quinta-feira, 29 de março de 2018

Entrevista exclusiva com Mario Sergio Cortella, por Sérgio Simka e Cida Simka

Prof. Dr. Mario Sergio Cortella - Crédito da foto: Nana Higa
Como acordado com a assessoria do prof. Dr. Cortella, resolvemos apresentar apenas quatro perguntas, dada a sua agenda pletorada, com viagens por todo o país. Mas, mesmo assim, o prof. Cortella conseguiu encontrar um tempinho para responder às perguntas da revista Conexão Literatura, em consideração a seus milhares de leitores, as quais vão abaixo.

Sobre o professor Mario Sergio Cortella:
Filósofo, escritor, com mestrado e doutorado em Educação e professor titular da PUC-SP, com docência e pesquisa na pós-graduação em Educação. É professor convidado da Fundação Dom Cabral. Foi secretário municipal de Educação de São Paulo (1991-1992), tendo sido antes assessor especial e chefe de Gabinete do prof. Paulo Freire. Comentarista da Rádio CBN nos programas Academia CBN e Escola da Vida. Possui mais de 30 livros publicados.

ENTREVISTA:

Revista Conexão Literatura: No seu mais recente livro, “A sorte segue a coragem”, você afirma, grosso modo, que a sorte depende mais da própria pessoa do que de causas externas a ela. Você vem romper o senso comum ao jogar nas costas do indivíduo a responsabilidade por seu sucesso ou fracasso. As pessoas estão preparadas para aceitar tal mudança de paradigma, uma vez que é mais cômodo atribuir o insucesso a causas que, muitas vezes, se encontram distantes e em relação às quais somos impotentes?

Mario Sergio Cortella: O sucesso e o insucesso não dependem somente da vontade e ação do indivíduo, pois há circunstâncias e variáveis no contexto que podem alterar uma rota sem que se deseje; contudo, o sucesso e o insucesso não estão isentos da postura ativa do indivíduo que, quando munido de persistência focal e competência flexível, é capaz de maior possibilidade autoral daquilo que tem êxito.

Revista Conexão Literatura: O conhecimento filosófico pode mudar a consciência das pessoas? Em que medida?

Mario Sergio Cortella: A Filosofia não é, de modo algum, garantia isolada e suficiente para alteração de consciência; contudo, tem a Filosofia, por ser introdutora da suspeita metódica e da busca das razões, um papel colaborativo na edificação de uma consciência que afaste uma vivência menos intencional e mais robotizada.

Revista Conexão Literatura: Você foi o último orientando de Paulo Freire. Como era a sua relação pessoal/acadêmica com ele? Para você, qual foi o maior legado que Paulo Freire deixou?

Mario Sergio Cortella: O maior legado freireano foi a explicitação de duas virtudes essenciais: a Humildade Intelectual e a Esperança Ativa. Pela primeira aprendemos a aprender com quem pode nos ensinar, isto é, qualquer outra pessoa que saiba o que ainda não sabemos; pela segunda aprendemos a não ter aspirações e desejos movidos somente pela expectativa imóvel e sim pelo protagonismo persistente. Nos 17 anos que com ele convivi pude fruir desses ensinamentos e vê-lo praticá-los de modo sincero e animado.

Revista Conexão Literatura: Como analisa a questão da leitura num país como o nosso? O baixo índice de leitura do brasileiro é uma das formas de a classe dominante promover a ignorância institucionalizada?

Mario Sergio Cortella: Toda restrição aos usos e domínios da cultura letrada é uma expropriação de autonomias e uma pilhagem social que fere a decência coletiva e precisa envergonhar quem com ela é conivente. Por isso, as elites não conseguem a proteção privilegiada de seus interesses somente com atitudes deliberadas mas, especialmente, pelo silêncio acovardado e pela cumplicidade emudecida de quem, não sendo componente dessas elites, as serve, mesmo sem consciência nítida disso. 

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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