sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Sobre o Conto “Vazio”, de Isaac Asimov, e do Problema da Compreensão do Tempo

Isaac Asimov - Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

August Pointdexter tinha sérias reservas quanto a se viajar no tempo. O dr. Edward Barron, porém, tinha a mais completa confiança em se deslocar através da Quarta Dimensão. Já havia enviado coelhinhos para o futuro, e eles haviam voltado são e salvos. A máquina era um sucesso. 

Porém, Pointdexter ainda acreditava em paradoxos temporais. Não era como um passeio dado em um elevador: a pessoa podia se deslocar do quinto para o quarto andar, sem o perigo de matar o próprio avô, o que gerava um absurdo matemático concreto. Mas, como Barron apontou, uma máquina do tempo é uma máquina como qualquer outra, nem mais, nem menos sacrílega. Como um elevador, por exemplo.

Digamos que o viajante do tempo pudesse encontrar-se consigo mesmo, ou que mudaria o curso do tempo, influenciando determinado personagem histórico a evitar certos atos importantes, como a perda da Guerra de Secessão pelos Confederados e sua vitória pelos sulistas, nos Estados Unidos da América.

Barron repetiu pela vigésima vez, que o tempo é invariável. Tudo o que se desejasse fazer no passado, e o fizesse, era porque já tinha sido feito. Se eu resolvesse matar o meu avô e o fizesse, não estaria no futuro construindo a máquina do tempo. Não haverá paradoxos, não se modificará coisa alguma. Por mais que eu quisesse assassiná-lo, isso não ocorreria, pois eu me encontro no futuro. E nada é capaz de modificar isso.

Como a máquina funciona, no caso, com os coelhos, então as equações temporais estão corretas; isso significa que as partículas que compõem o tempo existem em ordem inalterável e que o tempo é invariável.

Pointdexter acabou sem argumentos. Se possuía algum temor, expressava-o por meio de paradoxos temporais. Isso era o que parecia. Mas concordou em acompanhar o dr. Barron em sua primeira tentativa de enviar um ser humano ao futuro. Havia os controles: as Propulsões, que alimentavam o motor que levava a máquina a se mover ao longo do eixo do tempo. Disso, Barron cuidaria. E havia os controles dos Padrões, que mantinham fixos os pontos de origem, de modo que a máquina podia voltar ao ponto inicial a qualquer momento. Pointdexter ficou encarregado desse segundo conjunto de controles.

Houve um movimento, claro. Era como o movimento de um elevador, mas algo mais sutil, ainda que real e concreto. Houve em seguida um ruído estridente e Pointdexter, na cabine da máquina, colidiu contra a parede de modo violento. 

Barron abriu a porta, mas não havia nada. Nenhuma matéria ou luz. Um vazio. Pointdexter pensou que devia ser porque a Terra havia se movimentado no espaço, em torno do Sol, e era o espaço que viam. Mas a máquina havia sido construída de modo a acompanhar o movimento da Terra no espaço. E não havia Sol ou estrelas.

Só havia uma explicação: estavam retidos entre duas partículas de tempo, como entre dois andares de um elevador. O movimento, a consciência, todas as coisas estavam suspensas. Havia uma inércia que os carregara ao longo do tempo por um minuto, como um corpo que se dobra para a frente, ao ser premido fortemente o freio e o carro para subitamente.

A luz da cabine fraquejou e apagou. A sensação e a consciência transformaram-se em nada. E por toda a Eternidade, onde mesmo a Eternidade era ausente de significado, haveria somente um vazio total...

Este conto mostra que podemos estar muito, mas muito longe de se alcançar na prática a viagem no tempo. Publicado por Isaac Asimov, em 1957, na revista Infinity, foi ideia do editor dela, Larry Shaw, que propôs a Randall Garrett, Harlan Ellison e a Asimov um conto curto, que fosse escrito imediatamente após ele apresentar o título — o título mais desinteressante que ele podia imaginar. Então, Garrett compõs uma história intitulada “Vazio?”, Harlan Ellison escreveu “Vazio” e Isaac Asimov começou a escrever, na mesma hora em que Shaw o desafiou, “Vazio!”.  O conto foi publicado na coletânea “Júpiter à Venda” (“Buy Jupiter”), pela Editora e Livraria Hemus, no Brasil

O tempo pode ser encarado de duas maneiras: uma delas, de modo a se construir uma máquina do tempo. Quanto a isso, estamos mais longe de atingir nosso objetivo do que quanto a um segundo modo: o de se possuir um controle direto sobre os fenômenos temporais. Analisemos isto: para uma criança de 9 anos de idade, um ano decorre de modo muito mais lento do que para um adulto de 45 anos. Para os cientistas, o mundo real, das ideias a serem deduzidas pela mente, este decorre muitas vezes de maneira não ortodoxa. Para o homem comum, o “se isto acontecer, então isso também acontece, e resulta naquilo”, é diferente do que acontece na mente de um cientista.

É o ponto a que quero chegar, talvez uma questão de extrema importância. Quando estamos jogando xadrez, muito frequentemente não vemos nenhuma jogada boa, que nos beneficie contra o oponente. Basta olharmos pelo tabuleiro uma segunda vez e, não por processos conscientes, mas pelo uso instintivo de nosso inconsciente, uma jogada é realizada sem nossa percepção... e tomamos uma peça de um adversário, ou mesmo, realizamos uma jogada que leve à vitória.

Para matemáticos e demais cientistas e, inclusive, para muitos outros pensadores não-científicos, ocorre que, após um longo período de reflexão em que não houve progresso e não se chegou a conclusões efetivas quanto à resolução de um problema, o resultado chega de uma só vez, de natureza diversa, intuitiva, e ilógica. Não há, nesses casos — que são muito comuns na comunidade científica —, um processo de raciocínio, apenas há o surgimento do resultado de uma só vez, de forma inconsciente, assim como nas jogadas de xadrez. Foi constatado que o mesmo ocorre com escritores, que escrevem de modo inconsciente um parágrafo, ou mais, sem se dar conta de que o fizeram. Somente após o terem feito, ao relerem a etapa “pulada”, é que se dão conta de que o fizeram.

É muito cedo ainda para controlarmos nosso cérebro por completo; nossa parte que raciocina por si mesma, em que dominamos os processos de pensamento de maneira análoga à ida do passado para o futuro, sempre no sentido “causa — consequência” é, estamos certos, a parte menos importante de nossa mente. Os processos inconscientes não seguem essa linha de raciocínio, muitas vezes; eles tomam o rumo do passado, para a seguir, converter-se novamente, de uma só vez, na dedução de equações matemáticas e fórmulas que são o objetivo final.
Talvez, em um futuro não tão distante assim, por meio de manipulações genéticas ou o acaso fortuito da ocorrência de mutações favoráveis em número suficiente para indivíduos favorecidos, possa ocorrer uma reviravolta. E estas pessoas possam tomar nas mãos o seu próprio destino, alterando o futuro, de modo a que se vejam privilegiadas; que se vejam bem-sucedidas não somente por seu próprio esforço, mas que possam, controlando a “seta do tempo”, interferir no passado, no presente e no futuro.

E, assim, possam talvez alcançar, quem sabe, resultados como a liderança de várias nações ou de um planeta, a solução para a viagem cosmo-galáctica, a obtenção de muitos Prêmios Nobel em um só ano, a aquisição das maiores fortunas, por meios lícitos e sem esforço, ou mesmo, a obtenção da vida eterna.

Quem sabe?

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
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