sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Escritor mineiro lança Expedição Vera Cruz, livro que recria personagens folclóricos

Ronaldo Luiz Souza é escritor nascido na cidade de Santos Dumont, Estado de Minas Gerais.  Lançou na Bienal do Livro de Minas 2010 seu primeiro livro, Raízes e Asas, pela Editora Usina de Letras.
Em 2017, lançou o livro Expedição Vera Cruz na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, pela Editora Vermelho Marinho.
Publicou ainda na Amazon os e-books Glimpses I, Glimpses II, O Invasor de Memórias, O Fruto Ausente do Vosso Ventre, Até o Mais Temido Fim, e Enquanto Velo seu Sono. Os ebooks reuniram contos que haviam sido anteriormente publicados em duas dezenas de antologias, publicados por diversas editoras no Brasil sobre vários gêneros da literatura: drama, romance, fantasia, ficção científica, suspense e terror.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Ronaldo Luiz de Souza: Comecei na infância tentando escrever estórias em quadrinhos, depois, na adolescência, passei pela poesia e crônica; na juventude, desenvolvi contos, uma peça de teatro e um romance (estes dois últimos não publicados). Mais tarde então resolvi participar de antologias temáticas e gostei tanto, por estes livros reunirem sob um mesmo tema diversos escritores, que participei de duas dezenas delas. Lancei meu primeiro livro, Raízes e Asas em 2010, na Bienal de Minas.

Conexão Literatura: Você é autor do livro Expedição Vera Cruz (Editora Vermelho Marinho). Poderia comentar?

Ronaldo Luiz de Souza: Após escrever um conto sobre o folclore brasileiro para uma das antologias das quais participei, percebi que havia uma grande carência no mercado de livros sobre o folclore. Resolvi então escrever uma aventura ágil e sedutora ao público para recriar os personagens folclóricos desde sua origem e tentei fazer desta história um marco na literatura de fantasia nacional. 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Ronaldo Luiz de Souza: As pesquisas foram longas e extenuantes. Não teria sido possível escrever Expedição Vera Cruz, sem que antes houvesse toda uma pesquisa de base, não só folclórica quanto histórica, afinal, um dos personagens principais do livro é Dom Afonso, um nobre Português que veio ao Brasil em 1573. Comecei a ler tudo o que foi possível ser encontrado em livros físicos e ebooks – e como escritor sou também um leitor e consumidor inveterado de livros – e também o que foi possível encontrar na internet. Comecei com os primeiros cronistas brasileiros, como Pero Vaz de Caminha, Padre Antônio Vieira e outros. Folcloristas como Luiz da Câmara Cascudo e J. Simões Lopes Neto, além de livros sobre a história do Brasil e sobre os Templários e a Ordem de Cristo. Até mesmo livros sobre as condições de navegação e dos tripulantes das embarcações nos idos de 1500. Devo ter levado uns seis meses para levantar todo o material de pesquisa – cito os principais como bibliografia ao final do livro – e, ao longo de todo o trabalho de criação, quase sempre tive que parar e pesquisar algo a mais. Afinal, seria imperdoável deixar qualquer furo. A história foi, portanto, fortemente ancorada em pesquisas sólidas. O original foi concluído em cerca de uns três anos. Mas demorei mais algum tempo para, enfim, conseguir publicar, devido à dificuldade de inserção no mercado literário, algo que todo escritor brasileiro sabe bem como é.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Ronaldo Luiz de Souza: Vou destacar um trecho pequeno do livro para não cansar o leitor dessa entrevista e nem lhe adiantar pontos importantes da história. Este trecho se refere ao início do Manuscrito de Dom Afonso que ficou conhecido como O Livro Perdido, lembrando que Dom Afonso é o nobre português que veio para o Brasil e se enfurnou nas selvas, convivendo com os índios:

