domingo, 8 de abril de 2018

Diana Navas e o livro Literatura juvenil dos dois lados do Atlântico, por Sérgio Simka e Cida Simka

Diana Navas - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Costumo me definir como uma pessoa apaixonada por literatura. Desde criança, sempre gostei de ler e, até hoje, onde estou, sempre há um livro comigo.  Em razão disso, fiz graduação em Letras e, neste curso, tive a oportunidade de conhecer professores que alimentaram ainda mais a minha paixão e interesse pelos estudos literários. Tão logo concluí o curso, iniciei o meu mestrado na PUC-SP e, na sequência, o doutorado na USP, sempre centrando minhas pesquisas na área da Literatura, mais especificamente a Literatura Portuguesa, da qual pude ainda mais me aproximar em meu pós-doutorado, realizado na Universidade de Aveiro, Portugal. Nesta trajetória que venho percorrendo, acredito que a presença e orientação do professor Dr. Fernando Segolin foi muito significativa. Com a postura de um verdadeiro mestre, ele me ensinou o que era viver a literatura e, não apenas, falar dela; foi com ele também que compreendi,  na prática, o poder humanizador dessa arte da palavra. Hoje, ministro aulas no curso de pós-graduação (mestrado e doutorado) da PUC-SP e busco compartilhar com meus alunos e orientandos esses aprendizados, bem como minha paixão pelos livros e a crença no poder transformador da leitura literária.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros.


Meus dois livros iniciais, Narcisismo Discursivo e Metaficção e Figurações da Escrita, ambos publicados pela editora Scortecci, respectivamente em 2009 e 2013, correspondem às minhas pesquisas desenvolvidas no âmbito do mestrado e do doutorado. Trata-se de obras que assumem como foco as reflexões acerca da produção romanesca de António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa na contemporaneidade, mas, infelizmente, ainda pouco lido no Brasil.
Em 2017, juntamente com a professora portuguesa Dra. Ana Margarida Ramos, escrevi o livro Literatura Juvenil dos dois lados do Atlântico, publicado pela editora Tropelia & Companhia, em Portugal. Nesta obra, resultado de meu estágio pós-doutoral, tive a oportunidade de me debruçar sobre a produção contemporânea destinada preferencialmente aos jovens, comparando as obras brasileiras e portuguesas, o que me permitiu verificar o quanto estas duas literaturas dialogam, embora ainda permaneçam, seja no meio crítico ou no mercado editorial, voltadas de costas uma para a outra, separadas pelo Atlântico.
Nos últimos três anos, tive a oportunidade de organizar, juntamente com colegas muito talentosos, três outras obras, publicadas pela BT Acadêmica: A Literatura Juvenil na Contemporaneidade: histórias, caminhos e representações (2016), Educação & O belo e o sublime (2017) e Produção literária juvenil e infantil contemporânea: Reflexões acerca da pós-modernidade (2018). Nestas obras, nas quais tenho capítulos publicados, refletimos sobre a produção literária destinada às crianças e jovens, bem como sobre o espaço da literatura na escola, reflexões essas que podem auxiliar a todos que se interessam pela questão da leitura literária na contemporaneidade.
Como o leitor interessado deverá proceder para saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?
O leitor interessado poderá me conhecer um pouco mais por meio do Facebook ou, então, por meio de mensagens para o e-mail: diana.navas@hotmail.com .  Já os meus livros podem ser hoje encontrados nas livrarias e, virtualmente, na Amazon, no formato digital.

Como analisa a questão da leitura no país?

A leitura no Brasil é uma questão que merece, além de muita reflexão, ações imediatas e permanentes. Há poucos dias, um relatório do Banco Mundial divulgou um dado alarmante: nós, brasileiros, levaremos 260 anos para podermos atingir o patamar de leitura de países desenvolvidos. Essa informação apenas reforça os dados obtidos na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a qual indica a precária situação leitora de nosso país.
Ainda que ações de incentivo à leitura, em especial por meio da distribuição de livros, por meio de Programas do Governo Federal, tenham sido adotadas ao longo dos últimos anos, é imprescindível repensarmos no processo de formação do leitor, o que implica, por seu turno, reconsiderar a formação do professor. Isso porque, mais do que a oferta de exemplares de qualidade –  o que, sem dúvida, é mister, em nosso contexto educativo – é necessário o desenvolvimento de formação junto aos professores, no intuito de cooperar com a formação crítico-leitora daqueles que estarão à frente do trabalho com o texto literário em em sala de aula. É preciso que sejam eles capazes de indicar/selecionar textos, reconhecerem a qualidade estético-literária sem que necessária se faça a “recomendação” das editoras. Esse importante passo é também aquele que deve ser oferecido ao leitor em formação, a quem deve ser permitido escolher, em diferentes momentos do processo, aquilo que deseja ler. Este ato, aparentemente simples, implica, no entanto, uma atitude emancipatória, a qual se deseja também ser atingida na vida social de cada um dos indivíduos envolvidos no processo de formação leitora.
Considerando que a prática leitora, em especial dos textos literários, é fundamental no processo de desenvolvimento da autonomia do indivíduo na busca de informação e do conhecimento, possibilitando, desta forma, a formação do cidadão consciente de seus direitos e deveres, com uma postura ética, crítica, curiosa, criativa, ativa, participativa e reflexiva, capaz de exercer um papel significativo na tomada de decisões na sociedade em que está inserido, a necessidade de repensarmos a questão da leitura é de extrema urgência, a meu ver.

O que tem lido ultimamente?


Em razão de minhas pesquisas na literatura juvenil, tenho lido bastante as obras preferencialmente endereçadas aos jovens leitores. Dentre os últimos livros lidos, estão: Intramuros, de Lygia Bojunga; Aos 7 e aos 40 e A trilogia do adeus, de João Anzanello Carrascoza; além de obras como Anatomia do Paraíso, de Betriz Bracher, esta última destinada ao público adulto. Apesar de adorar os clássicos, a literatura contemporânea me fascina.
Em termos teóricos, o último livro lido foi Escritas de si, escritas do outro, de Diana Klinger, uma obra indispensável para aqueles que se interessam pela questão da autoficção.

Quais os seus próximos projetos?

Além de continuar com meu trabalho de professora, orientadora e pesquisadora, tenho muito desejo de poder realizar um trabalho social com a literatura. Almejo muito fazer com que a literatura chegue aos mais diferentes espaços e públicos sem o seu viés pedagogizante e “escolarizado”.  Em outras palavras, gostaria muito de realizar um projeto em que as pessoas pudessem vivenciar a literatura, conhecer o seu prazer e potência transformadora.

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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