sexta-feira, 5 de julho de 2019

O professor, editor e escritor Egidio Trambaiolli Neto e o surpreendente livro O menino e a girafa, por Cida Simka e Sérgio Simka

Egidio Trambaiolli Neto
Egidio Trambaiolli Neto é pedagogo com habilitação em magistério e administração escolar, licenciado em Ciências e Matemática, licenciado e bacharel em Química e pós-graduado em Bioquímica. É editor da Editora Uirapuru.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro "O menino e a girafa". O que o motivou a escrevê-lo? Como surgiu a ideia para esse livro? Como tem sido a receptividade da obra?

A ideia de escrever O Menino e a Girafa surgiu a partir do hábito que o ser humano tem de eleger pseudo-heróis e menosprezar aqueles que realmente realizam atitudes heroicas. Eu queria fazer algo crítico e, ao mesmo tempo, que desse visibilidade aos heróis invisíveis. Comecei a pesquisar a respeito de pessoas que mereceriam esse título, mas que não se preocupam com esse rótulo. Logo o pensamento me levou aos Doutores da Alegria. Decidi visitá-los, aprender um pouco mais, tive o prazer de conhecer Wellington Nogueira, o criador do projeto e uma dessas pessoas que realmente fazem a diferença. Após uma conversa com ele, concluí que os verdadeiros heróis não são essas pessoas que se dedicam a alegrar as crianças com câncer, mas as próprias crianças. Cada uma com seu protagonismo, seu heroísmo e sua luta pela vida. A partir daí comecei a pensar em cada batalha da guerra que travam contra a doença, e foram surgindo os elementos dessa história: um menino que se imagina em uma aventura numa espécie de safári, que tem uma girafa como sua melhor amiga, e com ela é obrigado a enfrentar mosquitos, cobras, sanguessugas, entrar em cavernas apertadas e escuras, viajar por rios caudalosos e ainda ser submetido a estranhos rituais de mascarados que o mantêm em uma complexa tribo, entretanto, aos poucos a história avança e o leitor vai descobrindo que na verdade o menino está em um hospital, tratando de sua saúde, a girafa na verdade é como ele enxerga o suporte para soro, os mosquitos são as seringas que lhe picam, as cobras são as mangueirinhas usadas para aplicar medicamentos, as sanguessugas simbolizam a retirada do sangue, a caverna é equipamento de tomografia, os rios caudalosos são os corredores do hospital nos quais, com frequência, ele é conduzido às pressas e os mascarados nada mais são que os médicos e enfermeiros. Assim, o leitor consegue perceber que o menino enfrenta suas lutas como se fosse uma aventura e, heroicamente, supera seus desafios. Como o livro tem um caráter motivador, a história termina com a vitória do protagonista. Com esse conjunto o enredo e a arte caíram no gosto do público e estão conquistando corações, é muito interessante ver pessoas se emocionando com o livro e deixando seu lado humano falar mais alto. Já presenciei em feiras três pessoas brigarem pelo último livro ali disponível, porque quando as pessoas tomam conhecimento da obra, se encantam, e a querem para si ou para presentear alguém.

Aliás, como surgem as ideias para os seus livros?

Não há fórmulas para a criação, a inspiração vem, simplesmente surge. Basta um estopim para ativar uma ideia, às vezes essa ideia leva um bom tempo para ser maturada, mas acaba ganhando formato depois de muita leitura e pesquisa. Curiosamente já escrevi livros num estalar de dedos, mas outros precisaram ir para a proveta de ensaio, outros mais serem digeridos com sal de fruta (rsrsrs), digo isso porque certos temas são bastante indigestos e mexem com assuntos bem complicados. Isso também acontece porque eu não me prendo a um estilo, tema ou faixa etária. Escrevo de literatura infantil a didáticos, de temáticos a romances, enfim, gosto de diversificar ao máximo. Por esses dias estive mexendo com um livro que está pronto há mais de dez anos, cujo tema é o trabalho infantil, mas não achei que a época em que foi finalizado fosse o momento adequado para lançá-lo, mas agora estou propenso a lançá-lo em breve.
Em que momento você costuma escrever?

Da mesma forma que as ideias surgem em momentos diversos, eu escrevo da mesma forma. Pode ser de manhã, de tarde, à noite, durante a semana, nos finais de semana. Pode ser engraçado, mas acho terapêutico escrever, isso me faz desligar deste mundo que tanto tem me decepcionado. Digamos que a escrita é a minha concha, por vezes coloco minhas anteninhas de molusco para fora da concha e capto algo que me ajuda a "caramujar" - perdoem-me o neologismo - para depois oferecer ao público minha mais nova criação. Às vezes, até me pergunto: em que momento você NÃO costuma escrever? É uma pergunta difícil de responder, pois buscamos o que nos dá prazer e escrever é o meu tônico em boa parte do tempo.

Você é um escritor prolífico. Qual é mesmo o número de títulos que publicou?


Cheguei a 655 obras publicadas, mas outras mais estão por vir, algumas estão em produção e outras estou criando. Há uma expectativa de chegar a mais de 700 este ano, porque tenho várias encomendas de obras temáticas, como sobre bullying e valores humanos, para comporem coleções. Mas gosto de deixar claro que quando digo 655 obras eu incluo materiais como fascículos, revistas e livros. Uma boa parte provém de coleções encomendadas, já fiz materiais de Educação Tecnológica, Ciências, Meio Ambiente, Trânsito, Bullying e até Mecatrônica. Sou uma pessoa que trabalha escrevendo livros, esta é a minha profissão e não uma atividade que exerço paralelamente. Outro ponto que vale destacar são as versões e traduções para outros idiomas que já fizeram de meus trabalhos, tenho materiais em espanhol, inglês e até chinês, entre outros idiomas, mas eu não os considero como uma nova obra, elas apenas foram adaptadas para outros idiomas, por mais que às vezes tenham sido adaptadas à realidade de outro país. Por exemplo, quando o meu material de Meio Ambiente foi vertido para o espanhol do Chile, ele sofreu adequações de mais de 50% do conteúdo próprias para a realidade do país, não dá para usar a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica como referências para uma criança ou adolescente que vive na região do deserto do Atacama ou nas áreas frias da Patagônia ou da Antártida Chilena.

Link do livro:

https://www.lojaeditorauirapuru.com.br/livros/literatura-infantil/o-menino-e-a-girafa/


Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a Série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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