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segunda-feira, 29 de março de 2021

Cinthia Rodrigues e o livro 21 Histórias de estudantes que mudaram a escola, por Cida Simka e Sérgio Simka

Cinthia Rodrigues - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Costumo dizer que nunca saí da escola. Sou filha de professora e acompanhava muito minha mãe enquanto criança. Cresci, me formei jornalista, mas Educação sempre foi minha área de cobertura desde os tempos que passei por jornais como Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo, até revistas especializadas como Nova Escola e Carta Educação. Tenho filhos gêmeos e sempre participei ativamente de suas escolas como conselheira escolar. Todos estes diferentes papéis em torno da escola me fizeram enxergar que a sociedade podia fazer mais pela escola, mas faltavam ferramentas para se conectar. Com a Luciana Alvarez (também autora do livro) e duas outras jornalistas engajadas, Luísa Pécora e Tatiana Klix, criei, em 2015, o Quero na Escola, em que estudantes dizem o que mais querem aprender além do currículo e buscamos voluntários para atender dentro da escola.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que a motivou a escrever?

Eu e Luciana escrevemos o livro "21 Histórias de estudantes que mudaram a escola". Foi a experiência no Quero na Escola que motivou o livro. Todos os anos atendemos centenas de pedidos de estudantes em ações dentro das escolas, algumas se desdobram em projetos ou novas relações com a escola. Mas alguns estudantes não sabiam o que pedir a mais ou pediam algo, porém diante do questionamento da direção voltavam atrás. Em resumo: muitos adolescentes não estão certos de que estudantes podem mudar a escola.

Eu conhecia exemplos como da Malala, da Dorina, da Greta e dos chilenos que vêm mudando as leis de seu país com grandes protestos e também estudantes que, via Quero na Escola ou ações não famosas, mudaram a relação deles e dos colegas com a escola. Baseada na premissa de que representatividade importa, que tanto vem sendo provada pelos movimentos negro e feminista, pensei no livro como algo que pudesse dar exemplos. Há histórias de quem enfrentou racismo, história de indígena que não tinha sua identidade reconhecida na escola, história de pessoa trans que estudou quando sequer a OMS aceitava a homossexualidade, história de um rapaz que fez uma escola em um campo de refugiados, história de um estudante que levou música e livros para sua escola... enfim, exemplos diversos, sempre acompanhados de dados e lindas ilustrações. A ideia é que cada história funcione sozinha e possa inspirar algumas causas e ações, mas juntas elas demonstrem como os estudantes podem - e são as pessoas mais indicadas para - moldar a escola para atender novas necessidades. 

Fale-nos sobre o programa “Quero na escola”.

O programa Quero na Escola normalmente funciona com os estudantes pedindo o que mais querem aprender além do currículo e os voluntários se cadastrando para ir pessoalmente. Acreditamos muito nas trocas que acontecem nestes encontros. Com a Covid-19 fizemos adaptações. Atualmente os voluntários se cadastram para acompanhar virtualmente os estudantes em encontros periódicos, como tutores de um grupo que estuda em formato híbrido ou remoto. O site é queronaescola.com.br e tanto os estudantes quanto os voluntários podem se cadastrar por lá. 

Fale-nos sobre a campanha de financiamento coletivo. 

Estamos na reta final de uma campanha de financiamento coletivo para o livro em https://www.catarse.me/21estudantes  As pessoas que nos apoiarem receberão o livro pelo correio já em abril. A campanha também possibilitará a doação do livro a estudantes de escolas públicas pré-cadastrados para receber o livro. Além disso, as ilustrações do livro são tão lindas que vamos fazer minipôsteres que também estão entre os mimos da campanha. 

Como analisa a questão da educação em tempos de pandemia?

Um desastre total. Eu sempre me lembro do professor Renato Janine quando assumiu como Ministro da Educação (no governo Dilma) e comentou que a diferença da Educação para a Saúde, é que o doente tem um alarme, que é a dor, e sai em busca de tratamento. Na educação, os que mais precisam são os que menos conhecem seus direitos e por isso a gente não tem senso de urgência. Isso agora ficou alarmante. Os governos têm tratado educação como se não fosse essencial, não dão ferramentas para estudantes e educadores trabalharem remotamente, não dão qualquer apoio. E as pessoas não estão organizadas e não exigem educação, especialmente pública. Os professores buscam seus direitos básicos e os alunos não buscam e não ganham. A desigualdade vai aumentar muito depois desta pandemia. Este cenário horrível também me fez apostar mais no livro. Mais do que nunca vamos precisar mais de inspirações.

Como analisa a questão da leitura no país?

Acredito que em decorrência da falta de acesso à educação (no Brasil o direito à educação só foi garantido a todos em 1988,  com a Constituição Cidadã) a leitura infelizmente é algo ainda restrito às classes mais privilegiadas. Apesar disso, acredito que há avanço especialmente entre os jovens. Ainda que seja uma leitura muito vinda do hemisfério norte, sucessos como Harry Potter fizeram mais pessoas entre as novas gerações capazes de mais leitura. 

O que tem lido ultimamente?

No último ano, algumas das minhas leituras eram relacionadas ao tema do livro "21 Histórias de estudantes que mudaram a escola", pesquisei várias obras sobre as personagens. Também foi impactante aí "Ensinando a transgredir" de Bell Hooks. No começo da pandemia, eu li livros sobre pessoas que viveram situações do confinamento, como Anne Frank, e também inspirações para uma sociedade diferente como "Ideias para adiar o fim do mundo" de Ailton Krenak.  

Link para o financiamento coletivo: https://www.catarse.me/21estudantes


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).


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