sábado, 6 de junho de 2020

Hélio Bacelar e o livro Aguarrás

Hélio Bacelar - Foto divulgação
Hélio Bacelar Viana nasceu em uma fazenda no município de Teofilândia, Sertão da Bahia, vivenciou a cultura popular desta região até a adolescência e as peculiaridades deste ponto do Brasil lhe aguçaram a criatividade. Destaca-se no plano da composição musical: prêmios e publicações nos gêneros orquestral e didático; transita com fluência na Música, Teatro, Artes Plásticas e Literatura.
Atualmente, com atividades na área de composição musical em suspensão, se dedica a Literatura e Fotografia – é professor de fotografia em projetos de Oficinas da Escola Parque – Salvador.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Hélio Bacelar: De maneira muito surpreendente. Sempre gostei de ler, principalmente ficção científica, mas a oportunidade de publicar um livro me cativou quando estava construindo um roteiro para Ópera. A temática era interessante e versava sobre Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos. Daí saiu um livro, publiquei em Portugal e dei continuidade às minhas criações literárias com poesia, romances e, a título de exercícios fui escrevendo contos, que são “romances menores”. Cheguei a trabalhar com micro contos: contos com no máximo 25 linhas e mesmo buscar contar uma história em uma ou duas frases, no máximo.
Gosto de diversificar meus trabalhos e, tal como acontece na composição musical, trabalho simultaneamente diferentes textos, em distintos tamanhos, desiguais nos conteúdos. 

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Aguarrás”. Poderia comentar? 

Hélio Bacelar: São contos que escrevo e vou guardado. Finalizei este livro “Aguarrás”, com 14 histórias diferentes entre si, no estilo e no contextual. Os contos vão de lendas urbanas a histórias da literatura popular oral, vulgarmente conhecida como “estórias de mentirosos”: Em “Aguarrás” um pintor hiper-realista, excêntrico e viciado em cheirar aguarrás, mata a namorada misteriosamente; em “O Espelho” um bêbado encontra um portal para outra dimensão temporal; “Corpo-Seco” é uma história contada por um grande amigo meu, morador de uma fazenda em Teofilândia, de uma garota que de tão bonita, morreu e o corpo não se decompôs..., virou corpo-seco.
E outras muitas histórias de fantasmas e assombrações em ficção cordelista estilizada, ou elaborada com o jocoso ao tempo que assombroso: ficção fantástica, como prefiro denominar 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

Hélio Bacelar: Ouvir histórias contadas por “mentirosos contadores de lorotas”, livros de autores da ficção cientifica e da literatura nordestina, internet para detalhamentos..., são as fontes de pesquisas que uso.
Nasci em uma fazenda e até os 15 anos tinha meu tempo dividido entre uma cidade pequena e a fazenda que nasci. O contato com pessoas do povo, com a literatura de cordel, com os cordelistas-repentista de Serrinha – Sertão baiano –, contato com autores de diferentes estilos..., me estimularam a criar e criar uma literatura mais nossa; com nossos próprios entes místicos; com nossa própria gente; com nosso próprio tempero!
Devo ter levado anos construindo esses textos. Guardava um pedaço de história..., umas palavras bêbadas em frases desconexas..., uma ideia de jerico – tal como fala o nordestino – e, como bom colecionador de palavras que sou, uma história ouvida na infância. Desta maneira acabei por colecionar contos ao longo de muito tempo.
Tem outro livro de contos que estou organizando “Pedra-Semente”. Título de um dos contos que são as confissões de um Cangaceiro de Lampião que, ferido de morte, viu-se obrigado a se “aposentar”, precocemente, da vida de bandidagem.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?  

Hélio Bacelar: Um dos contos, “A Família de Padecentes”, é uma história baseada em falas da minha avó que viveu a seca de 1930 na Fazenda Abóboras, local onde nasci. Meu bisavô, coronel de patente comprada, abriu os paióis de mantimentos para ajudar os que vagueavam pela região, em busca de comida e água.
Muito me emocionei ao escrever esse conto. A história é curta, mas tem significativa forte. Tal como nos romances que escrevo, com temática nordestina, busco retratar a vida sertaneja até mesmo nas suas falas: “O Sertão dos Curibocas” em três livros e “do Barro ao Santo” e nas histórias que transformo em contos.
“– Se achegue, homem de Deus! – Pronuncia-se Benício, compadecido pela aparente indigência do grupo, e continua a fala: – Parece que tão vindo de muito longe. As criança tão, que é só cara de fome e canseira.
– Sim sinhô! Tâmo carecido de um di cumê. – Um tanto apoucado, o homem fala os outros todos apenas espiam. Os olhares são de muita aflição e de parecer mendicantes.
No fim da comitiva insólita de retirantes, Benício vê uma menina, de pouco mais de três anos, escabreada e muito. Ele dá para a criança um largo sorriso e ela apenas uma carantonha que ele não sabe se é de fome ou de repulsa”.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

Hélio Bacelar: Direto com a Editora Uiclap – https://loja.uiclap.com/titulo/ua1097/ ou https://clubedeautores.com.br/livro/aguarras (versão e-book)

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

Hélio Bacelar: Dois novos livros finalizados, um outro sendo finalizado e, provavelmente, em 2021 um romance sobre um período da história Torre Garcia D’Ávila “As senhoras da casa da Torre”. Mas será ficção. Já tenho a estrutura base e já iniciei as pesquisas.

Perguntas rápidas:

Um livro: A Barca dos Homens – Autran Dourado
Um (a) autor (a): Guimarães Rosa
Um ator ou atriz: Morgan Freeman
Um filme: 2001 Odisseia no Espaço
Um dia especial: O dia do nascimento da minha filha 

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Hélio Bacelar: É quanto a Literatura Brasileira. Estávamos em uma fase difícil, que se tornou mais difícil ainda depois dessa pandemia do Covid-19.
Temos poucos leitores e o nossos leitores terão mais dificuldade no acesso a livros, pois as livrarias estão fechando.
Acredito que seja necessário união e mais união para que o livro se torne mais e mais acessível, seja no papel, seja no e-book, ou mesmo em PDF, em especial nas escolas. Nas escolas é que se inicia e se estimula, ou deveria estimular a leitura.
Um comentário que julgo pertinente: sou professor, de escola pública, trabalho com projetos especiais e fiz a doação de livros meus para alunos. Acontece que alguns voltaram a mim para tirar dúvidas e esclarecimento quanto a algumas palavras que não estavam em seus vocabulários. Mas uma aluna me devolveu o livro, meses depois, pois não conseguiu entender...

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