sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Entrevista especial com Ahmed Al Ameri, chairman da Sharjah Book Authority, convidado de honra da Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Ahmed Al Ameri - foto divulgação
Sharjah Book Authority (SBA) foi lançado em 2014, decretado por Sua Alteza Sheikh Dr. Sultan bin Mohammed Al Qasimi, membro do Conselho Supremo dos Emirados Árabes Unidos e governante de Sharjah. O mandato da SBA inclui o aumento do investimento em indústrias criativas, a construção de uma plataforma para a cultura e a troca de conhecimento entre pessoas do mundo, destacando a importância dos livros no mundo multimídia de hoje e apoiando a indústria de livros infantis.
A Sharjah Book Authority também tem a tarefa de coletar documentos e artefatos históricos dos Emirados Árabes Unidos, do Mundo Árabe e além, a fim de preservá-los usando as mais recentes técnicas e métodos de última geração. Além disso, a SBA também coleta, organiza e arquiva bancos de dados sobre publicação, impressão, traduções, bibliotecas e outras atividades relacionadas à publicação, bem como ajuda em pesquisas voltadas para o desenvolvimento de ferramentas e tecnologias de publicação.

ENTREVISTA:

Revista Conexão Literatura: Primeiramente, agradeço por ceder esta entrevista exclusiva para a revista Conexão Literatura. Sharjah Book Authority, entidade que supervisiona a participação de Sharjah na Bienal, é convidada de honra da feira e deseja intensificar o intercâmbio cultural e literário com o Brasil. Poderia comentar?

Ahmed Al Ameri:  Acreditamos que a indicação de Sharjah como o Convidado de Honra do evento é um reconhecimento do nosso papel cultural global cada vez mais relevante. Além disso, Sharjah e São Paulo compartilham muitos valores, principalmente seu grande interesse por cultura, artes e literatura. Nossa participação na bienal nos permite alcançar sucessivas gerações de descendentes árabes no Brasil para fortalecer a identificação com sua cultura de origem, além de apresentar aos brasileiros a riqueza da cultura árabe e suas semelhanças com a do Brasil.

Revista Conexão Literatura: Mais de 40 obras traduzidas do árabe para o português serão apresentadas pela primeira vez durante a Bienal. Como foi a seleção destas obras?

Ahmed Al Ameri: A produção literária de Sharjah reflete a diversidade e a riqueza de nossa cultura e de nosso povo. Nós tentamos criar uma seleção que mostrasse essa diversidade, incluindo autores homens e mulheres, passando por poesia clássica até ficção literária, títulos sobre histórias dos Emirados e de toda a região árabe, teatro dos Emirados Árabes e muitos outros temas. Esses esforços fazem parte do atual movimento intelectual dos Emirados para promover a literatura árabe em todo o mundo, além de fortalecer o entendimento das pessoas sobre a cultura e a herança árabe de maneira geral.

Revista Conexão Literatura: Existe interesse em futuramente obras em português também serem traduzidas para o árabe?

Ahmed Al Ameri: Sim, e esse é um aspecto fundamental da nossa participação na Bienal do Livro de São Paulo. Acreditamos que a presença de Sharjah em São Paulo dará mais força e vitalidade ao movimento de traduções mútuas entre culturas árabes e latinas para publicação e distribuição no mundo árabe e na América do Sul. Os Emirados Árabes Unidos e o Brasil são comunidades jovens onde os jovens constituem uma grande porcentagem da população, o que aumenta as chances de publicação e tradução de livros direcionados a esse público, do árabe para o português e vice-versa.

A Bolsa de Tradução da Feira Internacional do Livro de Sharjah (SIBF) tem despertado curiosidade na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O fundo foi criado para promover o movimento de traduções e concede 1.500 dólares para livros infantis e até 4 mil dólares para outros títulos. Nós gostaríamos de ver mais editoras brasileiras na corrida para ganhar este prêmio na edição de 2019 da SIBF.

