sexta-feira, 15 de junho de 2018

O Último Dia Sobre a Terra


Por *Roberto Fiori

Um futuro próximo... onde foi descoberto um meio de se visualizar o passado. A máquina, o cronoscópio. As consequências disso: a espionagem, o fim da privacidade e da independência de toda Humanidade, uma vez que o cronoscópio poderia ser construído em casa, facilmente. A vida das celebridades seria vasculhada a pente fino... bem como a do seu vizinho, do seu patrão, do seu pai, da sua mãe. Todos veriam tudo o que todos estariam fazendo no instante em que se acionasse a máquina, em cada casa.

Essa é a trama do conto O Passado Morto (The Dead Past), de um dos maiores escritores de Ficção Científica e Divulgação Científica que já surgiu na História: Isaak Yudovich Ozimov, ou simplesmente Isaac Asimov, como é conhecido. Nascido na Rússia, em Petrovichi, cidade a oeste da antiga U.R.S.S., na região atual de Smolensk, Rússia — perto da fronteira entre a Rússia e a Bielorrússia. Asimov aprendeu a ler sozinho inglês aos cinco anos e falava fluentemente o iídiche e o inglês, línguas com que se comunicava sempre com seus pais.

Asimov poderia nunca ter escrito um livro, ou vivido muito: na Segunda Grande Guerra, subiu ao posto de cabo, devido à sua habilidade como datilógrafo. E por pouco não foi convocado para participar dos testes nucleares no atol de Bikini, em 1946. Escreveu e/ou editou mais de 500 volumes e redigiu mais de 90.000 cartas, sendo que possui obras nas principais categorias no Sistema de Classificação Bibliográfica de Dewey, utilizado em escolas e bibliotecas públicas de todo o mundo.

Asimov faleceu de consequências advindas de contrair AIDS, devido a uma transfusão de sangue, numa operação de by-pass, ocasionando falha cardíaca e renal. Foi cremado e suas cinzas espalhadas.

Carl Sagan fala que Asimov escreveu com competência sobre todos os assuntos, desde Matemática, a Religião. Suas principais obras de ficção são: Trilogia Fundação (Fundação (Foundation), Fundação e Império (Foundation and Empire), Segunda Fundação (Second Foundation)), O Despertar dos Deuses (The Gods Themselves) e os livros sobre os robôs positrônicos (Eu, Robô — I, Robot; The Naked Sun, The Caves of Steel, entre outros).

Seus volumes de não-ficção, ou divulgação científica, são inúmeros. Destes, destaco Escolha a Catástrofe (A Choice of Catastrophes), Civilizações Extraterrenas (Extraterrestrial Civilizations), O Cérebro Humano (The Human Brain) e O Colapso do Universo (The Collapsing Universe).

Mas... e se você soubesse que amanhã é o último dia de sua vida? O que você faria? Pergunta capciosa ou ardilosamente perversa? Veja bem, seria melhor para todos que não soubéssemos o dia de nossa morte ou que tivéssemos a certeza absoluta que amanhã, ou depois de amanhã, ou exatamente daqui a um mês, viríamos a falecer? Não estou falando da causa da morte. Isso seria pedir demais, não? Não é suficiente termos consciência de que vamos deixar este mundo — com seus momentos de prazer e alegria, satisfação e júbilo —, a sabermos se vamos morrer sofrendo terrivelmente ou apenas morreremos dormindo, o que seria a forma mais indolor de morte imaginável?

A Terra, como descrita em O Passado Morto, se tornaria insuportável, devido à espionagem que todos fariam contra todos. Haveria caos, haveria mortes em um número repentinamente assustador, a sociedade livre não mais existiria, para ninguém. Isso é uma forma de Fim do Mundo.

De que adiantaria saber quando eu irei desaparecer da face da Terra, se souber que logo, logo, não poderei mais ganhar dinheiro para gastá-lo, aproveitar a vida em família ou não terei mais a possibilidade de ser feliz, nunca mais? Mas, seguindo essa linha de raciocínio, pensemos então que, agora, assim como todos os organismos vivos da Terra e, até onde sabemos, do Universo, o ser humano nasce, vive e invariavelmente morre. Se o homem tem consciência de si próprio, e preza muito sua vida, não seria uma tortura inimaginável e constante ele saber que um dia irá morrer, com 100 por cento de certeza?

O que leva o ser humano a viver, sem pensar na morte de forma torturante? O Homem existe como Homo Sapiens Sapiens, ou a forma atual de evolução, há poucos 20 mil anos. Há dez mil anos atrás inventou a agricultura. Luta para viver, para obter alimento, para se reproduzir, para deixar algo em nosso planeta que seja mais do que somente seu esqueleto, que em pouco tempo reduzir-se-á a cinzas, após a sua morte. O instinto de autopreservação do Homem, isto é o que o faz sobreviver a todo custo. Pode-se argumentar que o suicídio é comum entre os seres humanos. Sim, isso é verdade. Mas devido a fatores anormais, como doenças emocionais e a pressão desmesurada do meio, que para alguns é terrivelmente desgastante e estressante. As drogas podem servir como meio do ser humano se destruir, mas o problema, primeiro, do vício em drogas e, segundo, da forma usada pelo homem para se matar com uma overdose de heroína ou cocaína, constitui assunto psicanalítico bastante complexo.

Se você soubesse que sua família inteira, que supostamente você a ama, viria a ser dizimada em um, digamos, acidente de avião, você se mataria? Há algo na natureza humana que, em situações extremas, faz o homem encontrar soluções. Há pessoas que trabalham bem somente sob pressão, produzem mais, em um estado de consciência alterado mais alerta e mais presente. Diz-se que são pessoas que obtém prazer em um ritmo de trabalho que, para alguns, é estafante. Esses homens e mulheres sobreviveriam melhor, talvez, em um ambiente ultracompetitivo, como o da Bolsa de Valores, do que outros.

E então, você já parou para pensar no que faria se soubesse que morreria amanhã? Alguns poderão dizer: vou gastar o máximo de dinheiro que tenho, obtendo prazeres terrenos indizíveis... outros poderão vir a ter um vislumbre de sapiência e concluir que morrer amanhã não levará a nada. Não importa se se morra hoje ou amanhã... e poderão ser acometidos por crises de depressão profundas, que os levariam a tirar a própria vida assim que possível. Psicopatas cometeriam o maior número de crimes possível... a variação das reações das pessoas ao simples fato de saberem que morreriam amanhã seria imensa, devido ao grande número de tipos de personalidade que nossa raça comporta.

O que muitos poderiam pensar, também, é que o último dia de um Homem na face da Terra seria o mais agradável de todos. Pessoas poderiam passar um dia confortável de Verão junto com a esposa, os irmãos, os filhos... respirando o ar puro de um parque arborizado, às margens de um lago. Outros se divertiriam com seus cônjuges ou namoradas, fazendo amor... ou então existiriam aqueles que releriam seu livro preferido, começando ao acordar e terminando ao anoitecer.

E existem aqueles que não mudariam suas vidas em nada, continuando a fazer o que sempre fazem: indo trabalhar, enfrentando congestionamentos, almoçando na lanchonete da esquina da rua onde trabalham.

O Homem é dotado de uma variabilidade de ações assustadora. Para cada estímulo, uma resposta. Para cada ação, uma reação.

E se você soubesse que amanhã será o seu último dia na Terra? Algumas pessoas, mais emocionalmente influenciáveis, poderão bem deixar a depressão tomar conta de si. Outros poderão continuar com suas vidas normalmente, sem interrupções, até o dia seguinte.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
Pelo site da Amazon: Clique aqui.
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