segunda-feira, 4 de junho de 2018

Roberto Melo Mesquita e o livro Gramática da Língua Portuguesa, por Sérgio Simka e Cida Simka


Nesta entrevista, o prof. Roberto Melo Mesquita, um dos maiores gramáticos do País, fala sobre seu trabalho e sobre sua trajetória acadêmica.

Entrevista para a revista Conexão Literatura.

O Prof. Sérgio Simka me pede para que eu conceda uma entrevista para a revista Conexão Literatura. Sinto-me muito honrado com o convite, pois que tenho muito apreço e admiração pelo seu trabalho sério e de tão grande qualidade.

Fale-nos sobre você.

Minha educação escolar básica recebi em uma escola pública de Cabreúva (SP), chamada Grupo Escolar Lucídio Motta Navarro. Na adolescência, os responsáveis por minha formação foram os frades holandeses do Seminário Nossa Senhora do Carmo em Itu (SP). Foi nessa trajetória que recebi o incentivo para a leitura e um amplo aprendizado da nossa língua, do latim e do inglês. Criei assim um vínculo com a leitura e aos 18 anos comecei a cursar Letras Clássicas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

ENTREVISTA:

Por que resolveu seguir a carreira docente? Foi influenciado por alguém?

Quando ainda estudante, dediquei-me a dar aulas de Português no Colégio São Judas Tadeu. Sem dúvidas, as minhas perspectivas estavam traçadas. Ao concluir a faculdade, trabalhei como professor no Colégio São Judas Tadeu, Colégio Nossa Senhora do Carmo, Colégio Arquidiocesano, Ginásio Estadual de Vila Ré e outros. Foi uma época muito boa e havia uma interação grande com os alunos.

Você é autor de mais de 70 obras. Qual delas lhe deu maior satisfação? E qual é a que faz mais sucesso? (de vendas, de público)

A partir da década de 70, comecei a trabalhar na Editora Saraiva como redator, e, pouco tempo depois, tive a oportunidade de colocar no papel os meus conhecimentos da Língua Portuguesa e a experiência que tinha da sala de aula. Várias obras foram publicadas, pois que o mercado de trabalho era bastante favorável.

Na década de 90, por incentivo familiar, retornei aos bancos da universidade para fazer o mestrado. Esse retorno foi um momento importante, prazeroso em minha vida. Desde então, tenho me dedicado à universidade, fazendo parte de dois grupos de pesquisa: Historiografia da Língua Portuguesa (GPeHLP) e Educação Linguística e Ensino de Língua Portuguesa (GPEDLINP), ambos do IP-PUC/SP.

Duas obras publicadas pela Editora Saraiva me dão muita satisfação. Uma, a Gramática Pedagógica, cuja primeira edição foi lançada em 1980, já se encontra na 31ª edição. A outra, a Gramática da Língua Portuguesa, que teve sua 1ª edição em 1994 e está na 11ª edição. 

Qual a sua opinião sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 2016?

Como língua de cultura, a Língua Portuguesa é a expressão maior de nossa cidadania. Assim, penso que devemos celebrar o Acordo Ortográfico porque ele tem a pretensão de defender a unidade essencial da Língua Portuguesa e o aumento de seu prestígio internacional, pondo um ponto final na existência de duas normas ortográficas divergentes e ambas oficiais: uma no Brasil e outra nos restantes países de Língua Portuguesa.

Aliás, no livro O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa na prática, que lançamos como coautor pela WAK Editora (http://wakeditora.com.br/loja/product_info.php?cPath=27&products_id=716), abordamos muito as mudanças que ocorreram na ortografia.

Como analisa a questão de leitura no país?

A leitura é um bem permanente que o ser humano tem. É uma porta aberta para o conhecimento, para o progresso, para a justiça entre as pessoas. A leitura é muito mais que a simples decifração de um código. Pela leitura se desenvolve e exercita o pensamento crítico. Pela leitura se desvendam as artimanhas dos discursos, percebe-se o que está por trás delas, nas entrelinhas, e se se está capacitado para a leitura do próprio mundo. Hoje se lê muito no Brasil, mas é preciso que se leia mais e mais e melhor!

O que tem a dizer a quem pretende ser professor de português?

A escola de hoje já não tem o monopólio do saber. A escola hoje tem a função de ensinar, mas ensinar nos dias atuais significa ajudar os alunos a desenvolver as suas capacidades intelectuais e a sua capacidade reflexiva em face da complexidade do mundo moderno.
E o candidato a bom professor de português hoje tem que saber que vai ter de ensinar, mas de forma a despertar no aprendiz o gosto pelo aprender. E esse gosto é traduzido em organizar os conteúdos da disciplina levando em conta as características dos alunos. O professor hoje não pode desconhecer que os aprendizes vêm à escola com uma variedade muito grande de saberes que ele encontrou fora da escola.

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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