sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Em entrevista, Carlos Velázquez comenta sobre seu novo livro "Mitologias para o Século XXI - Facultas Characteristica"

Carlos Velázquez saiu do México, seu país natal, com vinte anos de idade para estudar por um ano na Espanha. Findado o curso, foi tocar seu violão pelas ruas de Madri e conseguiu dinheiro para chegar à França, onde estudou durante oito anos e casou com Alessandra, a cearense que o trouxe ao Brasil. Suas atividades profissionais, sempre ligadas à arte, foram instigando-o a se aproximar do mundo da fantasia, dos símbolos e dos mitos. Assim, durante muitos anos foi reunindo materiais, cada vez mais animado pelas possibilidades que os mitos oferecem à compreensão do espírito criativo, tanto nas artes quanto nas ciências ou em qualquer atividade que se faça com plenitude e vocação. 

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Carlos Velázquez: Quando era criança gostava de ler, ainda gosto muito. Era fascinado pelas histórias de Júlio Verne, de quem li, acho, toda a obra. Gostava de imaginar as aventuras tecnológicas de seus romances, embora hoje acredite que, sem que percebesse na época, sentia-me sempre muito intrigado com as reflexões humanas que acompanhavam as histórias.
Com doze anos de idade escrevi meu primeiro conto, mas, embora ainda ache, pelo que lembro, que era uma boa história, naquele tempo foi uma grande decepção: inscrevi o texto num concurso da escola e passei longe de qualquer premiação; assim que, ao menos por um bom tempo, minha carreira literária ficou encerrada por ali mesmo.
Já adulto, no meio universitário, como estudante e como professor, fui obrigado a reencontrar-me com a escrita e, como já era apaixonado e praticante assíduo da escrita musical, foi um caso de amor a primeira (re)vista. Desde então – falo de uns vinte anos – tenho escrito e publicado muitas partituras de música, artigos científicos, ensaios filosóficos e humanísticos e contos infantis e infanto-juvenis. Foi engraçado, nunca mais havia escrito contos, mas, num dos aniversários da minha filha mais velha, ela – que continua muito inventiva – pediu que o tema de sua festa fosse de tubarão. Imagina só! Onde você encontra decorações e lembrancinhas de tubarão para uma festa de aniversário de menininha?! Assim que, no desespero, decidi escrever um conto que na festa contamos às crianças e oferecemos como lembrança. O conto deve ter feito um pequeno sucesso já que, a pedidos, hoje é material paradidático em algumas escolas de Fortaleza.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Mitologias para o Século XXI - Facultas Characteristica” (Paco, 2017). Poderia comentar?

Carlos Velázquez: Acho que por ser músico já há um tempo que me sinto insatisfeito com os modos de produção científica no meio universitário. Me entenda, isto inclui as produções científicas dos cursos de música. Por quê? Porque, devido a questões principalmente políticas, a ciência no meio acadêmico procede por áreas de estudo e o que é estudado por uma área, digamos, a biologia, por exemplo, não pode ser estudado pela sociologia, porque “não lhe pertence”, política e burocraticamente pertence a outra área. Na música, como em outras formas de arte, procura-se a experiência estética, que é totalizante, isto é, não tá nem aí pra saber a quem pertence este ou aquele aspecto da experiência como, aliás, é na vida: vivemos aspectos biológicos e sociológicos – entre tantos outros – tudo ao mesmo tempo, tudo misturado em tempo real. Quero dizer que, se queremos entender nossa própria vida, precisamos abordá-la plenamente, em todas suas áreas de estudo.
A questão é que nossa ciência contemporânea não é a única maneira de conhecer sobre a vida, antes da era moderna as pessoas conheciam muito sobre o mundo através da mitologia, que além de ser um monte de histórias mirabolantes é, acima de tudo, uma forma de conhecimento e de pensamento que procura integrar todos os aspectos do que observa. O melhor dessa descoberta é que, para fazer mitos, basta fantasiar e a fantasia é uma coisa que continuamos cultivando nos tempos atuais. Tudo bem, não tem mais um xamã contando histórias para a gente ao pé da fogueira, mas temos literatura, filmes, seriados, fake-news, fofocas e, sobretudo, sonhos: ninguém, por ser moderno, parou de sonhar! ´Pois bem, decidi comparar mitos tradicionais com fantasias atuais e saíram umas coisas bem legais, acho interessante perguntar ao Batman, à princesa Valente ou ao Harry Potter – nossos mitos atuais – sobre quem somos e como vamos levando nossa própria existência.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Carlos Velázquez: Um bom bocado de tempo! Uns dez anos! Formalmente, o projeto, que foi apoiado pela Universidade de Fortaleza, aqui no Ceará, em colaboração com a Universidade de Aveiro, em Portugal, durou pouco mais de um ano. Mas para chegar a formular o projeto tive que me perguntar várias coisas e sempre correr atrás, falar com um monte de gente e, em especial, com meus queridos alunos do Movimento Investigativo Transdisciplinar do Homem – MITHO, que integramos em Fortaleza. Acho que quando você tem uma ideia mais clara do que vai escrever é porque, como dizia Clarisse Lispector, o texto já está pronto em algum lugar...

