segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Celeste Carneiro e sua obra, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Sou arteterapeuta, terapeuta junguiana e transpessoal; supervisora clínica, artista plástica e educadora.

Baiana, nascida em Miguel Calmon-BA e criada em Serrinha, tendo morado na minha primeira infância em Inhambupe, também na Bahia. Fiz graduação em Desenho e Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes de São Paulo – FEBASP, o bonito prédio onde hoje é a Pinacoteca do Estado de SP. Dei aulas em São Paulo e depois voltei para a Bahia, indo residir na Mansão do Caminho, dirigida por Divaldo Franco, de 1977 a 1987. Lá eu dava aulas na escola estadual, colaborava com a Gráfica e Editora LEAL, e tinha as atividades de mãe-social das crianças que lá residiam, além da participação em palestras e atendimentos espirituais para os frequentadores.

Em 1992 criei o curso para estimular o cérebro por meio da Arte, o DLADIC – Desenvolva o lado direito do seu cérebro e descubra o artista que você é! Anos depois ele passou a chamar-se de Criatividade e Cérebro.

Após me aposentar das funções de professora do Estado, em 1999, fui estudar e criar outros cursos. Inicialmente, fiz a Formação Holística de Base (Universidade Holística Internacional da Paz  – UNIPAZ-BA), participando e coordenando (na Bahia e em Sergipe) do Colégio Internacional dos Terapeutas (CIT), vinculado à UNIPAZ.

Complementei essa Formação com a Especialização em Psicologia Transpessoal Aplicada à Educação e à Gestão de Pessoas (Instituto Hólon / Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública).

Em seguida, fiz Especialização em Arteterapia Junguiana (Instituto Junguiano da Bahia – IJBA / Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública). Cursei um ano da especialização em psicopedagogia visando aprender sobre neurologia.

Nos anos seguintes fiz a Formação em Terapia de Vivências Passadas e Aprofundamento em Técnicas Transpessoais (PHOENIX – Centro de Desenvolvimento – Aracaju-SE). Em Aracaju, além de fazer os cursos dei aulas no período de 2004 a 2015.

No período de 2013 a 2015 fui coordenadora, professora e supervisora no curso de Arteterapia em Teresina (PI).

Criei e sou editora da Revista Transdisciplinar - Uma oportunidade para o Livre Pensar - ISSN 2317-8612, disponível on-line, desde janeiro 2013 – http://revistatransdisciplinar.com.br/ e também pelo site www.artezen.org (onde disponibilizo vários artigos meus).

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros. O que a motivou a escrevê-los?

Comecei a escrever e publicar logo que cheguei à Mansão do Caminho, em 1977, com o estímulo de Divaldo Franco que me pediu que escrevesse com minhas palavras sobre o tema Felicidade, a partir de um texto que eu lhe mostrei, publicado numa revista popular. O que escrevi foi publicado na Revista Presença Espírita, uma revista bimestral de excelente qualidade produzida na Mansão do Caminho e que permanece ativa até os dias atuais. 

Na revista da Mansão do Caminho publiquei muitos artigos, poemas, fotografias e ilustrações. Colaborava na revisão, editoração, e confecção da Revista Presença Espírita e em outras publicações.

O primeiro livro que escrevi foi A Veneranda Joanna de Ângelis, que falarei na próxima questão.

Em 1993, já residindo fora da Mansão do Caminho onde morei por 10 anos, recebi o convite para escrever um livro sobre o capítulo Perfeição Moral, de O Livro dos Espíritos, no formato perguntas e respostas, de fácil compreensão e com as referências das obras básicas do espiritismo. O título do livro ficou o mesmo do capítulo do livro de Allan Kardec e vendeu muito rapidamente. Mas não foi reeditado, o que espero fazer um dia, reformulando-o e escrevendo num formato mais atualizado.

O terceiro livro foi Criatividade e Cérebro – Um Jeito de Fazer Artezen, publicado pelas editoras Ponto e Vírgula Publicações (BA), em 2004 e WAK, 3ª edição (RJ), em 2014.

