sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Sobre o Conto de Ficção Científica “Ponto Chave”, de Isaac Asimov

Isaac Asimov - Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

O Multivac, o mais poderoso e eficiente computador que a raça humana construíra até então, apresentava um problema. Havia seis equipes de tecnólogos de computadores investigando em suas entranhas o porquê de ele se recusar a responder às questões que os programadores lhe propunham, e nada!

A economia do mundo dependia do Multivac e os homens que cuidavam de seu hardware e de seus softwares estavam desesperados. A Humanidade esperava uma saída, pois sem aquela máquina, de que todos dependiam, haveria caos. O Multivac possuía milhões de relês, e mesmo que um só apresentasse defeito ou se queimasse, o computador possuía meios de detectá-lo, mostrar qual era o relê com mal funcionamento aos programadores e substituí-lo, sem a interferência do homem. 

De fato, o Multivac era tão complexo que poderia ser comparado ao cérebro humano, o mais complexo órgão que existia, em toda a Terra. E diziam que passara a linha tênue entre a máquina inteligente e o ser humano. Tornara-se humano. Mas como compreender uma máquina tão avançada como ele, se não se podia entender o funcionamento do próprio cérebro humano?

Alguma coisa faltava. Algo que passara entre os dedos dos analistas. Dois deles se encontravam nas dependências da sala onde uma parte do Multivac se localizava. E discutiam sobre isso. Jack Weaver era o terapeuta do computador. Conversava com ele. Mas para Todd Nemerson, Jack fingia que conversava com a máquina, fingindo que se tratava de um ser humano, a fim de os homens não se tornarem neuróticos por terem um equipamento que sabia mais que qualquer ser humano, independentemente de seu Q.I. Para Nemerson, transformaram um assustador monstro metálico em uma imagem de pai protetor. E Nemerson considerava que o Multivac era realmente um ser humano, em sua mais completa e complexa essência.

Ele pediu a Jack que formulasse a questão que levara o computador a um estado de negação. Weaver, apesar de acreditar ser isso uma bobagem, que o Multivac era apenas uma máquina complexa, e que só tinham de descobrir o que estava errado com ela, acabou cedendo. Mostrou a Nemerson o que havia conversado com a máquina. E Nemerson, ao final da pergunta que Weaver lhe mostrara, disse a Jack para preparar o Multivac para receber os dados da pergunta. As equipes de tecnólogos foram dispensadas por Weaver e este alimentou o Multivac com a questão. Era a décima-segunda vez que fazia isso.

Nemerson aguardou que os dados fossem inseridos e então falou:

— Vamos lá, Multivac, solucione isto e dê-nos a resposta — ele fez uma pausa e acrescentou o ponto chave: — Por favor!

Todo o Multivac, as milhões de válvulas e relês começaram a funcionar. Afinal, uma máquina tem sentimentos, quando não é mais uma máquina.

Este conto foi pedido por Ed Berkeley, que dirigia um pequeno periódico sobre computadores e automação (a revista se chamava “Computers and Automation”), em 1959, a Isaac Asimov, para ser publicado em sua revista. Pagou um dólar a Asimov por “Key Item” (“Ponto Chave”) mas nunca a publicou. Fora um pedido feito em nome da amizade que tinham em comum e Asimov sempre tivera dificuldades em escrever algo com base em um relacionamento como este. Passaram-se oito anos e Isaac perguntou a Berkeley o que havia acontecido à história. Ele informou ao escritor que havia decidido não publicar Ficção Científica. Asimov pediu a história de volta e enviou-a à revista “Fantasy and Science Fiction”. Em Julho de 1968 ela foi publicada, afinal. Em 1979, a Editora Hemus, no Brasil, lançou o conto na antologia “Buy Jupiter” (“Júpiter à Venda”), com o mesmo nome da coletânea editada pela Doubleday and Company, de Nova York, editora que publicava originalmente grande parte dos livros de Asimov, anos atrás.

O que se pode dizer de uma máquina cuja CPU — Unidade Central de Processamento — é quase tão avançada quanto o córtex cerebral, ou mais? Que possa executar bilhões de septilhões de cálculos e processar igual quantidade de dados em uma milionésima parte de um segundo? Tais máquinas já se encontram em fase de desenvolvimento. São os computadores quânticos.
Computadores tão rápidos e com memória tão vasta que poderiam ser capazes de mapear uma grande parte do Universo observável em um espaço de tempo pequeno, digamos, dias. Máquinas que tomem decisões por si só e construam outras de maneira corriqueira, produzindo computadores cada vez mais poderosos e eficientes, que superariam em muito a capacidade de processamento do cérebro humano em alguns meses.

Tal quadro seria algo como o conto acima de Asimov — especulação científica —, se não fosse o fato de que já se têm computadores quânticos básicos em funcionamento no mundo. Esse é o pontapé inicial. A corrida para se atingir máquinas que atuem de modo negativo, como as armas autônomas — e que não distinguiriam entre inimigos e aliados, em uma guerra real do futuro — ou computadores que possam curar o câncer e a AIDS, ou mesmo obter a solução para a fome e para a criminalidade, de modo mais eficiente do que se tem feito hoje, começou.

Solucionar o problema de se atingir Alfa Centauri, colonizar o Sistema Solar, produzir alimentos em quantidade para alimentar o bilhão de homens, mulheres e crianças que sofrem hoje de fome crônica, alcançar-se energia ilimitada, com o desenvolvimento de reatores de fusão nuclear e, possivelmente, de reatores que utilizem antimatéria, é algo digno de um milhão de mentes geniais. A computação quântica promete tudo isso. 

Porém, se utilizada somente para a guerra ou, no poder de hackers, ser usada para se acessar centenas de milhões de dados de órgãos governamentais de superpotências, roubar segredos militares de última geração, propagar malwares desenvolvidos de tal modo que possam romper quaisquer barreiras contra esse tipo de ameaça, provocar black-outs em megalópoles, com a finalidade de chantagem, destruir sistemas de armas avançadas de países inimigos, invadir laboratórios secretos para se roubar armas biológicas e químicas, provocar guerras em escala titânica — guerras nucleares, por exemplo —, prejudicar o avanço de pesquisas contra vírus e superbactérias, para a seguir chantagear governos, utilizando-se deles em seu poder, isso é algo inadmissível.

Caso a tecnologia da computação quântica chegue a tal nível — ou exponencialmente maior —, medidas de segurança multiplicadas por cem, mil ou um milhão de vezes, só a título de demonstrar o quanto tais ameaças seriam ameaçadoras, teriam de ser tomadas por superpotências que possuam instrumentos de segurança adequados.

Tecnologia de computação quântica que supere a capacidade do cérebro humano terá de ser encarada como ponto número um no quesito de prioridades. Pois somente a partir dela, poderemos plantar sem o uso de transgênicos — que acabam com a fertilidade do solo — a um nível em que uma lavoura extensa e mundial produza o suficiente para abastecer o homem. O problema da fome é imediato. O sofrimento causado pela fome é impensável, mas é realidade, hoje. 

No futuro, quando o homem amadurecer seu pensamento, poderá se lançar ao espaço. Romper as barreiras do espaço-tempo, utilizar a teoria das supercordas para gerar energia, aproveitar a matéria escura para propulsão de astronaves de sonho, desvendar os mistérios da energia escura, ir além do infinito, mergulhando no Multiverso. 

E além!


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
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