quinta-feira, 4 de julho de 2019

Delegado da Polícia Federal, Jose Navas Junior, comenta sobre seus livros e segurança na internet

Jose Navas Junior - Foto divulgação
ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Delegado da Polícia Federal, especialista em segurança digital, escritor e palestrante. Como foi o seu início no meio literário?

Jose Navas Junior: Fui naturalmente “compelido” a produzir e materializar minhas ideias na medida em que percebi que pouco se escrevia a época sobre os assuntos que eu gostaria de ler. Ou seja, a minha vontade de ler algo sobre os assuntos que abordo me fez inicialmente começar a escrever sobre eles até como forma de preencher a minha própria lacuna acerca da literatura existente e como forma de “incentivar” os leitores a pensarem sobre os assuntos, contestarem, discordarem ou concordarem, e a partir daí que produzissem seus próprios materiais.

Conexão Literatura: Você é autor de livros sobre segurança digital. Poderia comentar?

Jose Navas Junior: exatamente complementando a resposta anterior, foi ai que eu busquei inicialmente o primeiro assunto que mais me consumia, no caso estávamos em época do assunto “espionagem”, Edward Snowden, etc. Eu queria ler sobre, até porque havia recebido indicação para compor assessoria técnica junto ao Poder Legislativo (Senado) justamente na CPI da Espionagem e o material doutrinário existente era todo “importado”. Senti que deveríamos nacionalizar conhecimento, escrever um bom manual efetivo sobre o assunto e em língua portuguesa, e assim nasceu “Ensaios Sobre a Espionagem”, obra que rapidamente atingiu o topo da lista de mais baixada nas livrarias digitais, e foi espontaneamente traduzida em diversos idiomas por colaboradores, para consumo pontual. O valor inicial era simbólico (menos de R$ 3,00) e fiz um “combinado comigo mesmo” que ao atingir “uma certa quantidade” de downloads nas plataformas somadas, a partir dali o livro seria gratuito e assim cumpri minha meta em 8 (oito) meses... hoje já contabilizo centenas de milhares de downloads entre PDFs e nas principais plataformas distribuídas, e em breve irei atualizar a obra, que já conta com 4 anos de lançamento.

Ensaios Sobre a Espionagem é um manual de como se pratica espionagem cibernética, sem filtros, sem efeitos especiais, sem rumores e sem achismos ... é a informação “no pelo”, crua, e com embasamento técnico e legislativo. Ali eu não acho nada, não crio nada ... eu digo como é.

Mas é claro que aconteceu aquela “vontade” de criar em cima da realidade, afinal de contas, a realidade é inspiradora da fantasia, mais que o inverso muitas vezes. Daí nasceu a obra que prova a realidade da fantasia (ou seria o inverso?), Tantalus, ou seja, o manual de conhecimentos Ensaios Sobre a Espionagem aplicada ao caso prático e real (ou fantasia, enfim). Desta obra surgiram sondagens acerca do potencial da mesma gerar derivados, sequencias ou até mesmo ser materializada em outra mídia (série, filme, documentário)... um dia talvez tenhamos Tantalus materializada em mídia diversa.

Conexão Literatura: Com toda a sua experiência, qual seria hoje a maior ameaça para os internautas brasileiros?

Jose Navas Junior: sem dúvida “Fake News”... tivemos ciclos de problemas que assolaram os internautas no mundo todo... vivemos a era dos “vírus”, dos “cavalos de troia”, diversos sistemas furtivos de captura de informação. Agora estamos vivendo sob uma ordem mundial de desinformação que pode levar a desestabilização de nações inteiras. Abordei o tema faz 3 anos na obra Tantalus. Na época parecia “ficção”... preciso atualizar Tantalus pois a realidade já é mais bizarra que a fantasia imaginada. O assunto desperta interesse, e cada vez mais preocupação. Me recordo de falar sobre o que seria o “embrião” de fake news em 2012 em um canal de podcast com menos de 500 “ouvintes” (downloads)... me arrisquei a atualizar o assunto em 2016 e lá se foram mais de 70.000 (setenta mil) downloads... imagino se me arriscasse a falar sobre o assunto hoje após eleições, etc, onde as “fake news” passaram a conviver em nosso dia a dia, como seria a receptividade.

Conexão Literatura: Tanto crianças como adultos passam boa parte do dia navegando na internet. Poderia dar uma ou mais dicas de como poderemos nos proteger mais de possíveis ameaças, seja de vírus ou mesmo de fraudes?

Jose Navas Junior: acabou a era da inocência na Internet. Precisamos de mecanismos e postura defensiva passiva e ativa para uma navegação saudável hoje em dia.

Ativamente precisamente escolher os sites onde navegamos, a fonte de informações que consumimos, serviços idôneos e de preferência renomados. Navegar por sites obscuros, frequentar grupos sociais virtuais (WhatsApp, redes sociais, etc) de duvidosa postura, é como entrar em locais dominados pela criminalidade, a noite, sozinho, e começar a conversar com estranhos e consumir o que te oferecem. A analogia é basicamente esta.

