quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Sobre o Conto “Ponha o Pino A no Furo B”, de Isaac Asimov

Isaac Asimov - Foto divulgação
Dave Woodbury e John Hansen trabalhavam há um ano na Estação A-5. Cansados de instrumentos defeituosos, como cubas hidropônicas que vazavam, geradores de ar que zumbiam sempre e, às vezes, paravam de funcionar, ou unidades de filtragem com defeito.

— Nada funciona porque tudo é montado manualmente por nós mesmos — um deles dizia.

— Segundo instruções escritas por algum idiota — o outro continuava.

Tudo na estação era recebido desmontado em caixas volumosas e vinha acompanhado sempre por um manual de instrução com orientações borradas, incompreensíveis, por vezes, e mal escritas. Isso porque, se o equipamento chegasse pronto, montado, ocuparia espaço precioso, que não poderia ser gasto à toa. O espaço, em uma estação espacial, era mais do que precioso. Era vital.

Woodbury redigia reclamações, acrescentadas por adjetivos apropriados por Hansen. Pedidos formais de reparação foram enviados à Terra. Milagrosamente, suas solicitações de solução foram atendidas. Um robô positrônico foi enviado à estação, para ajudar na montagem dos equipamentos, com o cérebro abarrotado de conhecimento de como montar qualquer aparelho ou dispositivo existente.

Quando a câmara de compressão externa se fechou, possibilitando aos dois homens que entrassem nela sem o perigo de morte por diferença de pressão, eles mal podiam esperar para abrir o engradado.

— Finalmente, teremos alguém para inspecionar o preparador de comida. Ajustará o botão de regulagem da máquina para que saiam, não bifes queimados, e sim, bifes deliciosamente mal passados.

Quando o engradado se abriu, os dois mal puderam conter um suspiro de frustração. Porque o robô tinha vindo completamente desmontado, suas 500 peças de metal prontas para serem montadas segundo uma folha contendo instruções borrada e incompreensível.

Essa história, a mais curta que Isaac Asimov já escreveu, foi elaborada durante um programa de TV da emissora WGBH, educacional, em Boston. Aconteceu em 1957, quando Asimov, John Hansen (escritor de manuais de instruções) e David O. Woodbury (escritor científico), foram convidados para participar de um programa sobre os meios da ciência na comunicação. Todos eles deploravam o baixo nível sobre como a maioria dos manuais científicos eram escritos, a inadequação científica e técnica de tais escritos.

Foi mencionado, então, algo sobre o grande número de textos que Asimov publicava, o que foi uma deixa para que o escritor dissesse que era devido à extrema facilidade que ele tinha em escrever e a uma enorme fluência de ideias. Asimov falou, ainda, que poderia escrever sobre qualquer assunto em qualquer condição. Então, ele foi desafiado a escrever uma história no curto período de vinte minutos que duraria o programa de televisão. O que foi aceito.

E Asimov concluiu o conto acima, apesar de, como ele escreveu posteriormente, ter deixado escapar um único erro de gramática. O escritor reconheceu, porém, que havia “trapaceado”. Quando foi convidado para participar do programa, ele pensou logo que teria de escrever um conto durante a entrevista. Portanto, havia imaginado ela inteira, antes de ser posto sob a luz dos holofotes. Asimov somente teve de ajeitar uma ou outra frase e acertar os detalhes para que o conto fosse escrito antes de meia hora. E tudo sob a luz de holofotes potentes, e ainda tendo de responder com clareza e perspicácia às perguntas que lhe eram feitas. 

O que não é para qualquer gênio. A história foi publicada pela primeira vez em “The Magazine of Fantasy and Science Fiction”, em Dezembro de 1957. Aqui no Brasil, é encontrada na antologia “Nightfall and Other Stories” (“O Cair da Noite”), de 1981, pela Livraria e Editora Hemus.

É impressionante o que se pode ver nos manuais técnicos. Livros para projetistas em Engenharia Mecânica, por exemplo, podem constatar isso na má qualidade dos esquemas técnicos que grande parte das publicações exibe. Textos de programação de computadores também não escapam à regra. Muitas vezes, a ausência ou a presença de um ou mais elementos pertencentes a programas mostrados nos livros atrapalha muito o aprendizado e o uso de tais volumes.

Existiu, na Antiguidade, uma biblioteca muito famosa e com cerca de meio milhão de volumes, cada um deles um pergaminho de papiro escrito a mão, segundo Carl Sagan, em seu livro “Cosmos”. Ficava em Alexandria, no Egito, cidade fundada por Alexandre, o Grande, e construída por sua guarda-real. Foi a maior cidade do mundo ocidental jamais vista. Era o centro cultural de todo o mundo antigo. O conhecimento guardado ali era invejável. Muito do que se conhece hoje foi redescoberto e provavelmente já fazia parte do acervo de tal biblioteca, dirigida por Eratóstenes, um dos primeiros a calcular a circunferência da Terra. Infelizmente, devido a poderosas forças sociais em conflito, esta instituição foi queimada, destruída quase completamente. Muito pouca coisa escapou ao incêndio criminoso. Inclusive, Hipácia, a mulher mais sábia de toda Antiguidade, foi morta durante o incêndio, seu corpo esfolado por conchas, por uma multidão enfurecida. 

Não há dúvida de que o escritor científico tem seu valor, imenso, por trás das ideias que cientistas elaboram e das descobertas que fazem. Porém, sem uma revisão técnica adequada, as obras técnicas, em todos os ramos da Ciência, sofrem uma queda em sua qualidade.

Da mesma forma que um romance, ou uma antologia, precisam de inúmeras revisões por parte, ou dos autores, ou dos revisores, o texto científico, mesmo armazenado em computadores, demanda revisões muito apuradas. É claro que existem inúmeras editoras, competindo entre si pela vanguarda na venda de suas obras. Isso é conseguido pela qualidade de seus textos editados e pelo preço competitivo. Mas o progresso da educação só pode ser conseguido com o auxílio de textos didáticos bem planejados. Os erros podem ser corrigidos, mas demoraria muito menos tempo para um conhecimento ser passado a alunos do ensino fundamental e superior, se tais erros, muitas vezes muito importantes, fossem suprimidos por meio de revisões mais acuradas das editoras.

Na Internet ocorre o mesmo. Sites com informações técnicas de como se resolver um problema que o usuário enfrenta apresentam frequentemente orientações erradas, que, se seguidas, põem em risco a integridade dos programas de computador. É claro que não se pode exigir a perfeição, mas erros de natureza científica e técnica, passados para outros que precisam dessas informações, não podem passar em branco.

O revisor é uma pessoa que merece nossa atenção. Quer na Literatura, quer nas Artes e Ciências, ele é uma das peças chave para a composição de um trabalho importante. Sem ele, muito do que se pensa estar certo, estará, na verdade, equivocado.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
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