Eu, Dom Afonso Queiroz, nasci em Lisboa, Portugal, no ano de 1540 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Após a morte de minha amada e jovem esposa Joana de Albuquerque por uma doença fatal, deixei minha Terra Pátria em 1573 singrando os mares em direção às terras do novo mundo que tanto e entusiasticamente a mim falaram marinheiros e capitães de naus. O Paraíso neste mundo, em suma, é o que disseram. Que mais eu poderia desejar? Com o coração sangrando, desprovido de esperanças e enfastiado das mazelas humanas no Velho Mundo, perguntei a mim mesmo e aos céus que não salvaram minha esposa: haverá paz aos homens de boa vontade? Não tive respostas. E nem paz. Percebi, então, que se houvesse alguma esperança para mim, seria numa nova vida, num Novo Mundo. Temi a morte de minha esposa. A minha, não temo. Antes vim ao seu encontro em tão longa viagem. Não me importei. Quem sabe ela levasse-me de volta aos braços de minha amada esposa, lá, muito além da carne e da vida? Pois o que seria o paraíso senão uma leve sombra da felicidade que poderíamos ter vivido juntos?
Desenlacei-me de todas as minhas atividades e obrigações, embora uma última me tivesse sido imposta pelo Rei em pessoa, como pagamento e licença para a viagem ao Novo Mundo. Eu a desempenharia quando pisasse no Novo Mundo, e depois estaria livre, sem qualquer outra amarra de meu passado.
Deixei para trás a vida que conhecia e me atirei ao mar. Na travessia oceânica, furiosa tempestade nos atingiu e por pouco não naufragamos. Para mim fora uma santa graça não temer a morte. O mar não nos sepultou. Chegamos intactos à Terra de Santa Cruz. Meus olhos se deslumbraram com as cores e as belezas deste lugar, e de seus filhos e filhas, e todos os meus sentidos exultaram com seus frutos e perfumes, bichos e sabores. Tal qual antes me haviam enfeitiçado as notícias que daqui partiram e em Portugal aportaram. Não há de existir terra mais abençoada ou feliz. É aqui, afinal, o paraíso prometido. Nestas páginas relato tudo o que venho vivendo com os nativos. Seus medos e alegrias. Seus demônios e Deuses. Seus costumes, sua história, sua sabedoria.
O que me motiva? A simplicidade, a inocência e a alegria deste povo belo e inocente. E a profunda necessidade de conhecer outras formas de viver e de ter fé.
Talvez, no fundo, eu procure neste paraíso, entre tantos Deuses nativos, aquele que possa trazer-me de volta minha amada Joana. Há de existir aqui este Deus mais presente e misericordioso. Porque Demônios existem; já os vi e aqui também relato, como a tantas coisas, algumas comuns e outras estranhamente misteriosas, que tenho visto e vivido entre estes povos da floresta.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Ronaldo Luiz de Souza: Em breve Expedição Vera Cruz estará disponível nas livrarias; mas, por enquanto, o leitor pode adquirir diretamente comigo pelo e-mail rolusouza@gmail.com ou em contato com a Editora no site www.editoravermelhomarinho.com.br
O leitor também pode saber mais sobre meu trabalho e a disponibilidade dos livros na internet visitando meu site www.ronaldoluizsouza.com

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Ronaldo Luiz de Souza: Todo escritor sempre tem um “baú virtual” cheio de anotações e a mente sempre repleta de ideias para um novo livro. Comigo não é diferente. O difícil mesmo é escolher uma delas, lhe dar prioridade absoluta e transformá-la em uma obra de valor, porque o tempo disponível sempre é muito curto para fazer tudo o que desejamos. Entretanto, já consigo perceber no horizonte alguns projetos se delinearem.

Perguntas rápidas:

Um livro: O Senhor dos Anéis
Um (a) autor (a): Machado de Assis
Um ator ou atriz: Alessandra Negrini
Um filme: Fim de Caso
Um dia especial: O lançamento do meu primeiro livro, Raízes e Asas.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Ronaldo Luiz de Souza: Sim, vou recomendar fortemente que todos leiam Expedição Vera Cruz, pois, além de ser uma aventura instigante, a história traz muita informação sobre o folclore nacional, em virtude de todas as pesquisas realizadas, inclusive oferecendo uma gênese para alguns dos principais seres fantásticos de nosso folclore. E, claro, espero que todos se divirtam muito ao ler Expedição Vera Cruz.
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