quinta-feira, 19 de março de 2020

Ícone da poesia underground tem livro publicado pela Cepe


A Cepe lança coletânea do multiartista Jorge Lopes, Poemas reunidos, que mostra a força da herança poética deste poeta pernambucano. O livro já pode ser encontrado nas livrarias e na loja virtual da Editora

Considerado uma referência da resistência underground na poesia pernambucana, Jorge Lopes, cuja obra ficou conhecida a partir de publicações independentes, surge em Poemas reunidos, publicação da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). A coletânea de 94 páginas reúne escritos produzidos entre as décadas de 1970 e 1990. "Não sou poeta de muitos poemas. E pra ser um bom poeta não é preciso quantidade. Minha poesia é curta, rápida, um relâmpago", diz o autor. Este trabalho tão visceral, influenciado por poetas como o maranhense Ferreira Gullar e o norte-americano Walt Whitman, já pode ser encontrado nas lojas da Companhia Editora de Pernambuco e na loja virtual (https://www.cepe.com.br/lojacepe/).

Contemporâneo do autor, o poeta Zé de Lara refere-se à juventude criativa do amigo com a propriedade de ter feito parte da geração que enfrentou as dificuldades impostas pela ditadura militar. "A poesia de Jorge é bem elaborada, apesar da herança marginal falar alto na literatura dele. Pois é: meu grande amigo Jorge Lopes continua virado na febre-do-rato da criatividade. Mas o cara já é avô (um beatnik pai-de-família)", diz, fazendo alusão aos cabelos brancos de J.L., com 68 anos, que se denomina poeta da Geração Xerox, um dos mais atuantes integrantes do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco.

Na apresentação do livro, o poeta Juareiz Correya, primeiro editor a publicar a obra de Jorge, destaca o perfil do multiartista, que ao longo da carreira tem chegado a explorar as mais diversas linguagens culturais. É desenhista, ilustrador, contista, músico, compositor e intérprete. "Se eu tivesse nascido nos Estados Unidos estaria rico", pensa.

"Anos depois, no fim da década de 1980, o poeta Jorge Lopes, com dedicação radical à poesia e a outras atividades culturais marginalizadas, sacrificando empregos formais e a própria família, lança o número zero do jornal alternativo literário Balaio de Gato (que circulou de 1989 a 1999)", conta Juareiz, a quem o amigo tanto considera.

O fanzine ajudou a promover e divulgar grandes nomes da poesia pernambucana, como Alberto da Cunha Melo e Jacy Bezerra. "Foi o jornal literário mais importante da época. Um dos meus maiores orgulhos é ter sido criador e editor do Balaio de Gatos. Nunca imaginaria que um jornal que criei no Beco da Fome conseguisse alcançar tanta força. Fui um dos maiores divulgadores da poesia pernambucana do meu tempo, sem exagero", ressalta Jorge.

O autor transita entre o social e uma linguagem crua que escancara feridas existenciais ou tiradas eróticas como no Conto de foda: "De madrugada / Quando as crianças estão dormindo / O soldadinho de chumbo / Abandona o seu posto / E vai trepar com a bailarina / Da caixinha de música".

Em Réquiem, que denomina de uma canção para os mortos que somos nós, Jorge manifesta a força da herança marginal. Escrito há mais de uma década, o contexto social do poema está vivo e vibrante na análise que faz da trajetória humana na Terra: "Tudo é inútil / Tudo está perdido / Estou cansado".

O poeta explica que não é um pessimista, e sim realista. "Não vejo muito futuro no mundo não. A cada dia que passa as coisas pioram, o ser humano se importa menos com o outro. A tecnologia avança e o homem regride."

SOBRE O AUTOR

Jorge Lopes nasceu no bairro do Cordeiro (Recife), no dia 23 de maio de 1951, terceiro filho de José Lopes e Edrízia Jorge, negros e semialfabetizados. Estudou na Escola Técnica Federal de Pernambuco e, como desenhista técnico trabalhou, de 1974 a 1986, na multinacional Themag Engenharia. Iniciou sua produção artística retratando figuras de projeção e nomes da vida cultural da cidade - a exemplo de José Ermírio de Moraes, Celina de Holanda, Tarcísio Pereira, Raimundo Carrero, Marcus Accioly e Alberto da Cunha Melo, entre outros. Escreve poesia desde 1968, inspirado pelos trabalhos poéticos do norte-americano Walt Whitman e do brasileiro Ferreira Gullar e pela ficção do mineiro Roberto Drummond. Sempre em edições próprias, Jorge Lopes publicou livretos de poesia. Tem poemas publicados em jornais, revistas, blogs e sites, incluídos nas seguintes antologias pernambucanas: Poesia viva do Recife (Cepe Editora, 1986) e Marginal Recife — Coletânea poética 1 (2002).

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