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?

Carlos Velázquez: Tia Petúnia Evans era irmã da mãe de Harry e havia ocultado os dotes mágicos que, a olhos vistos, o sobrinho havia herdado, porque sentia repulsa pela anormalidade mágica. Certamente tinha razão, a magia não é normal; mas é também verdade que a normalidade não impulsiona o desenvolvimento, este se deve ao extraordinário. O caso é que a normalidade industrial, comercial e financeira dos últimos tempos tende fortemente a censurar o extraordinário e engana-se com sofisticações pirotécnicas, confundindo evolução com engrossamento de lucros provenientes da comercialização de tecnologias. Repito o questionamento de Grindelwald: A quem protegemos escondendo o mundo bruxo? E adiciono uma resposta possível: a mediocridade dos normais.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Carlos Velázquez: O mais imediato é o site da editora: www.pacolivros.com.br, mas também encontra em grandes lojas com Amazon, Submarino, Lojas Americanas, Livrarias Cultura, Saraiva e Leitura.
Outras publicações saíram pela editora Armazém da Cultura: http://armazemcultura.com.br, pela editora portuguesa Chiado: https://www.chiadoeditora.com e pelo Clube de Autores: https://clubedeautores.com.br
Também podemos bater um papo no facebook, é só encontrar meu nome: Carlos Velázquez.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Carlos Velázquez: Continuo colaborando com a Universidade de Aveiro, acho que dentro de um tempinho vou publicar mais análises míticas sobre a sociedade contemporânea.
Na literatura infantil já, já vem por aí “O Rei Tavinho”, dentro da coleção “Cachinhos ao Vento”, que trata de um besouro-do-esterco e, para o público infanto-juvenil: “O mistério das Sombras” a primeira parte da trilogia “Crônicas de Anahí”, uma aventura jovem pelos caminhos da mitologia nordestina.
Estou coordenando um projeto ambicioso junto ao pessoal do MITHO e posso dizer que está ficando muito massa (acho que é a melhor expressão). Se trata de uma série de contos inspirados na mitologia contemporânea cearense. É um projeto que busca produzir literatura interessante para incentivar nos jovens o gosto pela leitura. Nesse projeto eu fico com a parte chata, um livrinho para dar ideias aos professores das escolas sobre como trabalhar com mitologia, mas fazer o quê, né?!

Perguntas rápidas:

Um livro: “Tratado de magia” de Giordano Bruno
Um (a) autor (a): Carl Gustav Jung
Um ator ou atriz: Damián Alcázar
Um filme: Festa no Céu
Um dia especial: O presente

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Carlos Velázquez: Recentemente uma pessoa que leu meu livro me disse que reconheceu suas experiências nas explicações que eu declinava da mitologia. Fiquei felicíssimo! Imagina: transcender a perspectiva de escrever simplesmente para chamar a atenção sobre si já é bem legal, mas partilhar a autoria da obra com seu leitor é a melhor conquista que se pode almejar!
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