sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Sobre “O Colar de Semley”, conto de Fantasia de Ursula K. Le Guin

Escritora Ursula K. Le Guin: falecida em 2018, foi uma importantíssima, senão a mais importante e escritora de Ficção Científica e Fantasia que já surgiu. Autora de “Os Despossuídos”, “Floresta é o Nome do Mundo”, “Mais Vasto que Impérios e Mais Longe”, “A Mão Esquerda da Escuridão”, e mesmo o conto curto, mas belo, “O Colar de Semley”, tem muito a nos ensinar sobre como elaborar uma história fantástica.
Por Roberto Fiori

Fomalhaut II. Planeta habitado por quatro povos, os Gdemiar, ou o Povo do Barro, trogloditas altamente inteligentes de um metro e vinte a um metro e trinta de altura, que não suportavam a luz do Sol e da Lua, ou das estrelas. Viviam em cavernas e estavam no estágio da Idade do Aço, dedicando-se agora a atividades industriais. Eram amigos dos Senhores das Estrelas. Os Fiia, humanoides de alta inteligência, diurnos, de um metro e trinta de altura, viviam em uma sociedade de aldeias e eram nômades, possuidores de telepatia parcial e de telecinese a curta distância. Viviam em um estágio de civilização não-tecnológica.

Os Luiar: humanoides de alta inteligência, vivendo em sociedade feudal/ heroica, baseada em clãs. Era taxado imposto (baixo, mas vergonhoso) pelos Senhores das Estrelas sobre os Luiar, sob a justificativa de que os Senhores das Estrelas estavam combatendo há dezenas de anos, ou mais, um inimigo no espaço profundo. Dos Luiar, dividem-se duas outras pseudo-raças: os Olgyar, ou “homens médios” e os Algyar, ou “senhores”, de alta estatura.

Semley, a Bela, nascida entre os Algyar, era respeitada pelos Fiia e pelos Gdemyar. Os Algyar travavam combate com os Olgyar de quando em quando, em batalhas sangrentas. Semley ouvira falar de uma joia que sua família possuíra, que seu bisavô o tivera, um colar de ouro maciço, tendo ao centro uma grande safira azul. Resolveu partir de suas terras para o território dos Fiia, buscando informações sobre o roubo do colar, que sabia ter ocorrido há muito tempo.

Os Fiia a receberam de braços abertos, mas juraram solenemente que não possuíam tal joia. Falaram que nenhum dos Sete Povos sabia onde ela se encontrava. Nem os Fiia, nem os Olgyar precisavam de tal colar, pois os Fiia tinham a luz do Sol nos dias de calor; e a recordação do calor dele nos dias de frio; possuíam o fruto amarelo, as folhas amarelas do fim da estação, e tinham também os cabelos dourados de Semley, a Senhora de Kirien. E nenhum médio se atreveria a roubar o colar. Só os espíritos dos homens mortos sabiam onde a joia se encontrava, a joia que tinha o valor de um Reino inteiro... mas talvez os Povos do Barro a tivessem em seu poder.

Assim, Semley partiu para as praias do mar de Kirien, onde cavernas rochosas abrigavam os Gdemiar, ou o Povo do Barro. Lá, ouviu novamente que os Gdemiar não possuíam o colar, mas deram afinal permissão para que a Senhora de Kirien e sua montaria entrassem nas cavernas, muito abaixo do nível do solo. Assim, foram, os Gdemiar andando em fila única e Semley, com sua montaria alada, atrás.

Chegaram onde os Altos Senhores de Gdemiar, sete no total, permaneciam. E, com seu pedido, que afinal vinha de uma hóspede, Semley conseguiu que fosse levada aonde a Sala dos Tesouros estava, em uma cidade situada a uma distância muito grande, mas que podia ser alcançada a uma noite de viagem, somente.

Na Sala dos Tesouros, em um museu dos Senhores das Estrelas, Semley conversou por intermédio de intérpretes Gdemiar com Rocannon e o curador do museu, Ketho. Sim, o colar Olho do Mar estava no museu. Era muito famoso entre os Senhores das Estrelas. Tinha sido conseguido em troca de uma nave, uma AD-4, que ficara em poder do Povo do Barro — este tinha obsessão pela barganha. Mas o colar estava em condição de empréstimo, assim como tudo o que havia no museu. Poderiam devolvê-lo a Semley, ainda mais que nem Rocannon, nem Ketho dispunham nos registros uma informação que afirmasse se a joia poderia ser de valor para os povos de Fomalhaut II para evitar uma guerra entre eles, ou coisa parecida. Por isso, para evitar que se começasse uma guerra entre os povos de Fomalhaut II, Rocannon decidiu, por precução, devolver o colar a Semley.

