sábado, 23 de junho de 2018

Geraldo Peçanha de Almeida e o livro Meditações para começar o dia, por Sérgio Simka e Cida Simka

Nesta entrevista, o psicanalista, educador, escritor e conferencista internacional Geraldo Peçanha de Almeida, doutor em Letras/Literatura pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), nos fala sobre sua trajetória de leitura e seu 63º. livro, publicado pela Wak Editora.

Fale-nos sobre você.

Meu início de leitura foi muito tardio, eu era criança, morava na zona rural e lá, naquela época, não havia acesso aos livros por várias razões. Mais tarde fui para um colégio interno e comecei a ler o que havia na biblioteca de lá, porém sempre coisas muito diferentes. O que aconteceu mesmo para a minha grande transformação para a leitura foi fazer o mestrado e o doutorado em teoria literária. De lá pra cá  eu me joguei na leitura, mas como era de se esperar eu me liberei para ler tudo, o que eu gostava e o que eu precisava e desde então não parei mais de ler e comecei a escrever. Já se vão 18 anos escrevendo.

ENTREVISTA:

Você está lançando o seu 63o. livro. Fale-nos sobre ele. O que o motivou a escrevê-lo?

Eu  escrevi muitos livros para educadores na época em que eu estava em sala de aula atuando ainda como professor, então eu aproveitava os meus questionamentos e os questionamentos dos colegas e fazia o meu diálogo com os temas que me eram pertinentes. Depois iniciei a escrita de livros para crianças, o que me motivou muito a estudar psicologia e psicanálise porque o leitor infantil tem características que não sei bem explicar, mas sinto que são diferentes. Daí nasceu a vontade de trabalhar em consultoria e foi então que comecei a atender como psicanalista. Dessa experiência de psicanálise surgiu o desejo de escrever textos de autoconhecimento, como prefiro chamar e hoje este meu novo livro é justamente advindo dessa realidade - quero dizer algo para as pessoas e da forma que eu acredito e vejo diariamente no consultório. O livro - Meditações para começar o dia - é baseado em ensinamentos budistas, porque sou professor de budismo hoje, bem como de meditação, daí nasceu a vontade de fazer a união entre prática e texto, surge assim meu novo livro. Acredito que os textos de autoajuda hoje estão tomando esse formato, eles seguem uma linha de pensamento mais fixo, como, por exemplo, quem é cristão tem texto para tal, quem é budista tem texto para tal, quem é espírita tem texto para tal e assim por diante. 
 
Como o leitor interessado deverá proceder para saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?

Eu estou em todas as redes sociais. Tenho todas as mídias possíveis e nelas tenho um contato muito direto com os leitores que perguntam, enviam e trocam todo tipo de questões e percepções. Isso é realmente muito bacana hoje, pois faz com que o escritor esteja sempre em reciclagem.
Site: www.geraldoalmeida.com.br

Como analisa a questão da leitura no país?

É urgente deixar de dizer que o país não lê porque não tem políticas públicas para leitura. Isso não é mais verdade, as pessoas não leem porque não querem, não têm paciência, e a leitura exige solidão para saborear e hoje as pessoas querem estar conectadas o tempo todo, quer dizer, não dá pra se tornar um leitor na multidão, é preciso estar sozinho para saborear.
 
O que tem lido ultimamente?


Leio hoje basicamente texto de ensinamentos budistas porque é o meu momento de consumir estes textos. Neles, por incrível que parece, há muita fábula, muita história que já remonta há milhares de anos, não só ensinamentos, há de tudo e são textos que seguem outra lógica de pensamento, a oriental, sempre muito instigante para nós no Ocidente, que temos uma forma de pensar sempre com finais felizes.

Quais os seus próximos projetos?


Os próximos livros serão infantis, também sobre felicidade, porém para crianças e baseados nos mesmos ensinamentos, sairão ainda este ano. Além disso, agora estou inaugurando um projeto novo -  PROJETO CORAÇÃO DE PÓLEN - onde as pessoas encontrarão um espaço de meditação, uma grande biblioteca para estudos

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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