segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Alessandra Biral e o trabalho de revisor e preparador de textos, por Sérgio Simka e Cida Simka

Alessandra Biral - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Sou Alessandra Biral e nasci em Santo André (SP). Morei alguns anos em Minas Gerais, onde teve início meu interesse pela literatura, principalmente pelas histórias regionalistas. Sou graduada em Letras (Licenciatura Português e Inglês) pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo (Umesp) e cursei dois anos de História na Fundação de Santo André (inconcluso). Comecei a trabalhar na área editorial em 1998 e, desde então, venho atuando nesse setor. Participo constantemente de cursos de aperfeiçoamento, em especial os ministrados na Universidade do Livro, da Editora Unesp, entre outras instituições.
Gosto muito de ler, de pesquisar, de escrever. De ouvir música e de estar em contato com a natureza. De conversar com as pessoas, para a troca de experiências. Atualmente, tenho me aventurado no campo da literatura, produzindo alguns textos dos gêneros contos, minicontos e poesias. Também costumo ler livros em outros idiomas (especialmente inglês e espanhol), para treinar meu vocabulário e ampliar meus conhecimentos.

ENTREVISTA:

Você faz revisão e preparação de textos. Fale-nos sobre esse trabalho.


Vou relatar um pouco de minha experiência de trabalho. Tanto a revisão quanto a preparação de textos são partes essenciais do processo editorial. O preparador tem contato com o texto após a liberação do editor ou do coordenador editorial. Normalmente, o conteúdo está formatado em Word®. Usando o controle de alterações desse processador de textos, esse profissional tem mais liberdade de dar sugestões de estilo, de reescrita textual, se for necessário. Também verifica a correção gramatical e a adequação de termos e palavras ao contexto. Quando o texto for uma tradução, deve-se fazer um cotejo com o original, para verificar se o conteúdo está completo, se não houve saltos, entre outros exemplos. Após essa etapa, o texto retorna para o editor, que o reencaminha para o autor. Se estiver tudo certo, inicia-se a etapa da diagramação.
Em seguida, o texto é diagramado e, depois, entregue para o revisor de textos. Nessa etapa, são conferidos se o conteúdo do texto liberado está de acordo com a diagramação. Além disso, esse profissional vai checar paginação, aspectos gráficos da obra, concordância (verbal e nominal) e a ortografia.
Tanto o revisor quanto o preparador precisam ter bons materiais de consulta, por exemplo, uma boa gramática, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), bem como livros de regência nominal e verbal, dicionários de ideias afins e manuais de redação e estilo. Além disso, devem dispor de uma lista de sites confiáveis, para eventuais pesquisas. 
É fundamental que haja mais de uma revisão antes da impressão do livro. Também é imprescindível que a equipe esteja sempre conectada, objetivando o esclarecimento de dúvidas e outras questões. Tudo isso visando sempre a melhor qualidade do trabalho.

Qual é o gênero textual que demanda maior atenção por parte do revisor?


Cada texto possui características bem distintas. O revisor e o preparador devem ser bastante criteriosos no momento de executar seu trabalho, procurando se adequar ao estilo dos autores.  Ao longo dos anos, tenho tido o privilégio de trabalhar com diversos estilos textuais, o que me enriquece pessoal e culturalmente. Todos eles algumas possuem peculiaridades.
A literatura infantil, por exemplo, possui um estilo adequado e compreensível ao universo das crianças, com textos relativamente curtos, linguagem não rebuscada, predomínio de estímulos visuais e personagens com os quais os pequenos se identificam. Algumas vezes, para manter a fluidez do texto, são feitos alguns arranjos gramaticais, por exemplo, utilização dos pronomes no início das frases.
A literatura juvenil caracteriza-se por temas relacionados ao universo dos jovens (sexualidade, violência, drogas), com personagens da mesma faixa etária dos leitores e maior número de páginas.
Há a linguagem de quadrinhos e mangás (histórias em quadrinhos em estilo japonês). Eles são compostos por imagens e diálogos, por meio de balões. Aqui, deve-se ressaltar principalmente o aspecto gráfico e as onomatopeias para a transmissão das emoções. Nesse caso, a faixa etária do público-leitor é bem variável. 
Em relação aos livros dos demais gêneros literários, seu estilo varia entre os autores e o
público-leitor.
Já os textos acadêmicos (não literários) caracterizam-se por uma linguagem mais objetiva. Seu estilo de escrita é mais formal.
A partir das características bem distintas dos diversos estilos literários, quero ressaltar que considero bastante incomodador o nivelamento das literaturas infantil e juvenil em uma só categoria para fins de premiação, como vai acontecer a partir deste ano no Prêmio Jabuti. Não sei até que ponto essa mudança será viável. Em minha opinião, tanto os profissionais do ramo editorial quanto os leitores serão bastante prejudicados.

