terça-feira, 19 de junho de 2018

Guillermo Luis e o livro Kardec e os espíritos, por Sérgio Simka e Cida Simka

Guillermo Luis - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Sou ilustrador e quadrinista, formado em artes gráficas em Buenos Aires, minha cidade natal. Vim morar no Rio de Janeiro em 1985 e desde lá trabalhei como ilustrador e artista gráfico em diversas agências e produtoras. Em 2009 entrei como diretor de arte no espetáculo teatral "Allan Kardec - Um Olhar para a Eternidade", com direção da atriz Ana Rosa. A peça conta a biografia do Codificador, subitamente surgiu em mim grande interesse pela vida e a obra de Kardec e, consequentemente, a incorporação na minha vida da Doutrina Espírita. Costumo dizer que sempre fui espírita, mesmo antes de sabê-lo, fui criado em uma família católica, e estando certo da imortalidade da alma, os ensinamentos e os dogmas do Catolicismo não preenchiam minha espiritualidade. Foi quando conheci de fato a Doutrina Espírita que comecei a ver a Luz, os vazios da minha religiosidade e minhas indagações foram finalmente respondidas. Trabalhando neste espetáculo fiquei fascinado pela vida e obra do Allan Kardec, pela sua formação inicial e seu rápido envolvimento com o mundo espiritual, pelo conteúdo da sua importante obra e pela transformação radical que deu ao mundo da espiritualidade.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seu livro.


Trabalhando nestes eventos espíritas, percebi que existia um segmento ainda muito pouco explorado na divulgação da doutrina através da arte, principalmente nos quadrinhos, que é uma leitura inovadora, contemporânea, fácil, colorida e dinâmica. Como sou ilustrador e quadrinista, além de amante da vida e obra do Kardec, nada melhor que fazer este trabalho e assim contribuir com a divulgação da nossa Doutrina, unindo assim o útil ao agradável. 


Fale-nos sobre o processo de criação desse livro.

Em relação à biografia do Kardec realizei uma rigorosa pesquisa biográfica. Senti que era uma grande responsabilidade falar sobre os ensinamentos de Kardec e para fazê-lo de forma correta e consciente, organizei diversas informações de seus mais importantes biógrafos. O livro contém citações extraídas literalmente de Henri Sausse, Anna Blackwell, André Moreil, Jean Prieur, Zéus Wantuil e Francisco Thiesen, enfim, os grandes escritores que nos mostraram a vida de Kardec. Também "quadrinizei" alguns contos e romances de Silvino Canuto de Abreu e relatos e conclusões do próprio Allan Kardec do livro “Obras Póstumas”. Para complementar encontram-se também dados novos, extraídos de investigações recentes sobre sua vida e obra.  A história foi realizada com um “estilo Kardec”. O Livro dos Espíritos foi a organização, classificação, desenvolvimento, revisão e finalmente codificação  de respostas a uma série de questões. Da mesma forma, eu organizei diversas informações, extraídas literalmente dos biógrafos. De cada biógrafo fui tirando uma característica da história de Kardec, por exemplo, tomemos a época de Yverdon, quando Kardec estudava no Instituto Pestalozzi: a biografia escrita por Henri Sausse comenta que o jovem Rivail substituía Pestalozzi na direção da escola quando este se ausentava, eu fiz uma história com esse tema. Já a biografia de Zéus Wantuil comenta que durante sua educação ele percebeu a rivalidade religiosa entre os alunos e que tentou unificar as crenças, também fiz uma história com esse tema. Já Anna Blackwel diz que o jovem Rivail gostava de botânica e fazia caminhadas pelos lagos suíços, coletando espécimes para seu herbário, também fiz uma história com essa temática. Desta forma o leitor se encontrará com trechos de vários biógrafos, com o que acredito que este trabalho venha resultar ser uma das mais completas biografias de Kardec.  Eu tenho um traço muito pessoal que tende ao engraçado, mas ao desenvolver o estilo que iria ter a arte do livro, tanto os personagens quanto seus quadros de fundo, deveriam ter um traço adulto e alegre ao mesmo tempo. Mesmo porque o livro se destina a jovens e adultos, não é um livro para crianças. No caso do personagem Kardec, busquei tirar um pouco aquela imagem do homem metódico, científico, observador, nas poucas fotos que temos do Kardec aparece com essa posse rígida, séria, severa... dá até um pouco de medo. Procurei dar a ele uma imagem alegre, jovial e humana, mostrar um personagem por trás do homem. Outra característica era a sua estrutura física, nas fotos que temos de Kardec ele está com 62 anos, já idoso, mas como era ele aos 50 ou 55? Achei que, por tratar-se do herói da história, ele devia passar uma imagem sólida, ser um pouco mais altivo e forte. Com muitos esboços, muita dedicação e muita inspiração mediúnica consegui chegar ao personagem.

