domingo, 14 de janeiro de 2018

Da luta aos livros: Carolina Maria de Jesus

(…) em 1948, quando começaram a demolir as casas térreas para construir os edifícios, nós, os pobres que residíamos nas habitações coletivas, fomos despejados e ficamos residindo debaixo das pontes. É por isso que eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos.
Carolina de Jesus

Carolina de Jesus (Carolina Maria de Jesus, 1914-1977), está entre as primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil. Com problemas familiares desde a infância, era filha ilegítima e foi maltratada. Com muito sacrifício e apoio da mãe, frequentou a escola até o  segundo ano, aprendeu a ler e a escrever e foi justamente nessa época que começou a ter gosto pela leitura e escrita. Em seus manuscritos é fácil notar referências religiosas, mas Carolina foi expulsa da Igreja Católica, pois sua mãe tinha dois filhos ilegítimos. Já em sua fase adulta, também não foi readmitida na congregação, mesmo sendo católica devota. Com pouco estudo, foi uma mulher brilhante, sábia e visionária.

Sem dinheiro, Carolina só conseguia ler algo novo quando encontrava um livro ou revista que já tinham sido descartados por outras pessoas. Apaixonada pela leitura passou a escrever sobre o dia-a-dia na favela onde morava. Desempregada e grávida, isso em 1947, morando na favela do Canindé, em São Paulo, conseguiu emprego na casa de um famoso médico que liberou a leitura de seus livros de sua biblioteca particular, já que notou a paixão da empregada. Depois de ter mais dois filhos, passou a ser catadora de lixo, época em que voltou a registrar o seu cotidiano, somando vinte cadernos, sendo que um deles virou livro, intitulado “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. O livro foi um sucesso, tendo rapidamente três edições que somaram 100 mil exemplares vendidos e tradução para 13 idiomas, sendo vendido em mais de 40 países.

Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade. - Carolina de Jesus

Carolina teve o apoio do jornalista Audálio Dantas na publicação do seu livro “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”, isso depois dele conhecer seus manuscritos.

Além do seu cotidiano, Carolina descrevia fatos políticos e sociais, reflexões sobre a pobreza que pode levar uma pessoa boa ao desespero, traindo seus princípios e cometendo atos dos quais jamais pensariam em cometer, diferente da autora que sustentava os filhos com o que encontrava no lixo.
Carolina Maria de Jesus morreu em 13 de fevereiro de 1977, vítima de insuficiência respiratória.
Segundo algumas informações de um site inglês, Carolina vendeu cerca de 30 mil cópias de seu livro em apenas três dias.
A fama e o dinheiro trouxe rapidamente inimizades. Seus vizinhos passaram a hostilizá-la e até jogavam pedras quando ela passava na rua.

PARA SABER MAIS:
Em 2014, foi criado o Portal Biobibliográfico de Carolina Maria de Jesus, mantido por Sergio Barcellos. Além de informações sobre a autora, leitores poderão conferir em detalhes a sua biografia, além de sua história em imagens: https://www.vidaporescrito.com
 
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