sexta-feira, 30 de novembro de 2018

“M 81: Ursa Maior”, sobre um conto de Edmund Cooper

Galáxia M 81 ou Messier 81 ou ainda, Galáxia de Bode: descobriu-se em 1993 uma supernova em seu interior, sendo sua nebulosa remanescente ainda possível de ser vista por imagens de rádio 18 meses após a explosão.
*Por Roberto Fiori

Eram oito, os viajantes naquela expedição à Galáxia Messier 81, conhecida como M 81: Ursa Maior. O Capitão Mauris, o imediato Phylo e seis dos mais capazes homens de Ciência que existiam na Terra, entre eles, o físico Kobler. A Santa Maria era a nave experimental que cruzaria mais de um milhão de anos-luz até a M 81, em horas. A teoria do salto extra-galáctico era atravessar o espaço normal por um ponto de entrada, ou orifício que penetrava na teia do espaço, cruzar através do espaço para o subespaço e sair no espaço normal, mais uma vez, no ponto de destino.

O Capitão Mauris já havia experimentado a impulsão extra-galáctica, iniciando sua jornada experimental nas proximidades de Plutão e regressando a ele são e salvo. Ele e todos os tripulantes não haviam conseguido parar de rir por dois dias, com exceção de um deles, que ainda andava muito divertido consigo mesmo, desde a volta. O alívio de voltar a casa, quando acreditava que não retornaria, fora demais para Egon, o navegador.

Agora, faltava pouco para saltarem para as profundezas do espaço e atingirem — teoricamente — M 81. Todos estavam a postos na ponte de comando da Santa Maria.

Quando o impulso extra-galáctico se deu, Escuridão sobreveio. Não havia movimento; tudo estacionara. E a ausência de movimento cansaria uma pessoa até a morte. Mas o Capitão Mauris não morrera; uma voz, durante o salto, lhe dizia para esperar, que lhe falava que era talvez Adão, o primeiro homem a nascer...

O Capitão Mauris, o único sobrevivente a bordo da Santa Maria, pedia a Deus que, se não podia morrer, que o deixasse renascer, que se fizesse a luz...

Na nave, com a chegada da luz, para Mauris, tudo estava invertido: os lugares dos cientistas e de Phylo, e o seu, também, na ponte de comando; assim como os algarismos do cronômetro elétrico instalado na ponte estavam invertidos. Mauris constatou que os motores de salto extra-galáctico estavam irreparavelmente danificados. Pela comporta de ar, colocou os sete membros da tripulação para fora da nave e acionou a propulsão por retrofoguetes, para livrar-se da companhia dos sete corpos. Depois, não se preocupou, por algum tempo, com seu destino.

Mais de vinte dias se passaram e a Santa Maria dirigia-se a um Sistema, onde um planeta verde orbitava uma estrela. A nave caía progressivamente em direção a ele. Mauris decidiu, com extrema dificuldade, que tentaria uma decida nele. Fora uma opção difícil, ele já estava decidido a queimar na superfície da estrela. Seria melhor do que esperar que os mantimentos acabassem ou ficar insano, vagando pelo espaço sem fim.

Ele ajustou os retrofoguetes e a nave o deixou desacordado, jogando-o contra o chão, primeiro, e depois contra parede, com o efeito da desaceleração. Acordou quando a nave pousara. Saiu dela, vestindo uma roupa espacial. O planeta era acolhedor: oceanos azuis, nuvens de sonho, esfarrapadas e correndo pelo céu. Um regato corria próximo a um bosque, perto de onde a nave pousara, em uma campina onde relva crescia.

O Capitão Mauris sentiu-se bem. Abriu o mecanismo de segurança do traje que vestia e nada aconteceu. A pressão e a atmosfera do planeta eram seguras. Tirou o escafandro. Arrancou fora o traje espacial. Ouviu o regato. Correu até ele e jogou água contra o rosto. Rasgou suas roupas sujas e mergulhou. Depois de nadar, saiu da água e, sem se preocupar em se vestir, olhou em direção ao ponto onde descera. A nave não mais estava lá.

Olhou para o Leste, através do bosque, e viu o sol carmesim subir aos céus. E se recordou da voz de mulher que lhe dizia que ele era o primeiro homem a nascer, Adão, em um sonho em que não havia movimento algum...

Há dois aspectos nesse conto do escritor inglês Edmund Cooper (1926-1982), “M 81: Ursa Maior” (“M 81: Ursa Major”, ou “The End of Journey”), que podemos comentar. Este é mais um conto da antologia de Ficção Científica “The News of Elsewhere” (publicado em 1970, como “Novas de Algures”, em Portugal). São contos na maioria sobre viagens espaciais, de humor, drama, fantasia e horror.
A ausência de movimento realmente mataria um ser humano? Como lembrou Cooper, na introdução do conto, Sir Arthur Eddington (um grande astrônomo), em seu livro “A Natureza do Mundo Físico”, fala que nós nos deslocamos pelo espaço, através do planeta Terra, a 30 km/s ao redor do Sol; O Sol nos leva a 18 km/s ao redor da Galáxia; e assim por diante. Nada no Universo está em repouso absoluto. O “Big Bang”, ou “A Grande Explosão”, que lançou, de um ponto sem dimensões, toda a matéria e energia para fora, há 13,7 bilhões de anos, é o responsável por não haver imobilidade absoluta e por nós estarmos aqui, hoje.

Se a Terra freasse bruscamente, seríamos lançados — junto com tudo o que não estivesse firmemente preso à superfície da Terra — em uma aceleração tangencial a uma velocidade de 30 km/s para o espaço, sem a possibilidade de voltarmos, pois a aceleração da gravidade na Terra é de aproximadamente 9,8 metros por segundo, por segundo. Nesse sentido, se tudo no Universo fosse estabilizado até os corpos (planetas, estrelas, Galáxias, buracos negros) adquirirem velocidade zero em relação uns aos outros, qualquer coisa dotada de aceleração superior à aceleração superficial da gravidade em cada um dos objetos que compõem nosso Cosmos seria lançada para o vácuo espacial, com a possibilidade apenas de choque entre eles ou de uma possível volta ao planeta ou estrela em questão, por sorte (ou azar...).

A Galáxia M 81 é uma Galáxia espiral, situada a 12 milhões de anos-luz de distância da Via Láctea, na direção da Constelação da Ursa Maior. Nesse ponto, o conto de Cooper fala que a nave Santa Maria saltaria por mais de um milhão de anos-luz, até M 81; na realidade, somente em 1993 pôde-se calcular a distância de M 81 até a Via Láctea, através da observação de 32 estrelas de luminosidade variável cefeidas; na altura em que o conto foi publicado, em 1970, muito provavelmente não se conhecia isso; o que não diminui, nem retira a importância da obra de Edmund Cooper. Com as estrelas cefeídas, foi primeiro calculada a distância de nossa Galáxia até M 81 como de 11 milhões de anos-luz; o satélite Hipparcos determinou posteriormente a distância como de 12 milhões de anos-luz, por paralaxe, sendo este o dado mais atual e mais preciso.

Foi o astrônomo alemão Johann Elert Bode, em 1774, que descobriu esta Galáxia, chamada também de Galáxia de Bode. Distante somente 150 mil anos-luz de sua Galáxia companheira M 82, elas quase colidiram há alguns milhões de anos atrás. Sua quase-colisão deixou-as deformadas, fisicamente. Em 1779, Pierre Méchain as redescobriu, sendo que seu colega de laboratório, Charles Messier, as catalogou, originando o nome alternativo de Galáxias Messier 81 (M 81) e Messier 82 (M 82).


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
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E-book:
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