sexta-feira, 27 de abril de 2018

A Imaginação do Homem, por Roberto Fiori


As histórias de ficção e os contos de fada sempre estiveram conosco, desde tempos imemoriais. Perdidas na imensidão do passado do Homem, foram uma necessidade dele de, não só se distrair, mas de fazer uma verdadeira higiene mental, ao imaginar, exprimir o que seu inconsciente lhe reservava. Os sentimentos, as emoções, são exteriorizadas dessa maneira. Uma criança que não tem contato com o lado “fantástico”, vamos dizer assim, do que a cerca, crescerá com uma parte de seu ser incompleta. A Fantasia, proveniente de nossa imaginação, é algo que faz a criança sonhar, ter esperanças em um futuro melhor. Mesmo os contos de terror são ferramenta que a criança pode usar para externar seus medos, comparando o que lê e vê na Fantasia de Terror com seus terrores reais.

A Fantasia é apontada por Bruno Bettelheim, famoso psicanalista austro-americano, como um meio de as crianças se sentirem bem consigo mesmas, experimentando emoções novas, sentindo e vivenciando histórias da imaginação que abrem sua mente a pensamentos e raciocínios inovadores. Para Bettelheim, essas ficções ajudam a criança a recriar internamente seus próprios dramas pessoais, pois permitem que elas se imaginem na história e aprendam a lidar com seus conflitos interiores. Por meio dessas narrativas, a criança vislumbra maneiras de lidar com seus medos, suas falhas, assim como de superar e resolver problemas que são obstáculos para seu desenvolvimento. Assim, filmes como Star Wars (Guerra nas Estrelas) possibilitariam à criança a reviver a saga do herói, onde elas se identificariam com seus personagens e demonstrariam os rituais de passagem dela e suas diversas etapas de seu desenvolvimento interior.

Mas o que seria a Imaginação? Pergunto a vocês essa questão básica, tão básica que acompanha o ser humano desde que ele adquiriu consciência de si mesmo, como indivíduo separado do seu objeto primeiro de afeição, sua mãe.

A Imaginação do Homem é limitada ou ilimitada? Possui um extremo, isto é, haveria um ponto a partir do qual o Homem não conseguiria mais pensar em nada realmente novo? Seria a Imaginação proveniente do envio de substâncias químicas pelos neurotransmissores através das sinapses, de neurônio para neurônio? Ou seria o resultado de impulsos elétricos? Ou, ainda, seria algo mais complexo, o produto da passagem de substâncias químicas de neurônio a neurônio, mais o efeito da passagem de microcorrentes elétricas entre os neurônios?

Imaginar, posso afirmar com categorização, é algo que nos distingue de todos os outros animais. Não estou falando do fato de construir uma imagem, apenas. Mas de raciocinar logicamente, ao lado de uma miríade de imagens que acompanhem tais raciocínios. Existem pássaros que podem resolver problemas mais complexos do que simplesmente procurar comida, evitar perigos, executar o ritual de acasalamento. Pássaros podem conseguir comida através de uma série de desafios, como abrir portinholas e passar por caminhos pré-determinados que levam à comida. Isso pode ser chamado de pensamento, mas é um nível de raciocínio bastante primário.

Imaginar, em minha opinião, é tudo isso e muito mais. Imaginação como a que o Homem apresenta significa abranger o Universo. Olhar para os pontinhos no céu, à noite e pensar que podem ser algo mais que somente focos de luz. Podem ser algo como o que há à luz do dia: o Sol. Observar um raio atingindo uma árvore, provocando o início de uma queimada e perceber que pode-se conseguir o fogo, através de métodos como o atrito. Isso é verdadeiramente imaginar e constituir um raciocínio que leva um passo à frente em nossa evolução — e proporciona a nós mesmos a sobrevivência como indivíduo e como espécie.

Imaginar é sobreviver. Imaginação como a descrevi, somente o ser humano conseguiu atingir. Seja a partir de estímulos dos sentidos, seja por uma descarga neurotransmissora de eletricidade e substâncias químicas, o fato da capacidade de se elaborar uma imagem complexa e raciocinar a partir dela constitui o que chamo de imaginação.

