segunda-feira, 7 de setembro de 2020

PIANO MECÂNICO, de Kurt Vonnegut

Livro de estreia de Kurt Vonnegut, que narra mundo distópico dominado por máquinas, ganha nova edição depois de 40 anos fora do mercado brasileiro
 
Um mundo em que máquinas realizam atividades cotidianas não é mais especulação da ficção científica há tempos. Ninguém mais se espanta com luzes que se acendem com um simples comando de voz ou carros que não precisam de motorista. Um mundo automatizado já é realidade e a tecnologia frequentemente é vista como aliada do nosso dia a dia, mas e se as máquinas passassem a controlar tudo ― inclusive nós? Esse é o pano de fundo de Piano mecânico, o primeiro livro de Kurt Vonnegut, que faz uma crítica ao excesso de automação sem poupar na ironia, uma das maiores marcas de sua escrita. Publicado originalmente em 1952, o livro chegou ao Brasil em 1973 com o título Revolução no futuro. Agora, mais de quatro décadas depois, ele retorna às livrarias pela Intrínseca em uma edição capa dura e pintura trilateral, seguindo o projeto gráfico de Matadouro-Cinco e Café da manhã dos campeões.
Em um futuro distópico não muito distante, uma Terceira Guerra Mundial aconteceu e as máquinas venceram. Depois disso, um novo mundo surgiu onde quase tudo é automatizado e controlado por máquinas. A sociedade se dividiu em um novo sistema de estratificação, no qual não é mais o dinheiro que define a classe de cada um, mas sim a inteligência. Os indivíduos são divididos e registrados no sistema de acordo com o QI e a capacidade intelectual; a posição social ― uma vida cheia de privilégios ou o esquecimento completo ― de cada um é definida exclusivamente a partir da análise desses dados e a mobilidade social é quase impossível.

Do lado dos privilegiados, a classe formada por engenheiros e gerentes, o doutor Paul Proteus leva uma vida confortável ao lado de sua ambiciosa esposa, Anita. Mas a visita inesperada de Ed Finnerty, seu inquieto e inconformado ex-colega de trabalho, abala sua rotina cômoda e previsível. Após esse encontro, Proteus começa a questionar a hierarquia e toda a estrutura rígida que o cerca, o que o leva a imaginar se uma vida mais simples, sem privilégios e tecnologias, não seria uma forma de voltar a se sentir mais humano.

Ao atravessar o rio que divide as castas da cidade, Paul vê com os próprios olhos como é a vida daqueles que foram excluídos do sistema. Mais do que uma crítica ao progresso desenfreado das tecnologias, Piano mecânico é um livro sobre o desconforto que toda estrutura social causa ao homem. A obra compartilha da ansiedade do pós-guerra presente em 1984, de George Orwell ― livro pelo qual Vonnegut admitiu ter sido fortemente influenciado ―, e explora o medo de que, em tempos de paz, as nações venham a se submeter a níveis potencialmente paranoicos de controle social.
KURT VONNEGUT nasceu em Indianápolis em 1922. Estudou nas universidades de Chicago e do Tennessee. Piano mecânico foi seu primeiro romance e desde então ele escreveu muitos outros, entre eles: As sereias de Titã (1959), Mother Night (1961), Cama de gato (1963), God Bless You, Mr. Rosewater (1965), a coletânea de contos Welcome to the Monkey House (1968), Matadouro-Cinco (1969), Café da manhã dos campeões (1973), Slapstick, or Lonesome No More! (1976), Jailbird (1979), Deadeye Dick (1982), Galápagos (1985), Bluebeard (1987) e Hocus Pocus (1990).
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