terça-feira, 24 de julho de 2018

Marchezoni-Oliveira e o livro Sobre os lírios e os brincos de princesa, por Sérgio Simka e Cida Simka

Marchezoni-Oliveira é escritor e psicólogo. Autor do romance "Sobre os lírios e os brincos de princesa" (Coopacesso, 2016), e dos livros "O anarquicamente correto" e "Contos ao ponto" (ainda sem publicação). Atualmente, dedica-se ao livro "O último brasileiro vivo”.

ENTREVISTA:
 
Numa segunda-feira como qualquer outra, cotidiana, lá pelas tantas de cansar-me nos trens e metrôs que me conduziam de Santo André para São Paulo, esta onde eu trabalhava, aquela onde residia, uma forte chuva deu início a algo significativo para minha vida, indo além de me ensopar e atrasar. Com muito esforço, chegando ao trabalho, escrevi, num desabafo, a história da saga de um ser humano tentando chegar ao seu local de serviço. Deixei aquelas duas páginas salvas no computador, quietas, até perceber que o desabafo não dizia só da minha história, mas de muitos outros que dividiam os meios de transporte comigo, que madrugavam para ganhar o pão. Falava do próprio brasileiro.
Percebi que deveria retomá-las, e dei-lhes continuidade, escrevendo meu primeiro romance, “Sobre os lírios e os brincos de princesa”. Curioso que, empenhando-me em criar a cena da noite anterior da fatídica segunda-feira, deixei a história original nos escaninhos da memória, gerindo algo bem maior, que beirou quinhentas páginas.
O romance, iniciado em 2011, veio a público cinco anos depois, primeiramente disponibilizado para download gratuito num site de minha autoria e, posteriormente, publicado pela editora COOPACESSO, disponível nas bibliotecas públicas de Santo André e São Bernardo do Campo.
Bem mais difícil do que escrever uma obra é saber o que fazer com ela. Com meu primeiro livro na mão (custeado por mim mesmo), a crise existencial de todo escritor (de primeira viagem) que não possui, nem na família, nem no círculo de amizades, alguém que possa lhe dar um empurrãozinho, me assolou. Entretanto, busquei formas de tentar me fazer conhecido.
Ingressando no Núcleo de Escritores do Grande ABC, tendo contato com grandes parceiros, veio-me que toda a pessoa deve ter por direito o acesso gratuito à cultura, inclusive à literatura. Por isso, a criação do site e disponibilização da obra em bibliotecas públicas.
Mantenho isto até hoje, em que possuo três endereços eletrônicos para download gratuito de todos meus livros, ainda leitura on-line, biografia, contatos etc., utilizando-me para divulgação do Instagram (@livros_marchezoni_oliveira) e do Facebook (facebook.com/livrospormarchezonioliveira). Seguem endereços de acesso abaixo:
www.oslirioseosbrincos.wix.com/marchezoni-oliveira
www.oanarquicamentecor.wix.com/marchezoni-oliveira
www.contosaoponto.wix.com/marchezoni-oliveira
Atualmente, como ainda não tenho parceria com nenhuma editora, o único livro publicado fisicamente é meu primeiro romance. Contudo, possuo ainda outro dois livros, a crônica “O anarquicamente correto” (disponibilizada em 2017) e a antologia “Contos ao ponto” (disponibilizada em 2018).
Com toda esta vivência, penso que o mais importante que descobri foi o que posso chamar de meu estilo literário, ou seja, quem é o escritor Marchezoni-Oliveira.
Tudo o que escrevo (e escrevi) permeia minhas experiências cotidianas, mas (bem além) insisto sobre questões relacionadas à vida de nós, brasileiros, como nossa história, o momento em que nos encontramos, sobre nossos dilemas cotidianos, o que pensamos de nós mesmos, o porquê de situações que acreditamos serem da mesma forma desde o sempre, além das alternativas para pensarmos diferente sobre nossa realidade, entre outros, e, claro, sempre dum ponto de vista crítico e ficcional.
Escrevo as histórias utilizando-me de toda minha criatividade, para deixar mais lúdico e mais leve aquilo que acredito que todo ser humano, e brasileiro, deva conhecer.
Produzi um conto chamado de “A morte do jabuti” (que compõe o livro “Contos ao ponto”) em que exponho meu ponto de vista sobre a questão da leitura no país.
Para mim, toda produção artística tem por potencial falar de nossa realidade. No meu caso, o ser humano, o brasileiro, o andreense, o bernardense, todos nós. Infelizmente, deparamo-nos com um quadro totalmente diferente.
O brasileiro lê sim, e muito, contudo as editoras preocupam-se mais com os melhores-vendidos do que com a qualidade da leitura, desvalorizando escritores brasileiros que, ao final, se apagam, ou sequer surgem, num mercado literário que escolhe alguns poucos.
Quando leio meus autores preferidos como Saramago ou García Márquez, ou mesmo ultimamente em que me delicio com uma coletânea de contos de fadas do mundo todo (inclusive brasileiros), aprecio como o escritor permeia, em suas histórias, suas impressões acerca das suas próprias experiências de vida (onde nasceu, onde viveu, o seu povo, os seus costumes, seu folclore etc.).
A obra torna-se maravilhosa e o mundo todo passa a descobrir que aquilo diz sobre a realidade de um país, de um povo, mas também se partilha para toda uma humanidade. Intento o mesmo com nossa brasilidade. Claro, com meus toques críticos.
Enfim, sem mais delongas, não posso deixar de citar que continuo em busca de parcerias de editoras que acreditem em minhas obras, afinal o mercado editorial é muito custoso para arcar-me sozinho, além das dificuldades da divulgação e acesso ao público leitor. Agora, empenho-me em mais um romance intitulado “O último brasileiro vivo”. Desastres naturais assolam o Brasil e o que resta são os próprios brasileiros. O que será de nós quando dependermos apenas de nós mesmos?

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).

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