sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Adriana Versiani dos Anjos lança Arqueologia da calçada

Sexto livro de poemas da escritora ouropretana será lançado dia 1o. de dezembro, sábado, no espaço Terra Boa, em Belo Horizonte

A poeta ouropretana residente em Belo Horizonte, Adriana Versiani dos Anjos, lança no dia 1o. de dezembro, sábado, Arqueologia da Calçada, seu sexto livro de poemas. A publicação foi editada pela 2 Linhas, editora da designer Glória Campos, parceira de longa data de Adriana, e será lançada no Espaço Terra Boa, de 11h30 às 15h30, no Belvedere.

O livro é formado de quatro partes – “Chove”, “O professor”, “O Hóspede” e “Farmacopeuma”, sendo esta última uma plaquete encartada. Para realizá-la, Adriana contou com a parceria do poeta, artista visual e amigo Ronald Polito, que também é autor da imagem de capa da plaquete.

O prefácio é da escritora e artista plástica pernambucana Adriene Myrtes, com quem Versiani mantém profícua interlocução poética. Parte dele, “Um mar na calçada”, encontra-se na contracapa, como um aviso ao leitor: “ao entrar neste livro, pise com cuidado. As palavras não estão aqui a passeio, elas vieram e dizem a quê. São a razão da caminhada, a senha que nos conduz à ostra no centro do peito.”

Nesta rede de amizades tecidas por um certo entendimento da poesia e da vida, Adriana escolheu lançar o livro num lugar não-convencional: a Terra Boa Paisagens, de Cássia Lafetá. Dessa forma, conecta o gesto poético à sua intensa relação com a natureza, sempre presente em seus escritos.

AGENDA
O que: lançamento do livro de poemas Arqueologia da calçada
De quem: Adriana Versiani dos Anjos
Dados técnicos: 2 Linhas Editora, 72 páginas, 2018
Quando: 1o. de dezembro, sábado, de 11h30 às 15h30
Onde: Terra Boa Paisagismo – Av. Paulo Camilo Pena, 432 - Belvedere

ENTREVISTA

Adriana, você está lançando agora Arqueologia da Calçada, seu sexto livro de poemas solo. Já são quantos anos de produção poética?

Arqueologia é meu sexto livro solo. Comecei a escrever com muita frequência a partir dos 12 anos, mas foi na universidade, depois que conheci Camilo Lara, poeta, estudante de história e agitador cultural com quem eu me casei, que comecei a editar e publicar. Há mais de trinta anos edito e publico, sempre em parceria com coletivos de artistas.

Sabemos que todo escritor em geral trava convívio com a literatura muito cedo, como leitor. E que você é uma ótima leitora. Mas falando sobre o impulso da escrita propriamente dito: quando foi que você se descobriu poeta?

Comecei a sentir um impulso muito grande para escrever desde menina, depois do meu letramento. Os textos nasciam sintéticos, usava muitas metáforas para alcançar a fantasia e traduzir o que eu percebia da vida... Depois, quando eu conheci Camilo Lara, ele me disse que eu era escritora e poeta, mas que precisava organizar meus escritos. Aí ele me deu um caderno e o romance Orlando, da Virginia Woolf. Só entendi mesmo que era poeta depois de retomar com Camilo o Coletivo Dazibao (criado por um grupo em Divinópolis em 1980), com o convívio com outros artistas, em 1994.

E quanto às suas leituras: poderia nos contar o que você leu que até hoje te acompanha, que tenha te influenciado a escrita? Ou que é um texto a que você costuma voltar? Ter nascido e vivido em Ouro Preto repercute na sua escrita?

As leituras de romances me influenciaram muito no início. Foram vários os escritores que li. Depois, com o contato com poetas dos coletivos, a poesia foi ficando mais presente. Minha maior influência veio dos meus contemporâneos. Aprendi a perceber que eu tinha uma linguagem própria e a poesia foi amadurecendo em mim. Foram quase 30 anos produzindo poemas com os coletivos. A publicação, e também a declamação, me ajudaram muito no processo. Nascer e crescer em Ouro Preto teve muita influência, porque lá havia um movimento artístico intenso. A minha participação nos Festivais de Inverno a partir dos seis anos de idade me trouxe esse prazer de criar e o entendimento de que a arte tinha a ver com a minha linguagem. Mas foi depois que morei em Brasília, no início da década de 70, que descobri que a minha arte tinha a ver com a literatura. Quando voltei a Ouro Preto, na década de 80 para estudar, é que a confirmação se deu.

"FARMACOPEUMA" seria um receituário poético para afastar fantasmas? O espaço pleno para degustação de cenas intimistas? Remédios para os males da alma adoecida pelas circunstâncias? A revelação dos segredos do bunker da memória através de personagens emblemáticos da escrita como Maiakoviski, Kazuo Ohno, Alice, a Itália, mulungu, Verônica, nomes de remédios, Kefir, Maravilhas...? Dores da ausência presentificadas numa narrativa paliativa, fragmentária, intermitente? Como? = a explicação da coisidade urbana através de livros-cápsulas que perfuram o cérebro com "sinapses imprevisíveis"? A vida vista "com aqueles olhos de quem viu um lobisomem"? Uma voz que transita nas significâncias opacas e que imita a si mesma para ser ouvida pelo silêncio? Um conjunto de informações tênues sobre substâncias que retratam os princípios ativos das dores do mundo? A labuta consciente em função da linguagem incontaminada de que fala S. Pániker? O olhar verdadeiro do incômodo lírico para além das excrescências e secreções do barroco?

Márcio Almeida
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