exige de nós a cada dia.   

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