Sharjah Book Authority - Foto divulgação
Revista Conexão Literatura: “Conhecimento sem Fronteiras”, é um dos projetos literários de Sharjah, uma iniciativa do governo para incentivar a leitura que resultou na distribuição de livros para mais de 42 mil famílias no emirado. Sabemos que livros e leituras resultam em conhecimento, gerando pessoas mais sábias e críticas. Seria possível a Sharjah também incentivar o Brasil com projetos semelhantes?

Ahmed Al Ameri: Incentivar a leitura por prazer entre todas as idades é uma meta fundamental para nós, e Conhecimento sem Fronteiras (Knowledge without Borders) é uma das principais iniciativas de Sharjah para incentivar as pessoas a passarem mais tempo na companhia de um bom livro. Um dos aspectos mais interessantes desse intercâmbio cultural em São Paulo é o fato de que aprendemos com a indústria editorial de vocês e vice-versa. Nós certamente esperamos que a iniciativa KwB inspire projetos comunitários semelhantes no Brasil.

Revista Conexão Literatura: A programação no estande de Sharjah na Bienal está repleta de atividades, como leitura de poesias, músicas árabes, seminário, mesa-redonda, workshop, etc. Poderia comentar sobre a programação?

Ahmed Al Ameri: Realmente, foi uma agenda muito rica, com atrações que representam nossa literatura, cultura, tradição e patrimônio. Estamos aqui para promover a troca de conhecimento e acreditamos que todas essas atividades ajudaram os participantes do evento a entenderem um pouco sobre quem somos, de onde viemos, qual é o nosso background cultural, por que a troca cultural é importante para nós, e muito mais.

O público ficou particularmente encantado com as tradicionais pinturas à mão chamadas de arte "hena" e com as oficinas de artesanato tradicional dos Emirados, como Talli e Safeefa, do Conselho de Artesanato Contemporâneo de Irthi. Importantes entidades culturais e acadêmicas do nosso emirado fazem parte da delegação de Sharjah na feira e se reuniram para curar essa rica agenda de eventos.

Revista Conexão Literatura: Além das 40 obras que foram traduzidas para o português, novos livros árabes serão traduzidos para o nosso país?


Ahmed Al Ameri: Durante nossa visita, descobrimos que a demanda por conteúdo árabe no Brasil é alta; assim como a demanda por conteúdo daqui no mundo árabe. Estamos extremamente satisfeitos por termos embarcado nesta nova era de intercâmbio cultural com o Brasil e a América Latina, e esses 40 livros são apenas o começo. A Bienal Internacional do Livro de São Paulo nos ofereceu uma ótima plataforma para interagir com editores latinos e importantes entidades acadêmicas e culturais que demonstraram grande interesse em traduções mais vibrantes e no comércio de livros entre os dois países. Certamente vamos explorar essas oportunidades após a feira.

Revista Conexão Literatura: Após a Bienal, o que podemos esperar da Sharjah Book Authority no Brasil?

Ahmed Al Ameri: Continuaremos a trabalhar em parceria com autoridades e organizações locais para fortalecer ainda mais o intercâmbio cultural e beneficiar os dois mercados editoriais. Tivemos várias reuniões com editores latinos e entidades culturais durante a feira e identificamos áreas de interesse comum, como a literatura infantil, traduções e impressão sob demanda – todas áreas com grandes oportunidades de colaboração e que nos manterão em contato com nossas contrapartes brasileiras.

Visitantes da América Latina que visitaram o estande de Sharjah na bienal expressaram forte interesse em livros árabes e outros materiais de leitura de vários gêneros.

Estamos ansiosos para receber um grande número de editores e visitantes do Brasil na próxima edição da Feira Internacional do Livro de Sharjah, em outubro/novembro de 2018.

Revista Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Ahmed Al Ameri: Assim como aconteceu no ano passado, ficaremos felizes em receber uma grande delegação de brasileiros na Feira do Livro de Sharjah, em novembro. Também gostaríamos de convidar editores e autores a visitarem a Sharjah Publishing City, a primeira zona franca do mundo para o mercado editorial.
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Um comentário:

  1. Ele é um dos poucos milionários que valoriza a leitura, mas principalmente ele se importa com o futuro da juventude em ambos os países, e talvez a leitura possa ser a chave de sucesso de cada criança

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