Como o leitor interessado deverá proceder para saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?

O livro foi lançado recentemente, em abril/2018 e está tendo uma aceitação que superou grandemente minhas expectativas, então, considerando que a Lachâtre possui larga experiência no mercado editorial espírita, acredito que em breve o livro estará à disposição nas principais livrarias (espíritas ou não) e, desta forma, muitos poderão ter acesso ao meu trabalho. O livro também se encontra disponível no site da Editora Lachâtre. www.lachatre.com.br

Como analisa a questão da leitura no país?

Hoje a tecnologia invade o ser humano com suas mídias revolucionárias: tudo agora vem em fotos, vídeos, animações, aplicativos, etc. Acredito que tudo isso tira, de certa forma, o interesse de muitos jovens pela leitura de livros. Aumenta, em tempo meteórico, a velocidade da informação, temos a presença de imagens e vídeos em toda comunicação, parece que não há tempo para ler muito texto. Acho que temos que buscar "elos" entre essas novas linguagens e o velho e bom livro, acredito que os quadrinhos sejam um bom meio-termo. E tenho certeza que será um incentivo para os jovens, o projeto busca ser uma "ponte" para as obras básicas da Codificação. Fazer nascer o interesse e levar o leitor a se remeter ao trabalho original de Kardec. Para o iniciante no Espiritismo acredito que será ideal, pois as biografias clássicas sobre sua vida e “O Livro dos Espíritos” (600 páginas, 29 capítulos, 1.019 questões e centenas de observações) podem resultar numa leitura um tanto ‘pesada’ , seja criança, jovem ou adulto. “Kardec e os Espíritos” busca ajudar este público de uma forma introdutória. E para os espíritas já conhecedores da vida e obra do Codificador, será uma oportunidade de reler a suas biografias e um resumo de O Livro dos Espíritos de uma forma diferente, mais leve, animada, colorida e dinâmica. Espero que gostem.

O que tem lido ultimamente?


Envolvido totalmente neste trabalho, tenho me dedicado à leitura de O Livro dos Espíritos (que já li pela terceira vez) e O Livro dos Médiuns, para a elaboração do próximo volume. Tenho lido vários dos livros mais significativos de Divaldo, principalmente da Joanna de Ângelis, tentando conhecer e me aprofundar mais e mais nesta personagem altamente complexa. E também "devoro" quadrinhos, estou sempre com alguma revista na mão ou, como é atualmente, lendo pelo computador.

Quais os seus próximos projetos?

Pretendo quadrinizar os 4 livros pendentes de Allan Kardec ("O Livro dos Médiuns", "O Evangelho segundo o Espiritismo", "O céu e o inferno" e "A Gênese"), além do "Obras Póstumas", sempre alternando os textos da obra com a vida e trajetória de Kardec. A vida do Codificador é extremamente rica e curiosa em fatos e descobertas e acho fundamental todos a conheceram. Também tenho elaborado outro projeto que trata da vida de Joanna de Ângelis, outra figura que tem histórias incríveis para serem contadas.

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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