sexta-feira, 23 de novembro de 2018

“O Menhir”, uma Fantasia pós-apocalíptica escrita por Edmund Cooper

Stonehenge - Foto divulgação

*Por Roberto Fiori

As tribos, vindas do Norte e do Oeste, a cada ano faziam aquela jornada pelo deserto, no solstício de Inverno. O deserto era perigoso, nele a doença existia e os Mutantes banidos das tribos espreitavam. De doze em doze meses, os povos das tribos vinham visitar Aquele que Não Vê, na Cerimônia da Escolha. E no deserto nada vivia por muito tempo, até mesmo os animais mais resistentes adoecendo e morrendo.

Runa, de dezessete anos, carregava Thali, o filho pequeno de três anos, junto ao seio, caminhando com os membros de sua tribo. Estavam perto do que seria a Escolha e perto também do que seria o fim para o filho de Runa. Quando ela tinha somente quinze anos, sua aldeia fora atacada por um bando de Mutantes selvagens, que matara todos os homens e levara as mulheres. Ela fora feita prisioneira, mas fugira. Porém, antes de escapar, fora engravidada por um Mutante.

Voltara para sua tribo e tratara logo de se relacionar com dois ou três homens, para que todos ficassem na dúvida se ela daria à luz a um filho de um Mutante ou de um homem. Mas a criança que nascera trouxera uma marca — um vergão avermelhado que atravessava as costas de cima a baixo. Crescera aos poucos uma saliência por toda a extensão, e pelos nasceram sobre ela. Somente Runa sabia dessa mutação e, para disfarçar, no início deixava o filho sempre coberto por roupas, sob a alegação de ser para que ele não adoecesse com as intempéries.

Mais tarde, a saliência crescera mais e Runa não pudera mais escondê-la. A mãe tinha de amordaçar o filhinho, para que ele não gritasse, quando ela raspava a crosta com uma pedra afiada. Mas a Saliência crescia de novo muito rapidamente e esse processo, de crescimento e raspagem, era um infortúnio tanto para a mãe como para o filho.

Estavam há um dia de viagem do que seria a Cerimônia aos pés de Aquele Que Não Vê, quando a tribo parara pela última vez no deserto para os aldeões descansarem. Runa, sob a luz das estrelas, tomou o filho nos braços e fugiu pelas areias. Andou a esmo, pois viajara por três dias e não levava alimento nem água. Sabia que morreria logo, devido à doença do deserto e à fome e à sede. Mesmo que voltasse pela trilha traçada pela tribo, não sobreviveria à jornada de volta. Por isso, tanto fazia qual caminho escolhesse.

Foi quando caiu, a noite escura encobrindo um abismo. Entre dois paredões de rocha, Runa e Thali foram deslizando, as paredes de pedra esfolando as costas da mãe e do filho. Ela aterrissou no chão, a queda não sendo muito profunda. Acreditou que fizera o filho morrer, esmagado entre ela e a rocha.

Tentou escalar a rocha, as costas contra uma das paredes e os pés empurrando o corpo contra a parede em frente. Caiu por três vezes, mas na quarta vez conseguiu chegar à superfície. Dormiu. De manhã, viu-se perante uma estátua enorme de Aquele Que Não Vê. Fora devido a sua blasfêmia, seus pensamentos e atos impuros que Aquele Que Não Vê a fizera matar seu próprio filho?

Atirou o corpo inerte de Thali aos pés da estátua e jogou-se ela mesma a seu lado. Desejava morrer, junto a seu filho, pela vontade do deus. Mas o filho não estava morto. Começara a emitir ruídos fracos e, depois, a gritar baixinho. Os trapos em que estivera enrolado haviam se soltado e podia-se ver vergões atravessando os ombros e uma marca avermelhada de alto a baixo da espinha, onde antes corria a saliência.

Thali havia sido livre da maldição de sua mutação. Agora, era uma criança sadia, sem os efeitos maléficos de um cruzamento entre um Mutante e uma humana normal. Runa podia comparecer à Cerimônia da Escolha, sem temer pela vida de seu filho. Abaixo da superfície do deserto, abaixo da estátua que ela descobria, de Aquele Que Não Vê, jazia uma cidade. Uma grandiosa cidade, que há muito imortalizara em pedra um homem que perdera um olho e um braço em combate, que cruzara mares agora mortos.

