quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Novembro de 1963



A primeira coisa que você precisa saber é que, se for ler Novembro de 1963, de Stephen King, tenha certeza de que tem bastante tempo de sobra. Você se verá com um livro enorme (725 páginas!!!!!) que simplesmente não consegue largar – e se estiver muito atribulado isso será um problema.
Os romances normais seguem a estrutura estabelecida por Aristóteles, com um primeiro ato que apresenta os personagens, um conflito surgido no final deste ato, que se desenvolve no segundo fazendo com que a trama siga num crescendo – até a conclusão apoteótica no terceiro ato. Num bom romance de terror ou suspense isso significa que o nível de tensão irá se tornar cada vez maior, até o que terceiro ato se encerre – e com ele o livro.
king quebra com esse esquema. Seu livro tem dois arcos, então, quando a tensão chega ao seu auge, quando a linha do violino parece esticada demais, a história começa de novo a partir daquele ponto. Por um lado é interessante, pois o leitor sabe o nível a que a narrativa pode chegar, mas, por outro lado, isso faz com que a narrativa recomece no primeiro ato e só volte a engrenar lá na frente.  
A segunda coisa que você deve saber é que esta resenha terá spoillers. Difícil explicar este livro sem contar algo a respeito, embora contar algo já entregue toda a trama – a propaganda da editora fez contorcionismos para promover o livro sem contar quase nada da trama.
Na trama, um professor secundarista é apresentado a um portal no tempo, que lhe permite voltar ao ano de 1958. O homem que o apresenta a essa falha temporal está morrendo de câncer e o convence a terminar o que ele começou: voltar no tempo e impedir o assassinato do presidente Kennedy. Por mais tempo que se viva no passado, se passam apenas dois minutos no presente.
King constrói seu roteiro a partir do conceito do efeito borboleta, em que pequenas alterações no início de um processo podem provocar grandes alterações a longo prazo – e, embora ele pareça usar o conceito de maneira ingênua a princípio, no final do livro fica claro que ele sabia o que estava fazendo.
Novembro de 1963 é mais que uma história de viagem no tempo, um triller e uma reconstrução história de um dos momentos mais importantes da história americana. É também uma história de amor que cativa o leitor e o segura até a última página.
Leia, mas tenha certeza de que terá tempo de chegar até o final das quase 730 páginas.

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