Passivamente precisamos nos cercar de sistemas de proteção capazes de nos proteger dos “males” cibernéticos. Um bom antivírus e um aplicativo “anti Spyware” é como usar cinto de segurança no carro, obrigatório, apenas deve escolher o seu. Mas existem técnicas simples e gratuitas que diminuem a incidência dos riscos na Internet. Um bom exemplo (e gratuito) é usar um sistema DNS com proteção, ou mesmo com “filtro parental”... não quer ser “tecno-chato” dando detalhes técnicos sobre o assunto, mas recomendo os sites http://1.1.1.1 e http://opendns.com pra “começar” o assunto. São auto-explicativos, gratuitos, tanto em relação ao que podem fazer pelo internauta, como também quanto a sua implementação.  O uso de sistemas de DNS com proteção e/ou filtros chega a evitar mais de US$ 2 milhões em prejuízos anuais para empresas... imagina o que não pode fazer pelo usuário final.

Existem ainda equipamentos físicos (hardware) capazes de mitigar e muito tais ameaças. Existem roteadores com controle parental embutido, já com recursos de inteligência artificial, que estão revolucionando o mercado, em especial para os “pequenos internautas” (crianças).

Conexão Literatura: Para casos de racismo, homofobia, bullying e ameaças na internet. O que fazer? Quais os caminhos que o internauta deve fazer para procurar ajuda?

Jose Navas Junior: denuncie ! Nunca fique passivo em relação a tais delitos. No Brasil existe uma organização que é internacionalmente reconhecida que concentra com eficácia tais denúncias e traz importantes orientações aos internautas, qual seja, a SaferNet. Vale a pena acessar o site deles, e sendo necessário, usar o canal de denúncia -> http://www.safernet.org.br

Conexão Literatura: Poderia comentar mais sobre as suas palestras?

Jose Navas Junior: meu portfólio de palestras é extremamente diversificado, e cabe uma explicação sobre. Eu fui “criado” no meio de tecnologia da informação, onde atuei profissionalmente na área de segurança cibernética por mais de uma década, até ingressar na Polícia Federal. Assim sendo tenho palestras que vão desde a prevenção de drogas até ciber terrorismo, passando por lavagem de valores em criptomoedas, mas sempre voltadas a delitos, fenômeno criminal, com ênfase aos “crimes de alta tecnologia”.

As palestras são baseadas em compilações do intenso treinamento que venho fazendo na área, começando pela Escola Nacional de Polícia na Espanha (Ávila), NHTCU (National High Tech Crime Unit) na Holanda, Europol (Holanda) e mais recentemente no INCIBE (Instituto Nacional de CiberSegurança – Espanha) e na Universidade de Palermo na Itália (Máfias Modernas – Curso de Alta Formação).

As palestras são desenhadas ao público alvo, não são “de prateleira”. Eu recebo a demanda, estudo o público, interajo com eles antes, pergunto, e colho expectativas, ai desenho. Já aceitei desafios incrivelmente gratificantes (palestra sobre ciber crimes para pré-adolescentes) e incrivelmente desafiadoras (profissionais da área com experiência internacional, fora do país, fora do vernáculo). Todas personalizadas ao público requerente.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir os seus livros, contratá-lo ou participar de suas palestras?

Jose Navas Junior: os livros estão disponíveis online (exclusivamente), e assim como o contato para palestras, concentrei tudo em um site/índice, que é uma “brincadeira” que fizeram comigo uma vez dizendo que eu era um “candidato a sobrevivente do futuro” pois eu pensava “fora da caixa”. Não tenho tamanha pretensão mas sempre me adapto para evitar minha “extinção” por falta de evolução, e assim registrei o domínio -> http://ForadaCaixa.eu .... não tem erro, só acessar este site e está tudo lá.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Jose Navas Junior: na verdade dois. O primeiro é evoluir Tantalus, atualizando a obra e lançando a continuidade da obra, afim de efetivamente viabiliza-la para, quem sabe, um documentário ficcional, enfim, tirar a obra do “papel digital” e mostrar tudo o que está ali em novas mídias, nas telas.

Em paralelo, sempre que ministro palestras (e já tive público de mais de 500 pessoas por quase 3 horas) ao final muitos (muitos !) me pedem uma “extensão”, uma continuidade, um curso sobre o assunto, algo mais específico, aprofundado sobre o assunto. Pensei em formatar cursos/treinamento em plataforma online (EaD) a partir das palestras presenciais, justamente para prover tais continuidades. Em uma das palestras falo sobre sistemas celulares “fake”, WiFis falsos que capturam senhas, e sempre ao final alguém me pergunta mais sobre, querem aprender sobre as entranhas técnicas do dispositivo que mostrei ali na palestra, aprender a se defender dele, ou entende-los sob uma visão “forense”. Isto não é possível fazer ali na palestra, as vezes são horas (dezenas delas) de treinamento multidisciplinar para aprofundamento forense ou técnico no dispositivo e fico em falta neste “aprofundamento” de informação para com a plateia.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Jose Navas Junior: Agradeço imensamente esta oportunidade de poder mais uma vez falar a um público tão seleto. Eu trato de assuntos que incomodam e muito a “ciber sociedade”, algumas verdades que nem todos querem ou estão preparados para ouvir/ler, e um canal tão importante como este de formadores de opinião potencializa como nunca o alcance do conhecimento socializado. Estamos vivendo em uma era onde já “revogamos” a pétrea
“teoria dos 7 graus de separação”, e sequer sabemos precisar quantos graus de separação nos conectam com tecnicamente todo o Planeta, e a informação útil ou nociva trafega na mesma velocidade e eficácia. Só o conhecimento temperado com conceitos corretos nos manterá ativos neste novo mundo, e irá definir quem é relevante ou será ignorado em meio a tanta informação circulante.
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