Ele surgiu a partir de um curso que eu ministrava para estimular o uso do cérebro por meio da arte, especialmente o hemisfério direito. Iniciei esse curso em 1992 e, a partir das reações dos alunos com melhora surpreendente na área da aprendizagem, no aspecto emocional, na atenção e concentração, e no aspecto cognitivo, fui estudar neurociências, por conta própria, a fim de saber o porquê dessas melhoras. Resolvi escrever um livro descrevendo o passo a passo desse curso a fim de que outras pessoas pudessem se beneficiar com esse aprendizado. Afinal, poderia vir a morrer a qualquer hora e tudo isso ficaria no esquecimento. Pelo menos estando registrado em um livro poderia perdurar por mais tempo após a minha partida...

Apresentei-o como a minha obra-prima na conclusão do curso da UNIPAZ, em 2004, pois essa era a exigência para a obtenção do certificado de conclusão: cada aluno deveria apresentar algo seu que fosse uma contribuição para o mundo, a sua obra-prima. Na época, o vice-reitor da Universidade Holística Internacional da Paz – UNIPAZ, Roberto Crema, fez a apresentação do livro e pediu que eu convidasse um colega do Colégio Internacional dos Terapeutas, o neurologista e escritor Francisco Di Biasi para que escrevesse o prefácio e fizesse a revisão da parte relativa à neurociência. Em 2005 lancei-o no Congresso de Transpessoal promovido pela ALUBRAT – Associação Luso-Brasileira de Transpessoal, em Campinas.

O quarto livro foi o Arte, Neurociência e Transcendência, da WAK Editora (RJ), publicado em 2010.  Este livro é uma síntese dos cursos de especializações que fiz e dos meus estudos nessa área. Contamos com a assistência da neurofisiologista e professora Francesca Freitas, que fez a apresentação, já o prefácio foi escrito pela presidente da ALUBRAT (Associação Luso-Brasileira de Transpessoal), Vera Saldanha.

Em 2004 concluí a especialização em Arteterapia Junguiana no Instituto Junguiano de Bahia com a chancela da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública. Paralelamente, fiz a Formação Holística de Base (Universidade Holística Internacional da Paz  – UNIPAZ-BA) e, logo em seguida, Especialização em Psicologia Transpessoal Aplicada à Educação e à Gestão de Pessoas (Instituto Hólon / Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública), sob a coordenação de André Luis Peixinho, professor nessas instituições de ensino, o que complementou a Formação da UNIPAZ, voltada para a Psicologia Humanista e Transpessoal.

Entre os anos de 2005 e 2015 fiz as Formações em Aracaju (SE), e lecionei nos mesmos cursos de Aperfeiçoamento em Psicologia e Psicoterapia Transpessoal; Terapia de Vivências Passadas e Aprofundamento em Técnicas Transpessoais (PHOENIX – Centro de Desenvolvimento Transpessoal / Universidade Federal de Sergipe) a convite da coordenadora dos cursos de Transpessoal, a psiquiatra Norma Alves.

Como esses estudos eram muito interessantes e foram aplicados nos atendimentos individuais, o que me deu um vasto campo para pesquisa e estudos, reuni tudo isso nesse livro Arte, Neurociência e Transcendência, que foi lançado no Congresso de Psicologia Transpessoal, promovido pela ALUBRAT – Associação Luso-Brasileira de Transpessoal, em Águas de Lindóia – SP, em 2010.

