sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Conto "O Iluminado", por Rafael Zimichut


CARLOS ESTAVA PASSEANDO com seu filho e esposa no parque, quando viu que tinha uma criança aparentemente, moradora de área livre, brincando sozinha na caixa de areia.
          — Posso brincar com ele, papai?
          Carlos pensou por um minuto, mas não viu maldade alguma naquele ato, afinal, eram apenas duas crianças brincando.  
          Mas poucos minutos depois, seu filho volta correndo gritando.
          — Pai... socorro!!! Me ajuda...
          Ao ver o braço de seu filho, ficou horrorizado, estava ressecado, só pele e osso.
          — Meu Deus do céu – disse a mãe beirando o desespero.
          — O que aconteceu, filho?
          — Estava brincando com o garoto e discutimos, ele ficou nervoso e tocou em meu braço e...
          Carlos abraçou o filho e olhou o garoto brincando como se nada tivesse acontecido.
          — Fica calmo, ok? Confia em mim, vai dar tudo certo.
          O garoto assentiu.
          Carlos respirou fundo e foi até o garoto, sentou-se na frente dele e sorriu.
          — Qual é o seu nome?
          — Ian...
          — É um nome muito bonito, sua mãe que escolheu?
          — Eu não tenho mãe.
          — E quem te deu esse nome?
          — Não sei... só me chamam assim.
          — E você está com fome?
          — Eu sempre estou com fome.
          Carlos sentiu um nó no estômago por ouvir aquilo.
          — Se quiser, podemos te pagar um lanche, gosta de lanche?
          — Gosto de qualquer coisa de comer.
          — Legal... mas posso te pedir só uma coisa?
          — Se forme pagar um lanche, pode.
          — Claro que sim... pode fazer o braço do meu filho voltar ao normal?
          — Posso... mas não quero.
          — Por quê?
          — Porque ele brigou comigo.
          — E se ele te pedir desculpas?
          — Ainda me pagaria o lanche.
          — Indiferente de qualquer coisa te pago um lanche.
          O garoto sorriu, segurou a mão de Carlos e foi até seu filho, sua mão ficou levemente iluminada e o braço de Ted voltou ao normal.
          — Vamos lá comer um lanche?
          — Carlos!!! – indagou sua esposa.
          — É só um lanche...

ELES SENTARAM-SE À MESA e Carlos trouxe lanches, batata frita e refrigerante para todos.
          — Você tem um dom único, Ian, já pensou em usar isso para ajudar as pessoas?
          — Não...
          De repente, uma senhora de aproximadamente quarenta anos de idade passou ao lado da mesa deles e ela era deficiente visual, foi então que Carlos teve uma ideia.
          — Se eu te pedisse para fazer algo, você faria, Ian?
          Ele assentiu.
          Carlos foi até a fila e conversou com a mulher.
          — Senhora, me chamo Carlos, estou com meu filho e um amiguinho dele, ele gostaria de te dar um abraço, seria possível?
           A mulher pensou por um instante, então concordou.
           Ian chegou perto dela, a abraçou e tocou em seus olhos, ela sentiu um leve calor emanando de suas mãos, então aos poucos a escuridão que permeava sua existência foi desanuviando-se, e a primeira coisa que viu na vida foi o garoto que a curou.
          — Meu Deus, como isso é possível?
          Carlos sorriu.
          — Encontramos um garoto muito especial.
          A mulher afagou o rosto de Ian.
          — Você não tem noção do que fez por mim, garoto.
          Ian sorriu alegre.
         Carlos ajoelhou-se entre eles e disse:
         — Todos nós temos um dom especial, Ian, você pode curar as pessoas com as suas mãos, o fato de alguém deixá-lo triste não quer dizer que tenhamos que tratá-los na mesma moeda, use seu dom para curar pessoas e sempre terá as melhores oportunidades.
          — Você tem família, Ian? – perguntou a mulher.
          Ele negou com a cabeça.
          — O que acha de vir morar comigo, sempre quis ter um filho.
          Ele sorriu e a abraçou.
          — E eu sempre quis ter uma mãe...

SOBRE O AUTOR:
RAFAEL ZIMICHUT, escritor e palestrante, autor de mais de 30 livros, incluindo: Um novo dia para amar (Ed. Sonho Azul), Um dia Um adeus (ed. Feles), O sorriso de Cíntia Donnaville (Ed. Viseu), O Éden perdido – O último cristão na Terra (Ed. Autografia), Nada além do céu, Uma sombra além da escuridão entre outros.


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