sábado, 14 de abril de 2018

Marcos DeBrito e o livro "A Casa dos Pesadelos" (Faro Editorial)

Marcos DeBrito - Foto divulgação
Cineasta premiado, MARCOS DEBRITO vem sendo considerado a grande renovação na produção de filmes de suspense e terror no Brasil. Começou a escrever histórias que lhe vinham à cabeça apenas para lidar com seus próprios medos, na esperança de esconjurar seus demônios e calar as vozes que não o deixavam em paz. O destaque de sua produção está na crueza como retrata as diferentes faces do mal, mas não é apenas isso. Todas as suas histórias contêm elementos de mistério e surpresas que desafiam o público a desvendar a mente dos personagens. Diretor, roteirista e escritor, “A Casa dos Pesadelos” é seu quarto livro publicado, e o segundo pela Faro Editorial, onde lançou “O Escravo de Capela”. “Condado Macabro”, seu primeiro longa-metragem, foi lançado nas salas comerciais em 2015 e vem mostrando a força de sua narrativa em festivais por todo o país e no exterior.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como teve início a sua paixão pelo suspense e terror, dos quais vem trabalhando continuamente em filmes e livros de sua autoria?


Marcos DeBrito: Não tenho certeza se eu descreveria como paixão. Talvez seja mais uma sina. Abracei um medo particular e comecei a desenvolvê-lo nas histórias. E quando eu escrevo, não penso que estou fazendo algo de gênero. Minhas histórias misturam muito romance, medo e descoberta. O terror acaba aparecendo, mas não porque eu planejo desde o início. Primeiro, penso na mensagem que quero passar. Depois, a maneira. E como eu acredito que as verdadeiras descobertas sobre nós mesmos vêm após uma crise, tento criar a trama principal a partir de situações insustentáveis.

Conexão Literatura: Você é autor do novo livro “A Casa dos Pesadelos” (Faro Editorial), Poderia comentar?

Marcos DeBrito: Esse livro é algo novo que estou tentando trazer para minha escrita. Não é tão carregada na influência do ultrarromantismo e tem uma lógica diferente de reviravolta. Nos livros anteriores, costumo trazer surpresas ao longo da trama para, no final, dar uma resolução inesperada, porém conclusiva. No “A Casa dos Pesadelos” eu quis trazer essa reviravolta para dentro do leitor. O livro termina com um contexto intolerável que eu poderia dar um desfecho, mas preferi deixar a decisão aos leitores. Não é um livro apenas de entretenimento, mas também de denúncia. Fala muito sobre traumas, como eles surgem e como nos influencia até a vida adulta. É um texto sobre descobrimento pessoal; sobre como a compreensão do passado pode influenciar uma escolha futura.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Marcos DeBrito: Por não se tratar de um livro de época ou ambientes que desconheço, é um texto mais baseado em lembranças da minha fobia noturna. Há uma romantização, mas a grande fonte de inspiração foi aquele medo infantil que todos tínhamos ao ir dormir. Como é um texto mais direto, curto e sem necessidade de muita pesquisa, foram poucos meses. Demoro um pouco mais que o necessário porque sempre escrevo antes como roteiro para cinema. Devo ter levado uns quatro meses nesse processo, depois mais uns cinco para adaptar.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Marcos DeBrito: Há trechos mais sentimentais que gosto muito, principalmente no relacionamento entre os personagens Tiago e Camila — dois adolescentes complicados — mas vou deixar aqui a descrição do monstro que assombra o rapaz na madrugada:

“Os olhos da criança contemplaram com mais detalhes os aspectos tenebrosos do monstro à meia-luz. Em seu corpo volumoso, uma das pernas parecia ter sido amputada para dar lugar ao membro de madeira. Na cabeça enorme, de pele verdosa e enrugada, o rosto tinha a aparência de um cadáver inchado em putrefação, com as órbitas carcomidas pelos vermes que deixaram nada além do vazio das cavidades oculares, fundas e negras. Mesmo que a medonha aberração se mantivesse hirta em sua vigília, apenas espiando sem adentrar o dormitório, Tiago não aguentou ficar enxergando o reflexo macabro daquele vulto hediondo cobiçando-o. Como se as cobertas tivessem o poder de protegê-lo do mal à soleira, pôs-se rapidamente debaixo delas e rezou, de dentro do seu intransponível forte imaginário, para que o fantasma retornasse ao lugar de onde viera.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?

Marcos DeBrito: Além de poder adquiri-lo em todas as livrarias online, “A Casa dos Pesadelos” também estará espalhado por quase todas as lojas do país. O pedido foi tão grande que o livro nem havia chegado às livrarias ainda e já precisou de reimpressão. As pessoas podem me seguir no Instagram (marcos_debrito) ou minha página de autor no Facebook (À Sombra da Lua). Sempre estou postando novidades por lá.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?


Marcos DeBrito: Sempre. O mais urgente é a adaptação para as telas do “A Casa dos Pesadelos”. Já estamos com a Letícia Spiller e Rosamaria Murtinho confirmadas no elenco. Estamos em negociações de patrocínio e esperamos filmá-lo no segundo semestre. Fora isso, estou terminando o quinto livro, que trata do apocalipse sob uma ótica mais filosófica, juntando a ciência e religião com um pouco de terror (sempre, rs). Quero terminar esse para poder, finalmente, me dedicar à continuação do À Sombra da Lua, meu primeiro livro.

Perguntas rápidas:


Um livro: Macário
Um (a) autor (a): Álvares de Azevedo
Um ator ou atriz: Rosamaria Murtinho
Um filme: A Dark Song
Um dia especial: Prefiro um mês: agosto.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?


Marcos DeBrito: Apenas agradecer o espaço. Sempre muito bom falar sobre literatura. Estamos vivendo uma época boa para o gênero, que em breve se tornará ótima! E isso acontece por termos esse tipo de abertura para falarmos sobre nossas obras.
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Um comentário:

  1. Adorei conhecer aqui mais um pouco de Marcos de Brito,sou de outro Pais e foi surpresa grande que fazia filmes e escrevia.Sua escrita não conheço ,mas lendo um pouco sobre que escreve,aguça a curiosidade. Vou pedir a um amigo para comprar,e me enviar.Parabens Marcos de Brito

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