Sabemos tão pouco sobre nosso cérebro, que “ver” através dos olhos da mente pode ser algo mais do que simples passagem neuroquímica através dos sentidos. A parte emocional conta. Nosso inconsciente, o receptáculo de emoções, lembranças e ideias, reprimidas ou acessáveis, influencia em muito nossa imaginação. Suponha que uma pessoa tenha perdido sua família em um acidente e que bloqueou as imagens de tal fato, de tal modo que somente através de hipnose pode conseguir lembrar delas. Se ela não tiver consciência de tais lembranças, poderá nunca conseguir se lembrar. Mas em um processo mais aprofundado, ela poderia vir a “lembrar”, vamos dizer, através de codificação de símbolos, pelo processo do sonho.

Sonhos são a porta aberta para o inconsciente. É outra forma de imaginar, de pensar. Mas inconsciente. Tal meio de se imaginar algo proibido e reprimido vem a se tornar concreto pela psicanálise dos sonhos. O sonho decifrado, ou decodificado, fornece as chaves para se resgatar experiências traumáticas, também. Esta pessoa, pensando sobre a tragédia da perda de seus pais, mesmo que sob o efeito da hipnose, não deixa de fazer uso de sua capacidade de imaginar.

Einstein afirmou que “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”. Ele queria dizer que somente o acúmulo de informações não é o suficiente. Conhecimento sem se ter como raciocinar e imaginar sobre ele é o mesmo que não se ter conhecimento. Trabalhar com a mente de forma a se conseguir algo novo a partir de simples informações é possível através da arte da imaginação.

Escrever ficção é constantemente imaginar. O processo de criação de uma história baseia-se nas lembranças que o escritor tem do que já leu, no conhecimento que ele tem sobre como escrever, aliado a um senso de “pensar sobre”.

Alguns têm mais capacidade de escrever do que outros. Não porque não conseguem elaborar uma imagem e um pensamento que façam parte da narrativa. Mas porque não se treinaram para colocar em aberto suas experiências, medos e frustrações no papel. E ainda vou além: tudo que nos cerca pode servir de base para uma história de ficção. Basta treinar o cérebro e manter o inconsciente ativo, seja através dos sonhos, seja por processos como a terapia psicanalítica.
Foto divulgação
O sonho: a porta de entrada do inconsciente humano.

Os contos de fadas: uma saudável forma de a criança evoluir, identificando-se com os personagens e desenvolvendo o seu interior, através da saga do heroi. Com a ajuda das histórias de fantasia, a criança pode lidar com seus conflitos interiores.


Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
Pelo site da Amazon: Clique aqui.
Compartilhe:

2 comentários:

  1. Ótimo artigo! Não apenas para os que gostam de viajar por idéias novas e interessantes, mas também para os que dão valor à criatividade (que, junto com a inteligência, nos trouxe até aqui), que depende totalmente da imaginação.

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigado, Maurício! Imaginar é elaborar novas ideias, pensando e raciocinando sobre elas. Todo homem, mulher e criança com capacidade para imaginar está à frente do que é meramente instintivo e intuitivo.

    ResponderExcluir

Baixe a Revista (Clique Sobre a Capa)

baixar

E-mail: contato@fabricadeebooks.com.br

>> Para Divulgação Literária: Clique aqui

Curta Nossa Fanpage

Siga Conexão Literatura Nas Redes Sociais:

Receba nossas novidades por e-mail (você receberá um email de confirmação):

Anuncie e Publique Conosco

Posts mais acessados da semana

EDITORA DRAGO

EDITORA PENALUX

LIVRO DESTAQUE

LIVRO: TRAVESTIS BRASILEIRAS EM PORTUGAL

FUTURO! - ROBERTO FIORI

ENCONTRE UMA EDITORA PARA O SEU LIVRO

LIVRO: TRAVESSURAS DA MINHA MENINA MÁ

Passaram por aqui


Labels