quarta-feira, 5 de junho de 2019

Cristiane Krumenauer e o livro "O preço de uma vida" (Editora Novo Século)

Cristiane Krumenauer - Foto divulgação
CRISTIANE KRUMENAUER é autora de suspense policial. Seus livros: O preço de uma vida; A Máscara de Flandres; Atrás do Crime; da série Contos da Namíbia; Chamas da Noite; e Memória, Imaginação e Narração. É especialista em Literatura pela UFRGS e mestre em Linguagem, Interação e Processos de Aprendizagem pela UniRitter. A autora gaúcha muda-se a cada dois anos, o que lhe propicia conhecer diferentes culturas, resultando em experiências refletidas em sua produção literária. Em 2015, a autora residiu em Namíbia, vindo a colher histórias de diferentes tribos da África. Desde então, suas obras instigam o leitor a refletir sobre as mazelas sociais e sua relação com o crime.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?


Cristiane Krumenauer: Sempre gostei de escrever, embora minha rotina como professora de mais de 1 mil alunos me impossibilitasse uma dedicação exclusiva à literatura. Depois que me casei e que formei uma família que é transferida para qualquer lugar do mundo a cada dois anos, parei de lecionar e criei um escritório versátil e prático para minha situação de nômade: uma mochila, um laptop, uma cadeira que não detona minha coluna. E comecei a escrever para não ficar maluca, ou seja, sem a menor intenção de publicar. O primeiro livro serviu para um impulso inicial e foi fácil, porque como autora iniciante, eu não me cobrava tanto. Assim, sem pressão exterior, cada feedback de leitor era excitante, cada livro vendido era radiante, e ainda existia uma ingenuidade de que esse era um caminho com retorno financeiro e que tendia a progredir só pelo fato de o livro ter sido publicado. No segundo livro, Atrás do Crime, eu já estava mais madura. Contraditoriamente, quando mais expertise você tem no meio literário, mais árdua é a busca por inspiração que lhe mantenha firme no ramo. 


Conexão Literatura: Você é autora do livro “O preço de uma vida” (2018, Editora Novo Século). Poderia comentar?

Cristiane Krumenauer: Este é um livro que se passa em cenários por onde andei: São Paulo, Stellenbosch, Cidade do Cabo.

Nos anos 1980, o pai de uma garotinha (a Garota-sem-Nome) entrega uma arma à filha e diz: “Você tem três balas. Você tem três vidas”. Ao flagrar o pai ser assassinado por um grupo de pedófilos a fim de defendê-la, ela passa a entender as palavras do pai e a serventia da arma que ganhou dele.
Ela consegue fugir dos assassinos e acaba recebendo carona de dois irmãos – Getúlio e Josiano – rumo à terra da garoa. Em São Paulo, Getúlio percebe que não pode cuidar de uma menina cheia de problemas, que vive dizendo que tem três balas, que tem três vidas. Quando surge uma proposta para vendê-la a uma família rica, Getúlio acaba aceitando.

A outra parte da história acontece nos dias atuais. Getúlio perdeu o filho assassinado na África do Sul. A polícia descarta o homicídio e então ele contrata a analista de inteligência Naiona para investigar o caso. Quando a investigação se aprofunda, Naiona passa a descobrir o passado torpe de Getúlio, o que inclui a venda da tal Garota-sem-Nome. A verdade vai sendo revelada aos poucos e cada vez mais, a detetive chega à conclusão de que a garotinha nunca esteve longe de Getúlio. E que, talvez, seja ela a peça-chave na resolução do crime.

A ideia é transmitir a mensagem de que não se constrói uma vida toda em cima de um erro. Getúlio se livrou do problema e ficou rico quando vendeu a garota. Ele optou pelo caminho mais fácil. Mas o passado bateu à porta dele e destruiu seu império e família.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Cristiane Krumenauer: As pesquisas foram sendo feitas à medida que o romance era escrito. Precisei ler livros sobre Analistas de Inteligência e a atuação deles em grandes empresas. Também tive que pesquisar sobre a construção de edifícios, já que Getúlio é dono de uma empreiteira. Quanto às cenas que se passam na África do Sul, essas foram inspiradas na minha experiência por lá e em fotografias que tirei. A vinícola em que o assassinato do filho de Getúlio ocorre, por exemplo, é uma das que mais me atraiu em Stellenbosch – Vinícola Boschendal – e a descrição do local é fiel à realidade.

Este livro levou cinco meses para ser escrito. Precisei acelerar a produção por causa da oportunidade de fechar contrato com a Novo Século.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Cristiane Krumenauer: Bem, por se tratar de suspense, vou destacar um trecho que demonstra a tensão do livro, mas vou cortar o desfecho da cena, em respeito àqueles que querem lê-lo:

“Meniniiiiinha! Vem cá com o titio, vem (...).
A garota congela ao ouvir a voz dele tão perto, tão próxima de onde está. Tio Rafael roça a mão na parede, como se estivesse acariciando a casa. Mas não é isso que ele pretende. O que ele quer é acender as luzes.
 Vamos lá, garotinha. Como acendo a porcaria dessas luzes? Onde você está, hein? Cadê você? Eu te falei para ir embora, não falei? Falei que não te queria aqui. Como você não foi, agora, vai ser do meu jeito...
A menina leva o indicador direito ao gatilho. Tinha destravado a arma antes de ele entrar na casinha, e isso permitiu que o silêncio continuasse protegendo-a no escuro.
Rafael continua acariciando as paredes, até que começa a blasfemar, porque não encontra o maldito interruptor de energia. Assim, a calma que tenta dissimular a fim de atrair a menina para sua armadilha cortante e fatal, vai sendo desvendada.
Eu tenho três balas. Eu tenho três vidas, pensa a garota. Logo em seguida, Rafael consegue acender a luz” (p. 309 e 310).

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?


Cristiane Krumenauer: O livro está disponível no formato impresso e em e-book. O impresso se encontra em diversos sites: Lojas Americanas, Submarino, Shoptime. Também na Saraiva, Amazon, Martins Fontes.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Cristiane Krumenauer:  Já iniciei três novos projetos. Tenho que optar por um deles para seguir adiante. Como estou vivendo na Argentina este ano e a escola de meu filho exige um leva-e-traz considerável, fica difícil me organizar. Porém, talvez seja essa vida louca que acaba dando agilidade na minha narrativa. Os leitores ficam sem fôlego, porque eu também vivo sem fôlego. Minha vida é assim. Preciso me policiar para deixar o leitor respirar entre um capítulo e outro.

Perguntas rápidas:

Um livro: O Pássaro Pintado, de Jersy Kosinski
Um (a) autor (a): Raymond Chandler
Um ator ou atriz: vou pular essa.
Um filme: O Sexto Sentido.
Um dia especial: Quando meu filho nasceu.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Cristiane Krumenauer: Gostaria de agradecer aos leitores que me acompanham ao longo desses anos, a Miranda May, coordenadora do Congresso Nacional de Escrita Criativa, aos meus editores Alex (Ed. Giostri) e Cléber (Ed. Novo Século) e à revista Conexão Literatura, pelo espaço e incentivo à divulgação de meu trabalho. Foi um prazer imenso ter compartilhado minhas experiências com vocês. Fiquem bem e leiam muito.
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