quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Brenda Rodrigues e o livro Escritos autorais, por Sérgio Simka e Cida Simka

Brenda Rodrigues - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Sou Brenda Rodrigues, nasci em Mogi das Cruzes-SP em 1996, mudei para o Estado do Pará ainda bem nova com apenas 5 anos de idade. Enraizada na cultura nortista, vim de família humilde, com dificuldades e um estilo de vida bem simples. Eu não me imaginava entrando na literatura. Na realidade desejei ser muitas coisas antes de pensar em escrever, psicóloga foi uma das profissões pensadas.
Durante a adolescência, em momentos conturbados iniciei a escrita, nem mesmo entendia o formato correto para escrever um verso! Quando criança não tive chances de frequentar a escola por mudanças constantes dos meus pais, que se mudavam de cidade a cidade, casa a casa, procurando por uma forma de vida mais digna. Ao todo, estivemos em 12 cidades, e 35 endereços diferentes. Por esses motivos, não nasci e cresci rodeada de livros, muito menos por livrarias e bibliotecas, fui ter a chance de conhecer uma biblioteca aos 20 anos, atualmente estou com 21, o que torna tudo bastante recente.
Então aos exatos 14 anos tive uma epifania, minha cabeça mudou completamente e eu tive uma nova visão restabelecida sobre a vida, sobre enxergar verdades, sobre não mais viver atrás de máscaras. Mas o que uma jovem de 14 anos poderia estar escondendo?
No meu caso, os tão bem conhecidos: problemas familiares.
Você passa a entender melhor as coisas ao entrar na adolescência, coisas que não enxergava aparecem de forma tão clara, e é a base de ensinamento prático para entrar na vida adulta e permanecer nessa vida com perspectivas válidas. A adolescência é o momento em que você não deve receber de mais ou de menos, e seja lá o que for…
E em meu caso as responsabilidades vieram muito cedo, no norte a vida é difícil e na periferia você precisa lidar com as dificuldades, injustiças, violência, e a desigualdade. Eu recorri à escrita quando me senti sufocada, quando praticar atividades, conviver com amigos, em sociedade, comer o meu doce favorito, e ouvir minhas músicas prediletas já não eram mais o suficiente. Então eu escrevi, e acredito que ainda tenha um de meus primeiros escritos! Eram relatos sobre injustiças e o motivo de não entender a vida que eu tinha. Nesse momento de libertação nasceu a paixão pela expressão. Aos 16 anos estive na sala do psicólogo, fui por conta própria e jamais vou esquecer a motivação que me levou a ir até lá e contar os sentimentos que antes eu apenas escrevia. Fui diagnosticada com depressão, e quando você passa a saber de algo assim, não tem como não mais saber. É um estágio nebuloso, como ver a vida exposta na parede, como um quadro, ou uma imagem que passa lentamente…
A dica clínica mais importante foi sobre me expressar sem medo, escrever o que eu tinha medo de falar. E assim nasceu uma nova Brenda, atualmente escritora, porém desempregada. (Risos)
Eu voltei a São Paulo em agosto de 2017, mudei completamente sozinha, buscando novos ares e voltando atrás de raízes que nunca vivi. Me estabilizei de forma simples porém feliz, e me sinto muito grata por estar contando minha história para a revista.

ENTREVISTA:


Fale-nos sobre seu livro "Escritos autorais".

Escritos autorais é aquilo que chamamos de diário pessoal. Foi metade do que escrevi quando estive no estado de depressão.
São meus sentimentos e emoções mais profundas, meu modo de ver a vida, e situações pelas quais passei, tudo em seu formato poético e artístico.
Não foi um livro pensado, não foi como sentar e pensar “Ah! tudo bem, vamos lá. Eu sou a Brenda escritora e vou lançar um livro.”
Ao escrever Escritos autorais eu nem mesmo pensava em publicar, eu estava em um mundo diferente, e meu pensamento inicial sobre literatura foi extremamente arcaico. Imaginei que para publicar um livro eu já deveria ser famosa e rica, e isso não me seduziu o suficiente. Então eu apenas escrevi, escrevi como se fosse ir embora no dia seguinte e de repente se passaram anos...  Acredito que aos 15 anos eu já estava com o diário completo.
Em 2017 Escritos autorais foi lançado de forma independente, o nome foi minha escolha e o nomeei de Escritos autorais por motivos bem óbvios: eram meus escritos e eram autorais (Risos)
A capa também foi ideia minha, e inclusive é o meu rosto que estampa a capa do livro. Eu mesma tirei a foto, foi um selfie, com um celular bem antigo (Risos) na varanda da minha casa.
Toda a produção editorial foi feita pelo querido Douglas F. Gregório. Ele me ajudou a publicar o livro de forma independente, é um livro simples, porém com um conteúdo muito válido.
Sem dúvidas, serei grata eternamente.

