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quarta-feira, 16 de junho de 2021

ENTREVISTA: Ana Maria Haddad Baptista, sua trajetória intelectual e seus livros, por Cida Simka e Sérgio Simka

Ana Maria Haddad Baptista - Foto divulgação

Fale-nos sobre você. Sua formação, seu trajeto profissional e o que julgar necessário. 

Sou formada em Letras. Fiz mestrado e doutorado em Semiótica na PUC/SP. Tenho pós-doutorado pela Universidade de Lisboa e pela PUC/SP  em História da Ciência. Aposentei-me na PUC/SP onde orientei muitas teses no programa em questão.  Atualmente trabalho na Universidade Nove de Julho em dois programas de pós-graduação, stricto sensu, na área da Educação. Na mesma Universidade leciono, com extrema alegria,  para cursos da graduação. Sou uma professora e pesquisadora. Sinto-me privilegiada por ser apaixonada pelo que faço. Adoro meus alunos. Surpreendo-me com eles. 

ENTREVISTA:

Você tem inúmeros livros publicados. De maneira geral, eles abordam temas acerca da educação, literatura, filosofia e ciências. 

Sim. Mas não sou uma escritora. Considero-me, no máximo,  uma ensaísta. Que fique bem claro isso. Não posso, em hipótese alguma, contradizer minhas convicções a respeito da verdadeira literatura.  Minha formação vem de  cursos interdisciplinares. Portanto, mantive e mantenho, continuamente, para minha felicidade,  diálogos  e interfaces, com diversas áreas dos saberes. 

Você tem trabalhado bastante, de acordo com suas publicações, com as obras de Marco Lucchesi. Fale-nos sobre isso. 

O primeiro contato que tive com as obras do escritor Marco Lucchesi foi por meio de algumas de suas traduções. Em especial, as dos livros de  Umberto Eco. Há mais de 28 anos. Posteriormente, tive o privilégio de uma aproximação, via o saudoso professor Ubiratan A'Dambrosio (com quem trabalhei durante 10 anos na PUC/SP), para um projeto editorial. De tal encontro nasceu, de forma gradativa, um conhecimento maior do conjunto de obras de Marco Lucchesi. Fiquei espantada, encantada e admiradíssima quando descobri a erudição, profundidade e sensibilidade do autor. Um escritor plural. As suas obras  possuem uma estética que dialoga, qualitativamente, com incontáveis áreas do conhecimento e com as artes em geral. Possuem uma intensidade conceitual irradiante. Brilhante.  Experimental.  Aromática na feliz expressão  de Byung-Chul Han.   

A partir daí, conforme fui trabalhando sua literatura com meus alunos da graduação, da pós-graduação e nos diversos cursos de extensão, para formação de professores que ministro pelo Brasil, o autor tem sido uma verdadeira inspiração para mim e para todos aqueles que me cercam. 

Na verdade, a literatura de Marco Lucchesi é a maior referência de minhas pesquisas atuais. Duas orientandas minhas já defenderam teses de doutorado sobre sua literatura. Atualmente tenho duas dissertações de mestrado e uma de doutorado, em andamento,  cujo foco é a literatura do escritor. Ele virou linha de pesquisa do grupo  CNPq liderado por mim. Neste semestre virou "disciplina" nos programas de Educação da Universidade Nove de Julho. E quanto mais eu aprofundo em seu conjunto de obras, mais me convenço de que ele é, não somente um dos melhores escritores contemporâneos do Brasil. Mas do mundo. Para nossa felicidade não sou a única a afirmar isso. Basta acessar a fortuna crítica de Lucchesi. Facilmente se verá o quanto ele é reconhecido, inclusive, em diversos  países do Oriente e do Ocidente. A injustiça nem sempre prevalece. Essencial para a derrota dos pessimistas e para os que não dão o devido valor para nossa literatura.   

Recentemente criamos, eu e mais alguns professores, de formações diversas, um grupo de pesquisa centrado, com exclusividade, na literatura de Marco Lucchesi. 

Como vê a educação universitária nesse tempo de pandemia?

Existem dois aspectos, entre tantos outros,  que devem ser considerados. Um deles demonstrou que somos capazes de inovar, criar e renovar. O outro desmascara professores que não possuem nem conteúdo e muito menos estratégias, sempre necessárias, "sedutoras" para suas aulas. 

Como analisa a questão da leitura no país?

Não suporto a velha e ultrapassada ladainha de que "o brasileiro não lê". Muito menos "que antigamente se lia". Tais inverdades me irritam profundamente. A questão da leitura  vem desde tempos imemoriais. Basta ler Seneca (65 d.C.) que reclamava de quanto não se lia. Ler as memórias de Goethe ou mesmo os diários de Seferis. O Brasil tem muitos leitores. Muitos. Mas poderia ter mais. Um dos caminhos para estimular a leitura deveria ser uma sólida formação dos professores em todos os níveis de ensino. Paulo Freire, por diversas vezes, afirmou que o professor pode muito mais do que imagina. No entanto, de um modo geral, os próprios professores não leem e como tais não têm criatividade e, muito menos, um olhar  lúcido para as questões de  leitura.  Principalmente aqueles que reclamam que seus estudantes não leem. Meus alunos, de todos os níveis, leem. Diversos livros por semestre. Em especial os livros de Marco Lucchesi que os conduzem não somente para outras leituras. Mas, também,  a uma educação estética. 

A leitura é fundamental. Pesquisas sérias mais recentes na área da neurociência, como por exemplo as de Maryanne Wolf, mostram que a leitura, de fato, atinge zonas cerebrais que estimulam não somente a sensibilidade, mas, inclusive, nossa capacidade de crítica e tantas outras que promovem o contínuo exercício de pensamento. Tão necessário para enfrentarmos a vida  e perseguir os reais valores que nos cercam, assim como aberturas que nos indiquem as trilhas da   solidariedade. Caminho possível, como diria Bauman, para um mundo mais justo e menos miserável. 

Link para a entrevista com Marco Lucchesi:

http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2021/05/exclusivo-marco-lucchesi-presidente-da.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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