terça-feira, 8 de maio de 2018

O professor Luiz Alfredo Garcia e o livro “Teoria Musical – Estruturas Rítmicas, Melódicas e Harmônicas”

Luiz Garcia - Foto divulgação
O professor Luiz Garcia nasceu no Rio de Janeiro em 15 de janeiro de 1968, é compositor, violinista, arranjador, autor do livro “Teoria Musical – Estruturas Rítmicas, Melódicas e Harmônicas” foi professor do município do Rio de Janeiro e da Escola de Música Villa-Lobos. Foi regente da Camerata Guerra-Peixe da Escola de Música Villa-Lobos, participou da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFRJ e da Camerata do IBGE, fez recitais na França, na sala Cecília Meireles, Teatro Municipal de Niterói, Escola Nacional de Música e várias salas de espetáculos. Atualmente é membro do duo “Garcia/Perez” de violino e piano e é professor de prática musical na FAETEC. O professor LUIZ GARCIA tem experiência de mais de 30 anos na área. Prepara alunos para universidades, Ordem dos Músicos e demais instituições de música.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?


Luiz Alfredo Garcia: Quando ainda dava aulas de teoria musical e harmonia na Escola de Música Villa-Lobos, senti a necessidade de dinamizar o método de ensino e de aprofundar o conhecimento dos alunos em relação a teoria musical, visto que essa matéria era enxergada por muitos alunos como pouco importante. Iniciei fazendo algumas apostilas, porém logo percebi que teria que me dedicar mais e inserir a questão didática nas apostilas. Com o passar do tempo e com minha tendência perfeccionista as apostilas se fundiram em um livro de mais 400 páginas e que nessa reedição revisada terá mais de 500 páginas.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Teoria Musical – Estruturas Rítmicas, Melódicas e Harmônicas”. Poderia comentar?

 
Luiz Alfredo Garcia: Procurei abordar o assunto “teoria musical” como uma matéria viva, dinâmica, pulsante, assim como a música. As pessoas têm que entender que a música está em eterno desenvolvimento e que a teoria musical também segue esse rumo. Nos concertos não se toca mais só música clássica, não se toca mais músicas escritas somente em um pentagrama. Existem infinitas possibilidades de notação musical, efeitos, instrumentos, timbres, variações rítmicas, tonais etc. que acabam por fazer a música de hoje se inserir também no campo da filosofia. É uma arte em movimento, não podemos deixar de ver isso. Obviamente nenhum livro consegue abranger todo conteúdo de uma matéria e o meu não seria diferente, entretanto busco ampliar os horizontes da teoria musical. Busco que o leitor entenda que a teoria musical não estacionou na época de Beethoven.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Luiz Alfredo Garcia: Foram cinco anos de pesquisa e mais de 200 títulos pesquisados. Além disso podemos somar minha experiência na área. Não foi um trabalho fácil, creio que a parte mais trabalhosa foi a de classificar corretamente alguns assuntos. Sabemos que na teoria musical muitos assuntos são simplesmente deixados de lado ou explicados de forma não satisfatória. No mundo atual os leitores não aceitam mais imposições teóricas. O autor tem que apresentar bons motivos para que o leitor aceite aquela ideia. Seguindo esse pensamento tive que pesquisar todos esses títulos para poder cruzar as informações, filtrá-las e junto com o meu conhecimento e experiência chegar a um denominador comum.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Luiz Alfredo Garcia: Creio que o primeiro capítulo é fundamental por mostrar o verdadeiro intuito da obra, demonstrar que a música é viva e dinâmica. Outro fator que o primeiro capítulo mostra é que a obra está toda estruturada sobre os parâmetros do som: altura, intensidade, duração e timbre. Cada capítulo está relacionado a um desses parâmetros.
A visão de eterno desenvolvimento, da busca do novo também é demonstrada nesse capítulo. Essa busca também tem seu efeito contrário pois muitas vezes a afasta do povo. A música de concerto composta hoje em dia está muito distante do povo e por sua vez a escrita musical contemporânea está muito longe dos próprios músicos. Muitos músicos não entendem as pesquisas e composições feitas por compositores como Luciano Berio, Toru Takemitsu, Karlheinz Stockhausen, Jocy de Oliveira, Tato Taborda e outros. Precisamos pelo menos fazer os músicos, estudantes de músicas ou amantes da música entenderem que existe muita coisa além de Mozart, Chopin e Tchaikovsky, isso sem tirar o mérito desses grandes compositores.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre o seu trabalho?

Luiz Alfredo Garcia: No momento estou em processo de revisão para a reedição do livro, mas a obra pode ser encontrada meu site. Ele remete ao site da editora. O interessante de o leitor entrar no meu site é que lá tem fotos do dia do lançamento, entrevista, depoimentos, currículo, contatos etc. O site é esse: https://gar-alfredo.wixsite.com/luizgarcia/livro

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Luiz Alfredo Garcia: Sim, estou escrevendo um livro sobre a vida do amigo e violinista João Daltro de Almeida, que foi spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira. Esse livro é um projeto que faço junto com ele. Também vou preparar a segunda parte do livro ‘Teoria Musical – Estruturas Rítmicas, Melódicas e Harmônicas” que será apenas de exercícios. Além disso estou com um esboço de um outro livro sobre as escolas violinísticas.

Perguntas rápidas:

Um livro: Olhai os lírios do campo.
Um (a) autor (a): Machado de Assis
Um ator ou atriz: Barbra Streisand
Um filme: Quo Vadis
Um dia especial: Natal

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?


Luiz Alfredo Garcia: Sim. É preciso entender que a música é uma arte que necessita de grande dedicação e esforço cerebral intenso. Ninguém fica impune após estudar música, algo muda, a pessoa se torna mais consciente de suas capacidades e consegue ampliar seus horizontes. Poucos sabem que até mesmo para se passar para uma universidade de música no Brasil é necessário que se faça uma prova prático/teórica subdividida em no mínimo quatro itens: Prova teórica, solfejo melódico, leitura rítmica e execução do instrumento que domina. Nenhuma outra área estabelece esse nível de dificuldade para se entrar em uma universidade. Isso prova a seriedade e a dificuldade dessa arte. Estudar e escrever um livro sobre os alicerces da música é um esforço que requer muita concentração para não se passar informações erradas e que possam manchar uma arte milenar tão pura.
    Penso também que a sociedade atual tem a triste tendência de misturar arte criadora, arte pensada, elaborada cuidadosamente por pessoas esforçadas e muitas vezes com anos de estudo sobre a matéria, com espetáculo de mídia. Nem todos que sobem em um palco estão ali para pensar música, suas possibilidades de evolução, de escrita ou seu impacto atual no ser humano. Devemos saber dividir bem o que é música pensada de forma mais criativa, lógica e estudada e espetáculo de mídia. Não há melhor nem pior, apenas uma diferença que deve ser bem entendida. A discussão entre música apolínea e dionisíaca já foi esgotada por Nietzsche, resta apenas entendermos. Entendendo isso conseguiremos dar valor aos dois lados de forma mais equânime e assim a produção de livros como o meu seria uma constante fazendo com que a literatura musical se desenvolvesse mais no Brasil.
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