quarta-feira, 1 de julho de 2020

Felipe de Paiva e o livro A Menina do Sutiã Azul

Felipe de Paiva - Foto divulgação
ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Felipe de Paiva: Sempre tive uma carreira direcionada às ciências exatas. Durante o colegial, formei-me Técnico eletrônico e, por volta do ano de 2004, quando me preparava para prestar o vestibular de engenharia, apaixonei-me por literatura. Cogitei me inscrever para o vestibular do curso de letras da USP, mas minha família surtou! 
Minha mãe, professora de português, adotou uma política terrorista: Disse que se eu optasse pelo curso de letras, ao invés do curso de engenharia, passaria fome e seria apenas um “reles professor”. “Você é tão inteligente, tão bom em matemática! Vai desperdiçar tudo isso fazendo faculdade de letras?” – Ela dizia, acreditem!
Eu era jovem, e acabei cedendo. Bem ou mal, fui aprovado no curso de Engenharia Mecatrônica da UNESP, onde passei 3 longos e tortuosos anos tentando me adaptar à minha frustrante carreira de exatas. Durante esse período, fui convidado a participar de um projeto extra curricular chamado “Gera Bixo”. Tratava-se de um cursinho pré-vestibular para alunos carentes no qual os próprios alunos da universidade davam aulas. Como lá só havia cursos de engenharia, era bastante difícil encontrar voluntários para lecionar português, então assumi as turmas de gramática e pude então me aprofundar ainda mais nas letras.
Acabei abandonando o curso da faculdade e consequentemente o projeto “Gera Bixo”. No final das contas, terminei o curso de engenharia em outra faculdade, anos depois, e mantive meu gosto pela literatura restrita a um hobby. Mas essa é a maior vantagem da literatura, ela é “quase” democrática! Basta ser alfabetizado para usufruir da leitura e da escrita. Para escrever, basta escrever.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “A Menina do Sutiã Azul”. Poderia comentar? 

Felipe de Paiva: Minha “primeira obra”. Na verdade, “A menina do sutiã azul” é meu oitavo romance. Escrevi outros 7 livros que foram parar na lixeira, sem dó. Eram todos um lixo! Mas eu não os desprezo, pelo contrário, eles foram um ensaio, um teste muito importante para que eu desenvolvesse minha escrita e alcançasse um resultado satisfatório.
Esse então foi o meu primeiro livro publicado. Apesar do medo e da insegurança, ele tem sido muito bem recebido. O autor muitas vezes se frustra porque os amigos ou os parentes não leem seus livros, mas a verdade é que é muito mais fácil indicar sua obra a um desconhecido que tem o hábito de ler, do que a um conhecido que não gosta de ler. Quem gosta de ler sempre lerá, mas fazer aquele que não gosta adquirir esse hábito é um uma tarefa hercúlea. É uma barreira muito difícil de transpor.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir sua obra? 

Felipe de Paiva:  Pesquisa? Não houve pesquisa. Uma vida inteira de experiências foi minha pesquisa. Essa é a maior vantagem do romance, ele não precisa ser verídico ou fidedigno a fatos, ele precisa ser verdadeiro apenas com os sentimentos e com a história que se deseja contara.
Agora, para ser honesto, acho que fiz minha pesquisa ao visitar o maior número possível de bordéis durante minha juventude. Bem clichê, né? Mas como um “pseudo engenheiro aspirante a escritor” frustrado que eu era, eu passei boa parte da minha juventude frequentando esses bordéis (vulgarmente chamados de puteiros), em busca de consolo emocional. Visitei muitos, dos mais simples aos mais luxuosos, e conheci neles uma centena de garotas de diversos tipos, cada qual com sua história, suas ambições, medos e frustrações.
Então, se é que posso dizer isso, essa foi a minha pesquisa, foi colecionando as conversas que tive com essas garotas e que um dia me inspirei a escrever esse livro.
Quando comecei a trabalhar firme nesse romance (depois de muitas pausas), fiquei 1 ano debruçado sobre o computador. Coloquei uma data limite, 24/12/2019. Nessa data, não importava o estado geral da obra, eu iria publicar. Isso me forçou a terminar, e depois disso o texto passou ainda por 2 revisões.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em A Menina do Sutiã Azul?

Felipe de Paiva:  Tem um trecho que para mim é muito tocante, mas como se trata de uma passagem muito particular, acredito que não é tão relevante assim para história ou para o leitor. Então eu destaco a seguinte passagem:

“Durante a aula, não consegui parar de olhar para ela. De tempos em tempos, ela me olhava de volta, sorria envergonhada, ajeitava a franja e voltava o olhar para o caderno. Agora que ela sabia dos meus sentimentos, como seria daqui para frente?”

Ou então:

“Na manhã seguinte, acordei e me vi sozinho na cama, com a mente repleta de lembranças e o pequeno sutiã azul de Flavinha enrolado em meus braços.”
Ou ainda:
No dia seguinte, partimos de volta para São Paulo, mas dessa vez levei o sutiã e uma dúvida comigo: “Onde estava Flavinha? “
Era para escolher apenas um trecho né? Desculpa, impossível! 

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

Felipe de Paiva:  Atualmente o livro está publicado na Amazon somente no formato digital. O plano para 2020 é disponibilizar a versão impressa, mas confesso que não temos nenhuma data prevista.

Perguntas rápidas:

Um livro: “A verdade sobre o caso Harry Quebert”. Simplesmente o melhor!
Um (a) autor (a): Agatha Christie. Uma mulher incrível, com obras incríveis e eternas.
Um ator ou atriz: Mauro Ramos. Na verdade, ele é dublador (ou seja, é um BAITA ator). Acho que em termos de técnica e interpretação, ele é o melhor.
Um filme: “Um sonho de liberdade” (Shawshenk redemption). Nem preciso comentar.
Um dia especial: O nascimento do meu filho. 

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Felipe de Paiva: Muitas vezes, a carreira de escritor é vista de maneira lúdica e romantizada, mas a verdade é que escrever é um trabalho! Criar uma obra bem escrita, que retenha o leitor, que conte uma boa história, que emocione e que inspire é, acima de tudo, TRABALHO DURO. É suar a testa, é pensar até que a cabeça fique doendo, é não ceder contra o cansaço e a falta de motivação. Não é algo “bonito” como sentar-se diante do teclado com uma taça de vinho e simplesmente “deixar fluir”, é TRABALHO. E digo mais, é o pior dos trabalhos, porque ele te expõe a críticas e, pior ainda, à indiferença. É como encher um caminhão de terra sem saber se no final do dia você será pago. Aliás, normalmente quando o dia termina, é você quem assina um cheque.
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