A autodestruição da Civilização outrora vigorosa que o homem erigira se dera, e tudo o que sobrara de bom fora a coragem tênue da sobrevivência dos que teimavam em continuar vivos. E o amor de pessoas como Runa, que se recusavam a entregar o que mais possuíam para um deus de pedra, que os homens agora primitivos adoravam.

“O Menhir” (“The Menhir”), conto do escritor inglês Edmund Cooper, publicado na antologia “The News From Elsewhere” (em português, lançada como “Novas de Algures”, de 1970, Coleção Galeria Panorama), trata de um deus representado por uma estátua de pedra no deserto mortal pós-apocalíptico de um futuro não tão distante.

Vamos falar de estruturas de pedra erigidas por nossos ancestrais do período Neolítico, de 2.000 anos antes de Cristo. Foram erguidas, no Neolítico, várias estruturas como Stonehenge, mas Stonehenge foi o mais ambicioso projeto de um computador astronômico da Idade da Pedra, construído de 2.600 a.C. a 1.700 a.C. Nossos ancestrais não eram macacos peludos aterrorizados pelos elementos, vivendo escondidos em cavernas, mas pessoas cultas, que inventaram a agricultura (há 10.000 anos) e foram capazes de construir monumentos de pedra na Europa Ocidental que se equivalem à tecnologia que existiu no Egito Antigo.

Stonehenge possui um círculo interno de megálitos (grandes rochas) e um círculo mais externo constituído de 56 “buracos”, onde pedras podem ser movimentadas. Para erguer e construir os megálitos, foi utilizada uma tecnologia inferior, em termos astronômicos, embora sejam mais impressionantes. São usados, alinhados corretamente, para prever acontecimentos da natureza, mas na verdade, foram construídos por pessoas que haviam perdido parte do conhecimento de uma outra Era, mais antiga, mas que tentavam manter a sabedoria do que entendiam.

O que é importante é ressaltar que alinhamentos entre marcos e rochas eram feitos, de modo a se prever os eclipses solares e lunares, calcular a posição do Sol e da Lua. Isso era fundamental para a agricultura. Podia-se calcular o tempo do plantio e da colheita, por exemplo. Nesse contexto, o número 7 tinha especial importância. Não é coincidência que temos os 7 dias da semana, o número 7 sendo o número do azar e Deus, como sendo invisível e onipotente, membro superior de uma crença nossa, a Santíssima Trindade. Deveriam ser movimentadas três pedras no círculo externo, de modo a que os antigos astrônomos podiam calcular com precisão de até meio dia por ano os eclipses do Sol e da Lua.

Na verdade, o circulo externo, ou círculo de Aubrey, representa o que chamamos hoje de eclíptica — o plano geométrico da órbita dos planetas ao redor do Sol. Os planetas (e a Lua) oscilam para cima e para baixo desse plano e somente ocorrem os eclipses quando Sol, Terra e Lua se encontram alinhados nesse plano, o que ocorre a cada 18,61 anos. E esse ciclo é previsível, ao se movimentar três pedras no círculo de Aubrey, de forma a que, quando ocorre um eclipse, as três pedras estão alinhadas adequadamente.

O enigma de Stonehenge foi desvendado em princípios e meados da década de ’60 por Gerald Hawkins, que utilizou um computador eletrônico moderno para calcular todas as previsões que os megálitos e o círculo de Aubrey podiam oferecer. Mais tarde, o astrônomo e físico Fred Hoyle realizou o feito de calcular com lápis e papel tais previsões, demonstrando não ser necessário o uso de um computador para se conferir os resultados de Stonehenge.

E, se Hoyle, na verdade uma pessoa de inteligência notável, podia calcular a fórmula de Stonehenge, pensa-se que homens com intelecto equivalente ao dele, vivendo na Idade da Pedra, podiam construir Stonehenge apenas usando a mente, sem nem mesmo a utilização de papel e lápis, ou qualquer método moderno.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
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E-book:
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