Qual é seu portfólio de clientes?

Tenho registro como microempreendedora individual (MEI). Atualmente, a maioria das editoras que contratam profissionais autônomos (freelancers) tem exigido esse cadastro.
Possuo clientes regulares e flexíveis, de acordo com a demanda do mercado editorial. Por isso, tenho o privilégio de trabalhar com diversos estilos de textos.
Presto serviços regularmente para as editoras Cortez, O Mensageiro de Santo Antônio e Elementar, todas no Estado de São Paulo. Esporadicamente, faço revisão e preparação de trabalhos acadêmicos.

Como você analisa a questão da leitura no País?

De acordo com a quarta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, publicada em 2016 pelo Instituto Pró-Livro, mais da metade da população brasileira se considera leitora, porém apenas 4,96 livros são lidos por ano. Desse total, 2,43 foram concluídos e 2,53 lidos em partes (disponível em: http://observatorio3setor.org.br/noticias/74-da-populacao-brasileira-nunca-comprou-um-livro). Esse é um dado preocupante, tendo em vista o número total da população, que é de aproximadamente 210 milhões de habitantes, segundo dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (disponível em: https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao).
Segundo a pesquisa do Pró-Livro, diversos fatores colaboram para essa defasagem, como a falta de tempo, o desinteresse pela leitura, o uso contínuo das redes sociais, dificuldades de compreensão do que se lê, entre outros exemplos.
Como no Brasil não há políticas eficazes e eficientes de incentivo à leitura por parte do governo, deve-se encontrar outras formas de reverter esse quadro, por exemplo, por meio de propagandas nas mídias impressas e eletrônicas que ressaltem os benefícios e as vantagens de ser um leitor assíduo. Atualmente, algumas bibliotecas públicas vêm promovendo oficinas, cursos e eventos literários que têm recebido uma boa adesão por parte do público em geral. 
Também considero bastante importante que se desenvolvam projetos de incentivo à leitura entre as crianças. No entanto, para que isso dê resultados positivos, é preciso investir na formação do professor-leitor, bem como disponibilizar bibliotecas com acervo atualizado, espaço apropriado e mediadores de leituras para auxiliar o trabalho docente.
​Essas e outras iniciativas podem ser adotadas para tentar minimizar o grande deficit de leitores do País. Segundo a escritora Nélida Piñon, “país sem leitores é país sem pensamento”. Concordo plenamente com a afirmação dela.

O que tem lido ultimamente?


Aprecio muito as histórias de terror, de mistério, de aventura e de ficção. Tenho vários escritores e escritoras preferidos, entre os quais Stephen King, J. R. R. Tolkien, Agatha Christie, Edgar Allan Poe, Lygia Fagundes Telles, Cecília Meireles... Gosto também de poesia, principalmente de Carlos Drummond de Andrade, Florbela Espanca, Cora Coralina, Mario Quintana, Pablo Neruda, Ariano Suassuna... Atualmente, estou lendo Os judeus do papa, de Gordon Thomas, que trata sobre a atuação secreta do papa Pio XII para auxiliar os judeus romanos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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