domingo, 26 de agosto de 2018

Cristiano Portella e o livro Novas técnicas de expositor espírita, por Sérgio Simka e Cida Simka

Meu nome é Cristiano Roque Roland Portella, mas sou conhecido apenas como Cristiano Portella. Tenho 68 anos. Sou graduado em Análise de Sistemas, especialista em Engenharia da Qualidade e mestre em Computação (1988), Educação (2001) e Ciências da Informação (2005). Trabalhei por mais de 30 anos como gerente e diretor de TI e gestor de Tecnologia da PUC Campinas. Quase todo o tempo em que trabalhei como gestor também exerci, em paralelo à docência no ensino superior, atividade que tenho até hoje.
Conheci a Doutrina Espírita aos 15 anos e me encantei com a essa nova visão do Evangelho à luz da ciência dos espíritos. Nesse período exerci atividades em casas espíritas, albergue e instituição de amparo a menores órfãos ou oriundos de lares desfeitos. Tive o prazer de fundar várias mocidades espíritas. Dentre elas, uma persiste até hoje, graças ao trabalho dos continuadores, tendo atualmente 38 anos de existência.
Por volta de 1960, fui introduzido no trabalho de expositor espírita, atividade que exerço até a atualidade.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seu livro "Novas técnicas de expositor espírita". O que o motivou a escrevê-lo?

O livro “Novas técnicas de expositor espírita” foi lançado no dia 23 de julho, graças ao apoio recebido da Editora EME, em especial de seu editor, nosso confrade Arnaldo Camargo, presidente da Editora.
O livro é a proposta de um roteiro para a formação de um expositor espírita, desde que o candidato tenha um certo lastro doutrinário obtido em cursos regulares da doutrina.
É também um projeto pedagógico para que instituições espíritas incentivem essa forma de divulgar os ensinos do Mestre Jesus e de Kardec. É minha lembrança dos tempos de mocidade, onde tínhamos essa atividade e concursos de oratória. Creio que esse trabalho formou um contingente de expositores espíritas (note que eu não falo de oradores; se houver competências ou a prática podem fazer de um expositor, um orador).
O tempo passou e hoje, salvo raríssimas exceções, essas atividades de formação não existem mais. Estamos vendo apenas o aparecimento espontâneo de expositores, paralelo com a volta à pátria espiritual dos irmãos mais experientes.
O livro também aborda aspectos doutrinários, mas tem uma ênfase no uso dos recursos multimeios nas atividades de exposição na casa espírita. Para isso abordamos as técnicas de produção de slides, como aspectos de diagramação, cores e estrutura para a apresentação da informação, usando os softwares de uma forma didática e adequada à cognição.
Preocupa-nos o fato de que a nova geração é nativa digital. Posso ver isso no exercício da docência e na forma com que trabalham com smartphones, e-books, vídeos e todas as formas multimídicas para receber informação e para realizar o processo de aprendizagem.
É preciso atualizarmos as técnicas de apresentação, pensando que essas crianças e jovem serão a totalidade dos presentes numa casa espírita, nas próximas décadas.

Você ministra algum curso voltado ao tema do livro?

Antes de escrever o livro, fiz seminários para formação de expositores espíritas, o que me serviu como laboratório para o livro. Todavia, esses seminários levam de três a quatro finais de semana (sábado de 14 até 17 horas), porque é desenvolvido na forma de oficinas onde os presentes fazem sua apresentação. Não acredito num trabalho de formação desenvolvido em duas a três horas. Reuniões de curta duração servem para motivar os jovens, mas não contribuem efetivamente com técnicas para o desenvolvimento dessa atividade.

Como vê o Espiritismo no país?


Como espírita é preciso ressalvar que o caminho é aquele que Jesus nos indicou e, como tal, o respeito a todas as crenças é apenas uma forma de exercer o amor incondicional que o Mestre nos ensinou.
Sem nenhum caráter de proselitismo, temas espíritas são cada vez mais abordados em novelas, filmes e reportagens da imprensa em geral. Vejo que o número de pessoas que têm a Doutrina Espírita como sua segunda religião tem crescido muito. Estou tomando o termo “segunda religião” para indicar que essa pessoa pratica uma religião, mas é simpatizante (ou mesmo seguidora) da Doutrina Espírita. Assume a questão reencarnacionista como a forma suprema de justiça do Criador, conhece e crê o fenômeno mediúnico e lê, com grande prazer, as mensagens e contos da literatura espírita.
Lembro que “ser espírita” não é, necessariamente, frequentar a casa espírita, mas esforçar-se diuturnamente para fazer sua reforma interior, para praticar as diretrizes do Mestre Galileu e estudar as obras básicas de Kardec.

Como analisa o mercado de livros espíritas?

Pesquisa de 2016 nos informa que 56% da população brasileira leu, ao menos, parte de um livro em três meses. É pouco se comparado ao perfil de países que têm uma educação mais desenvolvida, mas em várias regiões do país esse índice vem aumentando.
Acredito que na população de espíritas, esse índice deve ser maior porque nossa doutrina não tem sacerdotes, rabinos ou qualquer outro cargo que tenha a finalidade de pregar os conceitos adotados no Espiritismo. Nossa fonte primária é a literatura oriunda de Kardec e livros subsequentes, quase todos obtidos pela via mediúnica validada como confiável.
Em geral as editoras espíritas publicam as obras básicas com grande subsídio, para auxiliar na divulgação da Terceira Revelação. Os demais livros também não são caros. Assim é preciso pensar que essas editoras precisam ser sustentadas por aqueles leitores que podem comprar uma obra impressa, para que não desapareçam. Minha preocupação nesse sentido é que os e-books se multiplicam na Internet e são divulgados sem o respeito ao direito autoral.
Não vamos tentar embarreirar o progresso, uma vez que a pesquisa em livro digital é muito mais prática e rápida e sua leitura, a partir de um dispositivo portátil, é muito confortável para as gerações que já estão habituadas aos estímulos do livro impresso (que eu gosto e respeito muito). Então, recomendo fortemente que, quem quiser usar o livro digital, compre também o livro impresso e, se não quiser colocar em sua estante, doe para a biblioteca de uma casa espírita, mas não trabalhe inconscientemente no sentido de inviabilizar as editoras espíritas.

Quais os seus próximos projetos?

A experiência do livro está sendo muito prazerosa e já estou trabalhando em duas outras obras, num trabalho paciente e cuidadoso. Numa delas procuro comparar o aspecto científico da doutrina com o estado da arte das ciências físicas e biológicas. Na segunda obra estou compilando o conteúdo de vários seminários que desenvolvi ao longo do tempo, abordando mediunidade, passe e perispírito dentre outros temas. Também sigo minha programação de palestras em reuniões doutrinárias de casas espíritas e nas reuniões de mocidade, sempre procurando trabalhar para Jesus e com Jesus.


*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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