Semley queria dar de presente o colar Olho do Mar para seu marido, Durhal de Hallan, que tinha uma alta posição entre os Angyar. Porém, quando Semley voltou a Fomalhaut II, soube que eu marido havia morrido numa batalha entre os Olgyar e os Angyar, por uma lança de um médio. Haldre, a filha de Semley, possuía agora dezenove anos, a mesma idade de Semley, quando ela partira em busca do colar.

Isso se explica pela Teoria da Relatividade de Einstein. As viagens entre os mundos conhecidos pelos Senhores das Estrelas se davam à velocidade da luz. Os viajantes não envelheciam, ao contrário de quem ficava nos planetas e não acompanhava os viajantes.

Portanto, Semley, em um acesso de mágoa e raiva, jogara o pesado colar no chão em frente a Haldre, a Bela, pois tencionara, no final das contas, dá-lo a Durhal e a sua filha, e partira para as florestas ao Leste, onde desapareceu.

Ursula K. Le Guin escreveu este conto, publicado aqui pela Editora Melhoramentos na antologia compilada por Isaac Asimov “Magos — Os Mundos Mágicos da Fantasia” (“Isaac Asimov’s Worlds of Magical Fantasy”, 1983). A carreira literária de Le Guin durou mais de cinquenta anos, escrevendo mais de cem obras, dentre as quais mais de cinquenta romances, dezenas de contos, ensaios e poemas. Venceu por cinco vezes o Prêmio Hugo e por três vezes o Prêmio Nebula, concedidos aos melhores trabalhos de Ficção Científica e Fantasia. Ela nasceu em Berkeley, Califórnia, E. U. A., em 1929 e faleceu em Portland, Oregon, em 2018. Criou universos mágicos e fantásticos, reunidos sob as séries “Orsinia”, “Earthsea”, “Hainish” e outras. Sua ficção está imersa em elementos de psicologia, sociologia, biologia, religião, sexualidade e até no taoísmo. São elementos que Le Guin teve consigo por toda sua vida. Seu mais famoso trabalho de Ficção é “A Mão Esquerda da Escuridão” (“The Left Hand of Darkness”, 1969), pertencente à série “Hainish”. “A Mão Esquerda da Escuridão” vendeu trinta mil cópias, até o final dos anos de 1970. Como um de seus contos mais interessantes, pela estrutura da narrativa, bem como pela temática, é “Vaster than Empires and More Slow”, lançado em língua portuguesa como “Mais Vasto que Impérios e Mais Lento”, na antologia “Exploradores do Espaço”, de Robert Silverberg.

Ursula K. Le Guin foi a mais importante escritora de Ficção Científica e Fantasia que surgiu nos Séculos XX/XXI. Tanto pela temática profunda e humanista de suas obras, como pelos Prêmios importantíssimos que ganhou, o que demonstra a qualidade de seus textos. Mas devo citar outro nome feminino de grande alcance literário. Este é C. J. Cherryh, ou Caroline Janice Cherry, nascida em 1942. Escreveu mais de 80 obras, desde os meados da década de 1970. Venceu por três vezes o Prêmio Hugo e conquistou o John Campbell Award for Best New Writer, em 1977, além dos Prêmios Locus e outros. Há um asteroide com o seu nome, dado pelos seus descobridores, que afirmaram: “Cherryh tem nos desafiado como merecedores das estrelas, ao imaginar como a Humanidade pode vir a viver entre elas”. Suas obras mais importantes são: “Downbellow Station” e “Cyteen”, romances vencedores de Prêmios Hugo, além de “Cassandra”, conto vencedor do Prêmio Hugo.

É fato que escritoras são tão hábeis em escrever Literatura, em particular Literatura Fantástica, quanto os homens. Não há abismos sexistas separando ambos. C. J. Cherryh é hábil em construir mundos e civilizações de forma extremamente realista, para isso contando com pesquisas sérias e aprofundadas em História, Linguística, Psicologia e Antropologia. Como André Norton — pseudônimo de Andre Alice Norton — diz, a respeito do primeiro romance de Cherryh, “Gate of Ivrel”: “Nunca, desde que li “O Senhor dos Anéis”, fui apanhada de tal forma como em “Gate of Ivrel”.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
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