quarta-feira, 28 de março de 2018

José Paulo Lanyi e o livro Deus me disse que não existe (Chiado Editora)

José Paulo Lanyi
José Paulo Lanyi é profissional de cinema, dramaturgo, escritor e jornalista, trabalhou em diversos veículos de comunicação, como as TVs Globo, Bandeirantes, Manchete, CNT, CBN e a Rádio Globo. Foi colunista da revista "Imprensa" e dos portais Comunique-se e Observatório da Imprensa. Publicou vários livros (romance, teatro, crônica e crítica). Autor da peça "Quando Dorme o Vilarejo" (Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, encenada em São Paulo, em 2008, com o apoio da ONU). Também produz seu próximo filme, o longa "Bodega", cujo roteiro assina e que dirigirá ao lado de Tristan Aronovich ("Alguém Qualquer"). É membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?


José Paulo Lanyi: Meu primeiro livro foi “Calixto- Azar de Quem Votou em Mim” (O Artífice/MHW), um romance que conta a história de um ex-deputado, Jonas Calixto, que, abandonado em um asilo, resolve se vingar da sociedade mostrando que político nenhum presta, inclusive ele. Isso foi no ano 2000, muito antes da Operação Lava Jato.

Conexão Literatura: Você é autor do romance cênico “Deus me disse que não existe” (Chiado Editora). Poderia comentar?

José Paulo Lanyi: É uma comédia. Deus e o Diabo conversam em uma “zona neutra” e, depois de muita DR, resolvem acabar com o Céu e o Inferno. Chegam à conclusão de que esse modelo está esgotado. Lúcifer é o narrador e aproveita para puxar a brasa para a sua sardinha. Conta as suas aventuras, faz propaganda do seu reino e tudo o que pode para desmerecer o seu oponente (ele não acredita que Deus seja seu amigo, apesar das juras do Senhor). O Diabo conduz a sua história com a ajuda de seus conselheiros, todos personalidades históricas: Gengis Khan, Messalina, Cleópatra, Tamerlão, Sejano e Torquemada. Já adianto que este é o que mais sofre, coitado (risos).

Conexão Literatura: E o que você diz sobre o romance cênico?

José Paulo Lanyi: É uma estrutura híbrida, alia o romance tradicional ao teatro. É uma narrativa longa em prosa e em diálogos. Em meio a tudo isso, delimitei falas e ações que integram uma peça de teatro pronta para se encenada. Temos, assim, um romance e uma peça de teatro, tudo junto. É um ótimo exercício literário. Há que se dominarem a prosa e o diálogo. Espero que os escritores se exercitem nesse gênero.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

José Paulo Lanyi: Esse livro eu escrevi com certa rapidez. O texto fluiu bem. Escrevi a primeira versão em poucos meses, sem pressa. E como na obra as personagens reais que foram para o Inferno têm muito de fictícias, não houve necessidade de uma pesquisa que exigiria muito mais se estivéssemos falando de um realismo histórico. 

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?

José Paulo Lanyi:

Eu não diria que é o mais legal, também gosto de vários outros, mas destaco este, por exemplo:

“Começamos como uma lojinha de fundo de quintal. Não vou dizer que os anjos riam da nossa cara. Não, isso eles não fazem. Mas que sorriam, sorriam... Aquele sorriso compassivo dos pais que veem os filhos fazendo bobagem. Os alados não se preocupavam com os nossos avanços. Achavam que bastava estar ao lado de deus para vencer todo o universo. Mas nós trabalhávamos do lado de cá. Eu e Meus primeiros sequazes. Anos depois éramos milhares. Fui o precursor de todos os grandes conquistadores terrenos. Comandei várias expedições e explorei cada milímetro do planeta em busca de almas defeituosas. É verdade que havia matéria-prima de sobra... Mas fui pertinaz o suficiente para impedir que as primeiras vitórias cultivassem a semente da acomodação. Hoje somos mais poderosos que a concorrência. Hoje os anjos não sorriem mais. Hoje muitos deles desertam para o nosso lado. Hoje temos um território tão vasto que se arrasta para os próprios limites do reino inimigo. Temos centenas de milhares de sentinelas. Temos muitos milhões de delatores. Temos bilhões de habitantes que tudo fariam para cear comigo em palácio. Temos tecnologia para devassar a mente e o sentimento de cada um dos nossos compatriotas. Somos o próprio Poder!”

Note: “Eu e Meus primeiros sequazes”. O Diabo sempre escreve com inicial maiúscula os pronomes que se referem a si mesmo. E deus, Lúcifer escreve assim, com inicial minúscula (risos).

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

José Paulo Lanyi: O primeiro lançamento do “Deus me disse que não existe” em São Paulo será no dia 18 de abril, uma quarta-feira, às 20 horas, na produtora LAFilm, que fica na Rua Coronel José Eusébio, 37/53, Higienópolis, próximo ao Cemitério da Consolação; o segundo será no dia 12 de maio, um sábado, às 15 horas, no tradicional Projeto Autor na Praça, que fica no Espaço Plínio Marcos, uma tenda no meio da Feira de Artes da Praça Benedito Calixto. Haverá tempo para um bom bate-papo literário. E quem estiver de férias em Portugal será bem-vindo ao lançamento em Lisboa, que será no dia 7 de julho, no Chiado Café Literário, na Rua de Cascais, 57, bairro de Alcântara.

Mas o livro já está à venda on-line (em euros) para países lusófonos (link: https://www.chiadobooks.com/livraria/deus-me-disse-que-nao-existe)

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

José Paulo Lanyi: No cinema, vou dirigir, ao lado do Tristan Aronovich, o meu primeiro longa-metragem, “Bodega”, filme que também escrevi. É sobre o Caso Bar Bodega, um episódio de injustiça social terrível da década de 90 em São Paulo. Ainda estamos em fase de captação, sob o comando da Luciana Stipp, produtora da LAFilm. Já estão confirmados no elenco atores do nível de André Ramiro, Vera Fischer, Paulo Miklos e Milhem Cortaz. Também vou dirigir, com o André Ramiro, o documentário “O vencedor das ruas”, sobre a vida do coletor de lixo e maratonista Ivanildo Dias de Souza; e, com o Emerson Luciano Jussiani, o nosso Macarrão, dirigirei o documentário “Alma de Batera”, sobre crianças e adolescentes com síndrome de Down que aprendem a tocar bateria, graças ao pessoal do projeto “Alma de Batera”.

Perguntas rápidas:

Um livro: “Como era verde o meu vale”, de Richard Llewellyn. Homenagem a uma leitura comovente da infância que muito me impressionou. Virou um filme do John Ford.
Um (a) autor (a): Machado de Assis
Um ator ou atriz: Daniel Day-Lewis
Um filme: Na verdade, três: a trilogia “O Poderoso Chefão”, do Coppola. E abuso com a citação de mais um: “O Anjo Exterminador”, de Luis Buñuel.
Um dia especial: Cada um em que estou com a minha esposa, Geisa, e com a nossa gata, Amarelinha.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?


José Paulo Lanyi: Um pensamento: apesar do caráter do meu personagem Calixto e de tantos outros do mundo real, não desistam da política. Ela é necessária, fez e ainda haverá de fazer muita coisa boa pelo nosso país. O Jonas Calixto é o mau político. Mas nem todos são como ele. E não se esqueça de que a política é uma expressão do fazer popular. O povo tem que melhorar, de um modo geral. Nós todos temos que melhorar. Se fizermos isso, a política também melhora.
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