segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Manuela Marques Tchoe e o livro “Encontro de Marés” (Editora Pendragon)

Manuela Marques Tchoe - Foto divulgação
Baiana de Salvador, Manuela Marques Tchoe é uma escritora que vive desde 2005 na Alemanha, onde trabalha como executiva de marketing. É autora de “Ventos Nômades”, uma coletânea de contos sobre experiências de viagem e a vida de imigrante, e “Encontro de Marés”, o seu primeiro romance. 

Suas inspirações para escrever vêm de sua experiência como imigrante e as viagens pelo mundo, além da vontade de abordar algumas questões sociais que a autora considera interessantes de serem discutidas. 

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Manuela Marques Tchoe:  Sempre recebi elogios na escola sobre a minha escrita, e acredito que esse reconhecimento ficou dentro de mim desde cedo e me inspirou a escrever. Entretanto, eu imaginava trabalhar como jornalista, mas não sonhava exatamente escrever um livro. Cheguei a fazer faculdade de jornalismo por um ano, mas a experiência não havia “clicado” para mim na época. Deixei esse talento de lado por muitos anos, apesar de, como profissional de marketing, a escrita em geral ter sido parte da minha rotina.  

Quando meu filho nasceu, eu acredito que finalmente vi que precisava seguir esse talento, que a vida é muito curta para se dedicar apenas ao trabalho. Essa foi uma longa jornada de descoberta e de reconhecer que não dava mais para deixar esse talento inexplorado. 

Conexão Literatura: Você é autora do livro “Encontro de Marés” (Editora Pendragon). Poderia comentar?

Manuela Marques Tchoe: claro! “Encontro de Marés” é uma obra de ficção que fala de mãe e filha que se desencontram pela vida. É uma obra que aborda temas sociais controversos, como a prostituição infantil, mas também mostra o lado bonito e leve do Brasil. É um romance sobre destino, desencontros e decisões impossíveis. Deixo aqui a sinopse: 

Na mística Salvador, Rosa cresce na casa de sua carinhosa avó Dalva, sem ideia das circunstâncias que a impediram de ter pai e mãe presentes em sua vida. Sua infância feliz é interrompida quando seu pai reaparece e a rapta, transformando sua vida para sempre.  

Tempos depois, Mariana aterrissa no Rio de Janeiro, amaldiçoando sua vinda para o país que um dia lhe deu as costas. Quando criança, ela fora abandonada por sua mãe num orfanato, sem nunca entender por que fora deixada para trás. Adotada por um casal de alemães, tudo o que Mariana mais desejava era esquecer seus traumas e apagar traços de sua origem. Mas o horror de um tiroteio na favela da Rocinha desperta o seu desejo mais intrínseco: buscar respostas sobre o seu passado. 

Com suas vidas entrelaçadas, Rosa e Mariana são confrontadas com decisões impossíveis e desencontros. E lutam contra o tempo – até seus caminhos se cruzarem novamente.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Manuela Marques Tchoe: apesar de ter lançado “Ventos Nômades” antes, “Encontro de Marés” foi o primeiro livro que eu comecei a escrever e eu demorei cinco anos para terminá-lo. Como eu nunca escrevi um livro antes e também não fiz nenhum curso de escrita criativa, esse foi o meu “livro-escola”! Aprendi muito nesse processo, assim como pesquisei muito para esse livro, como a questão da prostituição infantil, assim como diversos outros temas que o livro aborda, como o candomblé. 

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

Manuela Marques Tchoe:  Deixo um trecho aqui que marca a aceitação de Mariana que ela precisa procurar por sua mãe após tantos anos, nem que seja para fechar esse capítulo de sua vida. Esse é um momento desencadeado por um tiroteio que a personagem presencia. 

“Depois de muitas horas, o pânico de Mariana se transformou em algo diferente. Sentia um pesar terrível. De morrer, de ver mais inocentes mortos, de dilacerar o coração de seus pais. Foi para isso que eu vim para cá? Para morrer como mais uma vítima dessa guerra estúpida?, indagava ela aos céus.
Seu olhar se voltou para as linhas da mão da menina ao seu lado, seu destino traçado na palma da mão. E ela? Parecia correr contra o seu destino, percorria o mundo para fugir, ocupava-se para não pensar. Mas nesse momento de desesperança, não mais conseguia bloquear o desejo latente, inconsciente, sempre lá, escondido em algum canto de si. Com certa resistência, Mariana reconheceu a inevitabilidade de tomar seu destino em mãos, ao invés de se distanciar. Não adiantava, pensou, poderia percorrer o mundo e se perder no caminho, mas eventualmente reencontraria a direção certa. 

Quero saber o que aconteceu, ela resolveu, e encontrar novamente minha mãe.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Manuela Marques Tchoe: Meus livros estão disponível como impresso no site da Editora PenDragon assim como na Amazon Brasil e outras livrarias virtuais como Submarino, Lojas Americanas, etc. O e-book está disponível em todas as plataformas digitais como Amazon, iBooks, Kobo, dentre outras. 

Para quem está no exterior, o livro está como paperback na Amazon EUA, Alemanha, França, Reino Unido, dentre outros países. 

Estou sempre aberta a conversar com leitores! Caso haja interesse é só me mandar um email para contato@baianadabaviera.com.br ou através das redes sociais. 

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Manuela Marques Tchoe: além da contínua promoção de Ventos Nômades” e “Encontro de Marés”, tenho escrito crônicas para a série “Comida de Gringo” juntamente com a talentosa Ana Fonseca. Também estou escrevendo um novo romance, que dessa vez vai falar do Egito. Enquanto isso, eu continuo escrevendo para o meu blog Baiana da Baviera e para diversas outras revistas. 

Perguntas rápidas:

Um livro: Como Água Para Chocolate, Laura Esquivel
Um autor (a): Leticia Wierzchowski
Uma música: Chão de Giz 
Amor é: a melhor versão do ser humano 
Família é: comprometimento 
Uma frase: “Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser” (Cecília Meirelles)
Um desejo: continuar escrevendo e viajando!

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Manuela Marques Tchoe: agradeço à revista pela oportunidade! Aos leitores, é sempre um prazer dividir minhas histórias com vocês. Encontro de Marés é uma obra que tem muita história para contar – e espero que esse livro seja um bom companheiro de leitura!

Para quem estará na Bienal do Livro no Rio, meus livros estarão no estande da Editora Pendragon – espero a visita de vocês por lá!
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