segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Mauro M. Burlamaqui e o livro "Brasília ainda chora” (Civilis)

Mauro M. Burlamaqui - Foto divulgação
Mauro M. Burlamaqui é carioca, tendo morado em Brasília e, mais tarde, durante muitos anos, na Baixada Fluminense. Cursou a UnB, Direito, foi funcionário público concursado, presidente do DCE(FEUB), Orador da Turma, tendo sido preso e tido os direitos políticos suspensos por dez anos, e depois anistiado. Presidente de Associação de Moradores, membro fundador do PDT, ex-Secretário Geral em Nova Iguaçu, do Diretório Regional, advogado, jornalista, Mestre em Ciências Jurídicas, professor universitário, escritor. Atualmente, escritor e  participante  do site caminhandojornal.com.  

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?


Mauro M. Burlamaqui: Apoios familiares, elogios de professores, nas escolas, quanto a redações e, mais tarde, incentivo do escritor e professor de literatura Oswaldino Marques, quando publiquei “O Viajante de Marlua”. Este, uma espécie de ET, só que escrito e publicado muitos anos antes do filme ou do roteiro. Depois, na universidade, artigos, em pequenos jornais, Baixada Fluminense, Nova Iguaçu, e para um ou outro tablóide, desde que eu, quase sempre, vivendo num contexto social e político agreste, precisando sobreviver, e em posição contrária ao governo. Ainda assim, consegui divulgar a tese de mestrado (poucos exemplares, “Introdução Crítica à Teoria Jurídico-Política) e o livro “Rio 45º à Sombra”, além de artigos e livretos como “O que há por trás do desarmamento”.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Brasília ainda chora” (Civilis). Poderia comentar?
Mauro M. Burlamaqui: Uma tentativa de, via ficção, traçar um painel sobre as últimas décadas da sociedade brasileira, desde o golpe militar mais recente, de 1964, para cá, para mim parte de uma contrarevolução. Isso a partir de acontecimentos históricos passados em Brasília, São Paulo e outras cidades, abrangendo os “anos de chumbo”, congressos estudantis, lutas políticas e até armadas, depois a “abertura”, chegando a nossos dias. Sempre tentando mostrar as consequências sombrias e atuais disso tudo, no dia a dia, indiretas ou até diretas, caso do desarmamento ou do banditismo simplório em alta. Um “painel” visto a partir do âmago da política e, de outro lado, de “fora” dela - através de suas vítimas ou de seus algozes, de ângulos diferentes (também o dos repressores, CIA, organismos secretos , etc.). 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Mauro M. Burlamaqui: Anos, aos poucos, são escritos de diferentes épocas, revisados, conferidos, acompanhando a história política do país e procurando ir além da aparência, focando na essência.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?

Mauro M. Burlamaqui: Difícil, cada trecho tem seu papel ou teria sido cortado. Mais ou menos,sem critério :

Lembrava dos romanos, quando decididos a morrer. Assinalavam desde logo o local a ser atingido, depois de consultarem médicos e alfarrábios, para que não houvesse erro. Não morrer, de imediato, estrebuchar, hospital, sangue por toda parte, especulações, mídia, sofrimento da família, explicações. Era tudo que não queria. Planejava uma morte limpa, ascética, exata” (‘Morrer ou Morrer em São Paulo’).

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Mauro M. Burlamaqui: Procurar na Civilis, Estante Virtual, Americanas, Amazon, etc. E via site caminhandojornal.com, que procura acompanhar as principais linhas da história e política nacionais, analisando além das aparências enganadoras, levantando críticas,hipóteses e previsões.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Mauro M. Burlamaqui: Sérias as questões hoje colocadas para o povo brasileiro, inclusive a de sua sobrevivência como Nação. Ianni nos vê como província e Unger como protetorado americano. Para amenizar essas questões usa-se já clássicas distorções históricas, via  livros, cursos de graduação e pós, tvs, revistas,  jornais, desinformação, deliberada e bem planejada. Para levar a público tal situação, a ficção, conto e romance e poesia podem ser importantes. Podem captar ângulos, quanto aos seres humanos, sofrimentos, consequências, não atingíveis pela teoria - Política ou História.
Mas, se a catástrofe chega ao ponto em que está (e isto vem ocorrendo não só no Brasil), a História Oficial manipulada, inventados ardis, desinformações, mentiras mesmo, narrativas estrambóticas utilizadas para confundir e desinformar, é preciso estudar e cotejar fatos, decifrar logogrifos. Porque narrativas erradas geram análises e programas políticos também errados e distorcidos. Então, rediscutir essa História, a passada e a recente, pensar numa Contra-História - essa uma tarefa primeira, e básica, para todos os preocupados com os destinos da Nação.
Por isso, os projetos de hoje envolvem estudos e escritos de História e Política – com letras maiúsculas.

Perguntas rápidas:


Um livro: “1964 – A Conquista do Estado", de René  A .Dreifuss.
Um (a) autor (a): dois – Freud e Marx.
Um ator ou atriz: Vanessa Redgrave.
Um filme: “Amadeus”.
Um dia especial: 13 de dezembro de 1968.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?


Mauro M. Burlamaqui: Sério problema do escritor brasileiro (seria só do brasileiro?!) é, além da questão da sobrevivência, seu dia a dia, a da divulgação/distribuição de suas obras - fatores que vão condicionar seu trabalho.
Só interessa aos meios de comunicação, grandes livrarias e editoras, divulgarem, valorizarem, na nossa sociedade, obras acordes com os valores e política  dominantes, que os financiam, direta ou indiretamente. Ou que, pelo menos, tragam dinheiro rápido com pouco ou zero risco.
Fora daqueles valores, ideologia – dificuldades, conflitos com orientadores, pressões e condicionamentos diversos – quando não perseguições e prisões. Tanto um Chomsky como uma Saunders ou Moniz Bandeira atestam isso.
Exceções apenas quando polpudos interesses financeiros levam a ser superada a “regra” implícita citada. Neste caso, permite-se um avanço das obras incômodas, rumo ao público – os valores contestados, denúncias ou verdades ou teorias inconvenientes serão, então,  tolerados, de um lado; enquanto, de outro, soterrados por toneladas de desinformação, contrainformação  e narrativas estrambóticas 
De qualquer modo, algumas obras que importam para a coletividade sempre conseguem sobreviver, ainda que vítimas, por vezes, de sucessivas tentativas de assassinato social, via o silêncio da grande mídia - o mais tumular possível.

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