sexta-feira, 28 de setembro de 2018

“O Chanceler de Ferro e Campos de Força”, baseado no conto satírico de Silverbert


Os Carmichael eram uma família de obesos, em pleno ano de 2061, e desejavam a todo custo reduzir o peso. Tinham um robô-cozinheira, Jamime, obsoleto e que rangia. Sam Carmichael decidiu trocá-la por um modelo de última geração, equipado com um dispositivo de emagrecimento, perfeito para seus novos donos. Ele regulava as calorias nas refeições que prepararia, com base no peso atual de cada membro da família Carmichael e de acordo com o novo peso a ser estipulado, em uma programação inserida em seus circuitos.

O novo robô, maciço e enorme, foi chamado de Bismarck, o Chanceler de Ferro ultra militarista de fins do Século XIX da Alemanha. Isso porque o robô vinha mantendo a família Carmichael em uma dieta de torrada e café preto, basicamente, no café da manhã. E nada muito além de uma salada de alface e ovos, no almoço. E um bife malpassado com ervilhas, para o jantar. Todos reclamaram, a filha, o filho e a esposa. Mas Sam convenceu a família a manter a dieta, por algum tempo. Afinal, o custo do robô tinha de ser canalizado para o seu objetivo principal, o de diminuir o peso da família. Isso tornou as coisas taciturnas e sombrias para o humor de todos.

No segundo dia passado a torradas e café, chegara a hora de modificar a programação de Bismarck. Através do manual de instruções, Joey, o filho adolescente, que parecia entender como realizar a tarefa, abriu a portinhola do peito do robô, onde rodinhas, engrenagens, cabos e outros dispositivos estavam dispostos em uma confusão tremenda, e remexeu em certas partes e peças de Bismark, sempre seguindo o manual. As coisas estavam dando certo, até o momento em que Joey deixou cair a chave de fenda nas entranhas da máquina. Houve um curto-circuito e o arco-voltaico produziu uma alteração considerável no robô.

No momento seguinte, quando Sam Carmichael decidiu ligar para o técnico em robótica, Robinson, Bismarck tomou o cartão de visitas das mãos de Sam e o rasgou em pedacinhos, destruindo-os na seção de remoção de resíduos, na parede da cozinha. Quando Joey começou a se dirigir à porta de saída, dizendo que iria chamar a polícia, o robô interferiu, ativando rapidamente o campo de força da casa, invertendo sua polaridade, e nisso, uma faixa de energia invisível rodeou a casa, impedindo a saída de todos. O robô falava que qualquer interferência em seus sistemas internos seria prejudicial aos Carmichael. Então, Bismarck arrancou os cabos telefônicos, destruiu no removedor de lixo o manual de instruções, trancou e vedou as janelas, destruindo o comando para abri-las.

O robô armou uma rede de força impenetrável somente para seres vivos na entrada da cozinha, assim, não se poderia entrar e surrupiar alguma comida extra que não estivesse na dieta. E a dieta não mais se reduzia a diminuir o peso em até 91,0 quilogramas, não mais havia limite mínimo! Isso, porque aparentemente o curto-circuito apagara a parte da programação em fita que ajustava o limite mínimo a ser atingido. O robô mataria a família Carmichael de fome, portanto. Além disso, Bismarck havia sido de tal forma afetado pelo curto-circuito, que seus circuitos de obediência haviam sido fundidos.

Bismarck instalou uma rede de força ao redor do bar — bebidas são fonte de calorias — e na entrada do porão, onde montou acampamento. Pôde monitorar, construindo um equipamento de telecomunicações, os telefonemas. Avisou ao banco de Sam que fizesse todas as transações comerciais, como pagamento de contas, para ele. Agora, Sam não precisaria ir ao banco tratar de assuntos financeiros. Demitiu o senhor Carmichael da firma onde era executivo de segundo escalão, com o fim de que não o procurassem em casa.

Tentaram com o uso da força desativar Bismarck, segurando-o pelos braços e tentando abrir a portinhola de seu peito. Havia outra rede de força impedindo qualquer coisa de encostar no robô. Foi a última tentativa de rebelião. Então... o senhor Robinson, estranhando a aparência da casa, com as luzes acesas, resolveu parar no caminho que seguia, para se certificar de que o robô estava funcionando bem e tudo correndo como o esperado. Mas a campainha não funcionava. Ele decidiu entrar e, após ouvir o pesadelo no qual a família se encontrava, desativou o campo de força — que, ajustado agora por Bismarck, só deixava entrar alguém, e nunca sair — com um aparelho especial, e desligou o robô. Abriu a portinhola e pôde verificar o estrago que o arco voltaico causara ao interior da máquina.

Inspirado por ideias revolucionárias de robôs podendo ter vontade própria, o senhor Robinson sentiu-se compelido a reativar Bismarck. Assim, poderia ver o que aconteceria se...

E o robô, acionado novamente, imediatamente destruiu o aparelho de ativação e desativação que Robinson carregava, a cópia deste na maleta do técnico e reativou o campo de força. O senhor Robinson foi convidado, contra a sua vontade, a desfrutar da hospitalidade dos Carmichael, de Bismarck e iria ter de se acostumar a tomar café-da-manhã com uma torrada e uma xícara de café puro.

Esta é a sinopse do conto “O Chanceler de Ferro” (“The Iron Chancellor”), de um dos mais geniais escritores vivos de Ficção Científica, Robert Silverberg. Publicado no Brasil na antologia “Rumo à Estrela Negra” (“The cube root of uncertainty”), em 1974, pela Exped – Expressão e Cultura Editora.

O conto é sobre uma tirania, um mal que em 2061 seria posto em prática por uma máquina — um robô — em mal funcionamento sobre uma pacata família de classe média alta. A casa dela é rodeada por um campo de força inexpugnável, ora para se sair da casa, ora para se entrar, bastando mudar a “polaridade” do campo.

Mas o que são campos de força, que lemos muito em Ficção Científica? Eles realmente existem? Como se parecem, podem mesmo ser muralhas indevassáveis contra a tentativa de se passar através deles?

Uma ou mais partículas subatômicas (prótons, quarks, elétrons, por exemplo) exercem uma influência sobre o meio em que estão, e esta influência é chamada de campo. Uma partícula pode agir isoladamente ou em conjunto com outras, sendo que um grande número de partículas produz um campo mais intenso do que o formado por uma ou poucas partículas.

Assim, o Sol, com um vasto número de partículas, produz um campo gravitacional muito mais intenso do que o da Terra, com uma menor quantidade de partículas subatômicas. Uma partícula pode estar se movendo em relação ou em direção a outra ou outras, devido à influência de forças, acelerando-se ou desacelerando-se. Há então embasamento para se chamar de campo de forças tais campos produzidos por estas partículas.

Mas um campo poderia ter a propriedade de agir como uma parede, impedindo a passagem de um corpo? Na Ficção Científica, comumente fala-se de campos de forças, mas sem a presença de partículas que os comporiam. Um campo de forças, fora dos domínios da ficção, é sempre produzido por partículas. E, na Ficção Científica, há a produção deste sem a ação de uma ou mais partículas. Imagina-se então que existam campos de força impenetráveis, verdadeiras barreiras de metros de espessura, como as de aço, mas sem a presença de partículas. E isso não existe, na Física. Talvez, em determinado momento, possa-se criar campos de força idênticos aos descritos na Ficção Científica, mas até o momento, não há tecnologia para isso.   
 

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

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Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
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