quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Ana Elisa Ribeiro e o Livro – Edição e tecnologias no século XXI, por Sérgio Simka e Cida Simka

Ana Elisa Ribeiro - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Sou mineira de Belo Horizonte, onde me formei em Letras na UFMG há vinte anos. Fiz bacharelado e licenciatura em Português porque pretendia trabalhar com livros, em uma editora. De fato, essa foi minha primeira atuação. Dei aulas em várias instituições de BH e me tornei uma militante da formação em edição. Fiz mestrado e doutorado em Linguística. Mais adiante, fiz três pesquisas de pós-doutorado (PUC Minas, Unicamp e UFMG), todas tendo a leitura como ponto fixo, embora variassem os gêneros discursivos e a angulação. Sou professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, o CEFET-MG, onde atuo desde a educação técnica de nível médio até a formação de doutores na área de Letras. Temos lá o Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens e o bacharelado em Letras, com linhas de formação em edição. Publiquei três dezenas de livros, entre técnicos e literários. Os mais recentes são "Escrever, hoje", pela Parábola Editorial, e o "Livro - Edição e tecnologias no século XXI", pela Moinhos/Contafios. Na literatura, em 2018, publiquei o "Álbum", de poemas, pela editora Relicário, e o "Renascença", na coleção BH. A Cidade de Cada Um, da editora Conceito.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros, especialmente o da Editora Moinhos/Contafios.

Meus livros atingem diversos públicos e são de gêneros diferentes. Há vários infantojuvenis, a exemplo do "O que é um livro?", que saiu pela Editora da UFMG, numa coleção de informativos para crianças. Também publiquei um livro chamado "O e-mail de Caminha", pela editora RHJ, que é uma retextualização divertida da Carta de Caminha. Os livros técnicos são dirigidos a professores e estudantes de Letras. Os de poesia são minha menina dos olhos. O "Livro - Edição e tecnologias no século XXI", publicado pela parceria Moinhos e Contafios, é um volume que reúne sete ensaios que eu havia produzido para participar de eventos. Fizemos uma compilação, com um inédito, e várias modificações. Os textos às vezes se perdem em congressos, atas, CDs, etc. É bom dar a eles outra luz. A ideia era também inaugurar uma coleção, a Pensar Edição, uma parceria entre duas editoras cheias de garra em BH. Essa coleção, por sua vez, deriva de um evento com o mesmo nome que eu e o editor da Moinhos, o Nathan, produzimos uma vez ao ano. Cada capítulo do "Livro" traz alguma discussão sobre esse objeto tão caro à nossa cultura.

Como analisa a questão da leitura no país?

É difícil analisar a leitura no Brasil sem cair em algum clichê ou achismo. Há dados e pesquisas sobre o leitor, seus gostos, seus hábitos de consumo, etc. O que posso dizer é que tudo depende mesmo do ângulo de que se olha. Temos uma sociedade tardiamente alfabetizada, em relação a outros países; uma escolarização que precisa de melhorias; um problemão de escoamento de produção, já que publicamos muito, como os maiores do mundo; equipamentos cada vez mais diversos e mais populares onde a leitura pode ser feita; uma dificuldade imensa de formar leitores de certas coisas; muitos leitores de outras coisas; enfim... é um cenário complexo. Falar de formação de leitor toca, mas não é a mesma coisa que falar de produzir livros e nem de vendê-los. Temos um ângulo que pode ser desenhado com a pergunta sobre o que as pessoas leem; e temos o ângulo que quer pensar sobre o que as pessoas deveriam ler, conhecer, saber. No meio disso tudo, a escola, que tem feito um trabalho muito criticado, sempre considerado ineficaz, mas que... onde mais se faz esse trabalho? É discussão para uma vida.

O que tem lido ultimamente?

Acabo lendo muitas dissertações e teses ao longo do ano, por demanda de trabalho. Isso é interessante porque me deixa atualizada sobre pesquisas recentes, em várias partes do país. Mas quero também ler minhas listas pessoais, e aí tenho mais dificuldade. Infelizmente é assim que funciona. Tenho tentado ler alguns romances e livros de poesia. Recentemente, li "O Língua", de Eromar Bomfim, livro publicado pela Ateliê Editorial. De poesia, li dois livros de uma coleção chamada Poesia Incrível, de dois poetas iniciantes, a Olivia Gutierrez e o Neilton dos Reis. Antes deles, havia lido duas das obras do poeta Casé Lontra Marques, do Espírito Santo. Minha paixão pelo tema do livro me levou também a ler "Las escritoras y la historia de America Latina", de uma pesquisadora colombiana chamada Luisa Ballesteros Rosas.

Que conselho pode dar a um escritor principiante?


Sabemos amplamente que se conselho fosse bom... a gente venderia. O que posso dizer é que não há fórmulas mágicas e nem muita previsibilidade. No Brasil - e talvez em qualquer parte do planeta -, ser homem, branco e "bem nascido" pode ser bem importante. Isso tem mudado, mas ainda não o suficiente. Prefiro dizer às meninas que insistam, que encontrem suas vozes, que persistam, em especial se não forem "bem nascidas". E dizer a outros perfis de pessoas escritoras que cheguem junto. É preciso ler e trabalhar muito. Uma rede social fará também diferença. Abomino alpinistas literários(as) e oportunistas em geral, mas é importante saber quem está na cena, o que faz, como faz, desde quando faz, essas coisas. O que deveria importar mais é ter um texto bom, inventivo, relevante. Deveria. Vai ser preciso juntar outros elementos.

Quais são os seus próximos projetos?

Escrevo sempre. Minha prioridade é essa. Infelizmente, não é para onde posso canalizar mais energias, mas tento. Por enquanto, 2019 deve ser o ano de realizar algumas ideias legais, além de reforçar as realizações de 2018, como o "Livro", por exemplo. Pretendo publicar um novo livro de poemas, desta vez atendendo a uma proposta muito legal da editora Impressões de Minas, que tem feito um catálogo interessantíssimo. Há também um livro infantojuvenil para sair, na mesma coleção de informativos da Editora da UFMG em que já publiquei. A editora RHJ também me fez nova proposta, que pretendo executar durante o Carnaval. Espero conseguir. Pode ser que surjam mais ideias. É ter paciência de ver o ano se desenrolar.


*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a Série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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