quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Fundação - por Gian Danton



Isaac Asimov era um mestre absoluto da narrativa. Mais do que isso, um grande criador de tramas, em que a história toda gira a partir de uma determinada lógica, que é seguida do início até o fim. Um dos melhores exemplos é a trilogia Fundação.
Escrita entre 1942 e 1953, a história mostra um futuro longínquo em que a humanidade  dominou a Via Lactea, espalhando-se por milhares de mundo em um poderoso império. Mas um cientista especializado na Psico-história (um ramo da ciência que lida com a humanidade a partir de uma análise matemática, só possível em população imensas, como os bilhões de habitantes do império) percebe que este império ira decair, o que dará origem a uma era de trevas e barbarismo – e concebe um plano para diminuir esse período bárbaro, fazendo com que um segundo império se erga em mil anos. Para isso foram criadas duas fundações, em pontos opostos da galáxia, destinadas a garantir o chamado plano Seldon (batizado em homenagem ao seu criador).
A trilogia, focada principalmente na primeira fundação, mostra como o plano vai sendo preservado, apesar dos perigos e dificuldades – na verdade, são justamente esses perigos, chamados de crises Seldon, que farão com que a Fundação se torne forte. A cada crise ela vai evoluindo e é interessante observar como Asimov maneja a trama de modo a que tudo se encaixe nos planos de Seldon. Há uma lógica interna irrefutável por trás dos acontecimentos. O tipo de coisa que você lê e pensa: mas é claro, essa é a consequência lógica disso!
Asimov, provavelmente prevendo críticas à estrutura rígida e à visão positivista e matematizadora, inclui até mesmo um elemento inesperado à equação, um verdadeiro efeito borboleta, ou atrator estranho, como diriam os teóricos do caos, que não havia sido previsto por Seldon, e que gera uma séria crise, que acaba sendo solucionada, também de maneira lógica.
Essa estrutura cria um elemento de suspense verdadeiramente viciante: sabemos que a Fundação irá enfrentar crise e sabemos que ela irá superá-las. A questão é como isso irá ocorrer de maneira lógica, que não pareça um simples Deus Ex-Machina (recurso em que o escritor simplesmente arranja uma solução artificial para o conflito).
Ajuda muito o fato do texto de Asimov ser sintético, focado principalmente em diálogos e descrições breves, um quase roteiro de cinema (é surpreendente que ainda não se tenha pensando em transformar a trilogia em filme ou seriado).
O sucesso foi tão grande que foram escritos mais quatro livros: Limites da Fundação, Fundação e a Terra, Prelúdio à Fundação e Limites da Fundação. Aliás, esse é o problema da trilogia. É tão viciante que você termina de ler e já quer comprar os livros complementares.

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