Fale-nos sobre o projeto "Antologias independentes".

O projeto Antologias independentes é destinado a ajudar escritores que nunca tiveram a chance de uma publicação. E ele se baseia em produzir antologias que reúnem pessoas de todo o Brasil, de vários estados, cidades e idades.
Sabemos que o ramo literário não é fácil, e embora existam “oportunidades” ainda sim são chances que não cabem na realidade de milhares de pessoas que escrevem por diversos motivos.
Sabemos que ao participar de uma antologia produzida por uma editora de grande, médio, ou pequeno porte há certamente, e não duvidamos disso, suas vantagens ao pagar 300 reais por um poema, conto, crônica publicados. Porém as pessoas que não participam, têm motivos muito maiores do que os mencionados pelas editoras, autores e outros escritores. Nesse ramo literário é normal ouvir que os próprios escritores não apoiam a literatura nacional, que não investem no seu próprio trabalho, que não querem gastar os valores exigidos em seus editais por puro comodismo. Mas o que as editoras e outros autores/escritores não entendem é que para muitas pessoas, a situação financeira é extremamente complicada, e talvez, e muita das vezes, inexistente.
Então o projeto Antologias independentes tem essa proposta, de produzir antologias de qualidade, e publicar de forma independente, colaborativa, e que caiba na realidade do brasileiro classe média baixa.

O que a motivou a desenvolvê-lo?

O projeto Antologias independentes é recente, foi criado por mim há um mês. Porém, nesse meio tempo já temos uma página no Facebook, parceiros como: blogs (Encanto Literário & Lendo Muito), revisores, diagramadores, produtor editorial, agente cultural, O Jornal Tribuna Liberal da Cidade de Sumaré-SP (onde saiu uma das primeiras divulgações sobre o projeto) e nosso edital para a primeira Antologia intitulada Sonhos Literários já está aberto.
O motivo de decidir organizar esse projeto foi uma volta às minhas raízes, por saber o quão difícil é conseguir publicar um texto, ainda deixar essa simples marca para que alguém se inspire e se identifique.
Afinal, escrever é uma forma de fazer com que outros nos conheçam verdadeiramente.

Link da página do projeto: https://www.facebook.com/antologiasindependentes

Como o leitor interessado deverá proceder para saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?

Através da minha página pessoal: https://www.facebook.com/escritorabrendarodrigues

Como analisa a questão da leitura no país?

O Brasil é um País rico em muitas coisas, e todos nós sabemos a grandeza que existe em nossa cultura. Infelizmente, o Brasil há muito tempo sofre na questão da educação. Não temos um ensino de qualidade e não somos o povo que mais lê no mundo, mas, por mais incrível que pareça, somos o povo que mais escreve.
Temos muitos escritores no Brasil e somos um dos países que mais apoiam o ato de produzir livros, e isso eu acho fantástico.
Em opinião pessoal, ainda é um pouco triste ver que nem todos os gêneros literários ganham espaço nas editoras, livrarias e plataformas digitais.
O público acostumou-se a ler com afinco gêneros específicos como romance, terror, & erótico. Influenciados, de certa forma, pelo cinema... Já que muitos livros ganharam o mundo após as produções de Hollywood.
Então, sobre a leitura no País, eu gostaria que novos gêneros ganhassem espaço, e que novas ideias tivessem apoio, gostaria que saíssemos desses rótulos óbvios e que pudéssemos nos aventurar em novas ideologias, tanto na leitura como na escrita.

O que tem lido ultimamente?

Atualmente estou lendo alguns arquivos psicológicos da UFRJ para um livro pessoal que está em processo de criação, também estou por trás da seleção de inscritos para a Antologia Sonhos Literários pertencente ao projeto Antologias independentes, e estou maravilhada com textos que estamos recebendo.

Quais os seus próximos projetos?

Em processo estou com 4 livros.
O primeiro se chama Vozes Dissonantes e reúne um conjunto de músicas compostas por mim adaptadas para o formato poético.

O segundo se chama A Arte da Depressão e conta com relatos de várias pessoas, incluindo eu. De várias idades, de vários lugares, e com vários estilos de vida. (É para esse livro que leio atualmente o Arquivo Psicológico da UFRJ).

O terceiro será meu primeiro livro romântico, voltado a vários tipos de afeto.
Tem como subtítulo “Lembranças” e contará com muito sentimento, momentos com pessoas que marcaram a minha vida, situações que eu nunca esqueci e que por isso precisam ser registradas.

O quarto e último livro está em processo há 5 anos, e é do gênero Filosofia Existencialista, e mostra minha teoria sobre as realidades, que são elas: realidade individual, realidade coletiva, realidade virtual e realidade digital.
O nome do livro é A TEORIA DA INVERSÃO e não tem data de lançamento.


*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a Série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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