sexta-feira, 31 de agosto de 2018

E se seu Amante fosse um Alienígena?, baseado no conto de Gumercindo Rocha Dorea


Você o aceitou, como seu amigo e companheiro. No início, ele estudava a cultura terráquea, mais de perto do que “eles” o faziam, ao descer momentaneamente com suas naves e extraindo o máximo possível de informações a respeito da Terra, de um modo desconhecido para você. Os seres de Arcturos sabem mais sobre os humanos do que nós em relação a eles. Mas o olhar de seu amigo cruzava com o seu. Vocês sorriam. Apenas.

Você sentiu a chama do desejo invadir seus domínios mais íntimos. Afinal, o arcturiano era belo, mais belo do que qualquer terráqueo. Seu aroma suave de âmbar se espalha por toda casa. Só faz alguns dias que você o acolheu e o deseja desesperadamente. Seus amigos não vêm mais visitá-la. Têm medo dele. Ele é diferente. Eles temem que você seja devorada por ele. Ou pior...

Você se sente enlouquecer aos poucos, ardendo de desejo.

Deixa a porta do quarto entreaberta à noite, na esperança de que ele... mas jamais aconteceu, ele nunca entrou em seus aposentos particulares, dessa maneira. Você decide, então, bronzear-se inteiramente nua no chão do jardim de sua casa. Ele se junta a seu lado. Fala de coisas belas que acontecem em seu maravilhoso planeta. Ele se sente seguro, pois você não tem medo dele.

Subitamente, seus braços o puxam e você o beija. Ele hesita, mas depois corresponde. Ele sente-se excitado, seu corpo contrai-se à medida que o fogo da paixão perpassa pelos dois corpos. Mas ele ainda está vestido. Você o acaricia, ele guia sua mão.

Ele é assexuado como uma mulher. Seu corpo é liso, não possui órgãos genitais. Qual a razão disso? Por que ele teve tantos orgasmos, quando você o acariciava, enquanto ambos eram um só, corpo contra corpo?

A evolução biológica dos arcturianos é em tudo semelhante à nossa. Sua inteligência e sexualidade é similar. Mas o grau de adiantamento de sua raça é tal, que deixaram as leis que na Terra regem a reprodução e partiram para uma ramificação natural de sua espécie. Não há reprodução sexuada, entre eles. Reagem a estímulos, sentem desejo e, quando a população do planeta cai a um nível suficientemente baixo, recorrem a uma pequena e indolor operação, entre dois indivíduos de sexos diferentes. Matéria viva dos dois alienígenas é colocada em uma incubadora, por doze revoluções do planeta ao redor de seu sol, o equivalente a nove meses de gestação, aqui na Terra. Após gerações, passados milhares de anos com esse procedimento, a evolução dos seres alienígenas com relação ao sexo passa para um outro estágio. Não há necessidade de órgãos sexuais, como os conhecemos na Terra.

Mas o orgasmo, o desejo, a paixão, continuam de forma mais intensa, até, do que entre os terráqueos. A loucura que acompanha o amor é muito mais forte, mais viva, mais sensual em Arcturus, planeta dos alienígenas. A força do amor do arcturiano é tal, que você sente perder completamente o juízo. Mas agora é hora do companheiro partir. Deve voltar a seu mundo, para passar tudo o que aprendeu aqui ao governo alienígena.

A amizade entre os dois povos é possível, mais possível do que se pode sonhar. Porque o amor que residiu entre terráquea e arcturiano foi real, talvez mais sólida do que a própria existência, antes do alienígena pousar na Terra e conhecê-la. Você sabe que muitas Eras se passarão antes da sincronia entre os dois povos vir a ser possível. Por isso, você espera.

E esperará para sempre, pois o amor que existe entre você e aquela criatura humanoide deixou um rastro de Humanidade, a Humanidade que existe entre todos os que se gostam, se amam e se adoram como homem e mulher verdadeiramente apaixonados.

Esta é a sinopse do conto “A Função Cria o Orgasmo”, da escritora francesa pouco difundida no Brasil, Belen. Foi publicado na excelente antologia “Amor, Dimensão 5”, das edições GRD (Gumercindo Rocha Dorea).
É fato mais do que conhecido, desde quando aprendemos na escola, que duas espécies diferentes não poderão dar origem a descendentes, aqui em nosso planeta, de acordo com nossa biologia. Mas o que dizer de duas espécies de dois planetas diferentes? Haverá um modo de uma mulher e um alienígena se reproduzirem, gerando descendentes com genes humanos e extraterrenos?

Talvez você diria:

— Mas como você pode dizer tal coisa? Não existem indícios de raças alienígenas vivendo no “quintal” de nosso planeta, ninguém respondeu às dúzias de mensagens enviadas...

Talvez nós nos esqueçamos que estamos na pré-pré-pré-história da História da Humanidade. Temos milhares de anos de evolução como seres inteligentes nas costas — algo além de hominídios, ou símios, ou animais sem muita luz que ilumine seu cérebro primitivo.

Em um milhão de anos, mais um degrau na escada cósmica terá sido galgado. Em dez milhões de anos, visitaremos meia Via Láctea, no mínimo. Em mais um bilhão de anos, atingiremos e colonizaremos nossa galáxia, a galáxia de Andrômeda e muito mais. Em dez ou cem bilhões de anos, estaremos visitando planetas habitados que orbitem quasares extremamente distantes, a bilhões de anos-luz.

É possível, então, haver o contato sociológico entre duas raças distintas, a nossa e uma alienígena. Por volta de um milhão de anos à frente, seremos uma raça tão diferente da atual que será corriqueiro haver um contato entre nossos povos e alienígenas. E o contato sexual será algo antiquado, assim como é antiquado hoje pensar-se em fazer fogo atritando-se dois pedaços de rocha.

Ora, para que serviria o sexo, senão como fonte de prazer e um modo de nos reproduzirmos e nos perpetuarmos como espécie? Desse modo, em um bilhão de anos podemos ter-nos tornado uma raça tão, mas tão diferente do que somos hoje, que não teremos necessidade nem de um corpo para viver, e muito menos de sexo para nos espalhar pelo Universo. Seremos algo mais do que energia, talvez parte integrante das partículas subatômicas que existem em um nível quântico, mas em um estágio mais diminuto do que os atuais quarks...

Talvez, só por mera especulação, sem grandes pretensões senão a de imaginar, nos tornemos algo que hoje existe ao nosso redor, mas que não podemos ver, tocar, analisar, sentir. Seríamos o que os cientistas do passado chamavam de éter, ou a matéria que existiria no espaço e levaria a luz de um ponto a outro do vácuo. Hoje, sabemos que o percurso da luz é influenciado por campos gravitacionais e não faz parte de uma matéria como o éter. O éter carregaria, por exemplo, a luz e as partículas subatômicas, assim como a água leva um barco à deriva pelo oceano afora.

Talvez nos tornemos matéria escura. Ou energia escura.

O fato é que a evolução do Homem é algo que pode ser estudado de Eras passadas e pressuposto, a partir do estudo do ser humano de hoje. Há muito o que se pensar em termos de sexualidade, sua evolução como comportamento e função anatômica. A força do sexo é, indiscutivelmente, uma das maiores motivações que o Homem possui, sendo algo que, se aplacado e satisfeito, traz as maiores alegrias que o homem e a mulher podem obter.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
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E-book:
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