sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Querida konbini, de Sayaka Murata, é um best-seller internacional de uma das principais vozes da nova literatura japonesa


A obra aborda relações de gênero e satiriza obsessão pela normalidade. 

As onipresentes cadeias de minimercados são parte fundamental da vida urbana no Japão: refeições prontas, revistas, artigos de higiene pessoal, peças de roupa, serviços como entregas ou pagamentos de contas, tudo isso é oferecido, 24 horas por dia, 365 dias por ano. E foi observando as konbinis japonesas (abreviação do termo em inglês para loja de conveniência), que Sayaka Murata identificou o cenário perfeito para seu romance.

A protagonista e narradora de Querida konbini é Keiko Furukura. Aos 36 anos, Keiko nunca se envolveu romanticamente e, desde os 18, trabalha numa konbini – todos insistem que ela arranje um trabalho sério ou, pior ainda, um marido. Keiko, no entanto, está satisfeita consigo mesma. Deslocada desde a infância, é na loja, com regras estritas para os funcionários e dinâmica precisa de funcionamento, que ela consegue pela primeira vez se sentir uma peça no mecanismo do mundo.

Para que as pessoas normais finalmente parem de se meter em sua vida, ela inicia um relacionamento de fachada com Shiraha, ex-colega de trabalho misógino e sociopata. Apesar de o pretendente e a situação estarem bem longe de oferecer a Keiko qualquer melhora em seu cotidiano, família e amigos respiram aliviados pelo fato de ela se aproximar um pouco mais da normalidade.

Pelo olhar único de sua protagonista, Murata cria um retrato realista e absurdo da vida contemporânea, satirizando nossas obsessões e abordando temas essenciais: normalidade e estranheza, relações de trabalho e de gênero, e a forma como as pessoas (em particular as mulheres) são pressionadas para atender às expectativas alheias. Questões complexas como a repulsa ao sexo e os hikikomori, pessoas que se isolam do convívio social, também estão presentes. Ao escancarar os pequenos rituais, fingimentos e meandros da busca por um lugar ao sol na sociedade, a autora nos coloca frente a frente com a pergunta: o que é, afinal, ser normal?

Sobre a autora
Sayaka Murata nasceu em 1979 em Inzai, na província de Chiba, próxima a Tóquio. Fã de mangás e ficção científica, desde a infância já escrevia histórias.
Frequentou a Universidade Tamagawa em Tóquio e passou a estudar escrita criativa paralelamente. Querida konbini, seu décimo livro, marcou seu nome entre os mais celebrados da nova literatura japonesa: a obra chega à marca de 700 mil exemplares vendidos no Japão, ganhou o prêmio Akutagawa, um dos mais prestigiosos do país, e rendeu à autora um lugar entre as mulheres do ano da Vogue Japão em 2016. A obra está no prelo ou publicada em 18 idiomas pelo mundo e já atingiu status de best-seller internacional.

Antes, Murata havia recebido os prêmios Gunzo e Noma, em 2003 e 2009, ambos voltados para novos escritores, e o prêmio Yukio Mishima, em 2013.
Os temas abordados por ela costumam se relacionar à não conformidade dentro da sociedade japonesa nas relações de gênero, trabalho e na
sexualidade, frequentemente incorporando aspectos distópicos ou de horror. Seu conto “Um casamento limpo”, sobre um casal que deseja conceber
um filho sem fazer sexo, foi publicado na Granta Vol. 13: Traição, também em tradução de Rita Kohl.

Curiosamente, Murata, que mora em Tóquio, também trabalhou por mais de uma década em uma konbini, desde a faculdade até quase um ano depois do sucesso estrondoso deste romance. O trabalho na loja a ajudava com a rotina da escrita e lhe permitia uma das suas atividades preferidas: observar pessoas comuns em seu dia a dia.

REPERCUSSÃO

“É uma história de amor, em outras palavras, entre uma deslocada e uma loja.”
Katy Waldman, The New Yorker

“Curto, elegante, irônico [...] uma exploração incomum sobre o que cada um precisa deixar para trás para poder participar do mundo.”
Dwight Garner, The New York Times

“Keiko é uma personagem quase kafkiana, mortalmente séria em circunstâncias absurdas […] Murata conta histórias de mulheres que não se encaixam, que não estão cumprindo com os deveres da conformidade da classe média.”
Nicolas Gattig, Japan Times

“[Sayaka Murata] tem um olho muito afiado para o grotesco, para algo que pode ser ao mesmo tempo engraçado e horripilante.”
Ginny Tapley Takemori, tradutora do livro para o inglês, em entrevista ao New York Times

EVENTO
Palestra e bate-papo: Querida konbini, de Sayaka Murata, e a literatura japonesa contemporânea

Com Donatella Natili (professora da UnB, especialista em literatura japonesa moderna e contemporânea, com pós-doutorado na Universidade de Waseda, em Tóquio, onde também foi professora), Rita Kohl (tradutora literária, formada em letras pela USP e com mestrado na Universidade de Tóquio. Traduziu obras de autores como Yoko Ogawa, Haruki Murakami, Sayaka Murata e Hiro Arikawa) e Victor Hugo Kebbe (especialista em antropologia social, com graduação, mestrado e doutorado pela Ufscar. Foi pesquisador associado da Shizuoka University e da Nazan University).

Data: 19 de setembro, quarta-feira, às 19h
Evento aberto ao público. Retirada de senha no local 1h antes do início.
Local: Japan House — Av. Paulista, 52 — Bela Vista. São Paulo
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