O quinto livro, Diálogos Criativos entre a Arteterapia e a Psicologia Junguiana, publicado pela WAK Editora (RJ) publicado em 2012, surgiu da necessidade de mostrar a nossa forma de dar aulas no curso de Arteterapia do Instituto Junguiano da Bahia.  Participando de Congressos de Arteterapia em vários Estados brasileiros, percebi que o nosso curso tinha uma visão própria e que seria interessante compartilhar. Para isso, convidei Carla Maciel, a coordenadora desse curso onde eu dava aulas desde 2007, para organizarmos o livro. Convidamos também os professores das disciplinas teóricas a fim de que apresentassem os seus conteúdos. É um livro que tem servido muito aos estudantes e interessados em Arteterapia. Foi prefaciado pela arteterapeuta e escritora paulista, Patrícia Pinna Bernardo, sendo lançado no Congresso de Arteterapia em Natal (RN), em 2012.

Você escreveu um livro sobre Joanna de Ângelis, guia espiritual do médium Divaldo Franco. Fale-nos sobre essa obra.

Quando fui morar na Mansão do Caminho, em fevereiro de 1977, muito me impressionou a personalidade de Joanna de Ângelis, a mentora de Divaldo Franco e idealizadora da Mansão do Caminho, um Espírito que irradia ternura e sabedoria, despertando-nos para a vivência do amor na sua mais elevada expressão. 

Divaldo fez uma palestra sobre suas experiências na Terra, forneceu-me materiais escritos sobre Joanna de Ângelis, a fim de que eu tivesse os subsídios necessários para começar a escrever. Foi muito gratificante, porque, até então, pouco se sabia sobre esse espírito tão elevado e tão especial.

Como analisa a questão da leitura no país?

Em relação aos outros países, como Finlândia cuja população lê em média 14 livros por ano por habitante, o Canadá, 12 e a Coréia do Sul, 10, o Brasil tem poucos leitores, em média 4,96 livros por habitante, segundo pesquisa Retratos da Leitura no Brasil desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro.

Como se não bastasse, os nossos leitores leem, mas nem sempre conseguem interpretar o que foi lido, e nem todos chegam a ler o livro até o final. 

Muitos preferem ler de forma rápida o que acham de interessante na internet. Mas as informações mais importantes precisam estar logo nas primeiras linhas, porque não costumam ler até o final do texto.

O livro digital, para uma boa parte dos leitores que já leram, é menos atraente do que o livro impresso. E o livro impresso nem sempre tem um preço acessível para cerca de 27 milhões de brasileiros nas classes C, D e E que costumam comprar livros. Com a possibilidade de ser retirada a isenção tributária sobre livros e a cobrança de uma alíquota de 12% sobre os mesmos, teremos um forte impacto, tanto para os leitores, quanto para as livrarias e editoras. 

É lamentável ver as grandes livrarias fechando suas portas...

O hábito da leitura deve ser cultivado desde a infância. Em nosso lar, mamãe, que adorava ler, costumava reunir os 7 filhos para ouvir a leitura que fazia de romances, histórias de santas, livros de medicina, como O médico do lar (com imagens que ela gostava de nos mostrar e ler as descrições, explicando de acordo com o seu entendimento).  E ela só estudou até o segundo ano primário!...  Lia os livros e anotava para saber quantos livros tinha lido.

Se os filhos não veem os pais lendo, fica mais difícil gostar de leitura.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019) e O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020). Organizadora dos livros: Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da Revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e colunista da Revista Conexão Literatura. Seu mais novo livro se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020).

Compartilhe:

0 comentários:

Postar um comentário

Baixe a Revista (Clique Sobre a Capa)

baixar

E-mail: ademirpascale@gmail.com

>> Para Divulgação Literária: Clique aqui

Curta Nossa Fanpage

Siga Conexão Literatura Nas Redes Sociais:

Receba nossas novidades por e-mail (você receberá um email. Basta confirmar ):

Anuncie e Divulgue Conosco

Posts mais acessados da semana

COMUNIDADE INFLUXO

SONHOS FULGURANTES - ROBERTO MINADEO

CLUBE DO LIVRO UNIÃO

LIVRO: O CLUBE DE LEITURA DE EDGAR ALLAN POE

LIVRO DESTAQUE

FUTURO! - ROBERTO FIORI

SROMERO PUBLISHER

Leitores que passaram por aqui

Labels